{"id":17666,"date":"2014-07-07T13:20:49","date_gmt":"2014-07-07T13:20:49","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=116238"},"modified":"2014-07-07T13:20:49","modified_gmt":"2014-07-07T13:20:49","slug":"a-anunciada-crise-das-criancas-migrantes-da-america-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/a-anunciada-crise-das-criancas-migrantes-da-america-central\/","title":{"rendered":"A anunciada crise das crian\u00e7as migrantes da Am\u00e9rica Central"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_116240\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/photo3-3-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-116240\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/photo3-3-629x472.jpg\" alt=\"photo3 3 629x472 A anunciada crise das crian\u00e7as migrantes da Am\u00e9rica Central\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"A anunciada crise das crian\u00e7as migrantes da Am\u00e9rica Central\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">http:\/\/cdn.ipsnoticias.net\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/photo3-3-629&#215;472.jpg<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Irapuato, M\u00e9xico, 7\/7\/2014 \u2013 No come\u00e7o de maio, a Casa do Migrante de Irapuato, no Estado de Guanajuato, no M\u00e9xico, recebeu um grupo de 152 pessoas procedentes de Honduras que pertenciam ao grupo \u00e9tnico afro-caribenho gar\u00edfuna. Delas, 60 eram crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cEra um domingo\u201d, recordou Bertha, a cozinheira. \u201cVinham com crian\u00e7as de todas as idades, at\u00e9 beb\u00eas. Ficaram apenas algumas horas, se banharam, comeram e partiram. Tampouco falavam muito. Perguntei a uma das mulheres se estas crian\u00e7as n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola e ela respondeu: \u2018n\u00e3o, agora n\u00e3o podemos\u2019 e se calou\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Entre maio e junho este albergue recebeu mais de 400 crian\u00e7as, majoritariamente procedentes de Honduras. Viajavam em grupos grandes. S\u00f3 uma vez ficaram mais de quatro horas. \u201cFalaram muito pouco, n\u00e3o nos disseram como viajavam, embora soub\u00e9ssemos que n\u00e3o vinham no trem; tampouco quiseram dizer qual caminho seguiriam\u201d, disse \u00e0 IPS a respons\u00e1vel pelo albergue, Guadalupe Gonz\u00e1lez.<\/p>\n<p>Cerca de mil quil\u00f4metros a sudeste, na LA 72 Lar Ref\u00fagio para Migrantes de Tenosique, munic\u00edpio do Estado de Tabasco na fronteira com a Guatemala, tamb\u00e9m se vive a mudan\u00e7a. Come\u00e7aram a detectar um consider\u00e1vel aumento de jovens migrantes de 14 a 18 anos n\u00e3o acompanhados, de mulheres com crian\u00e7as pequenas e grupos de gar\u00edfunas, que antes eram espor\u00e1dicos na rota migrat\u00f3ria para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico tem no norte de seu territ\u00f3rio uma fronteira com esse pa\u00eds de 3.152 quil\u00f4metros, enquanto ao sul se limita com a Guatemala, com 956 quil\u00f4metros de fronteira, e Belize (com 193 quil\u00f4metros). Entre as duas fronteiras h\u00e1 cerca de 3.200 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia em linha reta. Mas as seis rotas migrat\u00f3rias somam mais de cinco mil quil\u00f4metros de norte a sul.<\/p>\n<p>O mesmo padr\u00e3o que em outros albergues foi registrado no Albergue Bel\u00e9m, Posada do Migrante, em Saltillo, capital do Estado de Coahuila, na fronteira com os Estados Unidos, onde a partir de maio a aflu\u00eancia de menores de idade passou da m\u00e9dia de quatro por m\u00eas para quatro por dia. \u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o extremamente alarmante\u201d, disse \u00e0 IPS o sacerdote Pedro Pantoja, respons\u00e1vel pelo abrigo e grande especialista em assuntos migrat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o est\u00e1 clara a origem deste \u00eaxodo de meninos e meninas centro-americanos, muitas vezes sozinhos, que j\u00e1 ultrapassou a capacidade de aten\u00e7\u00e3o da Guarda Fronteiri\u00e7a dos Estados Unidos e provocou uma crise humanit\u00e1ria nesse pa\u00eds, segundo afirmou seu presidente, Barack Obama. Os defensores dos migrantes no M\u00e9xico a atribuem aos boatos sobre regulariza\u00e7\u00e3o futura para os que entrarem nos Estados Unidos ainda menores de idade.<\/p>\n<p>Isso, ao menos, foi o que motivo Delsy, uma jovem hondurenha de 20 anos que aparenta ter quatro a menos, a empreender o caminho rumo ao norte, deixando para tr\u00e1s sua m\u00e3e, quatro irm\u00e3os e seu pequeno filho de 15 meses. \u201cUma pessoa me disse que se me passar por menor de idade na cidade fronteiri\u00e7a de Tijuana posso entrar nos Estados Unidos. Que isso aconteceu com ela\u201d, disse \u00e0 IPS no albergue Irapuato, pouco antes de subir no trem que a levaria para a fronteira.<\/p>\n<p>Desde outubro de 2013, mais de 52 mil menores de idade foram detidos nos Estados Unidos. No Texas e no Arizona, dois Estados fronteiri\u00e7os com o M\u00e9xico, os centros de deten\u00e7\u00e3o e bases militares est\u00e3o saturados, e as crian\u00e7as permanecem amontoadas \u00e0 espera de sua deporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es defensoras dos direitos das pessoas migrantes, como o Centro de Direitos Humanos Fray Mat\u00edas de C\u00f3rdova (CDHFrayMat\u00edas), na cidade de Tapachula, no Estado de Chiapas, haviam documentado o aumento sistem\u00e1tico do fluxo de deten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o infantil desde 2011. Mas nenhum dos governos envolvidos tomou medidas para cont\u00ea-lo. O que mudou foi o lugar de proced\u00eancia: antes de 2014 o M\u00e9xico era o principal pa\u00eds de origem das crian\u00e7as migrantes.<\/p>\n<p>Por outro lado, de 1\u00ba de outubro de 2013 a 15 de junho de 2014, as autoridades norte-americanas detiveram 15.027 crian\u00e7as de Honduras, 12.670 da Guatemala, 12.146 do M\u00e9xico e 11.436 de El Salvador, segundo o Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o de Aduanas e Fronteiras dos Estados Unidos. O Centro de Pesquisas Pew, com sede em Washington, relacionou estes novos lugares de origem dos menores com os \u00edndices de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma crise humanit\u00e1ria, n\u00e3o s\u00f3 nos Estados Unidos, mas no tri\u00e2ngulo norte da Am\u00e9rica Central, principalmente em Honduras, que obriga crian\u00e7as e pessoas v\u00edtimas da viol\u00eancia social e pol\u00edtica a sa\u00edrem da regi\u00e3o\u201d, apontou \u00e0 IPS o ativista Diego Lorente, do CDHFrayMat\u00edas.<\/p>\n<p>O problema pode ser pior, porque milhares de menores migrantes que saem desses lugares n\u00e3o chegam aos Estados Unidos. As organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias estimam que quatro em cada dez crian\u00e7as desse \u00eaxodo nem mesmo chegam \u00e0 fronteira norte. Alguns s\u00e3o detidos no M\u00e9xico. O governamental Instituto Nacional de Migra\u00e7\u00e3o informou que entre 1\u00ba de janeiro e 26 de junho havia \u201cresgatado\u201d 10.505 menores migrantes, que est\u00e3o em processo de deporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, h\u00e1 muitos mais que simplesmente desaparecem no territ\u00f3rio mexicano. \u201c\u00c9 uma sangria espantosa. S\u00e3o crian\u00e7as de 13 a 16 anos, que vai direto para o tr\u00e1fico sexual, trabalhista, para serem massacrados, desaparecerem e tamb\u00e9m para serem sic\u00e1rios\u201d, pontuou Pantoja.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a lei estabelece que as crian\u00e7as devem ser processadas nas 72 horas posteriores \u00e0 sua deten\u00e7\u00e3o. A sa\u00edda que tem a maioria \u00e9 um familiar reclamar legalmente ou permanecerem em abrigos por muito tempo. E ao completar a maioridade deveriam ser deportados.<\/p>\n<p>No dia 30 de junho, Obama anunciou que sua reforma migrat\u00f3ria entrou em ponto morto na C\u00e2mara de Representantes, dominada pelo opositor e direitista Partido Republicano. Por isso a partir de agora governar\u00e1 por decreto para tentar resolver a crise. Mas o problema n\u00e3o tem uma sa\u00edda simples. Segundo as autoridades hondurenhas, este ano cerca de tr\u00eas mil crian\u00e7as abandonaram a escola para empreender o \u201csonho americano\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNas escolas das comunidades gar\u00edfunas da costa norte do pa\u00eds est\u00e3o registrando que muitas crian\u00e7as abandonam os estudos porque saem do pa\u00eds com seus pais ou outras pessoas rumo aos Estados Unidos\u201d, publicou no dia 28 de junho o jornal hondurenho <em>La Tribuna<\/em>. \u201cCorreu o rumor, saiu do controle, e agora parece que n\u00e3o h\u00e1 forma de det\u00ea-los\u201d, disse Guadalupe Gonz\u00e1lez, no albergue de Irapuato, enquanto duas jovens hondurenhas se afastam, convencidas de que, se conseguirem chegar \u00e0 fronteira, poder\u00e3o cruz\u00e1-la apenas dizendo que s\u00e3o menores de idade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Irapuato, M&eacute;xico, 7\/7\/2014 &ndash; No come&ccedil;o de maio, a Casa do Migrante de Irapuato, no Estado de Guanajuato, no M&eacute;xico, recebeu um grupo de 152 pessoas procedentes de Honduras que pertenciam ao grupo &eacute;tnico afro-caribenho gar&iacute;funa. 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