{"id":1775,"date":"2006-05-12T00:00:00","date_gmt":"2006-05-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1775"},"modified":"2006-05-12T00:00:00","modified_gmt":"2006-05-12T00:00:00","slug":"america-latina-ue-comercio-justo-em-torno-da-cupula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/05\/america-latina\/america-latina-ue-comercio-justo-em-torno-da-cupula\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina-UE: Com\u00e9rcio justo em torno da c\u00fapula"},"content":{"rendered":"<p>Viena, 12\/05\/2006 &ndash; Bananas do Equador, chocolate da Bol\u00edvia, caf\u00e9 da Guatemala e do M\u00e9xico, a\u00e7\u00facar da Nicar\u00e1gua. Nas g\u00f4ndolas de supermercados da capital austr\u00edaca s\u00e3o cada vez mais vis\u00edveis os produtos agr\u00edcolas importados da Am\u00e9rica Latina. <!--more--> Essa constata\u00e7\u00e3o, em princ\u00edpio, \u00e9 normal, pois a compra de alimentos latino-americanos ocorre de longa data na Europa. Mas n\u00e3o o \u00e9 quando se descobre as etiquetas de &quot;org\u00e2nico&quot; e &quot;fair trade&quot; (com\u00e9rcio justo) colocadas nesses produtos oferecidos no com\u00e9rcio de Viena, onde nesta sexta-feira se re\u00fanem os governantes das duas regi\u00f5es.            <\/p>\n<p>Mais de 55 mil supermercados europeus j\u00e1 comercializam produtos que levam este selo, cujas vendas no ano passado atingiram um volume superior a 616 milh\u00f5es de euros (quase US$ 800 milh\u00f5es), 49% mais do que em 2004. Somente na \u00c1ustria, no mesmo per\u00edodo houve aumento de 63% nas vendas de artigos com etiqueta de &quot;fair trade&quot;, como s\u00e3o identificados os produtos que se sup\u00f5e obtidos em uma cadeia produtiva que respeita o meio ambiente e os direitos trabalhistas e salariais dos trabalhadores, no contexto de um processo de promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento social.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o Fairtrade \u00c1ustria anunciou os espetaculares resultados de 2005 \u00e0s v\u00e9speras da IV C\u00fapula Am\u00e9rica Latina\/Caribe-Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, que re\u00fane 58 chefes de Estado e de governo. Embora o tema principal do encontro seja a consolida\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es comerciais e a integra\u00e7\u00e3o entre as duas regi\u00f5es, bem como intensificar a coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento, as negocia\u00e7\u00f5es oficiais ignoram as possibilidades que o com\u00e9rcio justo oferece nos dois sentidos. Em lugar disso, o mecanismo sobre a mesa da reuni\u00e3o \u00e9 o das associa\u00e7\u00f5es de livre com\u00e9rcio, calcadas em acordos como o que une Canad\u00e1, Estados Unidos e M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Esse Tratado de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte, em vigor desde 1994, \u00e9 questionado por ativistas que o consideram um obst\u00e1culo ao com\u00e9rcio justo, permitindo a empresas sancionar governos que legislem em defesa do meio ambiente e dos direitos dos trabalhadores. &quot;V\u00e1rios fatores contribuem para o aumento do com\u00e9rcio justo na Europa, entre eles as crescentes considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas dos consumidores, que os levam a exigir bens em cuja produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o respeitados os direitos humanos dos trabalhadores nos pa\u00edses do Sul, bem como a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente&quot;, disse \u00e0 IPS Georg Gruber, diretor da Fairtrade \u00c1ustria.<\/p>\n<p>&quot;Podemos ampliar nossa oferta tradicional, de banana, caf\u00e9 e chocolate, para outros segmentos, como flores e c\u00edtricos&quot;, acrescentou Gruber. A Fairtrade \u00c1ustria \u00e9 parte da rede de Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais de Rotulagem de Com\u00e9rcio Justo (FLO, sigla em ingl\u00eas), que funciona em cerca de 50 pa\u00edses, sobretudo da Europa, e que inclui associa\u00e7\u00f5es na Austr\u00e1lia, no Canad\u00e1, Estados Unidos, M\u00e9xico e Nova Zel\u00e2ndia. A FLO existe a partir de associa\u00e7\u00f5es criadas na d\u00e9cada de 50 na Holanda, enquanto que na Alemanha foi criada em 1992 e na \u00c1ustria em 1993.<\/p>\n<p>O aumento do com\u00e9rcio justo de alguns produtos na Europa \u00e9 t\u00e3o espetacular que j\u00e1 \u00e9 considerado como um dos segmentos mais din\u00e2micos do mercado de alimentos, que, em geral, n\u00e3o cresce. Na Su\u00ed\u00e7a, 47% da banana, 28% das flores e 9% do a\u00e7\u00facar comercializado se referem a produtos que levam o selo de com\u00e9rcio justo. Na Gr\u00e3-Bretanha, as cifras correspondentes s\u00e3o 5% para o ch\u00e1 e 20% para o caf\u00e9 mo\u00eddo.<\/p>\n<p>Para o presidente do ramo austr\u00edaco da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Caritas, Franz Kuelbler, &quot;a luta contra a pobreza nos pa\u00edses em desenvolvimento tem muito a ver com a conduta dos consumidores nos pa\u00edses industrializados. Gra\u00e7as \u00e0 exist\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es com a Fairtrade, cada um de n\u00f3s pode e deve contribuir para oferecer aos camponeses e trabalhadores na Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia a oportunidade de um futuro melhor&quot;, afirmou. A FLO participa da venda de produtos de mais de 550 cooperativas de pa\u00edses em desenvolvimento, que representam mais de cinco milh\u00f5es de produtores.<\/p>\n<p>Para garantir que esses artigos sejam realmente &quot;justos&quot;, a organiza\u00e7\u00e3o examina uma vez por ano se as empresas associadas est\u00e3o atendendo seus crit\u00e9rios de inscri\u00e7\u00e3o. &quot;Foram estabelecidos dois tipos de crit\u00e9rios b\u00e1sicos&quot;, explicou \u00e0 IPS Verokina Polster, tamb\u00e9m da Fairtrade \u00c1ustria. &quot;O primeiro se aplica a cooperativas, que devem respeitar formas democr\u00e1ticas de participa\u00e7\u00e3o de seus membros, e o segundo \u00e9 aplicado a empresas privadas, que se comprometem a pagar sal\u00e1rios decentes aos seus trabalhadores, respeitar o direito de sindicaliza\u00e7\u00e3o e, quando necess\u00e1rio, proporcionar aos seus empregados moradia digna&quot;, explicou Polster.<\/p>\n<p>Companhias privadas e cooperativas que interv\u00eam no programa de com\u00e9rcio justo tamb\u00e9m se comprometem a n\u00e3o empregar crian\u00e7as, respeitar as legisla\u00e7\u00f5es locais sobre sal\u00e1rio m\u00ednimo e manejar crit\u00e9rios b\u00e1sicos de prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente e da sa\u00fade e seguran\u00e7a dos trabalhadores. &quot;Al\u00e9m disso, como a Fairtrade se considera uma ajuda ao desenvolvimento, os produtores se comprometem a melhorar continuamente as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, a qualidade dos bens que exportam, e, ainda, sua sustentabilidade ambiental&quot;, disse Polster. Como contrapartida, a Fairtrade deve pagar pre\u00e7os m\u00ednimos superiores aos praticados no mercado, bem com pr\u00eamios, que consistem em investimentos em projetos de desenvolvimento, como escolas, postos de sa\u00fade, redes de \u00e1gua pot\u00e1vel e obras de infra-estrutura. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viena, 12\/05\/2006 &ndash; Bananas do Equador, chocolate da Bol\u00edvia, caf\u00e9 da Guatemala e do M\u00e9xico, a\u00e7\u00facar da Nicar\u00e1gua. 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