{"id":17650,"date":"2014-07-01T17:17:55","date_gmt":"2014-07-01T17:17:55","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=115859"},"modified":"2014-07-01T17:17:55","modified_gmt":"2014-07-01T17:17:55","slug":"jovens-artistas-cubanos-se-movem-em-um-mercado-insuficiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/jovens-artistas-cubanos-se-movem-em-um-mercado-insuficiente\/","title":{"rendered":"Jovens artistas cubanos se movem em um mercado insuficiente"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_115861\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/artistas-chica-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-115861\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/artistas-chica-629x419.jpg\" alt=\"artistas chica 629x419 Jovens artistas cubanos se movem em um mercado insuficiente\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Jovens artistas cubanos se movem em um mercado insuficiente\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Carlos Gonz\u00e1lez, \u00e0 esquerda, e Eloy Mil\u00e1n, integrantes do projeto art\u00edstico Open Art Studio, ao lado de suas obras em seu ateli\u00ea em uma rua central em frente ao Malecon de Havana, em Cuba. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havana, Cuba, 1\/7\/2014 \u2013 As pinturas e fotografias do Open Art Studio, um projeto de quatro jovens artistas de Havana, est\u00e3o livres de clich\u00eas como mulatas espalhafatosas ou os velhos autom\u00f3veis que ainda circulam pelas ruas cubanas. \u201cMostramos nossa arte sem um fim t\u00e3o comercial, embora precisemos ganhar algum dinheiro para nos dedicarmos \u00e0 cria\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS o pintor autoditata Eloy Mil\u00e1n, de 32 anos, autor desse projeto junto com Carlos Gonz\u00e1lez, Ariel Hern\u00e1ndez e Michel Armenteros, que t\u00eam est\u00fadios art\u00edsticos formais.<\/p>\n<p>Os integrantes do Open Art Studio pertencem \u00e0 nova fornada de criadores cubanos, que tra\u00e7am estrat\u00e9gias de todo tipo para viverem da arte em um pa\u00eds em recess\u00e3o econ\u00f4mica h\u00e1 mais de 20 anos. Segundo especialistas, o desempenho econ\u00f4mico dos jovens na pintura e em outras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas parou pela quase inexistente pr\u00e1tica local de colecionar, pelo dif\u00edcil acesso \u00e0s empresas estatais que concentram o com\u00e9rcio art\u00edstico internacional e pelas insufici\u00eancias da promo\u00e7\u00e3o e das vendas pela internet.<\/p>\n<p>Outro obst\u00e1culo importante, apontado pelos criadores ouvidos pela IPS, \u00e9 que a abertura \u00e0 atividade privada, facilitada pela reforma econ\u00f4mica impulsionada no pa\u00eds desde 2008, n\u00e3o inclui empreendimentos como galerias ou produtoras de audiovisuais independentes. Na verdade, o Open Art Studio \u00e9 o est\u00fadio onde trabalham quatro artistas, que usam o espa\u00e7o como meio de difus\u00e3o.<\/p>\n<p>O est\u00fadio fica em frente ao Malecon de Havana, um muro com cal\u00e7ada que margeia o litoral do centro da capital e por onde passam turistas diariamente. Inclusive artistas de outras latitudes v\u00eam aqui, contou Gonz\u00e1lez. Gra\u00e7as a esses interc\u00e2mbios, pe\u00e7as do Open Art Studio foram expostas na Alemanha, Espanha e Estados Unidos.<\/p>\n<p>Mas nem a promo\u00e7\u00e3o por esta via nem na rede social Facebook, onde amigos com acesso \u00e0 internet criaram uma p\u00e1gina para o grupo, trouxeram uma renda constante, segundo Gonz\u00e1lez e Mil\u00e1n. Dizem que conseguem chegar ao fim do m\u00eas gra\u00e7as a vendas espor\u00e1dicas e a outros empregos tempor\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cDependemos do comprador estrangeiro e n\u00e3o temos oportunidades nas galerias comerciais\u201d (estatais), que n\u00e3o nos d\u00e3o sustento, explicou Gonz\u00e1lez. Este criador de 31 anos aspira se dedicar plenamente a \u201crefletir o acontecer di\u00e1rio com a po\u00e9tica pessoal de cada um\u201d. \u201cN\u00e3o nos interessa fazer lembrancinhas para turistas\u201d, ressaltou, ao falar sobre o caminho onde acabam desembocando muitos formados em arte para sobreviverem.<\/p>\n<p>O curador P\u00edter Ortega defende que \u201cexiste uma onda de jovens muito talentosos, protagonistas de um cl\u00edmax na arte cubana\u201d. Mas apontou \u00e0 IPS que identifica \u201cuma tremenda defasagem\u201d entre o crescente setor art\u00edstico e a reduzida capacidade das institui\u00e7\u00f5es locais para represent\u00e1-los. Ortega lamentou a deteriora\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es de muitas das 117 galerias do pa\u00eds e a car\u00eancia de meios de difus\u00e3o imprescind\u00edveis para promover e vender, como os cat\u00e1logos. Tamb\u00e9m afirmou que os donos de galerias, curadores e\u00a0<em>marchand<\/em>\u00a0de entidades estatais n\u00e3o costumam \u201cse arriscar pela arte jovem\u201d e nem t\u00eam autonomia de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muitos artistas tentando aparecer em pouqu\u00edssimos espa\u00e7os\u201d, afirmou o jovem que trabalhou na Genesis Galerias de Arte, uma das poucas estatais com licen\u00e7a comercial. Ortega espera que as autoridades permitam as galerias privadas que, de fato, \u201cexistem h\u00e1 muito tempo como uma alternativa clandestina\u201d. Novas regras regem o mercado mundial de arte pelo auge das vendas por meio de feiras online ou pelos sites das galerias. Continua dominado pelos Estados Unidos e por pa\u00edses europeus, embora aumentem colecionadores e artistas de economias emergentes da \u00c1sia e da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Discretamente e de modo muito regulado pelo Estado, esse pa\u00eds governado pelo Partido Comunista de Cuba se inseriu no mercado internacional de arte e criou mecanismos comerciais internos na d\u00e9cada de 1990, embora em setores como a m\u00fasica j\u00e1 existissem experi\u00eancias de lucro. Os artistas que entram nesse c\u00edrculo recebem a renda por sua cria\u00e7\u00e3o, sobre a qual pagam impostos, enquanto a empresa estatal que os representa obt\u00e9m uma comiss\u00e3o por sua intermedia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reforma econ\u00f4mica, que contempla a redu\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios estatais, revive as discuss\u00f5es sobre a rentabilidade da cultura em Cuba, com 11,2 milh\u00f5es de habitantes. Autoridades do setor analisam e experimentam solu\u00e7\u00f5es para manter os apoios estatais nas manifesta\u00e7\u00f5es que os exigem, elimin\u00e1-los dos rent\u00e1veis e abrir oportunidades no setor privado e autogerido.<\/p>\n<p>Mas muitas resist\u00eancias e preconceitos surgem ao se propor medidas concretas. \u00c9 o que demonstra o in\u00e9dito di\u00e1logo que mant\u00e9m desde maio de 2013 uma assembleia de cineastas com funcion\u00e1rios do estatal Instituto Cubano de Arte e Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica (Icaic), reitor do setor, e o Minist\u00e9rio da Cultura. A \u201cg20\u201d, como se chama a assembleia pelo n\u00famero de representantes, pretende reordenar a deprimida produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica local.<\/p>\n<p>As duas principais demandas do grupo, integrado por figuras novas e consagradas, s\u00e3o a aprova\u00e7\u00e3o de uma lei de cinema e que as atualmente ilegais produtoras independentes possam funcionar como cooperativas. Das m\u00e3os de jovens inovadores surgiram h\u00e1 anos casas produtoras independentes, como a 5tavenida, Central Produ\u00e7\u00f5es, Trokua Vision e Produ\u00e7\u00f5es Canek, gra\u00e7as \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o trazida pela tecnologia digital.<\/p>\n<p>Algumas contam com equipamento completo, conseguem or\u00e7amentos de doadores internacionais e fazem capas de projetos focados no mercado externo, explica Ivete \u00c1vila, da Cucurucho Produ\u00e7\u00f5es, especializada na anima\u00e7\u00e3o\u00a0<em>stop motion<\/em>\u00a0(quadro a quadro). \u201cEmbora muitas produtoras o sejam apenas no nome, como a Cucurucho, esse nosso grupo de amigos se re\u00fane desde 2009 para realizar ideias afins\u201d, explicou \u00e0 IPS esta antrop\u00f3loga de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c1vila considera que n\u00e3o poder\u00e1 receber nem pagar sal\u00e1rios at\u00e9 que \u201csejam criados os suportes institucionais e jur\u00eddicos para que particulares vendam produtos diretamente \u00e0 televis\u00e3o p\u00fablica\u201d. O equipamento e a pouca renda da Cucurucho foram ganhos em concursos internacionais, contou.<\/p>\n<p>Em outras manifesta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m os jovens protagonizaram fa\u00e7anhas quase ins\u00f3litas para a realidade local. Esse \u00e9 o caso do m\u00fasico Jorge Lian Garc\u00eda, Kamankola, que gravou este ano seu primeiro disco gra\u00e7as a uma plataforma digital para coletar doa\u00e7\u00f5es para projetos, \u00e0 qual recorrem artistas e profissionais de todo o mundo. \u201cMuitos amigos me ajudaram com a transfer\u00eancia do dinheiro e o acesso \u00e0 internet\u201d, explicou \u00e0 IPS este cantor de hip hop, sobre a primeira experi\u00eancia desse tipo concretizada em Cuba, onde a conex\u00e3o com a internet \u00e9 restrita e com pre\u00e7os proibitivos.<\/p>\n<p>Segundo as \u00faltimas cifras oficiais, no per\u00edodo 2010-2011, se formaram 998 estudantes do n\u00edvel t\u00e9cnico-profissional e 206 do superior nas especialidades art\u00edsticas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Havana, Cuba, 1\/7\/2014 &ndash; As pinturas e fotografias do Open Art Studio, um projeto de quatro jovens artistas de Havana, est&atilde;o livres de clich&ecirc;s como mulatas espalhafatosas ou os velhos autom&oacute;veis que ainda circulam pelas ruas cubanas. &ldquo;Mostramos nossa arte sem um fim t&atilde;o comercial, embora precisemos ganhar algum dinheiro para nos dedicarmos &agrave; [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/jovens-artistas-cubanos-se-movem-em-um-mercado-insuficiente\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2348,1054,989,3178],"class_list":["post-17650","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-artistas","tag-cuba","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17650\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}