{"id":17694,"date":"2014-07-16T13:45:11","date_gmt":"2014-07-16T13:45:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=116870"},"modified":"2014-07-16T13:45:11","modified_gmt":"2014-07-16T13:45:11","slug":"a-maternidade-na-infancia-pesa-no-paquistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/a-maternidade-na-infancia-pesa-no-paquistao\/","title":{"rendered":"A maternidade na inf\u00e2ncia pesa no Paquist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_116872\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/pakistan.jpg\"><img class=\"wp-image-116872\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/pakistan.jpg\" alt=\"pakistan A maternidade na inf\u00e2ncia pesa no Paquist\u00e3o\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"A maternidade na inf\u00e2ncia pesa no Paquist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A maioria das na\u00e7\u00f5es da \u00c1sia meridional, como o Paquist\u00e3o, deve enfrentar o duplo problema do casamento precoce e da gravidez na adolesc\u00eancia. \u00c9 crucial atender os dois desafios ao mesmo tempo, segundo os especialistas. Foto: Zofeen Ebrahim\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Karachi, Paquist\u00e3o, 16\/7\/2014 \u2013 Se Rashda Naureen pudesse voltar seis anos no tempo, nunca teria concordado em se casar aos 16 anos. \u201cN\u00e3o estava pronta para o casamento. Como poderia estar se era apenas uma menina\u201d, afirmou \u00e0 IPS esta jovem paquistanesa de 22 anos. Naureen s\u00f3 havia estudado at\u00e9 o terceiro grau quando engravidou aos 17 anos. Ela se divorciou pouco depois de dar \u00e0 luz seu primeiro filho.<\/p>\n<p>A m\u00e3e da jovem, Perween Bibi, que vive de seu magro pagamento como empregada dom\u00e9stica no Paquist\u00e3o, declarou \u00e0 IPS que tem \u201coutras duas filhas, al\u00e9m de dois homens, e demos Rashda para termos uma responsabilidade a menos. Mas aconteceu exatamente o contr\u00e1rio. Bibi e seu marido, motorista particular, al\u00e9m de terem de manter uma fam\u00edlia de sete membros, agora tamb\u00e9m devem cuidar do neto, e com dificuldades para subsistir.<\/p>\n<p>Uma das coisas mais tristes dessa hist\u00f3ria \u00e9 que a gravidez de Naureen poderia ter sido facilmente evitada. \u201cAntes do casamento, minha melhor amiga me incentivou a tomar p\u00edlula anticoncepcional, mas n\u00e3o quis ouvi-la\u201d, confessou a mo\u00e7a. \u201cInclusive meu marido, cujos pais o obrigaram a se casar comigo, me disse que esper\u00e1ssemos, mas n\u00e3o se importou. Pensei que ter um filho em seguida ajudaria a cimentar nossa rela\u00e7\u00e3o e ele come\u00e7aria a me amar\u201d, contou com tristeza.<\/p>\n<p>A gravidez precoce \u00e9 comum entre as adolescentes rec\u00e9m-casadas, afirmou \u00e0 IPS Tauseef Ahmed, diretor no Paquist\u00e3o da Pathfinder International, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos dedicada a facilitar servi\u00e7os de sa\u00fade sexual e reprodutiva para jovens em mais de 30 pa\u00edses. Na verdade, ter um filho \u00e9 uma forma de provar a fertilidade, e os valores da gravidez na adolesc\u00eancia est\u00e3o \u201cprotegidos pelas pr\u00f3prias mulheres e meninas\u201d, explicou a IPS.<\/p>\n<p>Segundo o Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA), quase 7,3 milh\u00f5es de adolescentes engravidam no mundo a cada ano, das quais dois milh\u00f5es t\u00eam 14 anos ou menos. Al\u00e9m disso, estima-se que nos pa\u00edses em desenvolvimento 70 mil adolescentes morrem anualmente por complica\u00e7\u00f5es derivadas da gravidez e do parto.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) indica que a morte fetal e de rec\u00e9m-nascidos \u00e9 50% mais prov\u00e1vel entre m\u00e3es adolescentes do que entre mulheres de 20 a 29 anos. Os beb\u00eas que sobrevivem t\u00eam mais probabilidades de apresentarem baixo peso ao nascer ou serem prematuros, em compara\u00e7\u00e3o com os filhos de mulheres mais velhas.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 particularmente acentuado no Paquist\u00e3o, pa\u00eds de 180 milh\u00f5es de habitantes e onde 35% das mulheres entre 25 e 49 anos se casaram antes de completarem 18 anos, segundo os \u00faltimos dados da Pesquisa de Sa\u00fade Demogr\u00e1fica do Paquist\u00e3o 2012-2013. Os especialistas afirmam que entre as principais raz\u00f5es da propaga\u00e7\u00e3o do casamento infantil e da gravidez precoce se destaca a falta de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Farid Midhet, diretor do Programa Integrado de Sa\u00fade Materna e Infantil do Paquist\u00e3o, da Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (Usaid), concorda, dizendo que existe um estreito v\u00ednculo entre a gravidez adolescente e o analfabetismo feminino. \u201cIsso contribui para a alta mortalidade infantil, a alta fertilidade, o analfabetismo em geral, e a produ\u00e7\u00e3o de filhos que s\u00e3o uma carga para a sociedade\u201d, apontou o m\u00e9dico \u00e0 IPS. Como resultado, acrescentou, exacerba a pobreza, que por sua vez alimenta um c\u00edrculo vicioso de insurg\u00eancia, delinqu\u00eancia e conflitos sociais.<\/p>\n<p>Ahmed, por sua vez, acredita que h\u00e1 uma forte corrente conservadora na sociedade paquistanesa, na qual 97% da popula\u00e7\u00e3o se considera mu\u00e7ulmano, o que tamb\u00e9m conspira contra as meninas e as adolescentes e favorece o casamento precoce e a gravidez de adolescentes, um destino inevit\u00e1vel para milhares delas.<\/p>\n<p>\u201cO casamento precoce e a falta de permiss\u00e3o para ir \u00e0 escola s\u00e3o os principais indicadores das for\u00e7as conservadoras\u201d, destacou Ahmed. \u201cO temor \u00e0 rea\u00e7\u00e3o violenta\u201d da sociedade gerou uma patente falta de iniciativas positivas do setor p\u00fablico para atender o problema, apesar de uma infinidade de estudos mostrarem que os pa\u00edses que melhoram a matr\u00edcula escolar feminina registram uma redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de adolescentes gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>Consultada sobre como reverter a crise de sa\u00fade causada pelas m\u00e3es adolescentes, Zena Sathar, diretora do Conselho de Popula\u00e7\u00e3o do Paquist\u00e3o, responde que, primeiro e antes de tudo, investir na educa\u00e7\u00e3o das meninas. \u201cAs estrat\u00e9gias provadas no mundo incluem manter a adolescente na escola, usar incentivos econ\u00f4micos e programas de subsist\u00eancia, oferecer ferramentas para a vida cotidiana, informar as fam\u00edlias e as comunidades sobre os efeitos adversos da gravidez adolescente, mobiliz\u00e1-las para apoiar as meninas a crescerem e se converterem em mulheres antes de serem m\u00e3es\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p><strong>Um problema regional<\/strong><\/p>\n<p>O fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 exclusivo do Paquist\u00e3o. H\u00e1 v\u00e1rios pa\u00edses na regi\u00e3o que devem enfrentar o mesmo tipo de desafio. A maioria das na\u00e7\u00f5es da \u00c1sia meridional, como o Paquist\u00e3o, deve enfrentar o duplo problema do casamento precoce e da gravidez de adolescentes. \u00c9 crucial atender os dois desafios ao mesmo tempo, segundo os especialistas. Por\u00e9m, \u00e9 mais f\u00e1cil dizer do que fazer, pois as leis que fixam a idade \u201coficial\u201d para se casar s\u00e3o dif\u00edceis de serem cumpridas, e se complica ainda mais por causa dos valores da sociedade tradicional.<\/p>\n<p>Segundo o informe do UNFPA de 2013 intitulado <em>Maternidade na Inf\u00e2ncia<\/em>, Bangladesh e \u00cdndia continuam sendo os pa\u00edses com maior probabilidade de as meninas e adolescentes se casarem antes dos 18 anos. Paquist\u00e3o e Sri Lanka, por outro lado, mostram uma taxa de gravidez muito menor entre adolescentes de 15 a 19 anos<\/p>\n<p>O informe <em>Perspectivas Mundiais de Popula\u00e7\u00e3o<\/em>, realizado pelo Departamento de Assuntos Sociais e Econ\u00f4micos das Na\u00e7\u00f5es Unidas, indica que a fertilidade em adolescentes entre 15 e 19 anos \u00e9 de 87 em cada mil mulheres no Afeganist\u00e3o, 81 em Bangladesh, 74 no Nepal, 33 na \u00cdndia, 27 no Paquist\u00e3o, e apenas 17 no Sri Lanka.<\/p>\n<p>O Estado indiano de Bihar tem o pior registro em mat\u00e9ria de casamento precoce. Com base em um estudo de mais de 600 mil fam\u00edlias realizado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade entre 2007 e 2008, Sathar disse que quase 70% das mulheres de 20 anos disseram que j\u00e1 estavam casadas antes de completarem os 18 anos.<\/p>\n<p>Para mulheres como Naureen, continuar frequentando a escola teria evitado uma vida de dor. \u201cN\u00e3o teria me casado, nem teria sido m\u00e3e t\u00e3o jovem. Poderia ter mais tempo para pensar no que estava me metendo. Estaria um pouquinho mais pronta\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Karachi, Paquist&atilde;o, 16\/7\/2014 &ndash; Se Rashda Naureen pudesse voltar seis anos no tempo, nunca teria concordado em se casar aos 16 anos. &ldquo;N&atilde;o estava pronta para o casamento. Como poderia estar se era apenas uma menina&rdquo;, afirmou &agrave; IPS esta jovem paquistanesa de 22 anos. 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