{"id":17696,"date":"2014-07-16T14:51:03","date_gmt":"2014-07-16T14:51:03","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=116878"},"modified":"2014-07-16T14:51:03","modified_gmt":"2014-07-16T14:51:03","slug":"tratado-sobre-bens-verdes-desperta-desconfiancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/tratado-sobre-bens-verdes-desperta-desconfiancas\/","title":{"rendered":"Tratado sobre \u201cbens verdes\u201d desperta desconfian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_116880\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/turbine-blade-640-629x448.jpg\"><img class=\"wp-image-116880\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/turbine-blade-640-629x448.jpg\" alt=\"turbine blade 640 629x448 Tratado sobre \u201cbens verdes\u201d desperta desconfian\u00e7as\" width=\"529\" height=\"377\" title=\"Tratado sobre \u201cbens verdes\u201d desperta desconfian\u00e7as\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Empregados da LM Glasfiber com uma p\u00e1 de turbina de vento em Grand Forks, Estados Unidos. Foto: Tu\/cc by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 16\/7\/2014 \u2013 A desconfian\u00e7a das organiza\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas marcou o in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es formais entre os pa\u00edses industrializados para alcan\u00e7ar um tratado que regule o crescente com\u00e9rcio de \u201cbens verdes\u201d, aqueles produtos que s\u00e3o considerados ben\u00e9ficos para o ambiente. A liberaliza\u00e7\u00e3o deste mercado \u00e9 tentada h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>No dia 8, representantes de 13 pa\u00edses, que geram 90% do com\u00e9rcio atual de produtos ecol\u00f3gicos, como pain\u00e9is solares, turbinas de vento e filtros para tratamento de \u00e1guas residuais, se reuniram em Genebra para, mais uma vez, buscar um acordo. Por\u00e9m, persiste confus\u00e3o em torno da possibilidade real ou do alcance das negocia\u00e7\u00f5es sobre o que se denomina Acordo de Bens Ambientais. As organiza\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas expressaram seu ceticismo sobre o processo, que acontece sob a \u00f3rbita da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).<\/p>\n<p>\u201cPensamos que o aumento do com\u00e9rcio de produtos ben\u00e9ficos para o ambiente, bem como seu uso, \u00e9 muito importante. Mas temos preocupa\u00e7\u00f5es muito s\u00e9rias sobre a estrat\u00e9gia que a OMC adota\u201d a respeito, afirmou Ilana Solomon, diretora do Programa de Com\u00e9rcio Respons\u00e1vel do Sierra Club, uma das organiza\u00e7\u00f5es ecologistas mais influentes dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cEssa estrat\u00e9gia se refere a eliminar tarifas alfandeg\u00e1rias de uma lista de produtos que supostamente beneficiam o ambiente. Mas ainda n\u00e3o existe uma defini\u00e7\u00e3o do que realmente constitui um \u201cbem ambiental\u201d, e muitos dos produtos que est\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o na realidade s\u00e3o daninhos para o ambiente\u201d, apontou Solomon.<\/p>\n<p>As conversa\u00e7\u00f5es da OMC acontecem entre Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia, China, Austr\u00e1lia, Jap\u00e3o e outros, em torno de uma lista inicial de 54 categorias de produtos, acordadas em 2012 pelo F\u00f3rum de Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica \u00c1sia-Pac\u00edfico (Apec). Os pa\u00edses da Apec pretendem reduzir as tarifas alfandeg\u00e1rias desses produtos para menos de 5% no ano que vem.<\/p>\n<p>Mas a lista inclui muitos artigos que podem ser usados de maneira positiva ou negativa para o ambiente, como os incineradores de lixo, centr\u00edfugas, turbinas de g\u00e1s, compactadores de lodo e uma grande variedade de maquin\u00e1rio t\u00e9cnico. A lista tamb\u00e9m exclui os pa\u00edses pobres, j\u00e1 que s\u00f3 a Costa Rica participa das negocia\u00e7\u00f5es, que ocorrem principalmente entre economias industrializadas e de renda m\u00e9dia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 prov\u00e1vel que os pa\u00edses pobres n\u00e3o produzam estes bens\u201d, disse Kim Elliott, do Centro para o Desenvolvimento Global (CGD), com sede em Washington. \u201cSe n\u00e3o participam das conversa\u00e7\u00f5es, seguramente perdem com as tarifas alfandeg\u00e1rias elevadas, mas \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o exportem muito\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m ter\u00e3o consequ\u00eancias para as ind\u00fastrias nacionais emergentes. \u201cUm pa\u00eds em desenvolvimento pode querer sua pr\u00f3pria ind\u00fastria de pain\u00e9is solares ou turbinas de vento. Mas as tarifas alfandeg\u00e1rias baixas ou nulas podem impedir sua capacidade de desenvolver ind\u00fastrias de energia renov\u00e1vel nacionais\u201d, advertiu Solomon.<\/p>\n<p>A OMC n\u00e3o inclui a mudan\u00e7a clim\u00e1tica em suas conversa\u00e7\u00f5es. Mas, desde meados da d\u00e9cada de 1990, esta organiza\u00e7\u00e3o garante trabalhar para estabelecer \u201cum claro v\u00ednculo entre o desenvolvimento sustent\u00e1vel e a liberaliza\u00e7\u00e3o disciplinada do com\u00e9rcio, para garantir que a abertura do mercado siga de m\u00e3os dadas com os objetivos ambientais e sociais\u201d.<\/p>\n<p>Estas negocia\u00e7\u00f5es devem ser parte do esfor\u00e7o dos Estados Unidos. Em 2013, o presidente Barack Obama anunciou que seu governo participaria de negocia\u00e7\u00f5es para \u201cajudar mais pa\u00edses a vencerem a fase de desenvolvimento sujo e se unirem a uma economia global baixa em carbono\u201d. O interesse de Washington \u00e9 compartilhado por outros partid\u00e1rios da expans\u00e3o do livre com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es comerciais multilaterais tiveram poucos progressos nos \u00faltimos 20 anos, por isso muitos esperam que o v\u00ednculo entre estes temas impulsione o sistema multilateral. \u201cTodo o mundo, ao menos no papel, quer fazer algo sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A ideia \u00e9 considerada uma situa\u00e7\u00e3o na qual todos ganham, t\u00e3o \u00fatil para o sistema comercial quanto para o planeta\u201d, afirmou Elliott.<\/p>\n<p>Naturalmente, o interesse de Washington tamb\u00e9m gira em torno de aumentar as exporta\u00e7\u00f5es norte-americanas e, como sobe a press\u00e3o pol\u00edtica referente \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, o com\u00e9rcio de bens ecol\u00f3gicos se transformou rapidamente em uma for\u00e7a importante. C\u00e1lculos oficiais indicam que o valor deste mercado duplicou entre 2007 e 2011, e que alcan\u00e7ou o trilh\u00e3o de d\u00f3lares em 2013. A cota dos Estados Unidos cresceu 8% ao ano desde 2009, e chegou a US$ 106 bilh\u00f5es no ano passado.<\/p>\n<p>O setor empresarial, dos Estados Unidos e dos demais pa\u00edses industrializados, mostram um forte interesse nas negocia\u00e7\u00f5es. No dia 8, cerca de 50 associa\u00e7\u00f5es empresariais e comerciais escreveram aos negociadores da OMC expressando sua \u201cforte ades\u00e3o\u201d aos seus esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>O acordo \u201caumentar\u00e1 ainda mais o com\u00e9rcio mundial de bens ambientais, reduzindo o custo dos desafios ambientais e clim\u00e1ticos mediante a elimina\u00e7\u00e3o das tarifas, que podem chegar at\u00e9 a 35%\u201d, declararam as associa\u00e7\u00f5es. \u201cAl\u00e9m de sua import\u00e2ncia comercial intr\u00ednseca e sua conveni\u00eancia, um acordo bem desenhado pode atuar como um trampolim para a redu\u00e7\u00e3o de tarifas alfandeg\u00e1rias e outras barreiras comerciais em outros setores e outras cadeias de valor associadas\u201d, afirmaram os signat\u00e1rios da carta.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que o governo dos Estados Unidos compartilhe este ponto de vista. Uma recente carta de Michael Froman, principal funcion\u00e1rio comercial de Washington, pedia \u00e0 Comiss\u00e3o de Com\u00e9rcio Internacional deste pa\u00eds para investigar o impacto potencial da liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio em torno dos bens ambientais, segundo Solomon. \u201cDiante da falta de uma defini\u00e7\u00e3o universalmente aceita de bem ambiental, solicito que, para efeito de sua an\u00e1lise, a Comiss\u00e3o se refira aos elementos que constam da lista adjunta \u00e0 presente carta\u201d, escreveu o funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Essa lista, de 34 p\u00e1ginas, cont\u00e9m centenas de artigos que n\u00e3o est\u00e3o na lista da Apec e que incluem desde produtos naturais (mel, \u00f3leo de palma, ureia, fibras de coco, bambu), t\u00e9cnicos (tubula\u00e7\u00f5es e inv\u00f3lucros, do tipo usado para extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s) e at\u00e9 aparentemente aleat\u00f3rios (aspiradores, c\u00e2maras). \u201cIsto parece sugerir que esse exerc\u00edcio n\u00e3o se refere \u00e0 prote\u00e7\u00e3o ambiental, mas \u00e0 expans\u00e3o do modelo atual de livre com\u00e9rcio, uma tentativa disfar\u00e7ada de conseguir a liberaliza\u00e7\u00e3o de uma ampla gama de produtos\u201d, ressaltou Solomon. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 16\/7\/2014 &ndash; A desconfian&ccedil;a das organiza&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas marcou o in&iacute;cio das negocia&ccedil;&otilde;es formais entre os pa&iacute;ses industrializados para alcan&ccedil;ar um tratado que regule o crescente com&eacute;rcio de &ldquo;bens verdes&rdquo;, aqueles produtos que s&atilde;o considerados ben&eacute;ficos para o ambiente. A liberaliza&ccedil;&atilde;o deste mercado &eacute; tentada h&aacute; anos. 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