{"id":17620,"date":"2014-06-24T13:26:56","date_gmt":"2014-06-24T13:26:56","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=115291"},"modified":"2014-06-24T13:26:56","modified_gmt":"2014-06-24T13:26:56","slug":"direita-dos-estados-unidos-sem-apoios-para-intervir-no-iraque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/direita-dos-estados-unidos-sem-apoios-para-intervir-no-iraque\/","title":{"rendered":"Direita dos Estados Unidos sem apoios para intervir no Iraque"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_115292\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1169.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-115292\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/1169.jpg\" alt=\"1169 Direita dos Estados Unidos sem apoios para intervir no Iraque\" width=\"629\" height=\"374\" title=\"Direita dos Estados Unidos sem apoios para intervir no Iraque\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Soldados dos Estados Unidos na cidade de Basra, no Iraque, durante a ocupa\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 24\/6\/20014 \u2013 Os pol\u00edticos e assessores conservadores que apoiaram a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque em 2003 n\u00e3o conseguiram convencer a popula\u00e7\u00e3o e nem o Congresso da necessidade de uma nova interven\u00e7\u00e3o militar naquele pa\u00eds, apesar de sua onipresente press\u00e3o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De fato, em contraste com a posi\u00e7\u00e3o acr\u00edtica adotada por quase todos os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o norte-americanos no per\u00edodo pr\u00e9vio \u00e0 invas\u00e3o do Iraque, em mar\u00e7o de 2003, desta vez v\u00e1rios deles recha\u00e7am abertamente os conselhos dos chamados falc\u00f5es conservadores sobre a resposta que Washington deve dar ao avan\u00e7o dos radicais isl\u00e2micos sunitas no Iraque.<\/p>\n<p>O exemplo mais impressionante se viu no canal de not\u00edcias Fox News, tradicionalmente identificado com a direita e o opositor Partido Republicano. A \u00e2ncora Megyn Kellyn apresentou Dick Cheney, o vice-presidente nos dois governos de George W. Bush (2001-2009), como \u201co homem que ajudou a levarmos o Iraque \u00e0 primeira inst\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO senhor disse que (o ex-presidente iraquiano) Saddam Hussein (1979-2003) tinha armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa\u201d, recordou Kelly a Cheney, no dia 17 deste m\u00eas. \u201cAssegurou que ser\u00edamos recebidos como libertadores. Disse que a insurg\u00eancia (sunita) dava seus \u00faltimos suspiros, em 2005. E disse que depois de nossa interven\u00e7\u00e3o os extremistas teriam que repensar sua estrat\u00e9gia da jihad. Agora, com um gasto ali de quase US$ 1 trilh\u00e3o, com 4.500 vidas norte-americanas perdidas naquele pa\u00eds, o que diz aos que afirmam que o senhor estava t\u00e3o equivocado sobre tantas coisas \u00e0 custa de tantas pessoas\u201d?, perguntou a apresentadora.<\/p>\n<p>\u201cSimplesmente, estou fundamentalmente em desacordo\u201d, respondeu Cheney, que acabava de publicar um artigo de opini\u00e3o no <em>Wall Street Journal<\/em> com sua filha, Liz Cheney, no qual utilizara essa \u00faltima frase pra descrever a pol\u00edtica do presidente Barack Obama.<\/p>\n<p>O jornal <em>The New York Times<\/em>, habitualmente s\u00e9rio e respeitoso, brincou com as cr\u00edticas contra a pol\u00edtica de Obama feitas por John Bolton, ex-embaixador junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) durante o governo de Bush, em um artigo sobre a \u201csemana de regresso da administra\u00e7\u00e3o Bush\u201d, caracterizada por um \u201cdesfile de neoconservadores que apareceram recentemente na televis\u00e3o por cabo e sem semin\u00e1rios conservadores para dizer \u2018eu te disse\u2019 a respeito do Iraque\u201d.<\/p>\n<p>E quando o senador republicano John McCain defendeu no Senado uma \u201ca\u00e7\u00e3o imediata\u201d contra as for\u00e7as do Estado Isl\u00e2mico do Iraque e o Levante (Isis) para evitar seu posterior avan\u00e7o sobre Bagd\u00e1, a jornalista do <em>Washington Post<\/em>, Dana Milbank perguntou \u201cquando John McCain argumenta a favor da guerra algu\u00e9m o ouve\u201d?.<\/p>\n<p>O Isis \u00e9 um grupo extremista que se separou da rede isl\u00e2mica Al Qaeda e que reclama territ\u00f3rios do Iraque e da S\u00edria e impulsiona a ofensiva da minoria sunita, \u00e0 qual pertencia Saddam, executado em 2006, que vem avan\u00e7ando no norte e no centro do Iraque nos \u00faltimos dez dias.<\/p>\n<p>Como disse Milbank, \u201cser um intervencionista \u00e9 um trabalho solit\u00e1rio nestes dias\u201d. As pesquisas dos \u00faltimos anos revelam que o p\u00fablico norte-americano est\u00e1 desiludido com a guerra em geral, n\u00e3o s\u00f3 com as interven\u00e7\u00f5es militares de Washington no Iraque e Afeganist\u00e3o. Uma pesquisa feita pela Ipsos\/Reuters este m\u00eas mostra que 55% dos entrevistados s\u00e3o contra qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos, enquanto apenas 20% a apoiaria, e que h\u00e1 pouca diferen\u00e7a entre os que se consideram republicanos e democratas.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o prejudicou claramente a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a credibilidade dos falc\u00f5es, especialmente daqueles \u2013 como Cheney, Bolton e o ex-subsecret\u00e1rio de Defes, Paul Wolfowitz, e o editor do seman\u00e1rio <em>Weekly Standard<\/em>, Bill Kristol \u2013 que apoiaram de forma destacada a guerra no Iraque e agora pedem uma nova interven\u00e7\u00e3o, pelo menos, com ataques a\u00e9reos.<\/p>\n<p>No momento, at\u00e9 os l\u00edderes republicanos no Congresso parecem satisfeitos com as medidas anunciadas por Obama no dia 19 deste m\u00eas \u2013 uma vigil\u00e2ncia a\u00e9rea refor\u00e7ada e o envio de no m\u00e1ximo 300 assessores militares para reverter o avan\u00e7o do Isis. Washington tamb\u00e9m pressiona o primeiro-ministro iraquiano, o xiita Nouri Al Maliki, a quem praticamente todos os observadores deste pa\u00eds culpam por alienar sistematicamente a popula\u00e7\u00e3o sunita no Iraque, para que renuncie a um terceiro mandato ou compartilhe o poder de forma que a oposi\u00e7\u00e3o sunita apoie o governo.<\/p>\n<p>A maioria dos especialistas norte-americanos no Iraque insistem que os ataques a\u00e9reos ou qualquer medida militar adicional dos Estados Unidos deve contar com o acordo de Maliki e o apoio e a eventual ajuda do Ir\u00e3, da Ar\u00e1bia Saudita e de outros vizinhos para estabilizar o pa\u00eds. Mas os falc\u00f5es afirmam que Washington carece da influ\u00eancia militar, isto \u00e9, de dezenas de milhares de soldados norte-americanos, para conseguir uma solu\u00e7\u00e3o desse tipo.<\/p>\n<p>E por esta situa\u00e7\u00e3o culpam Obama quando retirou as for\u00e7as dos Estados Unidos em 2011, depois que o parlamento iraquiano se negou a aceitar um acordo extremamente impopular que daria imunidade legal \u00e0s for\u00e7as norte-americanas.<\/p>\n<p>De fato, em conson\u00e2ncia com sua tentativa de retratar a pol\u00edtica externa de Obama como fr\u00e1gil, o discurso dos falc\u00f5es atribui a crise atual \u00e0 decis\u00e3o do presidente de retirar os militares norte-americanos e n\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria responsabilidade pela invas\u00e3o de 2003 e suas consequ\u00eancias (inclu\u00edda a destrui\u00e7\u00e3o do Estado iraquiano e o aumento do sectarismo), sem se centrar no que Washington deveria fazer diante da ofensiva do Isis.<\/p>\n<p>Os conservadores t\u00eam especial preocupa\u00e7\u00e3o com o interesse de Washington para que o Ir\u00e3 participe com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise no Iraque, algo que come\u00e7ou em meados deste m\u00eas com uma breve reuni\u00e3o de alto n\u00edvel, paralela \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es internacionais em curso sobre o programa nuclear de Teer\u00e3. Os conservadores se opuseram com veem\u00eancia quando um destacado falc\u00e3o republicano, o senador Lindsey Graham, apoiou a ideia de que Teer\u00e3, que apoia o governo de Maliki, tenha um papel importante na solu\u00e7\u00e3o do problema do Isis.<\/p>\n<p>\u201cA ideia de que os Estados Unidos, uma na\u00e7\u00e3o que defende a democracia e a prote\u00e7\u00e3o da estabilidade, compartilhe um interesse comum com a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3, uma teocracia revolucion\u00e1ria que \u00e9 patrocinadora n\u00famero um do terrorismo no mundo, \u00e9 t\u00e3o descabelada quanto se Neville Chamberlain e Adolf Hitler tivessem trabalhado junto para o bem da Europa\u201d, escreveram, no <em>Washington Post<\/em>, Michael Doran, um alto assessor do governo Bush no Oriente M\u00e9dio, e Max Boot, do Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (CFR).<\/p>\n<p>Esse tema foi usado pelos Cheney, que escreveram que \u201cs\u00f3 um bobo\u201d buscaria a participa\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3 em rela\u00e7\u00e3o ao Iraque, deixando de lado a opini\u00e3o do ex-secret\u00e1rio de Estado, James Baker \u2013 e colega de Cheney no governo Bush \u2013, que afirmou que \u201co Ir\u00e3 j\u00e1 \u00e9 o ator externo mais influente no Iraque e que, portanto, qualquer esfor\u00e7o sem sua participa\u00e7\u00e3o provavelmente fracasse\u201d. Naturalmente, uma das muitas consequ\u00eancias n\u00e3o buscadas da invas\u00e3o de 2003 e da ascens\u00e3o xiita durante a ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana foi que o Iraque se aproximasse do Ir\u00e3. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 24\/6\/20014 &ndash; Os pol&iacute;ticos e assessores conservadores que apoiaram a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque em 2003 n&atilde;o conseguiram convencer a popula&ccedil;&atilde;o e nem o Congresso da necessidade de uma nova interven&ccedil;&atilde;o militar naquele pa&iacute;s, apesar de sua onipresente press&atilde;o nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. 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