{"id":17780,"date":"2014-08-11T18:20:01","date_gmt":"2014-08-11T18:20:01","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118581"},"modified":"2014-08-11T18:20:01","modified_gmt":"2014-08-11T18:20:01","slug":"dilema-etico-assedia-os-pacifistas-em-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/dilema-etico-assedia-os-pacifistas-em-israel\/","title":{"rendered":"Dilema \u00e9tico assedia os pacifistas em Israel"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118582\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cartel-israeli.jpg\"><img class=\"wp-image-118582\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cartel-israeli.jpg\" alt=\"cartel israeli Dilema \u00e9tico assedia os pacifistas em Israel\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Dilema \u00e9tico assedia os pacifistas em Israel\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cartaz em Jerusal\u00e9m onde se l\u00ea \u201cFortes juntos, amamos Israel e confiamos no ex\u00e9rcito\u201d. Foto: Pierre Klochendler\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jerusal\u00e9m, Israel, 11\/8\/2014 \u2013 \u201cFortes juntos, amamos Israel e confiamos no ex\u00e9rcito\u201d, pode-se ler em um dos numerosos cartazes com frases semelhantes e enfeitados com as cores nacionais israelenses que se destacam nas cidades e estradas de todo o pa\u00eds, enquanto no dia 8 fracassava uma tr\u00e9gua provis\u00f3ria em Gaza. O apelo ao patriotismo e \u00e0 solidariedade n\u00e3o discutidas representa um abra\u00e7o de urso para aqueles que questionam os m\u00e9ritos e a moralidade da \u00faltima investida de Israel contra Gaza.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil assinar o credo da paz quando o soar das sirenes e o som ensurdecedor produzido pelos m\u00edsseis defensivos da C\u00fapula de Ferro ao atingir os foguetes inimigos exacerbam as emo\u00e7\u00f5es nacionalistas e quando o julgamento racional se mobiliza no interesse da guerra e sufoca toda avalia\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel de suas repercuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Que a guerra \u00e9 a ant\u00edtese da paz \u00e9 uma redund\u00e2ncia. Diante do desafio do conflito, os pacifistas israelenses lutam com o dilema. Quando se inicia uma guerra, esta deve ser ganha. Mas esta n\u00e3o conduz \u00e0 vit\u00f3ria nem \u00e0 derrota, n\u00e3o acabar\u00e1 com todas as guerras, mas se luta para evitar o pr\u00f3ximo conflito por meio da dissuas\u00e3o, talvez. Na guerra s\u00f3 h\u00e1 perdas e perdedores, acreditam os pacifistas. Se a guerra n\u00e3o resolve o conflito, porque cont\u00e9m as sementes da pr\u00f3xima rodada de viol\u00eancia, a paz o far\u00e1, afirmam. Mas, quando os canh\u00f5es rugem, a paz silencia.<\/p>\n<p>No dia 29 de julho, o F\u00f3rum de ONGs pela Paz pediu o cessar-fogo do enfrentamento judeu-palestino e o rein\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es por uma solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, destacando que n\u00e3o h\u00e1 uma sa\u00edda militar para o conflito iniciado no dia 8 de julho. A plataforma agrupa organiza\u00e7\u00f5es judias e palestinas da sociedade civil que buscam a paz dentro de uma solu\u00e7\u00e3o de dois Estados para o conflito.<\/p>\n<p>Seus integrantes, como a coaliz\u00e3o de mulheres Bat Shalom e o Movimento de Combatentes pela Paz, participam da cria\u00e7\u00e3o de redes e de capacita\u00e7\u00e3o e em manifesta\u00e7\u00f5es conjuntas. A declara\u00e7\u00e3o tardia gerada pela ala israelense do F\u00f3rum exp\u00f4s o dilema. \u201cOs israelenses se reservam o direito de leg\u00edtima defesa e merecem viver em seguran\u00e7a e paz, sem a amea\u00e7a dos disparos de foguetes e de t\u00faneis inimigos em seu seio\u201d.<\/p>\n<p>E assim, em seu apogeu, se justificava a guerra, que goza de n\u00edveis de aprova\u00e7\u00e3o perto do consenso entre os israelenses judeus. Os meios sociais transbordavam com coment\u00e1rios racistas, \u201cmatem os \u00e1rabes\u201d, e intimidantes, \u201cmatem os esquerdistas\u201d. Em 25 de julho, cinco mil israelenses participaram de uma manifesta\u00e7\u00e3o organizada por entidades pela paz. O emblem\u00e1tico movimento Paz Agora esteve ausente, bem como o partido progressista Meretz. A reuni\u00e3o se dispersou quando foram disparados foguetes sobre Tel Aviv.<\/p>\n<p>Os israelenses de esquerda respondem que essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 intrinsecamente arrogante. \u201cComo \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o se identifiquem com nossa dor nacional quando estamos sob amea\u00e7a?\u201d, \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o que os direitistas costumam lan\u00e7ar sobre os pacifistas israelenses. Em sua grande maioria, o p\u00fablico israelense fica no centro e \u00e0 direita do espectro pol\u00edtico, denuncia que o pa\u00eds \u00e9 v\u00edtima da \u201cvitimologia\u201d, ou seja, da cobertura centrada nas v\u00edtimas do conflito.<\/p>\n<p>Os pacifistas consideram que o respeito aos \u201cdireitos humanos \u00e9 nossa \u00faltima linha de defesa\u201d, como disse o diretor da Anistia Internacional em Israel, Yonatan Gher, no jornal progressista <em>Haaretz<\/em>, no dia 6. Os pacifistas se op\u00f5em \u00e0 rea\u00e7\u00e3o desproporiconal das for\u00e7as armadas. Israel deve compreender a debilidade inerente em seu pr\u00f3prio poderio militar, afirmam.<\/p>\n<p>A suposi\u00e7\u00e3o geral \u00e9 que os ativistas pela paz costumam ceder \u00e0 \u201cm\u00e3e de todas as redund\u00e2ncias\u201d, que \u201ca guerra \u00e9 o inferno\u201d e o \u201cmal\u201d e, em ess\u00eancia, um crime de guerra. Todo exame de consci\u00eancia que indique que este conflito n\u00e3o \u00e9 justo \u00e9 visto com ressentimento e como uma vacila\u00e7\u00e3o e uma autoflagela\u00e7\u00e3o indesejada. Os pacifistas afirmam que as pol\u00edticas de Israel nos territ\u00f3rios palestinos ocupados s\u00e3o a fonte do mal.<\/p>\n<p>A maioria dos israelenses argumenta que a ocupa\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 dura 47 anos, reduz sua complexa situa\u00e7\u00e3o a um simplismo, porque aquela n\u00e3o justifica o \u00f3dio do movimento isl\u00e2mico palestino Hamas nem o ciclo repetitivo da viol\u00eancia. A ocupa\u00e7\u00e3o continua porque a paz \u00e9 inalcan\u00e7\u00e1vel, destacam. Nesse eterno debate os israelenses patinam h\u00e1 14 anos.<\/p>\n<p>Assim, passaram por uma onda de conflitos: a intifada, ou subleva\u00e7\u00e3o palestina, de 2000-2005; a guerra de 2006 contra o Hezbol\u00e1 no L\u00edbano; as ofensivas contra o Hamas em Gaza em 2006 (Chuva de Ver\u00e3o), 2008-2009 (Chumbo Derretido), em 2012 (Pilar Defensivo), e a atual.<\/p>\n<p>No per\u00edodo que levou aos Acordos de Oslo (1993), o processo de reconcilia\u00e7\u00e3o m\u00fatua envolveu israelenses e palestinos em uma tentativa de reconhecimento da dor do outro. Entretanto, com os enfrentamentos posteriores, os dois lados retrocederam \u00e0 dimens\u00e3o mais existencial e elementar do conflito. Na adversidade, ambos t\u00eam necessidade de excluir toda identifica\u00e7\u00e3o com a dor alheia e tamb\u00e9m de infligir dor ao outro.<\/p>\n<p>Mas o que unifica a esmagadora maioria de partid\u00e1rios da guerra e das fileiras de pacifistas \u00e9 o reconhecimento de que a realidade \u00e9 complexa. O comum dos israelenses se d\u00e1 conta de que o argumento de que n\u00e3o se pode avaliar a situa\u00e7\u00e3o exclusivamente com o n\u00famero de mortes em Gaza \u00e9 uma causa perdida. Os pacifistas entendem que a amea\u00e7a desencadeada pela campanha israelense \u00e9 tang\u00edvel, bem como o rumo que poderia tomar o resultado, suas consequ\u00eancias para israelenses, palestinos e a paz entre os dois povos.<\/p>\n<p>Agora que os anos de hostilidade afetaram seu ideal de coexist\u00eancia, os pacifistas recha\u00e7am a \u00eanfase dada ao sofrimento se s\u00f3 servir ao batido conceito de que, por um lado, na guerra, o fim justifica (quase) todos os meios, ou, por outro lado, que a guerra n\u00e3o pode se justificar. Tra\u00e7am finas linhas entre o exerc\u00edcio do direito leg\u00edtimo de defesa contra a agress\u00e3o e do uso cada vez maior da for\u00e7a, e entre a moralidade e as leis da guerra e as injusti\u00e7as da ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depositam a esperan\u00e7a em que seus l\u00edderes nacionais iniciem com urg\u00eancia uma audaz a\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica de paz com os palestinos e que n\u00e3o deixem passar tanto tempo, como ocorreu com a guerra anterior, que permita que a mesma e recorrente realidade estale novamente nos rostos dos dois povos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Jerusal&eacute;m, Israel, 11\/8\/2014 &ndash; &ldquo;Fortes juntos, amamos Israel e confiamos no ex&eacute;rcito&rdquo;, pode-se ler em um dos numerosos cartazes com frases semelhantes e enfeitados com as cores nacionais israelenses que se destacam nas cidades e estradas de todo o pa&iacute;s, enquanto no dia 8 fracassava uma tr&eacute;gua provis&oacute;ria em Gaza. 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