{"id":17688,"date":"2014-07-14T15:12:26","date_gmt":"2014-07-14T15:12:26","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=116670"},"modified":"2014-07-14T15:12:26","modified_gmt":"2014-07-14T15:12:26","slug":"nascente-fundo-monetario-do-brics-pode-repetir-iniquidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/nascente-fundo-monetario-do-brics-pode-repetir-iniquidades\/","title":{"rendered":"Nascente fundo monet\u00e1rio do Brics pode repetir iniquidades"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_116672\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Itaipu-ago13-011-001-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-116672\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Itaipu-ago13-011-001-629x472.jpg\" alt=\"Itaipu ago13 011 001 629x472 Nascente fundo monet\u00e1rio do Brics pode repetir iniquidades\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Nascente fundo monet\u00e1rio do Brics pode repetir iniquidades\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Megaprojetos, como a hidrel\u00e9trica de Itaipu, compartilhada por Brasil e Paraguai, poder\u00e3o no futuro ser financiados pelo novo fundo e pelo novo banco que ser\u00e1 lan\u00e7ado pelos mandat\u00e1rios do Brics na cidade de Fortaleza. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fortaleza, Brasil, 14\/7\/2014 \u2013 As primeiras institui\u00e7\u00f5es comuns do Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) s\u00e3o financeiras e nascem como suced\u00e2neo de reformas em um sistema internacional no qual persistem desequil\u00edbrios de poder, ignorando o novo peso dos pa\u00edses emergentes. Mas o Acordo de Reservas de Conting\u00eancia (CRA, em ingl\u00eas), o fundo monet\u00e1rio dos pa\u00edses do Brics, tamb\u00e9m ser\u00e1 criado com um desequil\u00edbrio na composi\u00e7\u00e3o de seus recursos, que pode repetir hegemonias corrosivas.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o criados o CRA e um banco de desenvolvimento durante a Sexta C\u00fapula do Brics, que reunir\u00e1 no Brasil seus cinco governantes, no dia 15 na cidade de Fortaleza e no dia 16 em Bras\u00edlia. Hoje acontecem as reuni\u00f5es preparat\u00f3rias de ministros, empres\u00e1rios e bancos centrais do grupo.<\/p>\n<p>De seus US$ 100 bilh\u00f5es de fundos para socorrer algum dos cinco membros no caso de sofrer uma crise, a China entrar\u00e1 com 41%, \u00c1frica do Sul, o s\u00f3cio menor, contribuir\u00e1 com 5% e os demais com 18% cada um. As porcentagens refletem o tamanho da economia de cada pa\u00eds, mas no Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), outro instrumento que ser\u00e1 criado por ocasi\u00e3o da c\u00fapula, a participa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 igualit\u00e1ria: US$ 10 bilh\u00f5es e igual poder de voto para cada membro.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 sua grande diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao Banco Mundial, do qual \u00e9 um espelho. \u201cO NBD \u00e9 democr\u00e1tico\u201d, destacou \u00e0 IPS o pesquisador do Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais, Christopher Wood, em Johannesburgo. \u00c9 muito diferente tamb\u00e9m do CRA, no qual a China, como maior pa\u00eds do grupo, \u201cprovavelmente ter\u00e1 uma influ\u00eancia desproporcional\u201d, mas pode-se esperar que o desenho da institui\u00e7\u00e3o evite um predom\u00ednio, acrescentou.<\/p>\n<p>Em negocia\u00e7\u00e3o desde 2012, os acordos para a cria\u00e7\u00e3o do banco de fomento e do mecanismo monet\u00e1rio est\u00e3o prontos, dependendo apenas de uma verifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica para a assinatura dos cinco governantes dos pa\u00edses do Brics em Fortaleza, informou o subsecret\u00e1rio-geral pol\u00edtico do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil, Jos\u00e9 Alfredo Gra\u00e7a Lima.<\/p>\n<p>O Bric, sigla criada em 2001 pelo economista norte-americano Jim O\u2019Neill para indicar quatro pot\u00eancias emergentes que alteram o quadro mundial, come\u00e7ou a reunir seus chefes de Estado e de governo em 2009, compondo uma \u201ccoaliz\u00e3o\u201d \u00e0 qual se juntou a \u00c1frica do Sul em 2011.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 diferente de um bloco\u201d, que adota pol\u00edticas comuns de com\u00e9rcio e outros setores, explicaram diplomatas brasileiros, diante de observa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas sobre as discrep\u00e2ncias entre pa\u00edses do grupo em diferentes f\u00f3runs internacionais, sejam pol\u00edticos ou econ\u00f4micos. S\u00e3o pa\u00edses muito grandes, ou \u201cbaleias\u201d, que est\u00e3o se conhecendo mutuamente e que ampliaram seu di\u00e1logo e exercem \u201cum papel positivo na democratiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais\u201d, pontuou Gra\u00e7a Lima.<\/p>\n<p>J\u00e1 est\u00e1 em marcha a coopera\u00e7\u00e3o entre seus cinco pa\u00edses em mais de 30 \u00e1reas e suas sociedades tamb\u00e9m se aproximam por meio de f\u00f3runs como o empresarial e o acad\u00eamico, ressaltou Flavio Damico, diretor do Departamento de Mecanismos Inter-Regionais do Itamaraty.<\/p>\n<p>Mas a demanda por mais poder nas inst\u00e2ncias econ\u00f4micas internacionais \u00e9 o cimento que une o Brics. O sistema financeiro e pol\u00edtico mundial tem \u201ccongelada sua estrutura de poder e privil\u00e9gios\u201d desde 1945 e teria que se reformar \u201cpara ajustar-se \u00e0 realidade atual\u201d, acrescentou Damico.<\/p>\n<p>O bloqueio de uma reforma do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) no parlamento norte-americano estimulou os pa\u00edses do Brics a avan\u00e7arem em solu\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. O CRA pouco influir\u00e1 na economia mundial no curto prazo, mas \u201cseguramente no longo prazo vai minar o centralismo do FMI\u201d, opinou Wood.<\/p>\n<p>O CRA surge em um contexto no qual persistem os efeitos da crise financeira de 2008 e os \u201csist\u00eamicos desequil\u00edbrios perpetuados pelas pol\u00edticas monet\u00e1rias das economias avan\u00e7adas, como Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia\u201d, disse \u00e0 IPS, em Nova D\u00e9lhi, o economista Vivan Sharan, especialista em Brics da Observer Research Foundation, da \u00cdndia.<\/p>\n<p>Com essa \u201crede de seguran\u00e7a monet\u00e1ria\u201d, o Brics assinala seu \u201cmenor n\u00edvel de depend\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods, como o FMI, que necessita urgentemente de uma reforma estrutural e de governan\u00e7a\u201d, afirmou Sharan, ressaltando que o grupo n\u00e3o pretende um reordenamento econ\u00f4mico global.<\/p>\n<p>Mas o economista brasileiro Fernando Cardim, professor aposentado de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, duvida do sucesso do CRA. Seus recursos ser\u00e3o insuficientes, j\u00e1 que todos seus fundos n\u00e3o bastariam nem mesmo para defender o Brasil de uma maci\u00e7a fuga de capitais, argumentou \u00e0 IPS. Al\u00e9m disso, n\u00e3o evita potenciais conflitos internos, por ter a China um peso decis\u00f3rio \u201csemelhante ou ainda maior do que o dos Estados Unidos no FMI\u201d e ao exercer o poder com menos sutileza, acrescentou.<\/p>\n<p>Em todo caso, as institui\u00e7\u00f5es do Brics n\u00e3o buscam substituir nem confrontar o FMI ou o Banco Mundial. O CRA tem por finalidade \u201ccomplementar\u201d, como uma \u201clinha de defesa adicional\u201d dos cinco pa\u00edses, em cujo horizonte n\u00e3o aparecem amea\u00e7as aos seus balan\u00e7os de pagamentos, segundo Gra\u00e7a Lima.<\/p>\n<p>Os recursos do FMI somam US$ 937 bilh\u00f5es, mais de nove vezes os do CRA. Por isso o Fundo continuar\u00e1 sendo fundamental, inclusive para o CRA e outros mecanismos monet\u00e1rios criados para enfrentar crises financeiras, afirmou Wood. A Iniciativa de Chiang Mai, um mecanismo semelhante adotado pela Associa\u00e7\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico ap\u00f3s a crise na \u00e1rea no bi\u00eanio 1997-1998 e que conta com apoio de China, Coreia do Sul e Jap\u00e3o, exige que o pa\u00eds que necessita de grandes empr\u00e9stimos primeiro recorra ao FMI, acrescentou.<\/p>\n<p>O NBD \u00e9 menos pol\u00eamico, embora chegue precedido de cr\u00edticas dos ativistas sociais e ambientais. Espera-se que comece a financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustent\u00e1vel dentro de dois anos, porque exige a aprova\u00e7\u00e3o parlamentar dos pa\u00edses membros. Seu capital inicial de US$ 50 bilh\u00f5es \u00e9 limitado em compara\u00e7\u00e3o com as necessidades dos membros do Brics, e outros pa\u00edses em desenvolvimento poder\u00e3o se beneficiar de seus cr\u00e9ditos e inclusive se associarem ao banco. \u00c9 menos do que o brasileiro Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) empresta anualmente.<\/p>\n<p>O governo da \u00cdndia, por exemplo, estima que a infraestrutura nacional exige US$ 1 trilh\u00e3o para os pr\u00f3ximos cinco anos, metade a ser financiada pelo setor privado. Mas contar com novas fontes de recursos \u00e9 importante porque os projetos nessa \u00e1rea sofrem graves problemas de liquidez, por dependerem em demasia dos bancos, diante \u201cda inexist\u00eancia de um robusto mercado de t\u00edtulos\u201d na na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica, apontou Sharan em Nova D\u00e9lhi.<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul \u201ctem muito a ganhar\u201d, porque o foco do NBD ser\u00e3o os grandes projetos de infraestrutura, uma car\u00eancia comum nos pa\u00edses do grupo, com financiamentos de prazo bastante longo, que escasseiam em outras institui\u00e7\u00f5es, especialmente no setor privado, destacou Wood. Al\u00e9m disso, apoiar\u00e1 a prepara\u00e7\u00e3o dos projetos, o que representa custos quando ainda n\u00e3o se tem acesso ao cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>O NDB est\u00e1 autorizado a dobrar seus fundos, mas o importante \u00e9 que seu cofinanciamento dos projetos funciona como catalisador, ao reduzir riscos e custos e assim atrair recursos que abundam entre os investidores privados e os bancos nacionais e multilaterais de desenvolvimento existentes no mundo, segundo Wood e os diplomatas brasileiros. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Com colabora\u00e7\u00f5es de Ranjit Devraj (Nova D\u00e9lhi) e Brendon Bosworth (Johannesburgo).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Fortaleza, Brasil, 14\/7\/2014 &ndash; As primeiras institui&ccedil;&otilde;es comuns do Brics (Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul) s&atilde;o financeiras e nascem como suced&acirc;neo de reformas em um sistema internacional no qual persistem desequil&iacute;brios de poder, ignorando o novo peso dos pa&iacute;ses emergentes. 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