{"id":17750,"date":"2014-07-31T14:25:37","date_gmt":"2014-07-31T14:25:37","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=117879"},"modified":"2014-07-31T14:25:37","modified_gmt":"2014-07-31T14:25:37","slug":"tic-tac-diplomatico-encobre-a-agressao-de-israel-a-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/07\/ultimas-noticias\/tic-tac-diplomatico-encobre-a-agressao-de-israel-a-gaza\/","title":{"rendered":"Tic-tac diplom\u00e1tico encobre a agress\u00e3o de Israel a Gaza"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_117881\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Ki-moon30072014.jpg\"><img class=\"wp-image-117881\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Ki-moon30072014.jpg\" alt=\"Ki moon30072014 Tic tac diplom\u00e1tico encobre a agress\u00e3o de Israel a Gaza\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Tic tac diplom\u00e1tico encobre a agress\u00e3o de Israel a Gaza\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O secret\u00e1rio-geral Ban Ki-moon fala aos jornalistas no dia 28 deste m\u00eas sobre o conflito armado em Gaza e reitera seu pedido de um cessar-fogo humanit\u00e1rio, imediato e incondicional. Foto: UN Photo\/Mark Garten<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 31\/7\/2014 \u2013 O \u00fanico \u00f3rg\u00e3o pol\u00edtico e com capacidade de decis\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) se mant\u00e9m impotente e quase paralisado diante do conflito armado entre Palestina e Israel, enquanto o n\u00famero de mortos continua aumentando em Gaza e redobram as acusa\u00e7\u00f5es de crimes de guerra contra o governo israelense. \u00c9 poss\u00edvel que essa falta de a\u00e7\u00e3o seja uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, \u00fanico \u00f3rg\u00e3o que representa a comunidade internacional com poderes juridicamente vinculantes, n\u00e3o adotou nem mesmo uma resolu\u00e7\u00e3o sobre o conflito, que j\u00e1 dura 22 dias e matou cerca de 1.250 palestinos em meio \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o generalizada de moradias e escolas.<\/p>\n<p>Depois de uma sess\u00e3o extraordin\u00e1ria \u00e0 meia-noite, com o objetivo aparente de demonstrar uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia, os 15 pa\u00edses membros do Conselho de Seguran\u00e7a acordaram, no dia 29, lan\u00e7ar uma declara\u00e7\u00e3o presidencial, que alguns diplomatas presentes em Nova York desqualificaram chamando de \u201cbrincadeira de mau gosto\u201d. Um diplomata asi\u00e1tico disse que \u201cningu\u00e9m, e menos ainda as partes em guerra, leva a s\u00e9rio essas declara\u00e7\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es presidenciais n\u00e3o s\u00e3o juridicamente vinculantes e s\u00e3o feitas quando n\u00e3o h\u00e1 consenso entre os Estados membros. Um moderado projeto de resolu\u00e7\u00e3o, copatrocinado por Jord\u00e2nia e os Estados \u00e1rabes, circula h\u00e1 duas semanas, mas n\u00e3o obteve apoio suficiente para chegar \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da \u00faltima ofensiva contra a Faixa de Gaza, o governo israelense deixou claro que sua capacidade para manter os ataques depende do apoio internacional, afirmou Mouin Rabbani, coeditor da <em>Jadaliyya<\/em>, uma revista eletr\u00f4nica do Instituto de Estudos \u00c1rabes, que tem sedes em Washington e Beirute. \u201c\u00c9 o que eles chamam de \u2018tic-tac do rel\u00f3gio diplom\u00e1tico\u2019, ou seja, o massacre pode continuar com impunidade s\u00f3 enquanto o Ocidente seguir disposto a lhe dar seu apoio pol\u00edtico\u201d, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Como o Conselho de Seguran\u00e7a se nega a enviar a Israel a mensagem de que o massacre deve cessar e que haver\u00e1 consequ\u00eancias se n\u00e3o o fizer, na pr\u00e1tica se estende o per\u00edodo de car\u00eancia para que continue seus bombardeios em massa na Faixa de Gaza, afirmou Rabbani, que tamb\u00e9m \u00e9 editor colaborador da revista <em>Middle East Report<\/em>, com sede em Washington.<\/p>\n<p>Isto, naturalmente, reflete principalmente o apoio \u00e0s a\u00e7\u00f5es israelenses por parte de Estados Unidos, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha, tr\u00eas dos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a junto com China e R\u00fassia, mas tamb\u00e9m de outros membros, prosseguiu Rabbani. Como era de se prever, os tr\u00eas pa\u00edses ocidentais mantiveram o apoio a Israel e n\u00e3o aprovariam uma resolu\u00e7\u00e3o acusando esse pa\u00eds de crimes de guerra, nem imporiam uma zona de exclus\u00e3o a\u00e9rea sobre Gaza ou solicitariam uma comiss\u00e3o internacional de investiga\u00e7\u00e3o sobre as mortes de civis.<\/p>\n<p>Navi Pillay, alta comiss\u00e1ria das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, disse que a ofensiva militar de Israel em Gaza pode equivaler a crimes de guerra. Tamb\u00e9m criticou os \u201cataques indiscriminados\u201d do movimento isl\u00e2mico palestino Hamas. \u201cParece que existiria uma forte possibilidade de se ter violado o direito internacional de uma maneira que poderia constituir crimes de guerra\u201d, declarou Pillay, em Genebra, na semana passada, durante uma sess\u00e3o especial do Conselho de Direitos Humanos para analisar a situa\u00e7\u00e3o em Gaza.<\/p>\n<p>Esse Conselho, de 47 Estados membros, votou a favor de uma investiga\u00e7\u00e3o internacional dos supostos crimes de guerra no conflito de Gaza. Mas Israel se negou a cooperar na aplica\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o, que foi recha\u00e7ada exclusivamente pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cWashington n\u00e3o agir\u00e1 contra Israel no Conselho de Seguran\u00e7a devido \u00e0 consolidada influ\u00eancia do <em>lobby<\/em> pr\u00f3-Israel no Congresso norte-americano\u201d, disse Abba A. Solomon, autor de <em>O Discurso, e Seu Contexto: o Discurso de Jacob Blaustein \u201cO Significado da Divis\u00e3o da Palestina Para os Judeus dos Estados Unidos\u201d<\/em>. O governo de Barack Obama opera em um contexto em que as duas casas do Congresso aprovaram por unanimidade resolu\u00e7\u00f5es de apoio absoluto \u00e0 a\u00e7\u00e3o militar de Israel contra Gaza no come\u00e7o de julho, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Desde os anos 1940, as organiza\u00e7\u00f5es judias norte-americanas cultivaram as rela\u00e7\u00f5es com os funcion\u00e1rios eleitos a fim de buscar e proporcionar apoio pol\u00edtico e financeiro, prosseguiu Solomon, que durante anos investigou a forma como o sionismo norte-americano acumulou poder a partir dessa d\u00e9cada. \u201cEssas organiza\u00e7\u00f5es aceitaram que a defesa das posi\u00e7\u00f5es israelenses faz parte de suas fun\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em \u00e9pocas de crise, essas rela\u00e7\u00f5es valem seu peso em ouro para o governo israelense, segundo Solomon. O apoio dos Estados Unidos obstrui o que neste caso seria uma a\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, a resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a para proteger a popula\u00e7\u00e3o civil assediada, acrescentou. Historicamente, Washington argumenta contra aprovar as condena\u00e7\u00f5es da ONU \u00e0s a\u00e7\u00f5es militares israelenses porque estas \u201cdeixariam valentes\u201d os rivais \u00e1rabes de Israel, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Para Rabbani, os Estados ocidentais no Conselho de Seguran\u00e7a priorizam acima de tudo o suposto direito de Israel \u00e0 leg\u00edtima defesa, enquanto o governo israelense declarou expressamente que seu objetivo \u00e9 causar um dano de tal magnitude na Faixa de Gaza que gere a rebeli\u00e3o popular contra o Hamas.<\/p>\n<p>\u201cFalar do direito de Israel \u00e0 autodefesa nessas circunst\u00e2ncias, quando mais de mil civis palestinos n\u00e3o combatentes morreram no que s\u00f3 pode ser classificado de um ato premeditado e deliberado de assassinato em massa, e quando a grande maioria de baixas israelenses foi de combatentes uniformizados, \u00e9 muito mais do que obsceno\u201d, afirmou Rabbani. \u201cConstitui um apoio ativo e, portanto, com cumplicidade direta, aos crimes de guerra israelenses, mesmo sem considerar as numerosas formas diretas e indiretas com que estes Estados apoiam Israel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Estes pa\u00edses entregam ajuda militar, econ\u00f4mica e pol\u00edtica a Israel, d\u00e3o acesso preferencial aos seus mercados para produtos elaborados nos assentamentos dos territ\u00f3rios ocupados e permitem que os cidad\u00e3os israelenses cometam crimes de guerra com o uniforme das for\u00e7as de defesa israelenses, afirmou Rabbani.<\/p>\n<p>O especialista disse que o papel do Conselho de Seguran\u00e7a \u00e9 o de preservar e proteger a paz e a seguran\u00e7a internacionais, e que, novamente, falhou nesse sentido. E o fez uma vez mais na quest\u00e3o da Palestina, um conflito no qual a ONU tem uma responsabilidade \u00fanica em sua cria\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o. \u201cDe fato, isto demonstra uma vez mais a incapacidade do Conselho para servir como um guardi\u00e3o significativo da paz e da seguran\u00e7a internacionais em sua forma atual\u201d, ressaltou Rabbani.<\/p>\n<p>Solomon disse \u00e0 IPS que Washington tem a necessidade imperiosa de evitar as acusa\u00e7\u00f5es no Congresso de que \u201ctraiu\u201d Israel, seu \u201caliado estrat\u00e9gico mais importante no Oriente M\u00e9dio\u201d. Por isso, o poder militar e financeiro dos Estados Unidos, e seu poder de veto no Conselho de Seguran\u00e7a, controla o que pode ser feito, inclusive em momentos de uma carnificina extrema. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 31\/7\/2014 &ndash; O &uacute;nico &oacute;rg&atilde;o pol&iacute;tico e com capacidade de decis&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) se mant&eacute;m impotente e quase paralisado diante do conflito armado entre Palestina e Israel, enquanto o n&uacute;mero de mortos continua aumentando em Gaza e redobram as acusa&ccedil;&otilde;es de crimes de guerra contra o governo israelense. 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