{"id":17633,"date":"2014-06-27T12:50:06","date_gmt":"2014-06-27T12:50:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=115524"},"modified":"2014-06-27T12:50:06","modified_gmt":"2014-06-27T12:50:06","slug":"refugiados-centro-africanos-chocam-com-a-populacao-local-em-camaroes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/refugiados-centro-africanos-chocam-com-a-populacao-local-em-camaroes\/","title":{"rendered":"Refugiados centro-africanos conflitam com a popula\u00e7\u00e3o local em Camar\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_115528\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/refugiados_ch.jpg\"><img class=\"wp-image-115528\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/refugiados_ch.jpg\" alt=\"refugiados ch Refugiados centro africanos conflitam com a popula\u00e7\u00e3o local em Camar\u00f5es\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Refugiados centro africanos conflitam com a popula\u00e7\u00e3o local em Camar\u00f5es\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma fam\u00edlia da Rep\u00fablica Centro-Africana que se refugiou na regi\u00e3o Leste, em Camar\u00f5es, depois do golpe de Estado que derrubou o presidente Fran\u00e7ois Boziz\u00e9. Foto: Monde Kingsley Nfor\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guiwa, Camar\u00f5es, 27\/6\/2014 &#8211; Os refugiados da Rep\u00fablica Centro-Africana que vivem na regi\u00e3o Leste de Camar\u00f5es se sentem cada vez mais frustrados com a deteriora\u00e7\u00e3o de suas condi\u00e7\u00f5es de vida e sua incapacidade para se sustentar, devido ao conflito que mant\u00eam com a popula\u00e7\u00e3o local pelos limitados recursos. Eles denunciam que s\u00e3o impedidos de ter acesso a ferramentas agr\u00edcolas porque as ag\u00eancias humanit\u00e1rias temem que as usem como armas contra a popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>Clay-Man Youkoute, diretor do acampamento de Guiwa, contou \u00e0 IPS que essas ag\u00eancias mostraram a eles \u00e1reas onde podem cultivar. \u201cAntes de come\u00e7ar a trabalhar, as ag\u00eancias se negaram a nos dar as ferramentas adequadas. Disseram que se nos dessem fac\u00f5es ir\u00edamos us\u00e1-los contra a popula\u00e7\u00e3o local. \u00c9 muito insultante\u201d, acrescentou. \u201cFomos trabalhar no morro sem ferramentas adequadas, s\u00f3 para que n\u00e3o nos impedissem de usar a terra. O chefe local e seu povo nos mandaram embora dizendo que n\u00e3o t\u00ednhamos o direito de estar em seu territ\u00f3rio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Rosaline Kusangi, com tr\u00eas filhos, teve que colher frutas silvestres para ganhar a vida. Ela caminha todos os dias cinco quil\u00f4metros at\u00e9 um morro pr\u00f3ximo para colher mangas. Depois as vende no mercado de Guiwa. \u201cN\u00e3o posso ter terras, ent\u00e3o dependo das frutas silvestres para sobreviver, mas a popula\u00e7\u00e3o local continua pensando que n\u00e3o tenho direito a elas porque sou refugiada\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Cerca de 1,5 mil refugiados se assentaram em Guiwa, no leste de Camar\u00f5es, como parte do primeiro fluxo de pessoas que fugiram da Rep\u00fablica Centro-Africana ap\u00f3s o golpe de Estado de abril de 2013, quando foi derrubado o presidente Fran\u00e7ois Boziz\u00e9. Mas, em maio, v\u00e1rios refugiados come\u00e7aram a abandonar os acampamentos por causa das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas das Rep\u00fablica Centro-Africana est\u00e3o refugiadas em Camar\u00f5es. Mas, inclusive em Guiwa, vivem em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es com barracas de campanha que se desgastam rapidamente. Faltam \u00e1gua e instala\u00e7\u00f5es adequadas para tratar a \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 mais de um ano estamos aqui e ainda vivemos em abrigos t\u00e3o prec\u00e1rios quanto desgastados. Na esta\u00e7\u00e3o seca faz muito calor dentro e quando chove entra \u00e1gua. Al\u00e9m disso, insetos e cobras entram com facilidade nas barracas\u201d, disse \u00e0 IPS o refugiado Jodel Tanga. Como se n\u00e3o bastasse, as infec\u00e7\u00f5es e a mal\u00e1ria aumentaram nos dois primeiros meses da esta\u00e7\u00e3o chuvosa.<\/p>\n<p>\u201cTodos os dias, cerca de dez pessoas ficam doentes por mal\u00e1ria ou do est\u00f4mago desde que come\u00e7aram as chuvas. Todos os po\u00e7os cavados pela Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur) secaram ou est\u00e3o contaminados, por isso temos de andar dois quil\u00f4metros em busca de \u00e1gua\u201d, explicou \u00e0 IPS a refugiada Juliana Manga, que trabalha como assistente de sa\u00fade no acampamento de Guiwa.<\/p>\n<p>Segundo Manga, \u00e9 dif\u00edcil receber atendimento m\u00e9dico. \u201cQuando vamos \u00e0 cl\u00ednica sempre somos os \u00faltimos a atenderem. Dizem que temos de esperar que a popula\u00e7\u00e3o local seja atendida antes. As enfermeiras dos hospitais fazem coment\u00e1rios e gestos insultantes\u201d, acrescentou. Ela tamb\u00e9m se queixou junto \u00e0s autoridades escolares porque n\u00e3o deixavam que seus filhos fossem \u00e0 escola alegando que havia pouco espa\u00e7o nas salas.<\/p>\n<p>A quantidade de refugiados que cruza a fronteira da Rep\u00fablica Centro-Africana para Camar\u00f5es diminuiu de mais de dez mil, uma semana antes de mar\u00e7o, para cerca de mil por semana, atualmente. Mas a onda j\u00e1 mudou a configura\u00e7\u00e3o da maioria dos povoados da regi\u00e3o Leste.<\/p>\n<p>Segundo o conselheiro local de Guiwa, Joseph Kwette, a comunidade local se preocupa com sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a e seu sustento desde o come\u00e7o do fluxo de refugiados. \u201cEstes eram um grupo de pessoas contrariadas, que abriram caminho at\u00e9 Guiwa, apesar das tentativas da popula\u00e7\u00e3o local para que ficassem na fronteira. Isso gerou tens\u00e3o que ainda persiste\u201d, detalhou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>As fontes de \u00e1gua locais foram seriamente comprometidas. As crian\u00e7as s\u00e3o obrigadas a andar longas dist\u00e2ncias para encontrar \u00e1gua e madeira. A mandioca, o alimento mais consumido na regi\u00e3o, tamb\u00e9m ficou escasso e \u00e9 vendido pelo dobro do pre\u00e7o no mercado.<\/p>\n<p>\u201cA falta de \u00e1gua no acampamento e o desmatamento causado pelos refugiados amea\u00e7ou a seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o de Guwia, que tamb\u00e9m depende dos produtos da selva e da \u00e1gua para sobreviver. Os pre\u00e7os dos produtos aumentaram e os roubos menores s\u00e3o comuns\u201d, pontuou Kwette.<\/p>\n<p>Segundo o comandante da pol\u00edcia de Guiwa, os crimes aumentaram no ano passado. Atribui-se aos refugiados os \u00faltimos epis\u00f3dios de roubos com armas e o aumento do com\u00e9rcio sexual. Em janeiro, refugiados da Rep\u00fablica Centro-Africana fizeram ref\u00e9ns dois trabalhadores humanit\u00e1rios das Na\u00e7\u00f5es Unidas em protesto pela falta de assist\u00eancia b\u00e1sica. No come\u00e7o de maio, um grupo de homens armados desse pa\u00eds sequestrou 18 civis que viajavam pelo leste de Camar\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas os refugiados afirmam que apenas s\u00e3o v\u00edtimas das circunst\u00e2ncias e n\u00e3o gozam de direitos humanos b\u00e1sicos, como a liberdade de movimento. \u201cNos consideram criminosos por n\u00e3o termos documentos de identidade. A pol\u00edcia nos incrimina e muitos refugiados v\u00e3o para a pris\u00e3o de Bertoua s\u00f3 porque tentaram se locomover e buscar trabalho na cidade\u201d, queixou-se Youkoute. \u201cN\u00e3o h\u00e1 documentos que nos identifiquem como refugiados da Rep\u00fablica Centro-Africana registrados pelo Acnur\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As ag\u00eancias humanit\u00e1rias em Camar\u00f5es declararam a atual situa\u00e7\u00e3o como sendo de emerg\u00eancia e pediram mais ajuda. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade denunciou que as instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias t\u00eam uma terr\u00edvel car\u00eancia de pessoal e falta \u00e1gua e eletricidade. Os trabalhadores humanit\u00e1rios est\u00e3o sobrecarregados e os suprimentos m\u00e9dicos tamb\u00e9m se esgotam.<\/p>\n<p>Os armaz\u00e9ns do Programa Mundial de Alimentos v\u00e3o ficando vazios e s\u00e3o necess\u00e1rios fundos urgentes para comprar mais comida e complementos nutricionais para as crian\u00e7as mal nutridas. \u201cAs necessidades dos refugiados s\u00e3o descomunais. As necessidades mais urgentes s\u00e3o de moradia, alimentos e tratamento m\u00e9dico. Foram identificados muitos outros locais para aloj\u00e1-los\u201d, declarou Faustian Tchmi, diretor da regi\u00e3o Leste da Cruz Vermelha de Camar\u00f5es. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Guiwa, Camar&otilde;es, 27\/6\/2014 &ndash; Os refugiados da Rep&uacute;blica Centro-Africana que vivem na regi&atilde;o Leste de Camar&otilde;es se sentem cada vez mais frustrados com a deteriora&ccedil;&atilde;o de suas condi&ccedil;&otilde;es de vida e sua incapacidade para se sustentar, devido ao conflito que mant&ecirc;m com a popula&ccedil;&atilde;o local pelos limitados recursos. 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