{"id":17673,"date":"2014-07-09T16:06:23","date_gmt":"2014-07-09T16:06:23","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=116424"},"modified":"2014-07-09T16:06:23","modified_gmt":"2014-07-09T16:06:23","slug":"burundiana-ainda-longe-de-assumir-as-redeas-de-seu-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/burundiana-ainda-longe-de-assumir-as-redeas-de-seu-pais\/","title":{"rendered":"Burundiana ainda longe de assumir as r\u00e9deas de seu pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_116426\" style=\"width: 498px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/11.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-116426\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/11.jpg\" alt=\"11 Burundiana ainda longe de assumir as r\u00e9deas de seu pa\u00eds\" width=\"488\" height=\"472\" title=\"Burundiana ainda longe de assumir as r\u00e9deas de seu pa\u00eds\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As mulheres s\u00e3o apenas 2,9% da Pol\u00edcia Nacional de Burundi. Apesar de no parlamento vigorar uma cota feminina de 30%, ainda h\u00e1 um longo trecho a percorrer para superar a brecha nas institui\u00e7\u00f5es do governo, onde as mulheres s\u00e3o, em m\u00e9dia, apenas 20,15%. Foto: Cortesia Bernard Bankukira.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bujumbura, Burundi, 9\/7\/2014 \u2013 As mulheres de Burundi sentem que ainda est\u00e3o longe de assumir postos de poder neste pa\u00eds do sudeste da \u00c1frica, que em 2015 realizar\u00e1 elei\u00e7\u00f5es gerais, para as quais, no entanto, vigora uma cota de 30% para a representa\u00e7\u00e3o feminina no parlamento.<\/p>\n<p>Ainda hoje, a cultura tradicional do pa\u00eds considera que as mulheres devem ser trabalhadoras do lar, por isso desde pequenas s\u00e3o educadas para esse papel, explicou \u00e0 IPS a ativista Bernardine Sindakira, presidente da Sinergia de Associados para a Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos das Mulheres (SPPDF), uma coaliz\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es dedicadas a promover os direitos femininos.<\/p>\n<p>\u201cUma galinha n\u00e3o cacareja na presen\u00e7a do galo\u201d, diz um prov\u00e9rbio burundiano. \u201cIsto relega, h\u00e1 tempos, a mulher \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o poder assegurar seu empoderamento nem o lugar que merece na condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds\u201d, afirmou Sindakira.<\/p>\n<p>Burundi ainda n\u00e3o se recuperou dos 12 anos de uma guerra civil de ra\u00edzes \u00e9tnicas que sofreu ap\u00f3s o assassinato, em 1993, de seu primeiro presidente democraticamente eleito, Melchior Ndadaye. Os enfrentamentos entre hutus e tutsis deixaram 300 mil mortos, e o conflito \u201cteve um impacto muito negativo em mulheres e meninas, que sofriam viola\u00e7\u00f5es e outras formas de viol\u00eancia sexual\u201d, segundo um informe de 2011 da Rede Mundial de Mulheres Criadoras de Paz.<\/p>\n<p>De acordo com a Uni\u00e3o Interplanet\u00e1ria, depois das elei\u00e7\u00f5es de 2010, as burundianas ocuparam 32,1% das cadeiras na c\u00e2mara baixa, al\u00e9m de protagonizarem \u201cuma alta significativa na c\u00e2mara alta, com 46,3%, devido, em boa parte, ao seu sistema de cotas\u201d. Mas, de acordo com a Rede Mundial, \u201ca lei n\u00e3o especifica a cota feminina em outros \u00f3rg\u00e3os de tomada de decis\u00f5es. Da\u00ed que nos tr\u00eas escrit\u00f3rios de maior hierarquia, isto \u00e9, do presidente, do primeiro vice-presidente e do segundo vice-presidente, n\u00e3o h\u00e1 mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Dados do SPPDF mostram que, embora nos postos eletivos de entidades como o parlamento e as administra\u00e7\u00f5es locais se respeite quase plenamente a cota de 30%, ainda resta um longo caminho para superar a brecha em outras institui\u00e7\u00f5es do governo, onde as mulheres representam apenas, em m\u00e9dia, 20,15% do pessoal. Nos servi\u00e7os de seguran\u00e7a, a representa\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 a mais baixa. Por exemplo, os registros oficiais da For\u00e7a Nacional de Defesa de Burundi, referentes a 2012, mostram que as mulheres constitu\u00edam apenas 0,5% desse corpo. E s\u00e3o apenas 2,9% na Policia Nacional.<\/p>\n<p>A legisladora Marceline Bararufise, integrante da subcomiss\u00e3o parlamentar de Educa\u00e7\u00e3o e presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Parlamentares de Burundi, disse \u00e0 IPS que h\u00e1 provas de que elas podem proporcionar um servi\u00e7o melhor do que os homens. Segundo um estudo nacional, realizado entre 2012 e 2013 para avaliar o cumprimento do servi\u00e7o p\u00fablico nos distritos em que se dividem suas 17 prov\u00edncias, em primeiro lugar ficou um distrito do norte do pa\u00eds governado por uma mulher. Muitos outros distritos liderados por mulheres figuraram entre os de melhores resultados, ressaltou.<\/p>\n<p>A SPPDF lan\u00e7ou um campanha para aumentar a representa\u00e7\u00e3o feminina nos postos de poder de todo o pa\u00eds, e Sindakira lamentou que a pr\u00f3pria lei ainda discrimine as mulheres. Por exemplo, as burundianas n\u00e3o t\u00eam direito de receber heran\u00e7as, por isso as propriedades passam do pai para o herdeiro masculino.<\/p>\n<p>\u201cLutamos para que o parlamento revise a lei matrimonial, para permitir que as mulheres se beneficiem das heran\u00e7as, mas a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 que inclusive nos pro\u00edbem de tocar no assunto. Isto cria obst\u00e1culos para os esfor\u00e7os das mulheres reclamarem seus direitos\u201d, disse Sindakira. Muitas consideram ainda que rever essa norma equivaleria a violar sua cultura, acrescentou. \u201cTer mulheres educadas implica que a cultura tamb\u00e9m mudou e, portanto, n\u00e3o h\u00e1 motivos para as obscuras pr\u00e1ticas tradicionais de manter as burundianas em atraso\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Bararufise, que antes de ser parlamentar foi governadora, destacou que as mulheres de seu pa\u00eds conseguiram avan\u00e7os significativos no caminho para seu empoderamento. \u201cAtualmente, al\u00e9m destes postos pol\u00edticos consagrados na Constitui\u00e7\u00e3o temos muito mais mulheres engenheiras em obras de constru\u00e7\u00e3o, m\u00e9dicas, presidentes de organiza\u00e7\u00f5es, empres\u00e1rias, integrantes de corpos de seguran\u00e7a e tanto outros. Isso mostra que as mulheres de agora s\u00e3o totalmente diferentes daquelas de 20 anos atr\u00e1s\u201d, apontou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Bararufise acrescentou que, embora a cultura de Burundi seja um dos v\u00e1rios obst\u00e1culos \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o feminina, \u00e9 importante observar que o empoderamento das mulheres n\u00e3o significa ir completamente contra essa cultura, j\u00e1 que na mesma tamb\u00e9m h\u00e1 aspectos positivos que s\u00e3o necess\u00e1rios se preservar.<\/p>\n<p>A legisladora lamentou que em alguns casos as burundianas em postos de lideran\u00e7a n\u00e3o contem com o respeito de seus pares masculinos. Tamb\u00e9m reconheceu que ainda falta muito para se evoluir e conseguir mudar essas atitudes. \u201cQueremos que os homens entendam que as mulheres s\u00e3o capazes e t\u00eam direto a competir por postos de maior hierarquia, em lugar de ficarem em casa\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Bujumbura, Burundi, 9\/7\/2014 &ndash; As mulheres de Burundi sentem que ainda est&atilde;o longe de assumir postos de poder neste pa&iacute;s do sudeste da &Aacute;frica, que em 2015 realizar&aacute; elei&ccedil;&otilde;es gerais, para as quais, no entanto, vigora uma cota de 30% para a representa&ccedil;&atilde;o feminina no parlamento. 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