{"id":17677,"date":"2014-07-10T16:31:18","date_gmt":"2014-07-10T16:31:18","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=116482"},"modified":"2014-07-10T16:31:18","modified_gmt":"2014-07-10T16:31:18","slug":"maes-solteiras-travam-sua-batalha-na-antiga-zona-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/maes-solteiras-travam-sua-batalha-na-antiga-zona-de-guerra\/","title":{"rendered":"M\u00e3es solteiras travam sua batalha na antiga zona de guerra"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_116484\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/mulheres.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-116484\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/mulheres.jpg\" alt=\"mulheres M\u00e3es solteiras travam sua batalha na antiga zona de guerra\" width=\"584\" height=\"472\" title=\"M\u00e3es solteiras travam sua batalha na antiga zona de guerra\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Subashini Mellampasi, de 34 anos, \u00e9 m\u00e3e solteira e cria cabras para manter os tr\u00eas filhos, um deles deficiente. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Valipunam, Sri Lanka, 10\/7\/2014 \u2013 Nesta aldeia fica um dos rinc\u00f5es mais afastados da antiga zona de guerra do Sri Lanka. Suas poeirentas ruas s\u00e3o quase inacess\u00edveis e carecem de ilumina\u00e7\u00e3o, as liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas s\u00e3o irregulares e o posto policial mais pr\u00f3ximo fica a v\u00e1rios quil\u00f4metros, perto do centro do distrito de Mullaitivu, devastado pelo conflito.<\/p>\n<p>Aqui, 322 quil\u00f4metros ao norte da capital Colombo, inclusive os homens que n\u00e3o t\u00eam nenhuma defici\u00eancia temem ficar sozinhos em suas casas. Por\u00e9m, Sumathi Rajan, de 35 anos, sabe que, se ela n\u00e3o estiver em seu pequeno com\u00e9rcio \u00e0 noite, \u00e9 muito prov\u00e1vel que na manh\u00e3 seguinte n\u00e3o reste nada nele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Valipunam, Sri Lanka, 10\/7\/2014 \u2013 Nesta aldeia fica um dos rinc\u00f5es mais afastados da antiga zona de guerra do Sri Lanka. Suas poeirentas ruas s\u00e3o quase inacess\u00edveis e carecem de ilumina\u00e7\u00e3o, as liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas s\u00e3o irregulares e o posto policial mais pr\u00f3ximo fica a v\u00e1rios quil\u00f4metros, perto do centro do distrito de Mullaitivu, devastado pelo conflito.<\/p>\n<p>Aqui, 322 quil\u00f4metros ao norte da capital Colombo, inclusive os homens que n\u00e3o t\u00eam nenhuma defici\u00eancia temem ficar sozinhos em suas casas. Por\u00e9m, Sumathi Rajan, de 35 anos, sabe que, se ela n\u00e3o estiver em seu pequeno com\u00e9rcio \u00e0 noite, \u00e9 muito prov\u00e1vel que na manh\u00e3 seguinte n\u00e3o reste nada nele.<\/p>\n<p>Determinada a preservar sua \u00fanica fonte de renda, Rajan dorme todas as noites no ch\u00e3o de sua loja, junto com o filho de 12 anos, apesar de correr o risco de ser roubada ou mesmo violada. \u201cSei o que tenho de fazer, sei como cuidar do meu filho e de mim\u201d, disse \u00e0 IPS esta lutadora m\u00e3e solteira, diante de seu humilde com\u00e9rcio. Nos \u00faltimos cinco anos sua vida, foi sacudida pela crise.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2009, quando o conflito civil de quase tr\u00eas d\u00e9cadas no pa\u00eds deu sinas de estar chegando a um sangrento final, Rajan e sua fam\u00edlia, que viviam em plena \u00e1rea controlada pelos separatistas Tigres para a Liberta\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria T\u00e2mil, se prepararam para enfrentar um prolongado per\u00edodo de incerteza.<\/p>\n<p>Em abril daquele ano, ela e seu filho, ent\u00e3o com apenas sete anos, estiveram entre dezenas de milhares de civis tamis presos em um estreito territ\u00f3rio situado entre o Oceano \u00cdndico e a Lagoa Nandikadal, na costa nordeste da ilha, enquanto os Tigres travavam uma sangrenta batalha final contra as for\u00e7as do governo.<\/p>\n<p>Ambos escaparam vivos dos combates, mas sem outras posses que n\u00e3o as roupas do corpo. Durante os dois anos e meio seguintes, seu \u201clar\u201d foi um enorme acampamento de refugiados conhecido como Granja Menik, no distrito de Vavuniya. Quando finalmente a fam\u00edlia voltou a Valipunam, no final de 2011, Rajan teve que reconstruir sua vida do zero.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das dif\u00edceis decis\u00f5es que implicava sua decis\u00e3o de m\u00e3e solteira, mesmo antes de precisar fugir da guerra, Rajan, que vende em presta\u00e7\u00f5es, teve que ser mais firme com seus clientes na hora de cobr\u00e1-los e acrescentar juros. Hoje continua com o neg\u00f3cio, enfrentando muitos dos mesmos desafios de tr\u00eas anos atr\u00e1s. \u201cQuando algu\u00e9m n\u00e3o paga o que pegou emprestado, vou \u00e0 casa da pessoa cobrar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No come\u00e7o deste ano, seu com\u00e9rcio foi beneficiado com um subs\u00eddio de US$ 380 concedido pelo Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha. \u201cIsso me ajudou a expandir o local\u201d, contou Rajan, olhando com orgulho as estantes com todo tipo de produtos, desde legumes at\u00e9 xampu. Mas, com as novas mercadorias, se renovam os temores de roubo. A mulher deposita suas magras economias mensais de aproximadamente US$ 25 na conta de seu filho, para manter o dinheiro seguro.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias como a de Rajan n\u00e3o s\u00e3o raras na Prov\u00edncia do Norte, devastada pela guerra e onde entre 40 mil e 55 mil fam\u00edlias encabe\u00e7adas por mulheres se esfor\u00e7am para ganhar a vida, segundo ag\u00eancias humanit\u00e1rias e de desenvolvimento que atuam na regi\u00e3o. Uma avalia\u00e7\u00e3o do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), de junho de 2013, revela que 40% das mulheres (entre os cerca de 467 mil refugiados das \u00faltimas etapas da guerra que retornaram) ainda se sentem inseguras em suas pr\u00f3prias casas. Al\u00e9m disso, 25% delas tamb\u00e9m se sentem igualmente vulner\u00e1veis ao sa\u00edrem sozinhas de suas aldeias.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior para as fam\u00edlias lideradas por m\u00e3es solteiras. Estima-se que sejam 40 mil, e que seus filhos s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis aos abusos sexuais, segundo um informe de mar\u00e7o do Grupo de Promo\u00e7\u00e3o de Solu\u00e7\u00f5es Perdur\u00e1veis, uma coaliz\u00e3o volunt\u00e1ria de organiza\u00e7\u00f5es e ag\u00eancias internacionais. Apesar destes problemas, as mulheres chefes de fam\u00edlia est\u00e3o entre as mais resilientes da antiga zona de conflito, segundo trabalhadores humanit\u00e1rios na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEssas mulheres t\u00eam muita fortaleza\u201d, disse \u00e0 IPS M. S. M. Kamil, diretor do Departamento de Seguran\u00e7a Econ\u00f4mica da Cruz Vermelha. Subashini Mellampasi, de 34 anos, que cria sozinha tr\u00eas filhos entre tr\u00eas e 14 anos, \u00e9 a prova disso. O mais velho \u00e9 surdo-mudo. Seu marido abandonou a fam\u00edlia quando voltaram para sua aldeia, depois do fim da guerra. No come\u00e7o deste ano, a Cruz Vermelha lhe deu fundos para iniciar uma pequena empresa. Ela escolheu criar cabras e comprou uma pequena manada de dez animais. Passados alguns meses, est\u00e1 com 40.<\/p>\n<p>Mellampasi vendeu dez por cerca de US$ 700, dinheiro que usa para construir uma pequena casa. Cada cabra lhe rende entre US$ 75 e US$ 150. Ela tamb\u00e9m cuida dos demais animais e a cada manh\u00e3 os ordenha para alimentar com leite sua fam\u00edlia. De todo modo, como sua renda n\u00e3o \u00e9 est\u00e1vel, tamb\u00e9m trabalha como faxineira na escola de uma aldeia pr\u00f3xima, por US$ 4,5 di\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ela conta que precisa de pelo menos US$ 80 por m\u00eas para sobreviver, mas outras fam\u00edlias dizem que necessitam pelo menos o dobro dessa quantia, especialmente as que precisam usar transporte regularmente.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 milhares de mulheres que n\u00e3o recebem nenhum tipo de assist\u00eancia\u201d, explicou Saroja Sivachandran, diretora do Centro para as Mulheres e o Desenvolvimento em Jaffna, capital da Prov\u00edncia do Norte, ouvida pela IPS. \u201cS\u00e3o limitados os programas dirigidos a este setor extremamente vulner\u00e1vel. Precisamos de um programa amplo que inclua toda a prov\u00edncia e todas as fam\u00edlias lideradas por m\u00e3es solteiras\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>No entanto, a ajuda financeira ao pa\u00eds vem diminuindo desde o fim da guerra. Tr\u00eas pedidos conjuntos e sucessivos de assist\u00eancia para a regi\u00e3o reportaram a falta de US$ 430 milh\u00f5es. Como o Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios (Ocha) tamb\u00e9m reduz seu trabalho no Sri Lanka, um programa substancial para as m\u00e3es solteiras \u00e9, no momento, apenas uma promessa no papel. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Valipunam, Sri Lanka, 10\/7\/2014 &ndash; Nesta aldeia fica um dos rinc&otilde;es mais afastados da antiga zona de guerra do Sri Lanka. 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