{"id":17630,"date":"2014-06-26T13:04:19","date_gmt":"2014-06-26T13:04:19","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=115433"},"modified":"2014-06-26T13:04:19","modified_gmt":"2014-06-26T13:04:19","slug":"o-caminho-das-ruandesas-do-genocidio-a-passarela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/o-caminho-das-ruandesas-do-genocidio-a-passarela\/","title":{"rendered":"O caminho das ruandesas do genoc\u00eddio \u00e0 passarela"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_115435\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Ruanda.jpg\"><img class=\"wp-image-115435\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Ruanda.jpg\" alt=\"Ruanda O caminho das ruandesas do genoc\u00eddio \u00e0 passarela\" width=\"529\" height=\"378\" title=\"O caminho das ruandesas do genoc\u00eddio \u00e0 passarela\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma das mulheres que aprenderam a costurar no Centro C\u00e9sar, na aldeia de Avega, em Kimironko, perto de Kigali, em Ruanda. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kigali, Ruanda, 26\/6\/2014 \u2013 Antes do genoc\u00eddio de Ruanda em 1994, o marido de Salaam Uwamariya, mantinha ele a seus oito filhos com seu trabalho como professor, enquanto ela vendia verduras no mercado para complementar a renda da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Mas, como aconteceu com muita gente neste pa\u00eds da \u00c1frica central, sua vida mudou em apenas cem dias, quando cerca de 800 mil membros da minoria tutsi e moderados hutus morreram na matan\u00e7a que come\u00e7ou ap\u00f3s a morte do ent\u00e3o presidente de Ruanda, Juvenal Habyarimana, e do seu colega de Burundi, Cyprien Ntaryamira. No dia 6 de abril de 1994, o avi\u00e3o em que viajavam foi derrubado por um m\u00edssil perto de Kigali, para impedir que assinassem um acordo de paz.<\/p>\n<p>Entre os mortos durante o genoc\u00eddio estava o marido de Uwamariya e seus dois filhos mais velhos. Pouco a pouco ela p\u00f4de refazer sua vida confeccionando roupa que vende no pa\u00eds e no exterior e que, inclusive, chegou \u00e0s passarelas de outros pa\u00edses africanos. Atualmente, gra\u00e7as ao Centro C\u00e9sar, ela aprendeu novas t\u00e9cnicas e pode manter sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em 2005, este centro comunit\u00e1rio \u201cadotou\u201d sua aldeia, Avega, em Kimironko, perto de Kigali. \u201cPerdi minha fam\u00edlia, muitos bens materiais, minha casa, tudo\u201d, contou \u00e0 IPS, em kinyarwanda, uma l\u00edngua local. Tamb\u00e9m perdeu seus pais, tias e tios no genoc\u00eddio. \u201cFoi um enorme impacto, n\u00e3o consigo express\u00e1-lo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Avega tem 150 casas e 750 habitantes. Com apoio econ\u00f4mico da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria canadense Ubuntu Edmonton, o centro oferece cursos de capacita\u00e7\u00e3o para os residentes que ficaram marcados pelo resto de suas vidas pela viol\u00eancia fratricida. H\u00e1 cursos de mec\u00e2nica e serigrafia, al\u00e9m de um programa escolar, creches e uma oficina de costura onde Uwamariya trabalha. Semanalmente, cerca de 85 pessoas circulam pelo centro e se beneficiam de seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A costura \u201cmelhorou muito minha vida porque consigo dinheiro. Melhorou minha vida e a dos meus filhos\u201d, disse Uwamariya, que afirmou ganhar cerca de tr\u00eas mil francos ruandeses (US$ 4,44) por pe\u00e7a, que demora apenas dois dias para confeccionar. Todas as costureiras recebem pagamento justo e o dinheiro vai direto para as m\u00e3os das mulheres. Com m\u00e1quinas industriais, um dos professores, o alfaiate Edson Hategekimana, o \u00fanico homem, as ensinou a costurar. Deu aulas a Uwamariya durante um ano, e, segundo ela, \u201cn\u00e3o foi dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p>Em um dia qualquer, costuma haver cerca de 20 mulheres, entre elas Uwamariya, de 58 anos, trabalhando na confec\u00e7\u00e3o de vestidos, jaquetas, cal\u00e7as, bolsas, aventais e bijuterias com motivos africanos. Muitos dos artigos que elaboram incansavelmente s\u00e3o as cria\u00e7\u00f5es a serem apresentadas pela estilista ruandesa Colombe Ndutyiye Ituze.<\/p>\n<p>Curiosamente, foi a canadense Johanne St. Louis que reparou no talento local para ajudar Ituze. As estilistas se conheceram no Festival de Moda de Ruanda em 2010. St. Louis \u00e9 diretora-geral da St. Louis Fashion &amp; Dreamyz Loungewer. Por sua vez, Ituze lan\u00e7ou a Inco Icyusa, uma das primeiras marcas de roupa ruandesas, em 2011.<\/p>\n<p>\u201cGostava muito de suas roupas e perguntei onde mandava fazer, e ela me disse que eram feitas por estas mulheres\u201d do Centro C\u00e9sar, disse Ituze \u00e0 IPS. \u201cVim ao Centro em 2011, e desde 2012 toda minha produ\u00e7\u00e3o \u00e9 feita aqui. Trabalhei com os alfaiates da cidade, mas aqui s\u00e3o muito talentosas. Para grandes pedidos s\u00e3o as melhores\u201d, afirmou. Quando Ituze descobriu o Centro, muitas de suas integrantes tinham habilidades b\u00e1sicas. St. Louis treinou algumas e estas ensinaram outras. \u201cA primeira vez que vim eram boas, mas n\u00e3o tanto como agora. S\u00e3o cada vez melhores\u201d, disse Ituze.<\/p>\n<p>As pe\u00e7as que Uwamariya e suas companheiras costuram s\u00e3o vendidas na loja de Ituze em Niza, Kigali. St. Louis vende as suas em sua loja de Cannington, a cerca de 110 quil\u00f4metros de Toronto. \u201c\u00c9 emocionante fazer roupas para pessoas do Canad\u00e1 porque nos pagam\u201d, disse Uwamariya. \u201cAgora, o desafio \u00e9 conseguir um nicho de mercado, conseguir mais pedidos, mais roupas para fazer\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Talvez isso ocorra mais cedo do que tarde, na medida em que Ituze e St. Louis falem com outras lojas internacionais do setor de vestu\u00e1rio. Juntas abriram a casa Doda Fashion House, em setembro. Doda quer dizer \u201ccosturar\u201d em kinyarwanda. T\u00eam uma oficina em Kimironko, que contratar\u00e1 quatro novas empregadas e prev\u00ea empregar outras 14 mulheres para come\u00e7ar a trein\u00e1-las e criar novos produtos.<\/p>\n<p>Com sorte, nos pr\u00f3ximos anos sua oficina oferecer\u00e1 v\u00e1rios cursos de capacita\u00e7\u00e3o em costura comercial, desenho, m\u00e1quinas de costura e mercado. \u00c9 um grande passo para a ind\u00fastria na diminuta Ruanda, onde n\u00e3o h\u00e1 uma s\u00f3 escola de desenho de moda.<\/p>\n<p>Entretanto, no Centro C\u00e9sar, o supervisor Alain Rushayidi disse \u00e0 IPS que s\u00f3 estar\u00e1 satisfeito quando a organiza\u00e7\u00e3o beneficente for capaz de transferir a propriedade de suas instala\u00e7\u00f5es ao pessoal de Avega. \u201cEste centro deve ser de voc\u00eas. Em dez ou 15 anos pertencer\u00e1 aos seus integrantes, a todas elas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Rushayidi destacou que atualmente est\u00e1 sendo implantada uma estrutura capaz de tornar o centro sustent\u00e1vel e economicamente independente. \u201cN\u00e3o posso explicar os desafios que havia quando come\u00e7amos\u201d a trabalhar, enfatizou. \u201cCostum\u00e1vamos ter um banco de alimentos na aldeia. Havia pessoas infectadas com HIV\u201d (v\u00edrus causador da aids), afirmou. Dez anos depois, \u201cnaturalmente as coisas n\u00e3o est\u00e3o 100%, mas suas vidas melhoraram\u201d, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kigali, Ruanda, 26\/6\/2014 &ndash; Antes do genoc&iacute;dio de Ruanda em 1994, o marido de Salaam Uwamariya, mantinha ele a seus oito filhos com seu trabalho como professor, enquanto ela vendia verduras no mercado para complementar a renda da fam&iacute;lia. 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