{"id":17717,"date":"2014-07-23T14:45:00","date_gmt":"2014-07-23T14:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=117332"},"modified":"2014-07-23T14:45:00","modified_gmt":"2014-07-23T14:45:00","slug":"politicas-do-norte-prejudicam-as-economias-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/politicas-do-norte-prejudicam-as-economias-do-sul\/","title":{"rendered":"Pol\u00edticas do Norte prejudicam as economias do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_117334\" style=\"width: 339px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Yilmaz-Akyuz1-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-117334\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Yilmaz-Akyuz1-629x472.jpg\" alt=\"Yilmaz Akyuz1 629x472 Pol\u00edticas do Norte prejudicam as economias do Sul\" width=\"329\" height=\"247\" title=\"Pol\u00edticas do Norte prejudicam as economias do Sul\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Yilmaz Akyuz. Foto: IPS<\/p><\/div>\n<p>WashinGenebra, Su\u00ed\u00e7a, julho\/2014 \u2013 Desde o come\u00e7o da crise financeira mundial em 2008, o argumento do Centro do Sul diz que as respostas pol\u00edticas da Uni\u00e3o Europeia e dos Estados Unidos sofrem graves defici\u00eancias que atrasariam a recupera\u00e7\u00e3o, gerariam perdas desnecess\u00e1rias de renda e empregos, e colocariam em perigo o crescimento e a estabilidade futuros.<\/p>\n<p>Apesar do cauteloso otimismo do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), a economia mundial n\u00e3o est\u00e1 em boa forma. Ap\u00f3s seis anos de crise, os Estados Unidos n\u00e3o se recuperaram totalmente, a zona do euro apenas come\u00e7ou a faz\u00ea-lo e os pa\u00edses em desenvolvimento perdem impulso.<\/p>\n<p>Existe o temor de que a crise de desloque para os pa\u00edses em desenvolvimento e a preocupa\u00e7\u00e3o no tocante \u00e0s perspectivas de longo prazo por tr\u00eas principais motivos.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a crise e a resposta pol\u00edtica \u00e0 mesma agravaram os problemas sist\u00eamicos, por isso a desigualdade aumentou. Esta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas um problema social, mas tamb\u00e9m apresenta um problema macroecon\u00f4mico: freia o crescimento e provoca a tenta\u00e7\u00e3o de confiar novamente nas bolhas financeiras com o fim de estimular o gasto.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, os desequil\u00edbrios comerciais globais foram redistribu\u00eddos \u00e0 custa dos pa\u00edses em desenvolvimento, por isso a zona do euro, especialmente a Alemanha, se converteu em um peso morto na expans\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, a instabilidade financeira sist\u00eamica continua sem ser abordada, apesar do entusiasmo inicial pela reforma da governan\u00e7a das finan\u00e7as internacionais. Al\u00e9m disso, acrescentaram-se novas fragilidades devido \u00e0 pol\u00edtica monet\u00e1ria ultra-expansiva.<\/p>\n<p>A resposta \u00e0 crise \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas incoerentes, que inclui a austeridade fiscal e a pol\u00edtica monet\u00e1ria ultraexpansiva.<\/p>\n<p>Embora o setor financeiro tenha provocado a crise, a solu\u00e7\u00e3o, de todo modo, se buscou nas finan\u00e7as. Os pa\u00edses se concentraram na busca do auge do gasto privado, impulsionado pelas finan\u00e7as mediante as bolhas de pre\u00e7os dos ativos e da expans\u00e3o do cr\u00e9dito. A pol\u00edtica fiscal tem sido invariavelmente restritiva.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica monet\u00e1ria ultraexpansiva gerou mais de US$ 1 trilh\u00e3o em benef\u00edcios fiscais nos Estados Unidos, mais do que o est\u00edmulo fiscal inicial, que no total se limitou a US$ 800 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Houve resist\u00eancia em eliminar a d\u00edvida pendente mediante uma reestrutura\u00e7\u00e3o geral, ou seja, para as hipotecas nos Estados Unidos e a d\u00edvida soberana e banc\u00e1ria na Uni\u00e3o Europeia. Portanto, a aten\u00e7\u00e3o foi dada ao resgate dos credores.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m houve retic\u00eancia para eliminar a d\u00edvida hipotec\u00e1ria pendente e nenhuma tentativa de tributar os ricos e ajudar os pobres, especialmente na Gr\u00e3-Bretanha e nos Estados Unidos, onde as taxas tribut\u00e1rias marginais s\u00e3o baixas em compara\u00e7\u00e3o com as da Europa continental.<\/p>\n<p>Houve resist\u00eancia contra a monetariza\u00e7\u00e3o permanente do d\u00e9ficit e da d\u00edvida p\u00fablica, que n\u00e3o significam mais perigo para os pre\u00e7os e a estabilidade financeira do que a pol\u00edtica monet\u00e1ria ultraexpansiva.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos \u00e9 melhor do que a de outras economias avan\u00e7adas. O pa\u00eds se ocupou da crise financeira, n\u00e3o da econ\u00f4mica, por isso a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta devido \u00e0 carga fiscal e \u00e0 d\u00edvida pendente. Est\u00e1 previsto que o emprego volte aos n\u00edveis anteriores \u00e0 crise s\u00f3 a partir de 2018.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 zona do euro, Jap\u00e3o e Gr\u00e3-Bretanha, os tr\u00eas tiveram segundas ou terceiras reca\u00eddas desde 2008. Nenhum voltou ao n\u00edvel de renda e emprego anterior \u00e0 crise.<\/p>\n<p>Os desequil\u00edbrios comerciais n\u00e3o foram eliminados, mas redistribu\u00eddos. O super\u00e1vit da \u00c1sia oriental caiu drasticamente e a Am\u00e9rica Latina e a \u00c1frica subsaariana contra\u00edram grandes d\u00e9ficits. O saldo favor\u00e1vel dos pa\u00edses em desenvolvimento caiu de US$ 720 bilh\u00f5es para US$ 260 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 as economias avan\u00e7adas passaram do d\u00e9ficit ao super\u00e1vit. O d\u00e9ficit dos Estados Unidos caiu e a zona do euro passou de um saldo negativo de US$ 100 bilh\u00f5es para super\u00e1vit de US$ 300 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Na medida em que o <em>tapering<\/em> (contra\u00e7\u00e3o de inje\u00e7\u00e3o de liquidez pelos bancos centrais) chega ao fim e o Federal Reserve dos Estados Unidos deixe de comprar ativos, a aten\u00e7\u00e3o se dirigir\u00e1 \u00e0 quest\u00e3o da sa\u00edda, da normaliza\u00e7\u00e3o e das expectativas de maior instabilidade dos mercados financeiros dos Estados Unidos e das economias emergentes.<\/p>\n<p>Esta sa\u00edda tamb\u00e9m criar\u00e1 problemas fiscais para os Estados Unidos porque, na medida em que vencerem os b\u00f4nus em poder do Federal Reserve e cessar a expans\u00e3o monet\u00e1ria quantitativa, as taxas de juros de longo prazo subir\u00e3o e os benef\u00edcios fiscais da pol\u00edtica monet\u00e1ria ultraexpansionista\u00a0 v\u00e3o se inverter.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses em desenvolvimento perderam impulso enquanto a recupera\u00e7\u00e3o das economias avan\u00e7adas se manteve d\u00e9bil ou ausente devido ao efeito de desgaste das pol\u00edticas antic\u00edclicas e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da margem para aplicar pol\u00edticas. A China n\u00e3o pode continuar investindo e fazendo o mesmo.<\/p>\n<p>Outro fator que contribuiu para a mudan\u00e7a de contexto nos pa\u00edses em desenvolvimento \u00e9 a menor aflu\u00eancia de capitais, que adquiriram uma forte instabilidade com o aprofundamento da crise na zona do euro e o posterior <em>tapering<\/em> do Federal Reserve.<\/p>\n<p>V\u00e1rias economias emergentes experimentam press\u00e3o, j\u00e1 que os mercados est\u00e3o refletindo a normaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria, inclusive antes de ter come\u00e7ado.<\/p>\n<p>A vulnerabilidade financeira externa do Sul est\u00e1 vinculada \u00e0 integra\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses em desenvolvimento aos mercados financeiros mundiais e \u00e0 consider\u00e1vel liberaliza\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as externas e \u00e0s contas de capital desses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Alguns exemplos disto s\u00e3o a abertura dos mercados de valores, os empr\u00e9stimos privados no exterior e a abertura aos bancos estrangeiros.<\/p>\n<p>Embora os pa\u00edses em desenvolvimento n\u00e3o tenham lidado adequadamente com os fluxos de capital, o FMI n\u00e3o os apoiou neste campo e tolerou os controles de capital apenas como \u00faltimo recurso e em car\u00e1ter tempor\u00e1rio.<\/p>\n<p>V\u00e1rios pa\u00edses em desenvolvimento em d\u00e9ficit e com bolhas de ativos, de cr\u00e9dito e de gastos s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis. Aqueles com fortes reservas de divisas e s\u00f3lida situa\u00e7\u00e3o de conta corrente n\u00e3o estariam isolados dos choques, com se viu ap\u00f3s o colapso da empresa financeira Lehman Brothers em 2008.<\/p>\n<p>Se um pa\u00eds estiver integrado a um sistema financeiro internacional, sentir\u00e1 o golpe de uma maneira ou de outra, embora os pa\u00edses com d\u00e9ficit continuem sendo os mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 rea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no caso de uma renovada instabilidade, \u00e9 conveniente mudar a forma de atuar habitual, o que inclui o uso das reservas e dos empr\u00e9stimos do FMI ou das economias avan\u00e7adas para financiar as sa\u00eddas de efetivo.<\/p>\n<p>Devem ser encontrados meios para tirar de apuros os investidores e prestamistas estrangeiros, e utilizar os controles de mudan\u00e7a e as morat\u00f3rias tempor\u00e1rias da d\u00edvida. Nesse sentido, o FMI deve apoiar essas estrat\u00e9gias com empr\u00e9stimos aos pa\u00edses em mora.<\/p>\n<p>Mais importante ainda, o Federal Reserve dos Estados Unidos \u00e9 respons\u00e1vel pelo surgimento dessa situa\u00e7\u00e3o e deve assumir sua responsabilidade e agir como prestamista de \u00faltima inst\u00e2ncia para as economias emergentes, por meio de <em>swaps <\/em>ou da compra de b\u00f4nus.<\/p>\n<p>Essas medidas n\u00e3o s\u00e3o necessariamente mais t\u00f3xicas do que os b\u00f4nus emitidos no momento da crise das subprime, os cr\u00e9ditos hipotec\u00e1rios de risco.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos t\u00eam muito em jogo na estabilidade das economias emergentes. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <\/em><strong><em><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/author\/yilmaz-akyuz\/\" >Yilmaz Akyuz<\/a> <\/em><\/strong><em>\u00e9 economista-chefe do Centro do Sul, com sede em Genebra. Uma vers\u00e3o mais extensa desta an\u00e1lise encontra-se no South Centre Bulletin (n\u00ba 80, 30 de junho de 2014).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WashinGenebra, Su&iacute;&ccedil;a, julho\/2014 &ndash; Desde o come&ccedil;o da crise financeira mundial em 2008, o argumento do Centro do Sul diz que as respostas pol&iacute;ticas da Uni&atilde;o Europeia e dos Estados Unidos sofrem graves defici&ecirc;ncias que atrasariam a recupera&ccedil;&atilde;o, gerariam perdas desnecess&aacute;rias de renda e empregos, e colocariam em perigo o crescimento e a estabilidade futuros. 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