{"id":17617,"date":"2014-06-23T14:20:56","date_gmt":"2014-06-23T14:20:56","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=115213"},"modified":"2014-06-23T14:20:56","modified_gmt":"2014-06-23T14:20:56","slug":"fukushima-e-um-desastre-que-nao-terminou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/fukushima-e-um-desastre-que-nao-terminou\/","title":{"rendered":"\u201cFukushima \u00e9 um desastre que n\u00e3o terminou\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_115215\" style=\"width: 330px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1149.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-115215\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1149.jpg\" alt=\"1149 \u201cFukushima \u00e9 um desastre que n\u00e3o terminou\u201d\" width=\"320\" height=\"240\" title=\"\u201cFukushima \u00e9 um desastre que n\u00e3o terminou\u201d\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Consultor independente em energia nuclear, Mycle Schneider afirma que essa alternativa est\u00e1 em decl\u00ednio. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 23\/6\/2014 \u2013 J\u00e1 se passaram tr\u00eas anos desde o terremoto e subsequente tsunami que afetaram quatro reatores da usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Jap\u00e3o. Mas as conseq\u00fc\u00eancias prosseguem devido ao cont\u00ednuo vazamento de radioatividade no ambiente, alertou o consultor independente em energia at\u00f4mica, Mycle Schneider.<\/p>\n<p>Em 1997, Schneider recebeu o Right Livelihood Award, considerado o Pr\u00eamio Nobel Alternativo, por alertar o mundo sobre os riscos do uso do plut\u00f4nio. Al\u00e9m disso, em 2007, foi designado membro do Grupo Internacional para Materiais F\u00edsseis, com sede na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia atual \u00e9 operar cada vez menos usinas nucleares, disse o especialista durante visita ao Brasil. Em lugar de um renascimento, o mundo atravessa um decl\u00ednio no uso dessa fonte de energia.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 IPS, Schneider falou sobre a iniciativa que desenvolvem Brasil e Argentina no contexto de seu acordo de coopera\u00e7\u00e3o em energia at\u00f4mica. Segundo o especialista, a ideia poderia ser adaptada a regi\u00f5es cr\u00edticas, como o Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>IPS: Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da op\u00e7\u00e3o nuclear como fonte de energia no mundo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MYCLE SCHNEIDER: <\/strong>A situa\u00e7\u00e3o do uso comercial da energia nuclear \u00e9 bastante diferente da percebida pela popula\u00e7\u00e3o. Se analisarmos a quantidade de reatores nucleares operando no mundo, veremos que o m\u00e1ximo foi alcan\u00e7ado em 2002, h\u00e1 12 anos. Na \u00e9poca, havia 444 funcionando ao mesmo tempo. Agora, h\u00e1 cerca de 400 reatores operacionais. Oficialmente, no Jap\u00e3o funcionam 48, mas nenhum gera eletricidade, embora a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica continue considerando-os em funcionamento. Na realidade, h\u00e1 um decl\u00ednio significativo. Na Europa, o n\u00famero m\u00e1ximo foi alcan\u00e7ado em 1988, h\u00e1 25 anos, quando estavam operando 177 reatores; agora restam apenas 131, 46 unidades a menos. N\u00e3o vivemos um renascimento, mas um decl\u00ednio. A propor\u00e7\u00e3o da energia nuclear na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica no mundo chegou ao seu m\u00e1ximo em 1993, h\u00e1 20 anos, quando representava 17% e agora gira em torno de 10%. A tend\u00eancia claramente aponta para a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero das usinas em funcionamento.<\/p>\n<p><strong>IPS: Quais as li\u00e7\u00f5es deixadas pelo desastre de Fukushima?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MS: <\/strong>A opini\u00e3o p\u00fablica mundial foi muito influenciada por Fukushima. Essa fonte de energia perdeu aceita\u00e7\u00e3o, na \u00c1sia muito mais do que em outras partes. Na Europa tamb\u00e9m, mas com diferen\u00e7as entre os pa\u00edses. Por exemplo, na Su\u00ed\u00e7a foi enorme, na Gr\u00e3-Bretanha bem menos, e na Alemanha a oposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava bastante assentada. Mudou muito em pa\u00edses como China e Coreia do Sul porque esses pa\u00edses est\u00e3o muito mais perto do Jap\u00e3o. A sociedade operou as usinas de energia nuclear segundo uma equa\u00e7\u00e3o muito simples: um perigo potencialmente enorme multiplicado por uma baix\u00edssima probabilidade de ocorr\u00eancia \u00e9 igual a um risco aceit\u00e1vel. A equa\u00e7\u00e3o se fez em peda\u00e7os em Fukushima. As pessoas se deram conta de que uma baixa probabilidade n\u00e3o necessariamente equivale a n\u00e3o ocorr\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 risco zero. A li\u00e7\u00e3o mais importante que a sociedade deve aprender \u00e9, antes de tudo, reduzir o perigo potencial. A energia contida nos tanques de g\u00e1s natural l\u00edquido, por exemplo, \u00e9 incr\u00edvel em termos de energia pura. Pode ser equivalente a duas vezes a bomba lan\u00e7ada sobre Nagasaki (1945) em um tanque. \u00c9 muito pouco prov\u00e1vel que exploda, mas, mesmo o risco sendo apenas 10%, o dano que poderia causar supera toda imagina\u00e7\u00e3o. E essas bombas est\u00e3o por todas as partes.<\/p>\n<p><strong>IPS: O que Fukushima representa quanto \u00e0 seguran\u00e7a das usinas nucleares?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MS: <\/strong>As pessoas acreditam que Fukushima foi o pior caso j\u00e1 ocorrido, mas n\u00e3o \u00e9 assim. Pode ser pior, pois n\u00e3o terminou. O acidente continua e j\u00e1 se passaram tr\u00eas anos. H\u00e1 cont\u00ednuos vazamentos de radioatividade no ambiente porque o invent\u00e1rio da radioatividade n\u00e3o est\u00e1 estabilizado. \u00c9 um fato sem precedentes por sua complexidade, sua dimens\u00e3o e suas consequ\u00eancias. O maior problema \u00e9 que a metodologia escolhida pelo governo japon\u00eas e pela Tepco (empresa operadora da usina afetada pelo terremoto e posterior tsunami de 11 de mar\u00e7o de 2011) n\u00e3o parece apropriada. Vemos que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de se estabilizar. A quantidade de radioatividade que vazou para a \u00e1gua e os por\u00f5es \u00e9 estimada no triplo da liberada ap\u00f3s o acidente em Chernobil (na atual Ucr\u00e2nia, em 1986). O assunto est\u00e1 muito subestimado.<\/p>\n<p><strong>IPS: Brasil e Argentina compartilham uma associa\u00e7\u00e3o para a coopera\u00e7\u00e3o nuclear. O que pensa da iniciativa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MS: <\/strong>A energia nuclear na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 insignificante para a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e contribui com apenas 5% na Argentina e com 3% no Brasil, para a matriz energ\u00e9tica. A Ag\u00eancia Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), que se concentra em quest\u00f5es de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 dif\u00edcil de se avaliar do estrangeiro \u2013, mas aparentemente conta com cem inspetores. \u00c9 um n\u00famero grande considerando a quantidade de instala\u00e7\u00f5es a serem inspecionadas. \u00c9 uma iniciativa muito interessante. Discutimos as possibilidades de adaptar esse tipo de enfoque para outras regi\u00f5es, por exemplo, no Oriente M\u00e9dio, uma das regi\u00f5es problem\u00e1ticas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 23\/6\/2014 &ndash; J&aacute; se passaram tr&ecirc;s anos desde o terremoto e subsequente tsunami que afetaram quatro reatores da usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Jap&atilde;o. Mas as conseq&uuml;&ecirc;ncias prosseguem devido ao cont&iacute;nuo vazamento de radioatividade no ambiente, alertou o consultor independente em energia at&ocirc;mica, Mycle Schneider. Em 1997, Schneider recebeu o [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/fukushima-e-um-desastre-que-nao-terminou\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":77,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1558,989],"class_list":["post-17617","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-energia-nuclear","tag-inter-press-service-reportagens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/77"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17617\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}