{"id":17713,"date":"2014-07-22T14:40:28","date_gmt":"2014-07-22T14:40:28","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=117245"},"modified":"2014-07-22T14:40:28","modified_gmt":"2014-07-22T14:40:28","slug":"uma-revolucao-de-energia-limpa-contra-a-mudanca-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/uma-revolucao-de-energia-limpa-contra-a-mudanca-climatica\/","title":{"rendered":"Uma revolu\u00e7\u00e3o de energia limpa contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_117247\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/solarCaribe.jpg\"><img class=\"wp-image-117247\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/solarCaribe.jpg\" alt=\"solarCaribe Uma revolu\u00e7\u00e3o de energia limpa contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Uma revolu\u00e7\u00e3o de energia limpa contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Meninos e meninas aprendem sobre energia solar durante uma exibi\u00e7\u00e3o em Georgetown, na Guiana. Foto: Cortesia do CREDP<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bridgetown, Barbados, 22\/7\/2014 \u2013 O pequeno restaurante Lefties Food Stall, em Barbados, que vende os famosos sandu\u00edches de peixe voador, \u00e9 o primeiro local de venda de alimentos nesta ilha do Caribe a contar com um painel solar. Perto dali, tamb\u00e9m foi instalado um painel nos chuveiros p\u00fablicos, e o mesmo fez uma garagem de \u00f4nibus que fica do outro lado da rua, a delegacia local e numerosas casas coloridas na avenida costeira que leva \u00e0 capital, Bridgetown.<\/p>\n<p>Como muitas outras pequenas na\u00e7\u00f5es insulares, Barbados deve importar todo petr\u00f3leo que usa para produzir eletricidade. Isto a torna quatro vezes mais cara do que nos Estados Unidos, um pa\u00eds rico em combust\u00edvel. O elevado custo da eletricidade se converteu em uma oportunidade para a nascente ind\u00fastria solar de Barbados.<\/p>\n<p>Quase metade das casas tem aquecedor solar de \u00e1gua em seus tetos, o que acaba sendo rent\u00e1vel porque a conta do servi\u00e7o diminui em menos de dois anos. Cada vez mais, setores como a pequena unidade de dessaliniza\u00e7\u00e3o, instalam dispositivos solares para cobrir uma parte de suas necessidades energ\u00e9ticas.<\/p>\n<p>A energia solar avan\u00e7a gra\u00e7as a incentivos de impostos para consumidores e empres\u00e1rios verdes. Em junho, o primeiro-ministro de Barbados, Freundel Stuart, prometeu que este pa\u00eds produzir\u00e1 29% de sua energia a partir de fontes renov\u00e1veis at\u00e9 o final da pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>\u00c9 um objetivo bem mais conservador, mas ainda assim \u00e9 o dobro do que os Estados Unidos produzem com fontes renov\u00e1veis. N\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil de alcan\u00e7ar, pois a ilha n\u00e3o goza apenas de sol abundante, mas tamb\u00e9m de ventos capazes de movimentar turbinas e\u00f3licas o ano todo e res\u00edduos de cana-de-a\u00e7\u00facar, que servem para produzir bicombust\u00edvel.<\/p>\n<p>O governo de Barbados tamb\u00e9m busca aproveitar a energia das mar\u00e9s, bem como introduzir a convers\u00e3o da energia t\u00e9rmica do oceano, uma tecnologia que emprega a diferen\u00e7a de temperatura entre as correntes profundas mais frias e as superficiais mais quentes para gerar eletricidade.<\/p>\n<p>Aos poucos as tecnologias de energia limpa avan\u00e7am no Caribe, e o vizinho Estados Unidos, principal emissor de gases-estufa da hist\u00f3ria, deveriam prestar aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aruba planeja construir um aeroporto com base em energia solar de 3,5 megawatts (MW), talvez o maior projeto desse tipo no mundo. A ilha, de l\u00edngua holandesa, combinou a energia e\u00f3lica e a solar com medidas para melhorar a efici\u00eancia e conseguiu baixar as importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo economizando cerca de US$ 50 milh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>As ilhas vulc\u00e2nicas de Nieves, Montserrat e S\u00e3o Vicente contrataram empresas geot\u00e9rmicas islandesas para realizarem projetos explorat\u00f3rios e determinar como aproveitar suas vastas reservas. Por sua vez, a montanhosa Dominica cobre cerca de metade de sua demanda com energia hidr\u00e1ulica.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es insulares do Caribe n\u00e3o possuem apenas abundantes recursos para desenvolver as energias limpas, mas t\u00eam raz\u00f5es de peso para faz\u00ea-lo. A regi\u00e3o \u00e9 uma das que mais paga no mundo pelo consumo de energia, o que prejudicou seu desenvolvimento industrial e esgotou suas reservas de divisas.<\/p>\n<p>A ilha tamb\u00e9m tem ecossistemas fr\u00e1geis, como mangues e arrecifes de coral, que s\u00e3o muito vulner\u00e1veis aos vazamentos de petr\u00f3leo e \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o. E muitos pa\u00edses como Barbados dependem dos turistas, que s\u00f3 continuar\u00e3o chegando se os lugares permanecerem limpos e verdes.<\/p>\n<p>Mas a raz\u00e3o principal para reduzir as emiss\u00f5es de carbono \u00e9 o perigo que representa para essas na\u00e7\u00f5es insulares n\u00e3o tomar medidas contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. E, de fato, este fen\u00f4meno j\u00e1 causa um grande impacto. Nos \u00faltimos anos, as chuvas na zona leste do Caribe representaram uma amea\u00e7a para a agricultura e os escassos fornecimentos de \u00e1gua subterr\u00e2nea.<\/p>\n<p>O n\u00edvel do mar e a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos aumentam, e o aquecimento matou os arrecifes de coral protetores, o que causou eros\u00e3o costeira. Al\u00e9m disso, essa regi\u00e3o propensa a furac\u00f5es sofre seus embates cada vez com mais frequ\u00eancia e maior for\u00e7a.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Vicente e Granadinas, sucessivas tempestades arrasaram as ilhas em 2010, 2011, e 2012, causando perda anual de 17% do produto interno bruto (PIB) desse pa\u00eds em desenvolvimento, bem como destruiu centenas de moradias e deixou dezenas de mortos.<\/p>\n<p>O governo de Barbados encomendou um estudo de an\u00e1lise da economia verde, preparado junto com o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e divulgado em Bridgetown em junho, que inclui recomenda\u00e7\u00f5es sobre como conseguir que a agricultura, a pesca, o transporte e a energia sejam mais sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Atualmente, a produ\u00e7\u00e3o de energia no Caribe \u00e9 qualquer coisa, menos sustent\u00e1vel. O falecido presidente socialista da Venezuela, Hugo Ch\u00e1vez, ofereceu a muitas ilhas dessa regi\u00e3o empr\u00e9stimo de longo prazo e concess\u00f5es para comprar petr\u00f3leo barato. E seu sucessor fez o poss\u00edvel para manter os modestos subs\u00eddios. Mas ningu\u00e9m sabe at\u00e9 quando vai durar essa generosidade devido \u00e0 atual crise econ\u00f4mica que afeta a Venezuela, e menos ainda o que acontecer\u00e1 com as economias insulares, j\u00e1 exigidas, quando tiverem de pagar o pre\u00e7o integral do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O Caribe precisa conseguir independ\u00eancia energ\u00e9tica para crescer. Mas a infraestrutura n\u00e3o \u00e9 barata. H\u00e1 dificuldades t\u00e9cnicas relacionadas com a estabilidade da rede el\u00e9trica que poucas na\u00e7\u00f5es pequenas podem resolver. Al\u00e9m disso, a pouca demanda de eletricidade nessas ilhas n\u00e3o ajuda a captar investimentos internacionais. E, ainda, pa\u00edses como Jamaica, S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o e Neves, Granada, Barbados, e Antiga e Barbuda carregam d\u00edvidas p\u00fablicas que costumam exceder seus respectivos PIB anuais.<\/p>\n<p>As grandes pot\u00eancias industrializadas, que s\u00e3o respons\u00e1veis por esses problemas das na\u00e7\u00f5es insulares, deveriam dar uma m\u00e3o aos que sofrem mais pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Os empr\u00e9stimos dos bancos de desenvolvimento internacional, bem como a transfer\u00eancia de tecnologia e a capacita\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses mais ricos serviriam muito.<\/p>\n<p>Com sua ajuda para que essas ilhas, geograficamente perto dos Estados Unidos, se tornem verdes, Washington n\u00e3o s\u00f3 conseguiria reduzir os gases-estufa para todos, mas tamb\u00e9m criaria oportunidades para aprender li\u00e7\u00f5es valiosas sobre como superar os v\u00e1rios desafios t\u00e9cnicos que surgem.<\/p>\n<p>As vulner\u00e1veis ilhas do Caribe s\u00e3o um laborat\u00f3rio perfeito para testar solu\u00e7\u00f5es em pequena escala, que podem chegar a servir para uma infraestrutura muito mais complexa como a dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os Estados Unidos usaram seu poderio econ\u00f4mico para ajudar a reconstruir as destru\u00eddas economias da Europa mediante o Plano Marshall. \u00c9 hora de ter um Plano Marshall para a energia limpa, n\u00e3o para reconstruir na\u00e7\u00f5es destru\u00eddas pela guerra, mas para ajudar a proteger nosso assediado sistema clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>O Caribe, aben\u00e7oado com muito sol, vento e energia geot\u00e9rmica, \u00e9 um bom lugar para come\u00e7ar. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Richard Schiffman<\/strong>, especializado em ambiente, visitou Barbados em junho. Este artigo foi publicado originalmente pelo Foreign Policy in Focus.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Bridgetown, Barbados, 22\/7\/2014 &ndash; O pequeno restaurante Lefties Food Stall, em Barbados, que vende os famosos sandu&iacute;ches de peixe voador, &eacute; o primeiro local de venda de alimentos nesta ilha do Caribe a contar com um painel solar. 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