{"id":17710,"date":"2014-07-21T14:18:56","date_gmt":"2014-07-21T14:18:56","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=117136"},"modified":"2014-07-21T14:18:56","modified_gmt":"2014-07-21T14:18:56","slug":"brics-avanca-a-todo-vapor-com-china-e-india-como-locomotivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/brics-avanca-a-todo-vapor-com-china-e-india-como-locomotivas\/","title":{"rendered":"Brics avan\u00e7a a todo vapor com China e \u00cdndia como locomotivas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_117138\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/modi-629x417.jpg\"><img class=\"wp-image-117138\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/modi-629x417.jpg\" alt=\"modi 629x417 Brics avan\u00e7a a todo vapor com China e \u00cdndia como locomotivas\" width=\"529\" height=\"351\" title=\"Brics avan\u00e7a a todo vapor com China e \u00cdndia como locomotivas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Primeiro-ministro da \u00cdndia, Narendra Modi, quando chegou ao Brasil para participar da Sexta C\u00fapula do Brics, no dia 14 deste m\u00eas. Foto: Ag\u00eancia Brasil EBC<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nova D\u00e9lhi, \u00cdndia, 21\/7\/2014 \u2013 A Sexta C\u00fapula do Brics atraiu mais aten\u00e7\u00e3o do que as demais reuni\u00f5es de seu tipo na curta hist\u00f3ria da alian\u00e7a, e n\u00e3o apenas de seus pr\u00f3prios integrantes: Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul. Dois grupos externos definidos por interesses divergentes acompanharam de perto a c\u00fapula, realizada em Fortaleza, nos dias 14 e 15, e em Bras\u00edlia, no dia 16.<\/p>\n<p>Por um lado, as economias emergentes e os pa\u00edses em desenvolvimento, e de outro Estados Unidos, Jap\u00e3o e outros pa\u00edses ricos do Consenso de Washington e das institui\u00e7\u00f5es g\u00eameas de Bretton Woods, o Banco Mundial e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI).<\/p>\n<p>O primeiro grupo queria que o Brics, formado em 2008, conseguisse dar os primeiros passos para uma ordem mundial mais democr\u00e1tica, que reforme as institui\u00e7\u00f5es internacionais para que sejam mais equitativas e representativas da maioria no planeta. O segundo grupo costuma prognosticar a morte do Brics e aposta em que a rivalidade entre China e \u00cdndia impe\u00e7a que a alian\u00e7a de pa\u00edses passe das palavras aos fatos.<\/p>\n<p>O resultado da c\u00fapula no Brasil deve ter sido uma decep\u00e7\u00e3o para este \u00faltimo grupo. Os obitu\u00e1rios foram prematuros, quando n\u00e3o injustificados. E como \u201caconselhavam\u201d seus mais sofisticados advers\u00e1rios, o Brics n\u00e3o se apegou a uma agenda econ\u00f4mica. Em seu lugar divulgou uma declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que ecoaria nos pontos mais conflitantes do mundo, de Gaza e S\u00edria, at\u00e9 Iraque e Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Os gigantes asi\u00e1ticos China e \u00cdndia, longe de que sua chamada rivalidade dilatasse as decis\u00f5es sobre o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e sobre o Acordo de Reservas de Conting\u00eancia (ARC), seu fundo monet\u00e1rio, souberam pegar o touro pelo chifre e acrescentar uma dimens\u00e3o estrat\u00e9gica ao Brics.<\/p>\n<p>Com o deslocamento da balan\u00e7a do poder econ\u00f4mico mundial para a \u00c1sia, a crise financeira e o colapso dos principais bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras do Ocidente, o fracasso do Consenso de Washington e das g\u00eameas de Bretton Woods, existia a necessidade urgente de ideias e novos instrumentos para a constru\u00e7\u00e3o de uma nova ordem.<\/p>\n<p>O Brics, com o pano de fundo do argumento convincente a favor de passos firmes e vi\u00e1veis para uma nova arquitetura global das institui\u00e7\u00f5es financeiras, e depois de muita delibera\u00e7\u00e3o, conseguiu chegar a um acordo sobre o banco e o fundo de emerg\u00eancia. Do ponto de vista da \u00cdndia, foi um estrondoso \u00eaxito essa c\u00fapula do Brics, grupo que representa um quarto do territ\u00f3rio do planeta em quatro continentes e 40% da popula\u00e7\u00e3o mundial, com um produto interno bruto combinado de US$ 24 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O sucesso \u00e9 mais doce para o governo da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica Nacional, coaliz\u00e3o encabe\u00e7ada pelo Partido Bharatiya Janata (BJP), j\u00e1 que a c\u00fapula de Fortaleza foi o primeiro compromisso multilateral do primeiro-ministro Narendra Modi, que assumiu no dia 7 de junho.<\/p>\n<p>Por ser estreante, Modi se defendeu com honra ao se manter afastado dos perigos do f\u00f3rum multilateral e dos interc\u00e2mbios multilaterais, em particular em suas conversa\u00e7\u00f5es com os presidentes da China, Xi Jiping, da R\u00fassia, Vladimir Putin, e com a anfitri\u00e3, Dilma Rousseff. Modi tamb\u00e9m fez uma forte declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pedindo a reforma do Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e do FMI.<\/p>\n<p>Na verdade, a intensifica\u00e7\u00e3o e o aprofundamento das rela\u00e7\u00f5es entre China e \u00cdndia por seus respectivos governantes \u00e9 um resultado importante da reuni\u00e3o no Brasil, embora o di\u00e1logo de ambos tenha ocorrido em um segundo plano da c\u00fapula. No entanto, Modi e Xi se expressaram quase em un\u00edssono sobre a pol\u00edtica e os conflitos mundiais e a favor da reforma das institui\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Os novos chefes de governo da China e da \u00cdndia enviaram um sinal inequ\u00edvoco de que h\u00e1 mais interesses que os unem do que diferen\u00e7as que os separem. A primeira viagem internacional de Modi tamb\u00e9m foi significativa pela comunh\u00e3o que conseguiu estabelecer em sua primeira rela\u00e7\u00e3o com Xi.<\/p>\n<p>A estatura, a pot\u00eancia e a credibilidade do Brics dependem de sua coes\u00e3o e harmonia interna. Isto gira quase totalmente em torno das rela\u00e7\u00f5es entre China e \u00cdndia. Se ambas derem as m\u00e3os, falarem com uma s\u00f3 voz e caminharem juntas, ent\u00e3o o grupo ter\u00e1 maior probabilidade de sucesso no sistema internacional.<\/p>\n<p>Modi e Xi se entenderam, para consterna\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos e do Jap\u00e3o. Falaram de seus interesses e suas preocupa\u00e7\u00f5es comuns, sua determina\u00e7\u00e3o de seguir adiante com a agenda do Brics e at\u00e9 coincidiram quanto \u00e0 necessidade de chegar a uma r\u00e1pida solu\u00e7\u00e3o de seu problema fronteiri\u00e7o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m convidaram-se mutuamente para uma visita de Estado e Xi deu um passo a mais ao convidar Modi para a reuni\u00e3o do F\u00f3rum de Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica \u00c1sia-Pac\u00edfico, que a China organizar\u00e1 em novembro. Al\u00e9m disso, pediu \u00e0 \u00cdndia que aprofunde sua participa\u00e7\u00e3o na Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai.<\/p>\n<p>A frut\u00edfera reuni\u00e3o de 80 minutos entre Xi e Modi destaca que ambos est\u00e3o inclinados a aproveitar as oportunidades que uma associa\u00e7\u00e3o de m\u00fatuo benef\u00edcio teria para seus objetivos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e estrat\u00e9gicos. O encontro fixou o tom para a visita do l\u00edder chin\u00eas \u00e0 \u00cdndia em setembro.<\/p>\n<p>Embora o fortalecimento da rela\u00e7\u00e3o entre China e \u00cdndia tenha sido um dos maiores \u00eaxitos dos dez anos de governo do ex-primeiro-ministro indiano Manmohan Singh (2004-2014), depois de certo ponto o v\u00ednculo perdeu for\u00e7a. Agora, Xi e Modi se esfor\u00e7am para dar vitalidade \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que repercutir\u00e1 na regi\u00e3o e fora dela.<\/p>\n<p>Como \u00e9 costume quando se trata de assuntos externos e de seguran\u00e7a nacional, o novo governo de Modi n\u00e3o se afastou do caminho tra\u00e7ado pela administra\u00e7\u00e3o anterior. O Brics como prioridade representa a continuidade e a coer\u00eancia em sua pol\u00edtica externa. Ainda assim, o BJP merece uma nota m\u00e1xima porque n\u00e3o tratou o Brics nem a c\u00fapula no Brasil como algo que precisava ser cumprido como obriga\u00e7\u00e3o ditada pelo governo anterior de Singh.<\/p>\n<p>Antes de partir para o Brasil, Modi destacou a \u201cgrande import\u00e2ncia\u201d que d\u00e1 ao Brics e deixou claro que a pol\u00edtica internacional seria priorit\u00e1ria em sua agenda. A c\u00fapula foi um fato extremamente pol\u00edtico que aconteceu \u201cem um momento de agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, conflitos e crises humanit\u00e1rias em v\u00e1rias partes do mundo\u201d, afirmou. \u201cVejo a C\u00fapula do Brics como uma oportunidade de discutir com meus s\u00f3cios como podemos contribuir com os esfor\u00e7os internacionais para abordar as crises regionais, as amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a e restabelecer o clima de paz e estabilidade no mundo\u201d, declarou Modi \u00e0s v\u00e9speras do encontro. Al\u00e9m disso, elogiou a R\u00fassia como \u201cmelhor amiga da \u00cdndia\u201d, ap\u00f3s se reunir com Putin.<\/p>\n<p>A \u00cdndia pertence ao Brics e se o grupo \u00e9 a maneira de avan\u00e7ar no mundo, ent\u00e3o pode confiar que a \u00cdndia, junto com a China, vai liderar o caminho, independente das mudan\u00e7as pol\u00edticas em seus pa\u00edses. Essa parece ser a mensagem de Modi em seu primeiro evento multilateral. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 21\/7\/2014 &ndash; A Sexta C&uacute;pula do Brics atraiu mais aten&ccedil;&atilde;o do que as demais reuni&otilde;es de seu tipo na curta hist&oacute;ria da alian&ccedil;a, e n&atilde;o apenas de seus pr&oacute;prios integrantes: Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul. 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