{"id":17726,"date":"2014-07-24T13:08:23","date_gmt":"2014-07-24T13:08:23","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=117412"},"modified":"2014-07-24T13:08:23","modified_gmt":"2014-07-24T13:08:23","slug":"uma-favela-dentro-de-outra-se-desenvolve-no-quenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/uma-favela-dentro-de-outra-se-desenvolve-no-quenia\/","title":{"rendered":"Uma favela dentro de outra se desenvolve no Qu\u00eania"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_117414\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/soweto.jpg\"><img class=\"wp-image-117414\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/soweto.jpg\" alt=\"soweto Uma favela dentro de outra se desenvolve no Qu\u00eania\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Uma favela dentro de outra se desenvolve no Qu\u00eania\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Em 2009, cerca de cinco mil pessoas do assentamento irregular de Kibera foram reassentadas em Kensup, em Soweto Oriental, uma \u00e1rea de Kibera, na capital do Qu\u00eania, que tamb\u00e9m virou favela. Foto: George Kebaso\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 24\/7\/2014 \u2013 No limite leste do assentamento informal de Kibera, na capital do Qu\u00eania, um grupo de meninos e meninas se re\u00fane carregando grandes baldes amarelos para pegar \u00e1gua em uma torneira em mau estado. As altas torres cinza e bege de Soweto Oriental se elevam sobre eles. Uma garota coloca o recipiente sobre sua cabe\u00e7a e volta para seu apartamento.<\/p>\n<p>Ali a espera sua m\u00e3e, Hilda Olali, de 49 anos, que est\u00e1 varrendo o ch\u00e3o. Mas j\u00e1 est\u00e1 cansada. Sua fam\u00edlia de cinco membros n\u00e3o tem \u00e1gua corrente nem eletricidade em seu apartamento de tr\u00eas c\u00f4modos. \u201cLogo que chegamos desfrut\u00e1vamos da vida. Mas agora est\u00e1 dif\u00edcil porque ficamos semanas sem \u00e1gua e tenho que compr\u00e1-la. Mas n\u00e3o posso pagar\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Debaixo da janela da cozinha o lixo se acumula h\u00e1 seis meses. O mau cheiro ran\u00e7oso dos restos impregna o apartamento o dia inteiro. Olali pensa em regressar a Kibera e trocar sua moradia de tijolo e cimento por sua velha cho\u00e7a de lata e barro. \u201cNo assentamento as coisas eram baratas. Quando viemos nos trouxeram como se tiv\u00e9ssemos condi\u00e7\u00e3o de comprar coisas caras\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>H\u00e1 12 anos, o Programa de Melhora do Assentamento de Kibera (Kensup) lan\u00e7ou seu projeto-piloto neste populoso bairro pobre. Muitos moradores sentem que o governo e o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) os abandonou t\u00e3o logo abriram suas portas para o que a ag\u00eancia multilateral deu assist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 2009, quase cinco mil residentes de Kibera foram reassentados em Kensup, na \u00e1rea conhecida como Soweto Oriental. Os 17 pr\u00e9dios de cinco andares concentram 1.800 fam\u00edlias. Estima-se que em Kibera vivam entre 800 mil e 1,2 milh\u00e3o de pessoas, o que o converte em um dos maiores assentamentos da \u00c1frica. \u201cPediram que mud\u00e1ssemos, fomos um pouco obrigados. Kensup trasladava tudo e acertou o transporte. Antes tinha sete c\u00f4modos, aqui s\u00f3 tenho tr\u00eas\u201d, lamentou Olali.<\/p>\n<p>Segundo a ONU, as cidades concentram metade da popula\u00e7\u00e3o mundial. Dos 43 milh\u00f5es de habitantes do Qu\u00eania, 40% residem em \u00e1reas urbanas. Mais de 70% dos 3,1 milh\u00f5es de moradores de Nair\u00f3bi vivem em 200 bairros informais que viraram favelas. A falta de assentamentos acess\u00edveis nesta cidade converte Kibera em um lugar atraente para viver.<\/p>\n<p>Godwin Oyindo, de 24 anos, acaba de concluir seus estudos universit\u00e1rios e \u00e9 muito amigo de um dos filhos de Olali. Foi criado em Kibera e tinha esperan\u00e7a de que o projeto de moradia mudasse a vida de seus moradores. \u201cO projeto de melhoria foi criado para atender algumas coisas em Kibera, a seguran\u00e7a da posse, a moradia das pessoas, a acessibilidade aos servi\u00e7os e tamb\u00e9m para gerar atividades econ\u00f4micas. Um dos objetivos \u00e9 uma sociedade sem favelas\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em 2003, o governo do Qu\u00eania e a ONU-Habitat come\u00e7aram a colaborar para melhorar a moradia e a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o de Nair\u00f3bi, mas tamb\u00e9m de Mombasa, Mavoko Kisumu e Thika. Kensup deveria melhorar a vida de 5,3 milh\u00f5es de pessoas que moram em assentamentos irregulares at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>A ONU-Habitat aderiu com seu Programa Participativo de Melhoria de Assentamentos, colaborando com o Kensup com assessoria t\u00e9cnica e experi\u00eancia. O respons\u00e1vel da \u00e1rea da ag\u00eancia da ONU, Joshua Mulandi Maviti, disse que foram cumpridos os objetivos de todos os projetos. \u201cKibera era o objetivo de nosso trabalho com o Minist\u00e9rio\u201d, explicou \u00e0 IPS. \u201cMas tamb\u00e9m coordenamos projetos de infraestrutura, posse da terra e de \u00e1gua, e saneamento em diferentes lugares do Qu\u00eania, em Mombasa, Kisumu e Mavoko\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Justus Ongera, de 24 anos, divide um quarto com sua irm\u00e3 mais nova em um apartamento de dois quartos em Soweto Oriental, que compartilham com uma fam\u00edlia. Ongera acredita que tem de falar com as pessoas sobre como melhorar a situa\u00e7\u00e3o do saneamento. \u201cLogo que mudamos retiravam o lixo a cada duas semanas. Agora apodrece ao sol durante seis meses. \u00c9 um grave problema de sa\u00fade. \u00c9 preciso fazer alguma coisa\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 12 anos, a ONU-Habitat terminou seus contratos com o Kensup quando estes conclu\u00edram seu per\u00edodo, explicou Maviti. Mas isso n\u00e3o significa que terminou a rela\u00e7\u00e3o, acrescentou. \u201cNem o governo nem o Minist\u00e9rio se comunicaram conosco pelos problemas que sofrem os moradores de Soweto Oriental. Precisamos que nos comuniquem oficialmente para podermos ajudar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por seu lado, Olali avalia a situa\u00e7\u00e3o, se deve, ou n\u00e3o, se mudar com os tr\u00eas filhos novamente para o assentamento. Por n\u00e3o ter \u00e1gua corrente deve percorrer longa dist\u00e2ncia at\u00e9 Kibera para usar o servi\u00e7o sanit\u00e1rio p\u00fablico. Isso lhe custa cinco xelins quenianos cada vez. \u201cTudo somado me sai mais caro\u201d, disse Olali.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios do Minist\u00e9rio de Terras, Habita\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Urbano e o Kensup n\u00e3o quiseram dar declara\u00e7\u00f5es \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 24\/7\/2014 &ndash; No limite leste do assentamento informal de Kibera, na capital do Qu&ecirc;nia, um grupo de meninos e meninas se re&uacute;ne carregando grandes baldes amarelos para pegar &aacute;gua em uma torneira em mau estado. As altas torres cinza e bege de Soweto Oriental se elevam sobre eles. 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