{"id":17679,"date":"2014-07-10T16:18:03","date_gmt":"2014-07-10T16:18:03","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=116474"},"modified":"2014-07-10T16:18:03","modified_gmt":"2014-07-10T16:18:03","slug":"sirios-da-liberada-homs-nao-creem-na-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/sirios-da-liberada-homs-nao-creem-na-revolucao\/","title":{"rendered":"S\u00edrios da liberada Homs n\u00e3o creem na \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_116476\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Siria.jpg\"><img class=\"wp-image-116476\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Siria.jpg\" alt=\"Siria S\u00edrios da liberada Homs n\u00e3o creem na \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"S\u00edrios da liberada Homs n\u00e3o creem na \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">\u201cNos roubaram a comida em 38 ocasi\u00f5es. Nas primeiras vezes batiam \u00e0 porta. Depois entravam com armas de fogo. Na \u00faltima vez, levaram o feij\u00e3o, o trigo, as azeitonas e finalmente o tomilho\u201d, disse Zeinat al Akhras<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Homs, S\u00edria, 10\/7\/2014 \u2013 \u00c9 iminente a tr\u00e9gua em Al Waer \u2013 a \u00e1rea mais povoada de Homs e \u00faltimo reduto insurgente da cidade, a terceira em tamanho da S\u00edria \u2013, semelhante \u00e0 do acordo para a Cidade Velha em maio, quando os combatentes opositores abandonaram esse distrito. Em Al Waer vivem mais de\u00a0 200 mil pessoas, muitas das quais abandonaram suas casas em outras partes da S\u00edria para ficarem presas por tr\u00eas anos de combates entre o ex\u00e9rcito e os insurgentes armados em Homs, que tem um milh\u00e3o de habitantes e fica no oeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Muitas \u00e1reas da cidade, chamada pela imprensa de \u201ccapital da revolu\u00e7\u00e3o\u201d, ficaram destru\u00eddas pelos bombardeios do ex\u00e9rcito e os m\u00edsseis e carros-bomba dos insurgentes. No dia 9 de maio, o governador, Talal Barazi, declarou Homs \u201cvazia de armas e combatentes\u201d. Uma tr\u00e9gua permitiu o retorno de seus habitantes, depois que os cerca de 1.200 insurgentes que haviam tomado a maior parte da Cidade Velha, no come\u00e7o de 2012, a abandonaram em \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Alguns dos moradores que permaneceram na Cidade Velha durante o s\u00edtio falaram \u00e0 IPS sobre sua terr\u00edvel experi\u00eancia e as perdas sofridas diante dos grupos armados que ocuparam Homs, entre eles as brigadas Nusra e Farooq, de uma ideologia radical sunita. Muitos argumentam que o ocorrido em Homs n\u00e3o foi uma revolu\u00e7\u00e3o. O mesmo afirmava o padre jesu\u00edta holand\u00eas Frans van der Lugt antes de ser assassinado, em 7 de abril, um m\u00eas antes da liberta\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>\u201cFui batizado, me casei e batizei meus filhos nesta igreja\u201d, disse Abu Nabeel, morador da Cidade Velha. A igreja de S\u00e3o Jorge, com suas paredes derrubadas, \u00e9 uma das 11 destru\u00eddas no distrito. J\u00e1 n\u00e3o tem seu teto de madeira e seus pain\u00e9is e gelosias (grade de madeira cruzada que ocupa o v\u00e3o de uma janela) de elaborado artesanato est\u00e3o amontoados fora do antigo edif\u00edcio. \u201cA maior parte dos danos foi causada nos \u00faltimos dias antes da partida dos insurgentes. Mas vamos reconstru\u00ed-la\u201d, assegurou Nabeel.<\/p>\n<p>Volunt\u00e1rios j\u00e1 come\u00e7aram a levantar os escombros e a pavimentar zonas danificadas da cidade. O interior em forma de ab\u00f3bada de Santa Maria (Um al-Zinnar) exibe as marcas do inc\u00eandio causado pelos insurgentes ao se retirarem, al\u00e9m do saque e do vandalismo que sofreu, como os grafites sect\u00e1rios deixados nas paredes. \u201cRetiraram todos os s\u00edmbolos relacionados com o cristianismo. Inclusive do interior das casas. Se voc\u00ea tinha uma imagem da Virgem Maria, a retiravam\u201d, contou Nabeel.<\/p>\n<p>Os volunt\u00e1rios plantaram um jardim no p\u00e1tio da igreja, para \u201cdevolver um pouco de beleza\u201d a Homs, segundo disseram. No p\u00e1tio da igreja foi colocada uma cadeira de pl\u00e1stico solit\u00e1ria enfeitada com flores e uma foto do sacerdote assassinado Van der Lugt.<\/p>\n<p>Nazim Kanawati, que conhecia e respeitava o jesu\u00edta, chegou ao lugar logo ap\u00f3s o homem de 75 anos receber um tiro na parte de tr\u00e1s da cabe\u00e7a. \u201cEst\u00e1vamos cercados e sitiados. Este era o \u00fanico lugar onde pod\u00edamos ir. A igreja encantava a todos\u201d, enquanto a maioria fugia. \u201cN\u00e3o queria partir. Sou s\u00edrio, tinha direito de estar aqui\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Embora tenha decidido ficar na Cidade Velha, Van der Lugt foi cr\u00edtico dos insurgentes. \u201cDesde o come\u00e7o vi manifestantes armados que participavam dos protestos e come\u00e7aram a disparar contra a pol\u00edcia primeiro. Frequentemente a viol\u00eancia das for\u00e7as de seguran\u00e7a \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 brutal viol\u00eancia dos rebeldes armados\u201d, escreveu o sacerdote em janeiro de 2012.<\/p>\n<p>Houve \u201cgente em Homs que j\u00e1 estava armada e preparada antes de come\u00e7arem os protestos. Se n\u00e3o tivessem planejado desde o come\u00e7o, n\u00e3o haveria essa quantidade de armas\u201d, disse Kanawati. Nabeel explicou que viviam \u201ccem mil crist\u00e3os na Cidade Velha de Homs antes de ser tomada pelos terroristas. A maioria fugiu em fevereiro de 2012. Em mar\u00e7o s\u00f3 restavam 800, e no final pouco mais de cem\u201d.<\/p>\n<p>O ass\u00e9dio do ex\u00e9rcito para expulsar os insurgentes teve um efeito dr\u00e1stico na vida cotidiana dos moradores que permaneceram. Antes de Homs ser libertada, a vida se tornara imposs\u00edvel. \u201cNo come\u00e7o havia comida, mas come\u00e7ou esgotar. No final n\u00e3o t\u00ednhamos nada, com\u00edamos o que pod\u00edamos encontrar\u201d, contou Kanawati.<\/p>\n<p>Mohammed, do distrito de Qussoor, \u00e9 um dos 6,5 milh\u00f5es de s\u00edrios refugiados dentro do pa\u00eds. \u201cAgora sou um refugiado em Latakia. Trabalho em Homs dois dias por semana e volto para Latakia, onde fico na casa de um amigo. Sa\u00ed da minha casa no final de 2011, antes que a \u00e1rea fosse tomada pelas brigadas Nusra e Farooq\u201d, explicou.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2011, \u201calugava uma casa em um bairro diferente de Homs, enquanto reformava a minha. Da varanda via as manifesta\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o reclamavam liberdade e nem mesmo a derrubada do regime\u201d, afirmou Mohammed. \u201cGritavam lemas sect\u00e1rios. Diziam que iam se banhar em sangue em Al Zahara, um bairro alau\u00edta. E tamb\u00e9m em Al Nezha, onde h\u00e1 muitos alau\u00edtas e crist\u00e3os\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As janelas e o ferrolho da porta da casa de Aymen e Zeinat al Akhras desapareceram, mas a casa em si estava intacta. Zeinat, uma farmac\u00eautica, e Aymen, engenheiro qu\u00edmico, sobreviveram \u00e0 presen\u00e7a dos homens armados e ao ass\u00e9dio na Cidade Velha. Nas \u00faltimas semanas, \u201crecuperei cinco quilos\u201d, contou ela. \u201cHavia baixado para 34 quilos. Uma menina de dez anos pesa mais do que isso. E Aymen pesava 43 quilos. Um homem com 43 quilos\u201d, disse, entre risadas.<\/p>\n<p>\u201cNos roubaram a comida em 38 ocasi\u00f5es. No come\u00e7o batiam na porta. Depois entravam com armas de fogo. Da \u00faltima vez, levaram o feij\u00e3o, o trigo, as azeitonas e o tomilho\u201d, detalhou Zeinat. Ela contou que, depois, em fevereiro de 2014, \u201ccome\u00e7amos a comer ervas e as plantas que encontr\u00e1vamos e isso \u00e9 tudo o que tivemos at\u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o de Homs\u201d, em maio.<\/p>\n<p>Embora a Cidade Velha tenha recuperado a calma, os insurgentes continuam explodindo carros-bomba e lan\u00e7ando m\u00edsseis sobre zonas povoadas de Homs. Os ataques causaram dezenas de mortos em junho. No dia 26 do m\u00eas passado, as brigadas Nusra, grupo v\u00ednculado \u00e0 rede isl\u00e2mica Al Qaeda e uma das principais fac\u00e7\u00f5es que ocuparam Homs, declarou sua lealdade ao extremista Estado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante (Isis).<\/p>\n<p>Esta lealdade a um grupo cujas decapita\u00e7\u00f5es, mutila\u00e7\u00f5es e a\u00e7oites de suas v\u00edtimas s\u00edrias e iraquianas est\u00e3o documentadas d\u00e1 mais cr\u00e9dito \u00e0 opini\u00e3o dos habitantes de Homs, que asseguram que os acontecimentos na S\u00edria n\u00e3o s\u00e3o uma revolu\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Homs, S&iacute;ria, 10\/7\/2014 &ndash; &Eacute; iminente a tr&eacute;gua em Al Waer &ndash; a &aacute;rea mais povoada de Homs e &uacute;ltimo reduto insurgente da cidade, a terceira em tamanho da S&iacute;ria &ndash;, semelhante &agrave; do acordo para a Cidade Velha em maio, quando os combatentes opositores abandonaram esse distrito. 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