{"id":17716,"date":"2014-07-22T12:42:40","date_gmt":"2014-07-22T12:42:40","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=117249"},"modified":"2014-07-22T12:42:40","modified_gmt":"2014-07-22T12:42:40","slug":"para-refugiados-sirios-espanha-e-uma-porta-incerta-para-a-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/para-refugiados-sirios-espanha-e-uma-porta-incerta-para-a-europa\/","title":{"rendered":"Para refugiados s\u00edrios Espanha \u00e9 uma porta incerta para a Europa"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_117252\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Centro-chica-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-117252\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Centro-chica-629x419.jpg\" alt=\"Centro chica 629x419 Para refugiados s\u00edrios Espanha \u00e9 uma porta incerta para a Europa\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Para refugiados s\u00edrios Espanha \u00e9 uma porta incerta para a Europa\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Centro de acolhida da Comiss\u00e3o Espanhola de Ajuda ao Refugiado na cidade de M\u00e1laga. No balc\u00e3o do segundo andar, onde ficam os quartos, um cartaz pendurado diz: \u201cdireito de viver em paz\u201d. Foto: In\u00e9s Ben\u00edtez\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00e1laga, Espanha, 22\/7\/2014 \u2013 Samir cobre o rosto com sua m\u00e3ozinha enquanto brinca junto ao p\u00e9 de laranja no p\u00e1tio interno do centro da Comiss\u00e3o Espanhola de Ajuda ao Refugiado (Cear) na cidade de M\u00e1laga. Tem quatro anos e est\u00e1 h\u00e1 quase um na Espanha, onde chegou com seus pais procedentes de Damasco, fugindo da guerra na S\u00edria. Como Samir (nome fict\u00edcio, para sua prote\u00e7\u00e3o de sua fam\u00edlia), milh\u00f5es de s\u00edrios abandonaram suas casas e suas formas de vida para escapar do conflito iniciado em mar\u00e7o de 2011.<\/p>\n<p>Alguns dos que buscam prote\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia (UE) aterrissam na Espanha com um visto, mas outros chegam do Marrocos cruzando a p\u00e9 os postos de fronteira de Ceuta e Melilla, enclaves espanh\u00f3is no norte da \u00c1frica, com documenta\u00e7\u00e3o falsa adquirida no mercado negro. \u201cA travessia da S\u00edria para a Espanha pode durar at\u00e9 tr\u00eas ou quatro meses\u201d, contou \u00e0 IPS o s\u00edrio Wassim Zabad, origin\u00e1rio de Damasco, que h\u00e1 11 anos vive em M\u00e1laga.<\/p>\n<p>Muitos chegam ao Marrocos ap\u00f3s passarem por Egito, L\u00edbia e Arg\u00e9lia, detalhou Zabad, propriet\u00e1rio de uma ag\u00eancia de viagens voltada a levar turistas espanh\u00f3is para L\u00edbano, Egito e S\u00edria, e que sofreu os embates dos conflitos nesses pa\u00edses. A seu ver, as condi\u00e7\u00f5es para os refugiados \u201cest\u00e3o muito ruins\u201d na Espanha e por isso \u201c98% dos s\u00edrios\u201d prosseguem para outros pa\u00edses, onde alguns t\u00eam familiares e pensam que h\u00e1 mais facilidade e ajuda econ\u00f4mica, sobretudo na Fran\u00e7a, Alemanha ou Su\u00e9cia.<\/p>\n<p>Francisco Cansino, coordenador de Andaluzia Oriental da Cear, confirmou \u00e0 IPS que a maioria dos s\u00edrios que atende, procedentes do Centro de Perman\u00eancia Tempor\u00e1ria para Imigrantes (Ceti) de Melilla, preferem ir para outros pa\u00edses da UE onde pedem asilo, embora a norma comum estabele\u00e7a que o tr\u00e2mite deve ser feito no pa\u00eds de entrada e eles serem informados disso.<\/p>\n<p>O Regulamento de Dublin II da Comiss\u00e3o Europeia, de 18 de fevereiro de 2013, diz que o primeiro pa\u00eds seguro no qual entra o solicitante de asilo \u00e9 respons\u00e1vel por tramitar sua prote\u00e7\u00e3o internacional e tamb\u00e9m prev\u00ea sua devolu\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o ficam. Partem pensando que ter\u00e3o mais possibilidades em outros pa\u00edses. Inclusive, pedem para partir no mesmo dia em que chegam. Dizem ter familiares na Europa\u201d, explicou Cansino. A seu ver, os refugiados s\u00edrios \u201cde repente enfrentam um abismo de incerteza\u201d.<\/p>\n<p>Quatro s\u00edrios, pais com dois filhos, vivem estas semanas no centro da Cear de M\u00e1laga, que fornece teto, comida, roupa, 50 euros mensais por pessoa, aula de espanhol e programas de forma\u00e7\u00e3o e emprego. A Cear \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria independente baseada no voluntariado. Somente em 2014, foram atendidas neste centro cerca de 200 pessoas procedentes da S\u00edria, segundo Cansino.<\/p>\n<p>\u201cOs refugiados s\u00edrios que chegam \u00e0 Espanha s\u00e3o uma minoria. A maioria est\u00e1 refugiada dentro da S\u00edria ou busca seguran\u00e7a em pa\u00edses vizinhos\u201d, pontuou \u00e0 IPS o respons\u00e1vel pelo Centro de Acolhida de Refugiados da Cruz Vermelha em M\u00e1laga, David Ortiz. Nesse centro, um dos sete existentes no pa\u00eds, 13 dos 20 lugares est\u00e3o ocupados por s\u00edrios e palestinos que viviam na S\u00edria. Entre eles duas fam\u00edlias com crian\u00e7as, estudando desde que chegaram.<\/p>\n<p>Na guerra da S\u00edria morreram cem mil pessoas, dez mil delas crian\u00e7as, enquanto 2,6 milh\u00f5es se refugiaram em outros pa\u00edses e 6,5 milh\u00f5es s\u00e3o refugiados internos, segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur). \u201cOs refugiados s\u00edrios chegam com um trauma brutal\u201d, disse Ortiz. T\u00eam de reconstruir sua vida aprender um idioma novo e encontrar trabalho em um pa\u00eds como a Espanha, com um n\u00edvel de desemprego acima dos 25% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, acrescentou.<\/p>\n<p>O informe <em>A Situa\u00e7\u00e3o das Pessoas Refugiadas na Espanha<\/em>, apresentado em junho pela Cear, diz que este pa\u00eds recebeu, no ano passado, 4.502 pedidos de prote\u00e7\u00e3o internacional, contra 2.588 em 2012, devido ao aumento de solicita\u00e7\u00f5es por parte de pessoas origin\u00e1rias de Mali (1.478) e S\u00edria (725).<\/p>\n<p>Segundo dados da Eurostat apresentados na an\u00e1lise da Cear, em 2013 chegaram \u00e0 UE 435 mil pessoas pedindo prote\u00e7\u00e3o, em sua maioria procedentes da S\u00edria (50 mil), e o principal receptor foi a Alemanha, com 109.580 solicita\u00e7\u00f5es, seguida de Fran\u00e7a e Su\u00e9cia. Mas somente 3% dos refugiados s\u00edrios obtiveram prote\u00e7\u00e3o internacional na Europa.<\/p>\n<p>\u201cEspero encontrar uma situa\u00e7\u00e3o est\u00e1vel aqui na Espanha\u201d, disse o s\u00edrio Adi Mohamed, de 33 anos, que gra\u00e7as a um visto p\u00f4de aterrissar em abril em M\u00e1laga, onde vive com alguns amigos s\u00edrios. Empres\u00e1rio do ramo de hospedagem em Palmira, pr\u00f3ximo a Homs, Mohamed est\u00e1 preocupado pela seguran\u00e7a de seus pais e dos cinco irm\u00e3os que deixou para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Mohamed, que era gerente de um restaurante com meia centena de empregados, perguntou em ingl\u00eas: \u201cPor que a Espanha oferece menos ajuda aos refugiados e demora mais nos tr\u00e2mites de asilo do que Alemanha ou Su\u00e9cia?\u201d. E afirmou que, \u201cse soubesse disso, teria viajado para outro pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>A perman\u00eancia nos centros de acolhida de refugiados \u00e9 de seis meses, prorrog\u00e1veis pelo mesmo tempo, no caso \u2013 \u201cmuito frequente\u201d \u2013 de nesse per\u00edodo n\u00e3o ser resolvida a quest\u00e3o do pedido de prote\u00e7\u00e3o internacional. Para fam\u00edlias com crian\u00e7as, a acolhida pode se estender por at\u00e9 18 meses, detalhou Ortiz. \u201cO tempo de tramita\u00e7\u00e3o do pedido de asilo \u00e9 desigual nos diferentes pa\u00edses da UE, bem como os benef\u00edcios para os refugiados\u201d, reconheceu, questionando \u201ca justi\u00e7a\u201d do Conv\u00eanio de Dublin, que obriga os refugiados a tramitarem seu asilo no pa\u00eds de entrada no bloco.<\/p>\n<p>Em um informe publicado em 9 de julho, a Anistia Internacional afirma que dos 1,82 bilh\u00e3o de euros destinados pela UE para proteger as fronteiras externas entre 2007 e 2013, apenas 700 milh\u00f5es foram dedicados a melhorar a situa\u00e7\u00e3o dos solicitantes de asilo. Em sua an\u00e1lise, a Anistia acusa a Uni\u00e3o Europeia de \u201ccolocar em perigo a vida e os direitos dos refugiados e imigrantes\u201d que tentam entrar em territ\u00f3rio da UE, sobretudo atrav\u00e9s de Bulg\u00e1ria, Gr\u00e9cia e Espanha, e alerta que cerca de 23 mil pessoas morreram tentando chegar \u00e0 Europa desde 2000.<\/p>\n<p>Diversas ONGs denunciam as condi\u00e7\u00f5es inadequadas no Ceti de Melilla que abriga centenas de s\u00edrios e imigrantes subsaarianos, e a demora nos tr\u00e2mites de pedido de asilo que os impede de sair de Ceuta ou Melilla, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o espanhola. Segundo o informe do Acnur, <em>Refugiados S\u00edrios na Europa. O Que a Europa Pode Fazer Para Garantir Prote\u00e7\u00e3o e Solidariedade<\/em>, publicado no dia 11 deste m\u00eas, o Ceti abrigava, no dia 12 de junho, 2.161 pessoas, quando sua capacidade m\u00e1xima \u00e9 de 480. Ali conviviam 384 adultos s\u00edrios e 480 crian\u00e7as. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; M&aacute;laga, Espanha, 22\/7\/2014 &ndash; Samir cobre o rosto com sua m&atilde;ozinha enquanto brinca junto ao p&eacute; de laranja no p&aacute;tio interno do centro da Comiss&atilde;o Espanhola de Ajuda ao Refugiado (Cear) na cidade de M&aacute;laga. 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