{"id":17773,"date":"2014-08-07T15:06:37","date_gmt":"2014-08-07T15:06:37","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118382"},"modified":"2014-08-07T15:06:37","modified_gmt":"2014-08-07T15:06:37","slug":"patagonia-chilena-busca-autonomia-energetica-de-pequena-escala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/patagonia-chilena-busca-autonomia-energetica-de-pequena-escala\/","title":{"rendered":"Patag\u00f4nia chilena busca autonomia energ\u00e9tica de pequena escala"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118384\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Aysen1-chica-629x416.jpg\"><img class=\"wp-image-118384\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Aysen1-chica-629x416.jpg\" alt=\"Aysen1 chica 629x416 Patag\u00f4nia chilena busca autonomia energ\u00e9tica de pequena escala\" width=\"529\" height=\"350\" title=\"Patag\u00f4nia chilena busca autonomia energ\u00e9tica de pequena escala\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A beleza das nevadas ruas de Coyhaique, capital da regi\u00e3o de Ays\u00e9n, na Patag\u00f4nia, esconde que \u00e9 mais uma cidade contaminada do Chile, devido, sobretudo, ao uso de lenha \u00famida para aquecer as casas, em uma \u00e1rea onde as temperaturas s\u00e3o baixas quase o ano todo. Foto: Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Coyhaique, Chile, 7\/8\/2014 \u2013 A austral regi\u00e3o de Ays\u00e9n, na Patag\u00f4nia do Chile, suporta os pre\u00e7os de energia mais altos do pa\u00eds, e sua capital, Coyhaique, \u00e9 a cidade mais polu\u00edda do pa\u00eds, apesar de ser uma pot\u00eancia hidrel\u00e9trica. A maioria de sua popula\u00e7\u00e3o rejeitou a constru\u00e7\u00e3o do complexo de centrais hidrel\u00e9tricas do projeto HidroAys\u00e9n, o que influiu na decis\u00e3o do governo da presidente Michelle Bachelet de recha\u00e7\u00e1-lo definitivamente, no dia 10 de julho.<\/p>\n<p>Vencida essa batalha, a regi\u00e3o agora busca o caminho de sua autonomia energ\u00e9tica. \u201cAys\u00e9n \u00e9 a meca hidr\u00e1ulica do Chile, e, no entanto, temos um monop\u00f3lio que continua usando diesel para 28% da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica\u201d, afirmou \u00e0 IPS o ativista Peter Hartmann, membro do Conselho de Defesa da Patag\u00f4nia, criador do conceito Ays\u00e9n Reserva de Vida. Segundo ele, em Ays\u00e9n, esse combust\u00edvel custa o dobro do cobrado no centro do pa\u00eds, o que faz os custos da eletricidade quase duplicar em rela\u00e7\u00e3o a Santiago.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o de Ays\u00e9n, cuja capital fica 1.629 quil\u00f4metros ao sul da capital, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da Patag\u00f4nia chilena. Possui superf\u00edcie de 108.494 quil\u00f4metros quadrados, nos quais h\u00e1 numerosos glaciais, \u00e1reas de massa de gelo, florestas sempre verdes, fiordes, ilhas, canais, lagos e caudalosos rios.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de assuntos estruturais que se deve resolver, esta regi\u00e3o tem apenas coisas boas\u201d, afirmou \u00e0 IPS a l\u00edder social Miriam Chible. \u201cAys\u00e9n tem recursos naturais e sua gente \u00e9 muito empreendedora. Possui um clima bem acentuado, que apesar de adverso nos permite planejar. E tamb\u00e9m est\u00e1 ao lado da Argentina, o que \u00e9 um tremendo potencial, porque nos converte em uma zona patag\u00f4nia binacional\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Coyhaique, seu epicentro executivo e comercial, est\u00e1 rodeado por montanhas, quase sempre nevadas, mas, contraditoriamente, \u00e9 a cidade mais polu\u00edda do Chile. O motivo \u00e9 que seus 56 mil habitantes, submetidos boa parte do ano a temperaturas abaixo de zero, utilizam principalmente lenha \u00famida em calefa\u00e7\u00f5es e fog\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEm Ays\u00e9n, as pessoas se aquecem e cozinham com lenha, o que gera uma polui\u00e7\u00e3o tremenda na floresta e provoca os altos \u00edndices de polui\u00e7\u00e3o de Coyhaique\u201d, afirmou Hartmann. Por\u00e9m, acrescentou, \u201cse algu\u00e9m colocar um aquecedor el\u00e9trico pequeno em sua casa no inverno, ser\u00e1 cobrada uma multa por excesso de consumo. S\u00e3o essas coisas que ningu\u00e9m compreende\u201d.<\/p>\n<p>A isto se soma o prec\u00e1rio isolamento t\u00e9rmico das casas da regi\u00e3o, que possui uma taxa de pobreza de 9,97%, abaixo da m\u00e9dia nacional de 11,7%, mas sua indig\u00eancia de 4,22% supera a m\u00e9dia nacional de 3,7%. Hartmann detalhou que metade das casas da cidade carece de isolamento t\u00e9rmico e por isso \u00e9 necess\u00e1ria tanta calefa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o as casas subvencionadas pelo Estado, e que chamam de \u201cantissociais\u201d.<\/p>\n<p>Mas a lenha \u00e9 parte da cultura da popula\u00e7\u00e3o da Patag\u00f4nia, que pode pagar at\u00e9 US$ 7 mil ao ano para aquecer suas casas com paus verdes, \u00famidos e com musgos, cujo metro c\u00fabico \u00e9 vendido por US$ 32. A lenha seca chega a US$ 56, o que quase duplica o custo para quem a usa.<\/p>\n<div id=\"attachment_118385\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Aysen2-chica.jpg\"><img class=\"wp-image-118385\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Aysen2-chica.jpg\" alt=\"Aysen2 chica Patag\u00f4nia chilena busca autonomia energ\u00e9tica de pequena escala\" width=\"540\" height=\"358\" title=\"Patag\u00f4nia chilena busca autonomia energ\u00e9tica de pequena escala\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A l\u00edder social Miriam Chible aplica a autonomia energ\u00e9tica em seu restaurante familiar em Coyhaique, na Patag\u00f4nica chilena, com o uso de pain\u00e9is fotovoltaicos. Foto: Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Chile tem 17,6 milh\u00f5es de habitantes e 18.278 megawatts de capacidade bruta instalada. Importa 97% dos hidrocarbonos que precisa e sua matriz energ\u00e9tica \u00e9 composta por 40% de hidreletricidade e o restante por combust\u00edveis f\u00f3sseis e contaminantes das centrais termoel\u00e9tricas.<\/p>\n<p>A car\u00eancia de fontes energ\u00e9ticas situa o custo da produ\u00e7\u00e3o de um megawatt\/hora entre os mais caros da Am\u00e9rica latina, ficando em US$ 160, enquanto no Peru \u00e9 de US$ 55, na Col\u00f4mbia US$ 40 e na Argentina US$ 10. Em Ays\u00e9n, o valor desse megawatt\/hora duplica a m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Atualmente, a empresa Edelaysen, operadora da empresa privada Saesa, controla gera\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica na regi\u00e3o. O sistema de Ays\u00e9n possui capacidade instalada de 37,65 megawatts, dos quais 54,2% prov\u00eam de fonte termoel\u00e9trica, 41,7% de hidrel\u00e9trica e 4,1% de e\u00f3lica.<\/p>\n<p>Os que se opuseram ao projeto HidroAys\u00e9n, agora impulsionam uma meta ainda mais ambiciosa: a soberania energ\u00e9tica regional, um projeto apoiado, entre outras pessoas, por Miriam Chible. Esta mulher, vi\u00fava e m\u00e3e de quatro filhos, que nasceu e se criou em Coyhaique, faz parte da Comiss\u00e3o Assessora Presidencial para o Desenvolvimento Regional e a Descentraliza\u00e7\u00e3o, criada em abril, de onde pretende impulsionar a soberania energ\u00e9tica com uma matriz diferente, apostando nas energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais e na autonomia alimentar.<\/p>\n<p>\u201cBuscamos um modelo diferente de desenvolvimento econ\u00f4mico para Ays\u00e9n. A ideia \u00e9 que Ays\u00e9n estruture seu pr\u00f3prio projeto energ\u00e9tico para depois impulsionar seu pr\u00f3prio projeto de desenvolvimento. A l\u00edder destacou que o movimento ambiental acredita que se pode explorar a energia hidr\u00e1ulica de Ays\u00e9n mediante minicentrais de baixo impacto, al\u00e9m de impulsionar as energias e\u00f3lica e geot\u00e9rmica.<\/p>\n<p>Existem avan\u00e7os. H\u00e1 seis meses, 120 pessoas integram a Cooperativa Solar que no dia 2 fez o primeiro semin\u00e1rio sobre experi\u00eancias locais de energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais. Chible tem 24 pain\u00e9is fotovoltaicos instalados em seu restaurante Hist\u00f3rico Ricer, que h\u00e1 33 anos se localiza no centro de Coyhaique. Assim como ela, h\u00e1 dezenas de fam\u00edlias que fazem tentativas para diversificar sua fonte de energia.<\/p>\n<p>O passo seguinte ser\u00e1 uma compra em massa de l\u00e2mpadas LED para que cada s\u00f3cio instale em sua casa. \u201cTamb\u00e9m temos medidores que nos permitem saber quanta energia consumimos a cada dia, e fazemos oficinas de ecoalfabetiza\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, afirmou Chible.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio regional de Energia de Ays\u00e9n, Juan Atonio Bijit, disse \u00e0 IPS que a regi\u00e3o possui capacidade geradora de energia bem importante, com potencial hidrel\u00e9trico, mas tamb\u00e9m e\u00f3lico. Inclusive, \u201cincorporamos solu\u00e7\u00f5es fotovoltaicas com resultados muito bons\u201d, afirmou. A Agenda Energ\u00e9tica, lan\u00e7ada no dia 15 de junho por Bachelet, considera o aumento da oferta de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica na regi\u00e3o para reduzir as tarifas e \u201cmelhorar ou apoiar padr\u00f5es de vida das pessoas\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Bijit acrescentou que no momento se projeta a subven\u00e7\u00e3o da energia em Ays\u00e9n, mas antecipou que todas as etapas futuras ser\u00e3o analisadas com a comunidade. \u201cN\u00e3o podemos fazer coisas entre quatro paredes, por isso \u00e9 importante conversar com as pessoas antes de decidir. A ideia \u00e9 que participem do que se deve fazer na \u00e1rea energ\u00e9tica e em Ays\u00e9n a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 bastante sensibilizada em torno do assunto\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Coyhaique, Chile, 7\/8\/2014 &ndash; A austral regi&atilde;o de Ays&eacute;n, na Patag&ocirc;nia do Chile, suporta os pre&ccedil;os de energia mais altos do pa&iacute;s, e sua capital, Coyhaique, &eacute; a cidade mais polu&iacute;da do pa&iacute;s, apesar de ser uma pot&ecirc;ncia hidrel&eacute;trica. 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