{"id":17625,"date":"2014-06-25T13:33:23","date_gmt":"2014-06-25T13:33:23","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=115346"},"modified":"2014-06-25T13:33:23","modified_gmt":"2014-06-25T13:33:23","slug":"as-criadoras-de-gado-sao-agentes-de-mudanca-na-india","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/as-criadoras-de-gado-sao-agentes-de-mudanca-na-india\/","title":{"rendered":"As criadoras de gado s\u00e3o agentes de mudan\u00e7a na \u00cdndia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_115348\" style=\"width: 557px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/india_pastoras.jpg\"><img class=\"wp-image-115348 size-full\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/india_pastoras.jpg\" alt=\"india pastoras As criadoras de gado s\u00e3o agentes de mudan\u00e7a na \u00cdndia\" width=\"547\" height=\"472\" title=\"As criadoras de gado s\u00e3o agentes de mudan\u00e7a na \u00cdndia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Suma Bhen, criadora de camelos no Estado indiano de Gujarat, e suas duas filhas. Foto: Athar Parvaiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kutch, \u00cdndia, 25\/6\/2014 \u2013 Quando foi convidado para ser membro executivo da associa\u00e7\u00e3o de criadores de camelo, Sangan Bhai, um homem humilde da regi\u00e3o indiana de Kutch, no Estado de Gujarat, sugeriu que o posto fosse ocupado por sua mulher, em uma decis\u00e3o que surpreendeu a comunidade. A raz\u00e3o, segundo explicou \u00e0 IPS, \u00e9 simples. Ao contr\u00e1rio dele, ela sabe ler e escrever e conhece tanto sobre cria\u00e7\u00e3o de camelos como qualquer outro.<\/p>\n<p>Meera Bhen, a \u00fanica mulher em sua comunidade que foi \u00e0 escola, embora s\u00f3 at\u00e9 o quarto grau, aceitou de bom grado o desafio. \u201cMeu pai era muito favor\u00e1vel \u00e0 minha educa\u00e7\u00e3o, mas morreu quando eu era menina e tive que deixar a escola. Mas continuei lendo e escrevendo\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Sua perseveran\u00e7a valeu a pena. Agora \u00e9 uma das poucas mulheres da vasta regi\u00e3o \u00e1rida chamada Lakhpat que sabe ler, escrever e tem conhecimentos de aritm\u00e9tica b\u00e1sica, habilidades cruciais nessa comunidade de pastores, com pouca educa\u00e7\u00e3o formal, mas com um conhecimento sem igual sobre gado. Al\u00e9m disso, agora Meera Bhen faz hist\u00f3ria com uma iniciativa pr\u00f3pria: a Kutch Unt Uchherak Maldhari Sangathan (Kuums), uma associa\u00e7\u00e3o de criadores que tem 350 integrantes e come\u00e7a a dar frutos.<\/p>\n<p>\u201cEla foi a primeira a sugerir vendermos o leite de camela\u201d, disse \u00e0 IPS o presidente da Kumms, Bhikha Bhai Rabari. \u201cEntramos em contato com uma companhia l\u00e1ctea e quando o projeto estiver implantado nos pagar\u00e3o o dobro por nossos produtos\u201d, afirmou. Um litro de leite de camela custa entre 17 e 20 r\u00fapias (cerca de US$ 0,30), com o que \u00e9 muito dif\u00edcil sobreviver para esta gente semin\u00f4made que, se acredita, emigrou para a regi\u00e3o de Kutch vinda da prov\u00edncia paquistanesa do Balochist\u00e3o, h\u00e1 aproximadamente mil anos.<\/p>\n<p>Cerca de 37% dos 300 criadores se ocupam de manadas com 30 a 60 camelos. Com poucos mercados formais para vender o leite, s\u00e3o obrigados a depender das ra\u00e7\u00f5es de alimentos entregues pelo governo. H\u00e1 tempo os criadores \u2013 chamados maldharis \u2013 reclamam uma renda complementar.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas atr\u00e1s ganhavam a vida oferecendo os camelos como meio de transporte ou vendendo os machos por um alto pre\u00e7o. Mas, com a moderniza\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos e a constru\u00e7\u00e3o de redes vi\u00e1rias nas zonas rurais da \u00cdndia, est\u00e3o cada vez mais marginalizados. Precisamente esse \u00e9 o problema que Meera Bhen queria solucionar quando teve a ideia da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se a iniciativa prosperar, se converter\u00e1 na primeira empresa a comercializar leite de camela no pa\u00eds. O projeto original, enviado ao governo estadual pela Uni\u00e3o Leiteira do Distrito de Kutch, prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de uma unidade de processamento com uma capacidade entre dois mil e 2.500 litros. O objetivo do empreendimento seria duplo: oferecer uma alternativa de sustento para os maldharis e promover o aumento no consumo de um leite muito nutritivo, com menos gordura do que o de vaca e com mais nutrientes por unidade.<\/p>\n<p>Gujarat tamb\u00e9m \u00e9 onde nasceu a cooperativa l\u00e1ctea Amul, que em 2012 acordou dar a marca e vender o leite de camela, o que fazia o projeto parecer quase infal\u00edvel. Mas, no ano passado, a organiza\u00e7\u00e3o se viu envolvida em um problema legal. Segundo a legisla\u00e7\u00e3o sobre produ\u00e7\u00e3o leiteira, considera-se \u201cleite\u201d apenas os de vaca, b\u00fafala, ovelha e cabra. Organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e especialistas jur\u00eddicos trabalham para reformar a lei para que tamb\u00e9m inclua o de camela, mas at\u00e9 que isso aconte\u00e7a o projeto est\u00e1 parado.<\/p>\n<p>Pouca gente sabe que por tr\u00e1s da proposta que ocupou as manchetes da imprensa nacional est\u00e1 uma mulher humilde. Mas entre os criadores, Meera Bhen \u00e9 apenas uma das muitas mulheres que gozam de maior grau de autonomia e respeito em compara\u00e7\u00e3o com as mulheres nesse pa\u00eds de 1,2 bilh\u00e3o de habitantes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/india_camellos.jpg\"><img class=\"alignright size-full wp-image-115349\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/india_camellos.jpg\" alt=\"india camellos As criadoras de gado s\u00e3o agentes de mudan\u00e7a na \u00cdndia\" width=\"300\" height=\"225\" title=\"As criadoras de gado s\u00e3o agentes de mudan\u00e7a na \u00cdndia\" \/><\/a>Muitas fam\u00edlias na \u00cdndia lamentam cada vez que nasce uma filha, mas n\u00e3o \u00e9 o caso de Banni, uma \u00e1rea da regi\u00e3o de Kutch. Ali se destina um b\u00fafalo para cada menina que nasce. Razia Saleem \u00e9 uma delas. Esta estudante do quarto grau j\u00e1 conta com um patrim\u00f4nio de aproximadamente US$ 3,4 mil em cabe\u00e7as de b\u00fafalo. \u201cIsao pertencer a ela\u201d, contou seu pai, Saleem Nodae, apontando os animais pastando. Cada uma de suas tr\u00eas filhas tem uma parte de suas 80 cabe\u00e7as.<\/p>\n<p>At\u00e9 serem suficientemente grandes para assumirem os animais, as meninas recebem uma parte da renda gerada pela venda de leite de b\u00fafala para \u201ccomprarem o que quiserem\u201d, acrescentou Saleem. O resto \u00e9 destinado \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e ao cuidado do gado. As meninas usam seu dinheiro com intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Razia gastou o que economizou em tr\u00eas anos em um computador. \u201cEsta \u00e9 a era da tecnologia e quero me beneficiar disso\u201d, afirmou a IPS. Por enquanto usa a m\u00e1quina para praticar datilografia e digita\u00e7\u00e3o. \u201cCome\u00e7arei a usar a internet s\u00f3 quando realmente precisar\u201d, acrescentou. \u201cQuando se casar ter\u00e1 entre cinco e sete animais em seu nome. Poder\u00e1 lev\u00e1-los aos familiares de seu marido\u201d, disse Saleem, acrescentando que isso lhe d\u00e1 certo grau de independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Aproximadamente dez mil criadores vivem em Banni, com 168 mil b\u00fafalos, que s\u00e3o mais independentes economicamente do que os criadores de camelos, em parte gra\u00e7as \u00e0 demanda consistente e aos mercados formais para o leite de b\u00fafala. Ainda assim, os criadores n\u00f4mades t\u00eam uma vida simples, levando seus animais para pastar durante todo o ano e pernoitando em casas modestas durante a temporada das mon\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A vida para as criadoras est\u00e1 longe de ser f\u00e1cil. Embora tenham certo grau de independ\u00eancia e respeito, sofrem uma desproporcional carga de responsabilidades comunit\u00e1rias com a busca pela \u00e1gua em um entorno seco. Suma Bhen, \u00e0 frente de uma fam\u00edlia de criadores de camelo, contou \u00e0 IPS que sua fonte de\u00a0 \u00e1gua mais pr\u00f3xima \u00e9 uma represa localizada a cerca de oito quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. A travessia sob o calor abrasador \u00e9 feita \u00e0 p\u00e9, com um camelo cuja energia deve ser cuidada para a volta.<\/p>\n<p>\u201cO camelo pode carregar 70 litros de \u00e1gua, que para n\u00f3s duram dois dias\u201d, afirmou Eisa Taj, marido de Suma Bhen. \u201cE mal basta para nossas necessidades\u201d, acrescentou. Seu filho, Saleh Alma, que ficou escondido durante toda a entrevista, ao final saiu com um papel onde se lia: \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil sem \u00e1gua. Queremos que o governo nos ajude\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kutch, &Iacute;ndia, 25\/6\/2014 &ndash; Quando foi convidado para ser membro executivo da associa&ccedil;&atilde;o de criadores de camelo, Sangan Bhai, um homem humilde da regi&atilde;o indiana de Kutch, no Estado de Gujarat, sugeriu que o posto fosse ocupado por sua mulher, em uma decis&atilde;o que surpreendeu a comunidade. 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