{"id":17644,"date":"2014-06-30T13:30:29","date_gmt":"2014-06-30T13:30:29","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=115681"},"modified":"2014-06-30T13:30:29","modified_gmt":"2014-06-30T13:30:29","slug":"mortalidade-materna-agravada-pelo-hiv-uma-cruel-realidade-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/06\/ultimas-noticias\/mortalidade-materna-agravada-pelo-hiv-uma-cruel-realidade-na-africa\/","title":{"rendered":"Mortalidade materna agravada pelo HIV, uma cruel realidade na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_115683\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/sida-629x428.jpg\"><img class=\"wp-image-115683\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/sida-629x428.jpg\" alt=\"sida 629x428 Mortalidade materna agravada pelo HIV, uma cruel realidade na \u00c1frica\" width=\"529\" height=\"360\" title=\"Mortalidade materna agravada pelo HIV, uma cruel realidade na \u00c1frica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Segundo um prov\u00e9rbio africano, \u201ctoda mulher que d\u00e1 \u00e0 luz tem um p\u00e9 na cova\u201d. \u00c9 hora de esta m\u00e1xima se converter em um dado hist\u00f3rico e deixar de ser uma realidade. Foto: Mercedes Sayagues\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 30\/6\/2014 \u2013 Um prov\u00e9rbio africano diz que cada mulher que d\u00e1 \u00e0 luz tem um p\u00e9 na cova. Infelizmente, esse prov\u00e9rbio vigora, em especial no contexto da pandemia da aids neste continente. Apesar dos grandes avan\u00e7os na preven\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o do HIV, causador da aids, de m\u00e3e para filho na \u00c1frica, preocupa os especialistas o fato de n\u00e3o melhorarem outras vari\u00e1veis necess\u00e1rias para eliminar as causas da mortalidade materna derivadas do HIV\/aids.<\/p>\n<p>Hoje e amanh\u00e3, especialistas em sa\u00fade, autoridades e ativistas se reunir\u00e3o na cidade sul-africana de Johanesburgo para o F\u00f3rum de S\u00f3cios do Plano de A\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade Integral de Mulheres e Crian\u00e7as. Evitar gravidez n\u00e3o desejada em mulheres com HIV, bem como oferecer-lhes anticoncepcionais, s\u00e3o alguns dos problemas que ainda n\u00e3o foram solucionados. Outra coisa \u00e9 conseguir uma maternidade mais segura para todas.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o de gr\u00e1vidas com HIV que morrem \u00e9 muito maior do que entre as que n\u00e3o t\u00eam o v\u00edrus, disse \u00e0 IPS Mary Pat Kieffer, diretora da Funda\u00e7\u00e3o Pedi\u00e1trica Contra a Aids Elizabeth Glaser. O risco de morrer por causas relacionadas com a gravidez \u00e9 seis a oito vezes maior para as mulheres com HIV do que para as que n\u00e3o t\u00eam o v\u00edrus. Numerosos estudos mostram que o HIV aumenta a mortalidade materna de forma direta pelo avan\u00e7o da doen\u00e7a, e indireta pela maior ocorr\u00eancia de anemia, septicemia e outros problemas relacionados com a gravidez.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma not\u00edcia muito ruim porque, s\u00f3 na \u00c1frica do Sul, cerca de 310 mil mulheres soropositivas deram \u00e0 luz em 2012, e 110 mil em Mo\u00e7ambique, segundo dados do Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra o HIV\/aids (Onusida). Todas as mulheres com HIV, estejam ou n\u00e3o recebendo antirretrovirais, s\u00e3o mais vulner\u00e1veis a sofrer septicemia e ter anemia porque seu sistema imunol\u00f3gico est\u00e1 comprometido.<\/p>\n<p>Mas Kieffer afirmou que os medicamentos melhoram suas defesas e as protegem das infec\u00e7\u00f5es. Outro problema \u00e9 que as gr\u00e1vidas se infectam muito mais do que as que n\u00e3o est\u00e3o, destacou. Os especialistas atribuem isso \u00e0s mudan\u00e7as biol\u00f3gicas que ocorrem no sistema reprodutor feminino, como o maior volume de sangue e as altera\u00e7\u00f5es hormonais.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses da \u00c1frica austral, \u201ccerca de 55 das mulheres que n\u00e3o tinham o HIV durante o segundo trimestre de gravidez deram positivo at\u00e9 o final da mesma ou enquanto amamentavam\u201d, pontuou Kieffer \u00e0 IPS, acrescentando que a preven\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o do v\u00edrus de m\u00e3e para filho \u00e9 fundamental para reduzir a mortalidade materna, mas \u201ca luta contra o HIV \u00e9 mais do que injetar antirretrovirais\u201d.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica do Sul, onde cerca de duas em cada dez pessoas entre 15 e 49 anos t\u00eam o HIV, a cobertura universal para evitar a transmiss\u00e3o de m\u00e3e para filho n\u00e3o consegue impedir que a doen\u00e7a ainda seja respons\u00e1vel por seis em cada dez casos de mortalidade materna em 2012, segundo a Onusida. No Lesoto, com taxa de infec\u00e7\u00e3o por HIV de 23%, quatro em cada dez casos de mortalidade materna s\u00e3o atribu\u00eddos a complica\u00e7\u00f5es vinculadas \u00e0 gravidez ou ao parto. No Malawi, a propor\u00e7\u00e3o cai para tr\u00eas em cada dez, com taxa de infec\u00e7\u00e3o de 11%.<\/p>\n<p>Naseem Awl, especialista em HIV do escrit\u00f3rio do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) no Lesoto, disse \u00e0 IPS que \u201ch\u00e1 muito por fazer, al\u00e9m de fornecer medicamentos, como assegurar que as mulheres d\u00eaem \u00e0 luz em centros de sa\u00fade\u201d. As estat\u00edsticas do Unicef mostram que na \u00c1frica oriental e austral apenas quatro em cada dez gr\u00e1vidas t\u00eam seus filhos com assist\u00eancia de profissionais capacitados. No Lestoto, embora nove em cada dez mulheres gr\u00e1vidas tenham feito pelo menos uma consulta pr\u00e9-natal, mais da metade n\u00e3o recebe aten\u00e7\u00e3o qualificada durante o parto. Mo\u00e7ambique tem situa\u00e7\u00e3o semelhante, e cerca de 110 mil mulheres com HIV deram \u00e0 luz em 2012.<\/p>\n<p>Kieffer acredita que \u00e9 preciso repensar a estrat\u00e9gia para evitar a transmiss\u00e3o de m\u00e3e para filho, \u201cn\u00e3o s\u00f3 como forma de evitar que o beb\u00ea se contagie, mas porque faz parte essencial da aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade materno-infantil que todas as mulheres devem receber\u201d. Tamb\u00e9m pediu melhorias nos servi\u00e7os de sa\u00fade e nas atitudes do pessoal sanit\u00e1rio. \u201cUma grande quantidade de trabalhadores da sa\u00fade acredita que as mulheres com HIV n\u00e3o deveriam engravidar\u201d, afirmou. A consequ\u00eancia disso \u00e9 que muitas chegam tarde \u00e0 consulta pr\u00e9-natal ou d\u00e3o \u00e0 luz em suas casas.<\/p>\n<p>Atender as gravidezes n\u00e3o desejadas entre mulheres de 15 a 24 anos \u00e9 outro elemento a considerar porque t\u00eam entre duas e quatro vezes mais probabilidades de se infectarem do que os homens da mesma idade. A maior incid\u00eancia do HIV ocorre no grupo entre 19 e 24 anos, \u201cquando as pessoas s\u00e3o sexualmente ativas e n\u00e3o costumam ter companhia est\u00e1vel. Tamb\u00e9m \u00e9 quando as mulheres engravidam pela primeira vez\u201d, pontuou Kieffer.<\/p>\n<p>As duas principais causas de morte das jovens s\u00e3o complica\u00e7\u00f5es durante o parto e o HIV, segundo o Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Por seus corpos n\u00e3o estarem totalmente maduros, sofrem mais problemas durante a gravidez e t\u00eam maior risco de se infectarem com o v\u00edrus da aids. \u201cAs jovens que n\u00e3o t\u00eam experi\u00eancia com o sistema de sa\u00fade, podem demorar a perceber que est\u00e3o gr\u00e1vidas e temer ir \u00e0 cl\u00ednica\u201d, disse Kieffer. \u201cS\u00e3o emocionalmente mais imaturas e com menos probabilidade de terem um companheiro que possa ajud\u00e1-las e dar apoio emocional, seja pela gravidez ou por terem HIV\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, afirmou Kieffer, o pessoal de sa\u00fade n\u00e3o trata bem as jovens ou n\u00e3o t\u00eam tempo para lhes dar informa\u00e7\u00e3o adicional e o apoio necess\u00e1rio. No entanto, a grande necessidade de anticoncepcionais \u00e9 outro enorme desafio. No Lesoto n\u00e3o h\u00e1 suficiente servi\u00e7o de planejamento familiar, segundo a Onusida. E, mesmo quando h\u00e1 disponibilidade de anticoncepcionais, \u201cas cl\u00ednicas que administram os antirretrovirais est\u00e3o lotadas e se negam a insistir no planejamento familiar porque n\u00e3o t\u00eam capacidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Chewe Luo, assessora para HIV do Unicef, disse \u00e0 IPS que o novo tratamento com antirretrovirais com um s\u00f3 comprimido por dia para as mulheres gr\u00e1vidas com HIV \u201cter\u00e1 um forte impacto na mortalidade materna e infantil em decorr\u00eancia da aids\u201d.<\/p>\n<p>Se forem fortalecidos todos os elementos necess\u00e1rios para melhorar a maternidade materna, o prov\u00e9rbio africano passar\u00e1 para a hist\u00f3ria. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><strong>Porcentagem de mortalidade materna atribu\u00edda ao HIV<\/strong><\/p>\n<p>Nam\u00edbia 59%<\/p>\n<p>Zimb\u00e1bue 39%<\/p>\n<p>Z\u00e2mbia 31%<\/p>\n<p>Malawi 29%<\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique 27%<\/p>\n<p>Qu\u00eania 20%<\/p>\n<p>Costa do Marfim 17%<\/p>\n<p>Camar\u00f5es 10%<\/p>\n<p>Burundi 7%<\/p>\n<p><em>Fonte: Informe de Avan\u00e7os na luta contra a aids 2012, Onusida.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 30\/6\/2014 &ndash; Um prov&eacute;rbio africano diz que cada mulher que d&aacute; &agrave; luz tem um p&eacute; na cova. Infelizmente, esse prov&eacute;rbio vigora, em especial no contexto da pandemia da aids neste continente. 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