{"id":17701,"date":"2014-07-17T12:06:33","date_gmt":"2014-07-17T12:06:33","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=116936"},"modified":"2014-07-17T12:06:33","modified_gmt":"2014-07-17T12:06:33","slug":"orfaos-de-ruanda-com-futuro-incerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/orfaos-de-ruanda-com-futuro-incerto\/","title":{"rendered":"\u00d3rf\u00e3os de Ruanda com futuro incerto"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_116939\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Ruanda.jpg\"><img class=\"wp-image-116939\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Ruanda.jpg\" alt=\"Ruanda \u00d3rf\u00e3os de Ruanda com futuro incerto\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"\u00d3rf\u00e3os de Ruanda com futuro incerto\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Deborah (de vermelho), adolescente de 14 anos que perdeu os pais ainda pequena, vive no orfanato Centro Memorial de Gisimba, em Kigali, Ruanda. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kigali, Ruanda, 17\/7\/2014 \u2013 Todos os dias, Deborah, de 14 anos, acorda em um orfanato, onde vive e de onde vai \u00e0 escola e volta. N\u00e3o importa quando nem por quanto tempo sai, sempre voltar\u00e1 ao Centro Memorial de Gisimba, em Kigali, capital de Ruanda. \u201c\u00c9 aqui que vivo, este \u00e9 meu lar\u201d, disse a jovem, sentada em um banco de madeira junto a outros meninos e meninas do orfanato, onde coloria muito concentrada o nascimento de uma fam\u00edlia conhecida: Jesus, Maria e Jos\u00e9.<\/p>\n<p>Deborah viveu com seus pais somente tr\u00eas anos, at\u00e9 que sua m\u00e3e morreu. Seu pai faleceu dois anos depois. Ambos v\u00edtimas da aids. Seus quatro irm\u00e3os e irm\u00e3s tamb\u00e9m vivem no orfanato, localizado no bairro de Nyamirambo. Peter Gisimba e sua mulher Dancilla fundaram o orfanato, que come\u00e7ou a receber meninos e meninas que ficaram \u00f3rf\u00e3os por diferentes circunst\u00e2ncias nos anos 1980.<\/p>\n<p>O casal morreu no final daquela d\u00e9cada, e a institui\u00e7\u00e3o mudou para seu nome atual em 1990, quando ali viviam cerca de 50 menores, sua capacidade m\u00e1xima. A situa\u00e7\u00e3o se manteve at\u00e9 1994, quando ocorreu o genoc\u00eddio, e cerca de 700 pessoas se alojaram no abrigo. \u201cAs pessoas dormiam nos dormit\u00f3rios, do lado de fora, por todo lado enquanto estivessem juntas\u201d, recordou Elie Munezero \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Estima-se que entre 800 mil e um milh\u00e3o de tutsis e hutus moderados foram assassinados em um massacre que durou cem dias e que come\u00e7ou ap\u00f3s a morte do ent\u00e3o presidente de Ruanda, Juvenal Habyarimana, e de seu colega do Burundi, Cyprien Ntaryamira, quando em 6 de abril de 1994 o avi\u00e3o em que viajavam foi derrubado por um m\u00edssil perto de Kigali, para impedir que assinassem um acordo de paz.<\/p>\n<p>Atualmente, cerca de 125 jovens vivem no orfanato. \u201cTodas as gera\u00e7\u00f5es\u201d, disse Munezero, de 50 anos. \u201cBeb\u00eas, crian\u00e7as pequenas, adolescentes e adultos jovens\u201d, acrescentou. O menor tem dois anos e os dois mais velhos 30. Cerca de 40% t\u00eam menos de 16 anos. Deborah e seus irm\u00e3os s\u00e3o alguns dos 2.171 menores que se estima vivem nos 29 orfanatos neste pa\u00eds da \u00c1frica oriental, afirmou Annet Birungi, consultora em comunica\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o Nacional para a Inf\u00e2ncia e do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef).<\/p>\n<p>Nove anos em um orfanato, como no caso de Deborah, n\u00e3o surpreende Birungi, que citou os alarmantes resultados da Pesquisa Nacional sobre a Aten\u00e7\u00e3o Institucional, feita pelo Minist\u00e9rio de G\u00eanero e Promo\u00e7\u00e3o da Fam\u00edlia (Migeprof), entre 2011 e 2012, e organiza\u00e7\u00f5es como Hopes and Homes for Children (HHC). Segundo o estudo, 13,6% das crian\u00e7as acolhidas em institui\u00e7\u00f5es vivem nelas h\u00e1 mais de 15 anos.<\/p>\n<p>Viver em uma institui\u00e7\u00e3o assistencial pode deixar sequelas para toda a vida. Os mais vulner\u00e1veis s\u00e3o os de zero a tr\u00eas anos. \u201cD\u00e9cadas de pesquisas mostram que os orfanatos n\u00e3o podem oferecer a assist\u00eancia que as crian\u00e7as precisam para desenvolverem todo seu potencial, leva a transtornos de apego e gera atrasos no desenvolvimento que podem ser f\u00edsicos, intelectuais, de comunica\u00e7\u00e3o, sociais e emocionais\u201d, explicou Birungi.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nessas institui\u00e7\u00f5es existem \u201cabuso, neglig\u00eancia, viol\u00eancia f\u00edsica e sexual, isolamento e marginaliza\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou Birungi. Antes da \u00e9poca colonial, existia a cultura de tratar \u201ccada crian\u00e7a como pr\u00f3pria. Os menores eram da comunidade e quando uma m\u00e3e morria era responsabilidade das tias e dos av\u00f3s, e dos amigos da fam\u00edlia, cuidar dos \u00f3rf\u00e3o\u201d, contou.<\/p>\n<p>Estima-se que o massacre de 1994 deixou pelo menos um milh\u00e3o de meninos e meninas sem m\u00e3es. Durante e depois do genoc\u00eddio, as mulheres assumiram de maneira informal as crian\u00e7as do grupo \u00e9tnico contr\u00e1rio. Nesse momento, as animou serem \u201cmalayika mulinzi\u201d (anjo guardi\u00e3o), e operaram sistemas de \u201cparentesco e de assist\u00eancia de cuidado tutelar\u201d, embora informalmente.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, surgiu a maioria dos orfanatos que existem atualmente, mas a maior parte deles carece de planos de sa\u00edda para os que atingem a idade prevista. Al\u00e9m disso, a ideia de que \u00e9 melhor as crian\u00e7as estarem institucionalizadas em lugar de estarem com fam\u00edlias substitutas faz com que sejam deixadas nos orfanatos. Embora seja verdade que alguns dos centros oferecem abrigo, alimento, roupa, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 certo que n\u00e3o podem oferecer o amor de uma fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Atualmente n\u00e3o h\u00e1 luz nem \u00e1gua em Gisimba, servi\u00e7os cortados por falta de pagamento, contou Munezero. \u201cNada funciona\u201d, afirmou, desesperado. Um dos grandes problemas dos menores institucionalizados \u00e9 que alguns podem ter algum familiar vivo. \u201cPode continuar sendo chamado de \u00f3rf\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9\u201d, acrescentou. O F\u00f3rum de Pol\u00edticas Infantis da \u00c1frica, uma organiza\u00e7\u00e3o independente sem fins lucrativos, indicou que a maioria dos chamados \u201c\u00f3rf\u00e3os\u201d adotados por estrangeiros na \u00c1frica t\u00eam pelo menos um dos pais vivos.<\/p>\n<p>Em agosto de 2010, Ruanda suspendeu temporariamente a ado\u00e7\u00e3o internacional para que o pa\u00eds trabalhe na implanta\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o de Haia sobre Prote\u00e7\u00e3o de Menores e da Coopera\u00e7\u00e3o em Mat\u00e9ria de Ado\u00e7\u00e3o Internacional. Burungi disse que o governo quer reviver a cultura de \u201ctratar cada crian\u00e7a como pr\u00f3pria\u201d. A Comiss\u00e3o Nacional para a Inf\u00e2ncia trabalha com a HHC para reintegrar os residentes de Gisimba \u00e0s suas fam\u00edlias. Uma equipe psicossocial capacitada pela Comiss\u00e3o est\u00e1 nas \u00faltimas fases de reintegra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Gisimba ser\u00e1 transformada em uma escola prim\u00e1ria para as crian\u00e7as da regi\u00e3o, segundo Birungi. No dia 10 de julho, a HHC anunciou que j\u00e1 haviam se mudado as primeiras cinco crian\u00e7as da Home of Hope, outra institui\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia em Kigali. A diretora da HHC em Ruanda, Claudine Nyinawagaga, disse que havia numerosos servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o alternativa dispon\u00edveis para as crian\u00e7as, inclusive \u201caten\u00e7\u00e3o familiar\u201d, que \u00e9 quando um jovem fica a cargo de uma fam\u00edlia estendida, vizinhos ou amigos.<\/p>\n<p>Mas o processo nacional de ado\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 para ser implantado completamente e, desde que a HHC come\u00e7ou o fechamento da primeira institui\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, s\u00f3 um menino o completou. As pautas redigidas pela Comiss\u00e3o no tr\u00e2mite nacional e internacional esperam a aprova\u00e7\u00e3o do gabinete ruand\u00eas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Deborah continua sob tutela institucional. \u201cGosto de cantar e de bateria\u201d, respondeu ao ser consultada sobre as atividades que gosta de realizar no tempo livre. \u201cTemos um pequeno coro do qual participo\u201d, contou. Apesar das dificuldades, \u00e9 ambiciosa e no futuro pretende \u201ctrabalhar na ind\u00fastria e fazer suco de fruta e iogurte\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kigali, Ruanda, 17\/7\/2014 &ndash; Todos os dias, Deborah, de 14 anos, acorda em um orfanato, onde vive e de onde vai &agrave; escola e volta. 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