{"id":17779,"date":"2014-08-08T14:18:20","date_gmt":"2014-08-08T14:18:20","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118513"},"modified":"2014-08-08T14:18:20","modified_gmt":"2014-08-08T14:18:20","slug":"aniversario-de-hiroxima-expoe-vigencia-da-ameaca-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/aniversario-de-hiroxima-expoe-vigencia-da-ameaca-nuclear\/","title":{"rendered":"Anivers\u00e1rio de Hiroxima exp\u00f5e vig\u00eancia da amea\u00e7a nuclear"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118515\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/hiroshima.jpg\"><img class=\"wp-image-118515\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/hiroshima.jpg\" alt=\"hiroshima Anivers\u00e1rio de Hiroxima exp\u00f5e vig\u00eancia da amea\u00e7a nuclear\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Anivers\u00e1rio de Hiroxima exp\u00f5e vig\u00eancia da amea\u00e7a nuclear\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Em 1996, a Unesco designou Patrim\u00f4nio da Humanidade a c\u00fapula da bomba at\u00f4mica no Parque Memorial da Paz de Hiroxima, no Jap\u00e3o. Foto: Freedom II Andres_Imahinasyon\/CC-BY-2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 8\/8\/2014 \u2013 J\u00e1 se passaram 69 anos, mas a recorda\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m fresca entre os 190 mil sobreviventes e seus descendentes. J\u00e1 se passaram 69 anos, e ainda n\u00e3o se recebeu uma desculpa formal. J\u00e1 se passaram 69 anos, e a probabilidade de que ocorra novamente continua sendo uma realidade aterradora.<\/p>\n<p>Enquanto dignat\u00e1rios estrangeiros se reuniam no Jap\u00e3o para lembrar os 69 anos do bombardeio at\u00f4mico em Hiroxima, no dia 6, as autoridades da cidade fizeram um chamado de urg\u00eancia para que os governos ponderem seriamente sobre a enorme amea\u00e7a que representa para a humanidade e o planeta outro ataque nuclear.<\/p>\n<p>Os sobreviventes, conhecidos no Jap\u00e3o como hibakusha, que trabalham sem descanso desde agosto de 1945 pela proibi\u00e7\u00e3o das armas nucleares em todo o mundo, exortaram os diplomatas, inclu\u00eddos os embaixadores dos Estados Unidos, \u00cdndia, Israel e Paquist\u00e3o, quatro dos nove Estados com armas at\u00f4micas em seu poder, a prestarem aten\u00e7\u00e3o nas palavras da Declara\u00e7\u00e3o de Paz de 2014. China, Coreia do Norte, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e R\u00fassia completam a lista de Estados que contam com armamento nuclear, declarando-as ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Representando os desejos angustiados dos sobreviventes e dos pacifistas, a declara\u00e7\u00e3o exorta os respons\u00e1veis pol\u00edticos a visitarem as cidades marcadas pelos bombardeios para ver em primeira m\u00e3o a devasta\u00e7\u00e3o que os Estados Unidos provocaram quando lan\u00e7ou uma bomba de ur\u00e2nio (Little Boy) sobre Hiroxima e outra de plut\u00f4nio (Fat Man) sobre Nagasaki, tr\u00eas dias depois, em 9 de agosto de 1945.<\/p>\n<p>Cerca de 45 mil pessoas fizeram um minuto de sil\u00eancio durante a cerim\u00f4nia em um parque dedicado \u00e0 paz, perto do epicentro da bomba que matou cerca de 140 mil pessoas em Hiroxima. A segunda detona\u00e7\u00e3o matou outras 70 mil em Nagasaki. Essas trag\u00e9dias provocaram a rendi\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de tantos sobreviventes, cuja idade m\u00e9dia \u00e9 calculada em 70 anos, testemunhou as debilitantes feridas f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas sofridas naqueles dias infelizes. Muitos hibakushas e seus familiares lutam por sua vida, diante das sequelas que lhes deixou a intensa e prolongada exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPromoveremos com firmeza o novo movimento que insistir\u00e1 nas consequ\u00eancias humanit\u00e1rias das armas nucleares e buscar\u00e1 sua proibi\u00e7\u00e3o\u201d, diz a Declara\u00e7\u00e3o de Paz de Hiroxima, em homenagem a esse sofrimento. \u201cAjudaremos a fortalecer a cobran\u00e7a p\u00fablica internacional pelo in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es para uma conven\u00e7\u00e3o sobre armas nucleares, com vistas \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o total at\u00e9 2020\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Mas a probabilidade de esse sonho ser realidade \u00e9 t\u00eanue. O Centro de Controle e N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o das Armas informou que os nove Estados com capacidade b\u00e9lica nuclear possu\u00edam no total 17.105 armas at\u00f4micas em abril deste ano. Os Estados Unidos, \u00fanico pa\u00eds que usou esse tipo de arma contra outro pa\u00eds, se mant\u00e9m firme em sua atitude de n\u00e3o oferecer uma desculpa oficial ao Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, afirmam que a decis\u00e3o de realizar os bombardeios foi um \u201cmal necess\u00e1rio\u201d para acabar com a Segunda Guerra Mundial. Este argumento est\u00e1 profundamente arraigado na geopol\u00edtica mundial atual, e Estados como Israel, que n\u00e3o assinou o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear (TNP) de 1968, protegem com veem\u00eancia seu arsenal como fator essencial para a seguran\u00e7a nacional frente \u00e0 constante tens\u00e3o pol\u00edtica em suas respectivas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a ofensiva militar israelense em Gaza, que a partir de 8 de julho matou 1.800 civis no enclave palestino, antes da entrada em vigor, no dia 5 deste m\u00eas, do cessar-fogo com media\u00e7\u00e3o do Egito, os governos \u00e1rabes argumentam que Israel representa a maior amea\u00e7a para a seguran\u00e7a da regi\u00e3o, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. A China, um Estado nuclear com 250 ogivas que mant\u00e9m uma disputa territorial com o Jap\u00e3o, n\u00e3o esteve presente em Hiroxima.<\/p>\n<p>Os pacifistas japoneses sentem a necessidade urgente de abordar as tens\u00f5es que as pot\u00eancias nucleares enfrentam, incluindo a Coreia do Norte, devido aos recentes atritos entre os pa\u00edses da \u00c1sia oriental no disputado Mar da China Meridional.<\/p>\n<p>\u201cO chamado \u00e9 para proibir as armas nucleares que matam e causam imenso sofrimento aos seres humanos. Ao possu\u00edrem essas armas, os Estados nucleares representam a\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, afirmou o professor Jacob Roberts, do Instituto para a Paz, da Universidade da Cidade de Hiroxima. O movimento antinuclear se concentra sobretudo em responsabilizar todos os Estados com armas nucleares que n\u00e3o cumpriram o TNP, acrescentou.<\/p>\n<p>Roberts citou o exemplo do Dia da Comemora\u00e7\u00e3o, celebrado todo 1\u00ba de mar\u00e7o nas Ilhas Marshall, que sofreu uma devastadora contamina\u00e7\u00e3o por radia\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a Opera\u00e7\u00e3o Castello, uma s\u00e9rie de testes nucleares de alta energia que os Estados Unidos realizaram no atol de Bikini, a partir de mar\u00e7o de 1954.<\/p>\n<p>Milhares de pessoas contra\u00edram a doen\u00e7a da radia\u00e7\u00e3o depois dos testes nucleares, que foram mil vezes mais potentes do que a explos\u00e3o de Hiroxima. No total, os Estados Unidos detonaram 67 bombas no territ\u00f3rio entre 1946 e 1962 no contexto da Guerra Fria e da corrida armamentista com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Em abril, as Ilhas Marshall apresentaram uma queixa judicial no Tribunal Internacional de Justi\u00e7a de Haia, e outra em um tribunal dos Estados Unidos, contra os nove Estados com armas nucleares por n\u00e3o desmantelarem seus arsenais. As demandas se amparam no Artigo 6 do TNP, que obriga os cinco pa\u00edses que o tratado reconhece como possuidores de armas nucleares (China, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e R\u00fassia) a \u201crealizarem negocia\u00e7\u00f5es de boa f\u00e9 sobre medidas eficazes relativas ao fim da corrida armamentista nuclear em data pr\u00f3xima e ao desarmamento nuclear\u201d.<\/p>\n<p>Como fez com o Jap\u00e3o, os Estados Unidos n\u00e3o pediram desculpas \u00e0s Ilhas Marshall, mas expressaram \u201ctristeza\u201d pelo dano causado. Washington \u201ccontinua vendo o desastre como o sacrif\u00edcio de alguns para a seguran\u00e7a de muitos\u201d, pontuou Abacca Anjain Maddison, ex-senador do pa\u00eds do Oceano Pac\u00edfico. Mas os Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o o \u00fanico governo em xeque.<\/p>\n<p>Hiromichi Umebayashi, diretor do Centro de Pesquisa para a Aboli\u00e7\u00e3o das Armas Nucleares (Recna), da Universidade de Nagasaki, \u00e9 um destacado defensor de uma zona livre de armas nucleares na \u00c1sia oriental e cr\u00edtico do governo do primeiro-ministro japon\u00eas, Shinzo Abe, que apoiaria o argumento de que o poderio at\u00f4mico \u00e9 necess\u00e1rio para a seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n<p>Umebayashi lidera uma campanha para deter a decis\u00e3o japonesa de trabalhar em estreita colabora\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos na \u00f3rbita nuclear para fortalecer a capacidade de defesa do pa\u00eds. \u201cO governo do Jap\u00e3o utiliza a amea\u00e7a nuclear da Coreia do Norte no leste da \u00c1sia para impulsionar mais atividades militares. Este pa\u00eds, que recebeu um bombardeio at\u00f4mico, comete um grande erro\u201d, ressaltou o ativista \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 8\/8\/2014 &ndash; J&aacute; se passaram 69 anos, mas a recorda&ccedil;&atilde;o se mant&eacute;m fresca entre os 190 mil sobreviventes e seus descendentes. J&aacute; se passaram 69 anos, e ainda n&atilde;o se recebeu uma desculpa formal. J&aacute; se passaram 69 anos, e a probabilidade de que ocorra novamente continua sendo uma realidade aterradora. 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