{"id":17766,"date":"2014-08-05T13:17:41","date_gmt":"2014-08-05T13:17:41","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118178"},"modified":"2014-08-05T13:17:41","modified_gmt":"2014-08-05T13:17:41","slug":"brics-uma-brecha-no-ordenamento-financeiro-do-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/brics-uma-brecha-no-ordenamento-financeiro-do-ocidente\/","title":{"rendered":"Brics, uma brecha no ordenamento financeiro do Ocidente"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118180\" style=\"width: 273px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Shyam-Saran.jpg\"><img class=\"wp-image-118180\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Shyam-Saran.jpg\" alt=\"Shyam Saran Brics, uma brecha no ordenamento financeiro do Ocidente\" width=\"263\" height=\"333\" title=\"Brics, uma brecha no ordenamento financeiro do Ocidente\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Shyam Saran. Foto: Cortesia do autor<\/p><\/div>\n<p>Nova D\u00e9lhi, \u00cdndia, agosto\/2014 \u2013 A Sexta C\u00fapula dos pa\u00edses Brics, realizada na cidade brasileira de Fortaleza, no Estado do Cear\u00e1, no dia 15 de julho, marca a transi\u00e7\u00e3o qualitativa de uma agrupa\u00e7\u00e3o baseada em preocupa\u00e7\u00f5es compartilhadas para uma comunidade de interesses.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de 2009, os Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) foram considerados como uma associa\u00e7\u00e3o mais simb\u00f3lica do que efetiva de influentes economias emergentes com escassos interesses convergentes, que n\u00e3o pareciam capazes de construir estruturas de governan\u00e7a alternativa, al\u00e9m de coincidir em sua oposi\u00e7\u00e3o ao persistente dom\u00ednio do Ocidente sobre a economia e as finan\u00e7as mundiais.<\/p>\n<p>Entretanto, depois do longamente esperado an\u00fancio da cria\u00e7\u00e3o do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), dotado de US$ 50 bilh\u00f5es de capital, e do Acordo de Reservas de Conting\u00eancia (ARC), que chega a US$ 100 bilh\u00f5es, abriu-se uma brecha no monop\u00f3lio estabelecido pelas institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods, o Banco Mundial e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI).<\/p>\n<p>Mesmo que somente ap\u00f3s um longo per\u00edodo o NBD e o ARC poder\u00e3o ser considerados veross\u00edmeis e reconhecidos como institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, esse \u00e9 precisamente o objetivo.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes do Brics deixaram a porta aberta para a entrada de outros s\u00f3cios, mas manter\u00e3o uma participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o inferior a 55%. E tiveram a precau\u00e7\u00e3o de declarar que as novas institui\u00e7\u00f5es ser\u00e3o complementares do Banco Mundial e do FMI.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o surgimento de uma fonte alternativa de financiamento, cujas normas diferem das que orientam as institui\u00e7\u00f5es estabelecidas, est\u00e1 destinada a alterar de maneira irrevers\u00edvel o quadro financeiro global.<\/p>\n<p>As iniciativas do grupo Brics se originaram na crescente frustra\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es emergentes diante do fato de os pa\u00edses industrializados, que controlam o Banco Mundial e o FMI, recha\u00e7arem sistematicamente uma modifica\u00e7\u00e3o de suas estruturas que pudesse refletir, ainda que modestamente, o ascendente peso econ\u00f4mico dos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 previs\u00edvel que, quanto mais demorar a reestrutura\u00e7\u00e3o, mais rapidamente se consolidar\u00e3o as novas institui\u00e7\u00f5es. Justamente, essa retic\u00eancia influiu para ajudar a resolver algumas discrep\u00e2ncias entre os Brics sobre a estrutura e o governo do NBD e do ARC.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o das duas institui\u00e7\u00f5es se deve em grande parte \u00e0 energia e \u00e0 press\u00e3o por parte da China, junto com seus esfor\u00e7os para a concilia\u00e7\u00e3o com as posi\u00e7\u00f5es dos outros membros, em particular a \u00cdndia.<\/p>\n<p>No caso da R\u00fassia, seu entusiasmo para participar aumentou depois de sua expuls\u00e3o do Grupo dos Oito (G-8) pa\u00edses ricos e das san\u00e7\u00f5es impostas pelo Ocidente por ter anexado a Crimeia.<\/p>\n<p>O ativismo da China no contexto do Brics \u00e9 coerente com diversas iniciativas paralelas promovidas ou iniciadas por Pequim:<\/p>\n<p>1. A proposta para a cria\u00e7\u00e3o de um Banco Asi\u00e1tico de Investimento em Infraestrutura (AIIB), que financiaria projetos de infraestrutura e conectividade na regi\u00e3o, para reviver a lend\u00e1ria Rota da Seda por terra e por mar, a leste e oeste do territ\u00f3rio chin\u00eas. O paralelismo com o NBD chama a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2. A consolida\u00e7\u00e3o da Iniciativa de Multilateraliza\u00e7\u00e3o de Chiang Mai (CMIM) e sua associada Organiza\u00e7\u00e3o Asi\u00e1tica para a Pesquisa Multilateral (Amro), nas quais participam a Associa\u00e7\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico (Asean) mais China, Jap\u00e3o e Coreia do Sul (Asean+3). A CMIM disp\u00f5e de fundos no valor de US$ 240 bilh\u00f5es para ajuda a pa\u00edses membros em dificuldades em suas balan\u00e7as de pagamentos, semelhante ao ACR criado pelos Brics.<\/p>\n<p>3. Al\u00e9m da CMIM e da Amro, h\u00e1 outras iniciativas em curso no contexto da Asean+3 para desenvolver um mercado de b\u00f4nus asi\u00e1ticos que captaria recursos para investimentos regionais por meio de b\u00f4nus nas moedas locais.<\/p>\n<p>Essas atividades acontecem enquanto se registra a expans\u00e3o do mercado de b\u00f4nus em divisa chinesa, que j\u00e1 \u00e9 uma fonte importante de financiamento empresarial e, portanto, reduz a depend\u00eancia de b\u00f4nus denominados em euros ou d\u00f3lares. O NBD pode aproveitar esse emergente mercado para engrossar seus pr\u00f3prios recursos.<\/p>\n<p>A partir dessa ampla perspectiva, pode-se avaliar o significado das decis\u00f5es adotadas em Fortaleza.<\/p>\n<p>Ao impulsionar diversas iniciativas paralelas, a China objetiva criar um sistema financeiro alternativo em que exercer\u00e1 a lideran\u00e7a. O dilema para os outros pa\u00edses emergentes consiste no fato de n\u00e3o haver op\u00e7\u00f5es dignas de considera\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as na\u00e7\u00f5es ocidentais n\u00e3o est\u00e3o dispostas a levar em conta suas aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A c\u00fapula de Fortaleza implica o princ\u00edpio do fim do ordenamento econ\u00f4mico e financeiro implantado no segundo p\u00f3s-guerra pelas pot\u00eancias ocidentais. As institui\u00e7\u00f5es estabelecidas ter\u00e3o agora que compartilhar o cen\u00e1rio com os rec\u00e9m-chegados e ser\u00e3o for\u00e7adas a modificar suas normas para competir com eles.<\/p>\n<p>O promotor principal da constru\u00e7\u00e3o de uma rede rival das institui\u00e7\u00f5es financeiras estabelecidas \u00e9 a China, e na medida em que os diferentes edif\u00edcios que est\u00e1 construindo formem uma nova arquitetura financeira global, aumentar\u00e1 seu perfil e sua influ\u00eancia mundial<\/p>\n<p>Estamos pensando no futuro, mas a tend\u00eancia \u00e9 inequ\u00edvoca. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*<\/em><em> <strong>Shyam Saran<\/strong>, ex-secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da \u00cdndia, \u00e9 presidente do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a da \u00cdndia.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, agosto\/2014 &ndash; A Sexta C&uacute;pula dos pa&iacute;ses Brics, realizada na cidade brasileira de Fortaleza, no Estado do Cear&aacute;, no dia 15 de julho, marca a transi&ccedil;&atilde;o qualitativa de uma agrupa&ccedil;&atilde;o baseada em preocupa&ccedil;&otilde;es compartilhadas para uma comunidade de interesses. 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