{"id":17743,"date":"2014-07-29T15:21:19","date_gmt":"2014-07-29T15:21:19","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=117685"},"modified":"2014-07-29T15:21:19","modified_gmt":"2014-07-29T15:21:19","slug":"refugiados-vivem-um-pesadelo-no-norte-do-paquistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/refugiados-vivem-um-pesadelo-no-norte-do-paquistao\/","title":{"rendered":"Refugiados vivem um pesadelo no norte do Paquist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_117692\" style=\"width: 536px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/pakistan1.jpg\"><img class=\"wp-image-117692\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/pakistan1.jpg\" alt=\"pakistan1 Refugiados vivem um pesadelo no norte do Paquist\u00e3o\" width=\"526\" height=\"397\" title=\"Refugiados vivem um pesadelo no norte do Paquist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">M\u00e9dicos examinam crian\u00e7as refugiadas da ag\u00eancia do Wazirist\u00e3o do Norte em uma cl\u00ednica gratuita de Bannu, distrito da prov\u00edncia de Jyber Pajtunjwa. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 29\/7\/2014 \u2013 Algumas pessoas fogem a p\u00e9, outras sobem em caminh\u00f5es com seus pertences, alimentos e animais. Muitas se separam de suas fam\u00edlias ou ficam exaustas no caminho. N\u00e3o sabem quando voltar\u00e3o a comer nem como poder\u00e3o cuidar dos filhos. No vasto acampamento para refugiados internos na prov\u00edncia paquistanesa de Jyber Pajtunjwa, muitos civis que fugiram da ofensiva que o ex\u00e9rcito do Paquist\u00e3o realiza contra o movimento extremista Talib\u00e3, na regi\u00e3o do Wazirist\u00e3o, caminham em um estado de confus\u00e3o.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos do acampamento disseram que quase todas as 870 mil pessoas refugiadas est\u00e3o profundamente traumatizadas por uma d\u00e9cada de guerra no norte, onde ficaram em meio ao fogo cruzado entre as for\u00e7as estatais e os insurgentes que chegaram do Afeganist\u00e3o em 2001 \u00e0s \u00c1reas Tribais Administradas Federalmente (Fata). Agora que o governo lan\u00e7ou uma opera\u00e7\u00e3o a\u00e9rea no Wazirist\u00e3o do Norte, com 11.595 quil\u00f4metros quadrados, disposto a acabar com o Talib\u00e3, a popula\u00e7\u00e3o civil novamente sofre a carga mais pesada do conflito.<\/p>\n<p>As pessoas n\u00e3o t\u00eam outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser abandonar seus lares ancestrais e se refugiar na vizinha prov\u00edncia de Jyber Pajtunjwa, onde a \u00e1gua pot\u00e1vel, os alimentos e os suprimentos m\u00e9dicos s\u00e3o administrados para renderem o m\u00e1ximo poss\u00edvel. Come\u00e7aram a chegar refugiados a esta prov\u00edncia desde o come\u00e7o da opera\u00e7\u00e3o militar de 15 de junho, e este m\u00eas j\u00e1 s\u00e3o quase um milh\u00e3o, segundo fontes oficiais.<\/p>\n<p>A ajuda humanit\u00e1ria recebida consta de ra\u00e7\u00f5es de alimentos e suprimentos m\u00e9dicos para os feridos e desidratados pelo abrasador calor de 45 graus cent\u00edgrados. \u201cOs refugiados est\u00e3o ficando em casas alugadas ou com familiares, mas carecem de \u00e1gua, saneamento e comida, e ficam doentes\u201d, disse \u00e0 IPS o psiquiatra Mian Iftijar Hussain. \u201cMas o principal problema \u00e9 o de ordem psicol\u00f3gica, que n\u00e3o se pode ver\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Sentada diante do Hospital Psiqui\u00e1trico Iftijar, nesta capital de Jyber Pajtunjwa, Zarsheda Bibi, de 50 anos, contou \u00e0 IPS que toda sua fam\u00edlia teve de fugir do Wazirist\u00e3o deixando tudo para tr\u00e1s. O centro m\u00e9dico fica a cerca de 400 quil\u00f4metros do maior acampamento de refugiados de Bannu, distrito desta prov\u00edncia. Mas pior do que a perda de sua casa e de seus pertences, destacou Bibi, foi a morte de seu neto de um ano, que n\u00e3o suportou a longa travessia. \u201cN\u00e3o pode dormir bem porque todas as noites sonha com seu neto\u201d, explicou Iftijar, que atende Bibi por estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico.<\/p>\n<p>Javid Jan, da Autoridade Nacional de Gest\u00e3o de Desastres, afirmou que esse \u00e9 um dos grandes problemas dos refugiados. No acampamento de Bannu foi encontrada uma mulher cujo marido morreu em um bombardeio em Miramshah, no Wazirist\u00e3o do norte. \u201cEla est\u00e1 totalmente desorientada e extremamente preocupada com o futuro de seus tr\u00eas filhos e uma filha\u201d, contou. As pessoas sem ra\u00edzes t\u00eam grandes probabilidades de terem problemas no curto e longo prazos devido ao prolongado estresse, ao medo e \u00e0 ansiedade.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 a despersonaliza\u00e7\u00e3o, considerada pelo Manual de Diagn\u00f3stico e Estat\u00edsticas de Transtornos Mentais, da Associa\u00e7\u00e3o Norte-Americana de Psiquiatria, como uma desordem dissociativa causada por uma grande desorienta\u00e7\u00e3o, bem como uma altera\u00e7\u00e3o na percep\u00e7\u00e3o do mundo exterior a ponto de parecer irreal ou como um sonho. Jan tamb\u00e9m disse que mulheres, meninas e meninos, que representam 73% dos refugiados, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), t\u00eam grandes probabilidades de sofrerem estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, bem como ansiedade, p\u00e2nico e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Muhammad Junaid afirmou que as pessoas tamb\u00e9m sofrem de baixa autoestima, pois est\u00e3o obrigadas a viver em barracas de campanha e cho\u00e7as em lament\u00e1veis condi\u00e7\u00f5es de higiene. As m\u00e3es sofrem especialmente por sua incapacidade de cuidar de sua fam\u00edlia, e n\u00e3o s\u00e3o raras as fobias permanentes, destacou.<\/p>\n<p>O pessoal m\u00e9dico est\u00e1 especialmente preocupado pela situa\u00e7\u00e3o dos menores. \u201cDa inf\u00e2ncia \u00e0 adolesc\u00eancia, as crian\u00e7as passam por diferentes fases importantes de desenvolvimento f\u00edsico e mental\u201d, explicou Junaid. \u201cNessa transi\u00e7\u00e3o se forma sua identidade, crescem fisicamente e criam la\u00e7os familiares, bem como v\u00ednculos com sua comunidade e a sociedade em seu conjunto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os pais tamb\u00e9m est\u00e3o preocupados pelas consequ\u00eancias do deslocamento na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. \u201cDois dos meus filhos s\u00e3o muito bons alunos\u201d, contou \u00e0 IPS o comerciante Muhammad Arif, procedente de Mirali, uma divis\u00e3o administrativa do Wazirist\u00e3o do Norte. \u201cIam bem na aula, mas agora n\u00e3o tem escola e temo que n\u00e3o avancem\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ainda que regressem ao Wazirist\u00e3o, o futuro \u00e9 desolador. A opera\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito destruiu casas, pr\u00e9dios e lojas. Ser\u00e1 preciso reconstruir tudo antes de as pessoas poderem voltar a uma vida normal, lamentou o comerciante. Ap\u00f3s quase um m\u00eas no acampamento, Sadiq, o filho de dez anos de Arif, disse \u00e0 IPS, chorando, que as crian\u00e7as como ele n\u00e3o podem \u201cdormir, brincar, nem estudar\u201d.<\/p>\n<p>Para os especialistas que trabalham na regi\u00e3o h\u00e1 tempos, a situa\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou um ponto de inflex\u00e3o em uma crise que se gesta desde que o ex\u00e9rcito come\u00e7ou a combater a insurg\u00eancia nas escarpadas montanhas do norte do Paquist\u00e3o, h\u00e1 mais de 12 anos.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 50% da popula\u00e7\u00e3o das Fata sofrem problemas psicol\u00f3gicos devido \u00e0 insurg\u00eancia e \u00e0s consequentes opera\u00e7\u00f5es militares\u201d, apontou \u00e0 IPS Muhammad Wajid, psiquiatra do hospital de cl\u00ednicas de Peshawar. \u201cExaminamos cerca de 300 mil pacientes na ala psiqui\u00e1trica do hospital desta prov\u00edncia em 2013, e 200 mil deles procediam das Fata. Isso inclui 145 mil mulheres e 55 mil menores de idade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Desde 2005, quase 2,1 milh\u00f5es de residentes das Fata se refugiaram em Jyber Pajtunjwa, pontuou Javid, o que significou um grande desafio para o governo, que tenta manter o equil\u00edbrio entre as necessidades das popula\u00e7\u00f5es de refugiados e as desta prov\u00edncia que vivem na pobreza. A \u00faltima onda de refugiados s\u00f3 agravou os problemas do governo. Muitos funcion\u00e1rios temem que a situa\u00e7\u00e3o esteja no limite, em especial neste m\u00eas sagrado mu\u00e7ulmano do Ramad\u00e3, quando h\u00e1 uma grande necessidade de condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias adequadas e de alimentos para romper o jejum di\u00e1rio. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 29\/7\/2014 &ndash; Algumas pessoas fogem a p&eacute;, outras sobem em caminh&otilde;es com seus pertences, alimentos e animais. 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