{"id":17749,"date":"2014-07-31T14:41:11","date_gmt":"2014-07-31T14:41:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=117883"},"modified":"2014-07-31T14:41:11","modified_gmt":"2014-07-31T14:41:11","slug":"desenvolvimento-humano-no-brasil-avanca-entre-dividas-historicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/desenvolvimento-humano-no-brasil-avanca-entre-dividas-historicas\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento humano no Brasil avan\u00e7a entre d\u00edvidas hist\u00f3ricas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_117885\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/favela.jpg\"><img class=\"wp-image-117885\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/favela.jpg\" alt=\"favela Desenvolvimento humano no Brasil avan\u00e7a entre d\u00edvidas hist\u00f3ricas\" width=\"529\" height=\"351\" title=\"Desenvolvimento humano no Brasil avan\u00e7a entre d\u00edvidas hist\u00f3ricas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A favela do Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, vista parcialmente desde sua parte baixa. Em uma \u00e1rea no alto, mora Celina Maria de Souza. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 31\/7\/2014 \u2013 Diariamente, Celina Maria de Souza acorda antes do sol nascer e, ap\u00f3s deixar quatro de seus filhos na escola pr\u00f3xima, desce os 180 degraus que separam sua empinada moradia da parte plana do Rio de Janeiro, para ir trabalhar como dom\u00e9stica e voltar a subi-los horas depois. Celina, de 44 anos, vive h\u00e1 25 no alto da favela do Morro do Vidigal, encravado em uma das zonas residenciais mais rica do Rio de Janeiro. Nesta favela de aproximadamente dez mil habitantes as casas, muitas constru\u00eddas pelos pr\u00f3prios moradores, se comprimem entre o mar e a vizinha montanha.<\/p>\n<p>Origin\u00e1ria de Ubaitaba, na Bahia, Estado do Nordeste brasileiro, mil quil\u00f4metros ao norte do Rio de Janeiro, com apenas 17 anos Celina deixou sua fam\u00edlia para perseguir o sonho de uma vida melhor em uma grande cidade. Foi parte do contingente de migrantes que por d\u00e9cadas fugiram da seca do Nordeste em dire\u00e7\u00e3o ao sul industrial. \u201cEstou cansada de viver na favela. Sonho em ter um dia uma casa com um quarto para cada filho. Digo a eles para serem respons\u00e1veis e estudarem para que n\u00e3o sofram mais tarde. Gostaria de voltar a estudar, mas \u00e9 dif\u00edcil encontrar tempo\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>M\u00e3e de seis filhos com idades entre 12 e 23 anos, os dois mais velhos j\u00e1 emancipados, Celina tem renda mensal de aproximadamente US$ 450. Quase metade prov\u00e9m do Bolsa Fam\u00edlia, o programa de transfer\u00eancia da renda criado por Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2010) quando chegou \u00e0 Presid\u00eancia e que \u00e9 mantido por sua sucessora, Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Em 2013 o programa completou dez anos como a principal pol\u00edtica social deste pa\u00eds de 200 milh\u00f5es de habitantes. Beneficia 13,8 milh\u00f5es de fam\u00edlias, que equivale a 50 milh\u00f5es de pessoas, justamente a quantidade que se estima ter tirado da pobreza extrema. Entretanto, 21,1 milh\u00f5es de brasileiros ainda vivem na mis\u00e9ria, de acordo com os \u00faltimos dados oficiais, referentes a 2012.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Seguridade Social (Issa), com sede na Su\u00ed\u00e7a, premiou em outubro o Bolsa Fam\u00edlia por seu combate \u00e0 pobreza e apoio aos direitos dos mais vulner\u00e1veis. Segundo a Issa, constitui a maior transfer\u00eancia de renda do mundo, com custo de apenas 0,5% do produto interno bruto. O or\u00e7amento do programa em 2013 foi de US$ 10,7 bilh\u00f5es e atualmente integra o Plano Brasil Sem Mis\u00e9ria.<\/p>\n<div id=\"attachment_117886\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/favela2.jpg\"><img class=\"wp-image-117886\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/favela2.jpg\" alt=\"favela2 Desenvolvimento humano no Brasil avan\u00e7a entre d\u00edvidas hist\u00f3ricas\" width=\"540\" height=\"405\" title=\"Desenvolvimento humano no Brasil avan\u00e7a entre d\u00edvidas hist\u00f3ricas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Por longas escadarias, com as deste trecho da favela Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho, descem e sobem diariamente os moradores dos empinados bairros pobres do Rio de Janeiro. Foto: Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTinha ouvido falar dele e me diziam que era um subs\u00eddio que o governo dava para as crian\u00e7as matriculadas nas escolas e vacinadas. Viv\u00edamos muito mal, n\u00e3o t\u00ednhamos o que comer\u201d, disse Celina. H\u00e1 uma d\u00e9cada seus filhos se beneficiam do Bolsa Fam\u00edlia. Inicialmente recebiam cerca de US$ 40 no total. Celina se casou duas vezes, mas cria sozinha seus filhos ap\u00f3s se separar do \u00faltimo marido. \u201cEste dinheiro me ajuda muito. Criticam dizendo que \u00e9 uma esmola, mas n\u00e3o vejo assim. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso trabalhar. Com a Bolsa Fam\u00edlia compro material escolar, comida, roupa e sapatos para meus filhos. N\u00e3o d\u00e1 para todos, mas ajuda muito\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o esquece os dias que passou com fome e at\u00e9 algumas noites sem teto, junto com os dois filhos mais velhos, quando se separou pela primeira vez. \u201cEu dizia a eles: comam porque s\u00f3 de ver voc\u00eas, j\u00e1 me alimento\u201d, recordou. Agora, vivem cinco em uma casa de apenas dois c\u00f4modos. Quase sem estudos, Celina luta contra a pobreza e busca que seus filhos tenham melhores oportunidades mediante trabalhos quase sempre informais, embora quando chegou ao Rio tenha trabalhado um tempo em uma f\u00e1brica de acess\u00f3rios femininos.<\/p>\n<p>Celina \u00e9 um dos incont\u00e1veis exemplos de brasileiras e brasileiros que tentam garantir para sua fam\u00edlia uma melhor qualidade de vida, enquanto o pa\u00eds tenta mitigar os passivos hist\u00f3ricos de muitos anos de atraso em seu desenvolvimento humano. Esse esfor\u00e7o lhe permitiu melhorar sua posi\u00e7\u00e3o no \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado este m\u00eas pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), onde o Brasil est\u00e1 em 79\u00ba lugar entre 167 pa\u00edses estudados. Na Am\u00e9rica Latina, o Brasil \u00e9 superado por Chile (41), Cuba (44), Argentina (49), Uruguai (50), Panam\u00e1 (65), Venezuela (67), Costa Rica (68) e M\u00e9xico (71).<\/p>\n<p>Andr\u00e9a Bolzon, coordenadora do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil, disse \u00e0 IPS que o pa\u00eds avan\u00e7ou notavelmente nos \u00faltimos 20 anos. O Atlas realiza a contribui\u00e7\u00e3o nacional ao Informe sobre Desenvolvimento Humano, que inclui o IDH. O tema de 2014 \u00e9 \u201cSustentar o progresso humano: reduzir vulnerabilidades e construir resili\u00eancia\u201d. Segundo Bolzon, por tr\u00e1s da melhora, \u201ch\u00e1 pol\u00edticas que foram implantadas, como o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, as medidas afirmativas para a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades raciais, a promo\u00e7\u00e3o do emprego e o pr\u00f3prio Bolsa Fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>O IDH, criado em 1980, mede a expectativa de vida e de sa\u00fade, os n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o e renda. Em 2013, o Brasil registrou 73,9 anos de expectativa de vida, m\u00e9dia de 7,2 anos de escolaridade e renda bruta por pessoa de US$ 14.275. No ano passado, o IDH do Brasil cresceu 36,4% em rela\u00e7\u00e3o a 1980, quando a expectativa de vida era de 62,7 anos, a m\u00e9dia de estudo de 2,6 anos e a renda por pessoa de US$ 9.154.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que mais evolu\u00edram no desenvolvimento humano nos \u00faltimos 30 anos\u201d, disse o representante residente do Pnud no Brasil, Jorge Chediek, durante a apresenta\u00e7\u00e3o dos dados em Bras\u00edlia. Por\u00e9m, continua sendo muito desigual, destacou Bolzon. \u201c\u00c9 preciso investir nos sistemas p\u00fablicos universais de qualidade, especialmente em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, pois t\u00eam efeitos em todos os demais indicadores\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Justamente, o aumento dos anos de estudos entre as fam\u00edlias \u00e9 uma mudan\u00e7a vis\u00edvel, afirmou Bolzon. \u201cO vemos entre as gera\u00e7\u00f5es de uma mesma fam\u00edlia. As pessoas que estudaram pouco t\u00eam filhos que estudam mais anos, h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a em termos de escolaridade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o caso de Celina e sua fam\u00edlia. Ela estudou at\u00e9 a quinta s\u00e9rie do prim\u00e1rio e hoje sua filha mais nova, de 12 anos, j\u00e1 est\u00e1 no sexto ano. \u201cQuase n\u00e3o estudei. Tive que parar aos 12 anos para trabalhar para ajudar meus pais a levar comida para casa. Quero que meus filhos tenham muito mais do que eu tive, que tenham boa educa\u00e7\u00e3o e um bom emprego\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Isis, sua filha, sabe das pen\u00farias de sua m\u00e3e e dos seus esfor\u00e7os para melhorar suas vidas. \u201cGosto do col\u00e9gio e de estudar matem\u00e1ticas. Quando volto, ajudo minha m\u00e3e e arrumo a casa. Ela diz para estudarmos muito para termos um futuro melhor. Conhe\u00e7o sua hist\u00f3ria e fa\u00e7o isso\u201d, contou \u00e0 IPS, com um sorriso. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 31\/7\/2014 &ndash; Diariamente, Celina Maria de Souza acorda antes do sol nascer e, ap&oacute;s deixar quatro de seus filhos na escola pr&oacute;xima, desce os 180 degraus que separam sua empinada moradia da parte plana do Rio de Janeiro, para ir trabalhar como dom&eacute;stica e voltar a subi-los horas depois. Celina, [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/desenvolvimento-humano-no-brasil-avanca-entre-dividas-historicas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":77,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[27,2402,989,3178],"class_list":["post-17749","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-brasil","tag-desenvolvimento-humano","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/77"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17749"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17749\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17751,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17749\/revisions\/17751"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}