{"id":17783,"date":"2014-08-11T18:06:08","date_gmt":"2014-08-11T18:06:08","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118571"},"modified":"2014-08-11T18:06:08","modified_gmt":"2014-08-11T18:06:08","slug":"nigeria-desperta-para-a-ameaca-do-hivaids","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/nigeria-desperta-para-a-ameaca-do-hivaids\/","title":{"rendered":"Nig\u00e9ria desperta para a amea\u00e7a do HIV\/aids"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118572\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Nigeria.jpg\"><img class=\"wp-image-118572\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Nigeria.jpg\" alt=\"Nigeria Nig\u00e9ria desperta para a amea\u00e7a do HIV\/aids\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Nig\u00e9ria desperta para a amea\u00e7a do HIV\/aids\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da preval\u00eancia do HIV por Estados. Foto: Informe da Nig\u00e9ria \u00e0 UNGASS 2014-08-10 informe \u00e0 Onusida 2014<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lagos, Nig\u00e9ria, 11\/8\/2014 \u2013 O casamento de Tope Tayo acabou h\u00e1 11 anos, quando deu positivo seu exame de HIV\/aids. Seu marido, descontente e envergonhado, a deixou e levou o \u00fanico filho do casal. Tr\u00eas meses depois, ao descobrir que seu filho de um ano tamb\u00e9m era portador do v\u00edrus, o deixou com a m\u00e3e e desapareceu.<\/p>\n<p>\u201cEle nos abandonou como se tiv\u00e9ssemos cometido um crime, mas lhe disse que ter HIV (v\u00edrus causador da aids) n\u00e3o \u00e9 nenhum crime\u201d, disse Tayo \u00e0 IPS. Tayo n\u00e3o tinha trabalho e o ex-marido nunca lhe deu dinheiro. \u201cEu andava pelas ruas chorando, vivia gra\u00e7as \u00e0 caridade\u201d, contou a mulher.<\/p>\n<p>Um homem que desaparece abandonando sua mulher e filhos com HIV \u00e9 um esquema que se repete na Nig\u00e9ria, explicou Rosemary Hua, coordenadora da First Step Action, organiza\u00e7\u00e3o dedicada a defender o direito de meninos e meninas. \u201cOs pais n\u00e3o ajudam por acreditarem que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de investir em uma crian\u00e7a que provavelmente n\u00e3o viver\u00e1 muito\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A taxa de infec\u00e7\u00e3o na Nig\u00e9ria \u00e9 de 3,2%, o que parece pouco comparado com outros pa\u00edses da \u00c1frica austral, mas, com popula\u00e7\u00e3o de 173 milh\u00f5es de habitantes, isso se traduz em 3,4 milh\u00f5es de pessoas com HIV, segundo dados de 2013. Entre elas, h\u00e1 430 mil menores de 14 anos, segundo o \u00faltimo informe do Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/AIDS (Onusida).<\/p>\n<p>Na Nig\u00e9ria, contraem o v\u00edrus uma em cada tr\u00eas crian\u00e7as que se infectam nos 20 pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana mais afetados pela doen\u00e7a. O documento tamb\u00e9m aponta que a Nig\u00e9ria \u201cenfrenta uma tr\u00edplice amea\u00e7a, uma grande carga de HIV, baixa cobertura de tratamento e nenhuma ou leve queda nas novas infec\u00e7\u00f5es\u201d. Al\u00e9m disso, a taxa nacional de HIV esconde profundas disparidades entre os 36 pa\u00edses africanos: em quatro deles, a preval\u00eancia fica entre 8% e 15%.<\/p>\n<p>Tayo e seu filho tomam antirretrovirais h\u00e1 11 anos. T\u00eam sorte. Fazem parte dos menos de 600 mil nigerianos e nigerianas que recebem aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, ou 20% dos que dela necessitam. A baixa cobertura de tratamento perpetua ideias err\u00f4neas e a discrimina\u00e7\u00e3o, como prova a hist\u00f3ria de Tayo. Quando o marido abandona a mulher, esta tem problemas econ\u00f4micos, pois metade da popula\u00e7\u00e3o feminina em idade de trabalhar est\u00e1 desempregada na Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u201cO desespero para se manter e assumir o filho pode fazer com que essas mulheres se dediquem a atividades sexuais para ganhar dinheiro, e aumenta o risco de se propagar ainda mais o HIV\u201d, pontuou Lucy Attah, que trabalha em quest\u00f5es de g\u00eanero e \u00e9 portadora do v\u00edrus. Tamb\u00e9m \u00e9 diretora-executiva da Funda\u00e7\u00e3o Hope de Mulheres e Crian\u00e7as, que ajuda mulheres infectadas pelo HIV.<\/p>\n<p>Ali a IPS conheceu Tayo, que contou ter evitado fazer o exame durante a gravidez. Os hospitais p\u00fablicos da Nig\u00e9ria fazem o teste de forma rotineira, mas ela decidiu pelo atendimento privado, onde o teste n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio, por medo da discrimina\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 do que mais me arrependo na vida\u201d, confessou.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es pelas quais as gr\u00e1vidas evitam fazer o exame \u00e9 a \u201cfalta de profissionalismo do pessoal da sa\u00fade, que n\u00e3o respeita a confidencialidade das an\u00e1lises\u201d, explicou Hua. \u201c\u00c0s vezes temos que remover pacientes para outros hospitais, longe de onde vivem, por causa do vazamento de sua condi\u00e7\u00e3o de portadores do HIV\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Alguns profissionais evitam manter contato com mulheres soropositivas por acreditarem, erradamente, que se contagiar\u00e3o apenas tocando-as, contou Attah. \u201c\u00c0 primeira vista parece que h\u00e1 muita consci\u00eancia entre os profissionais da sa\u00fade, mas, na realidade, h\u00e1 muito estigma\u201d, afirmou Hua.<\/p>\n<p>Um projeto de lei de confidencialidade e contra a discrimina\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi aprovado pelas duas casas legislativas do pa\u00eds e espera-se pela promulga\u00e7\u00e3o do presidente Goodluck Jonathan. Mas a Nig\u00e9ria precisa mais do que leis para atender a epidemia. Em 2013, a Onusida descreveu a resposta do pa\u00eds \u00e0 enfermidade como \u201cparada\u201d e disse que \u00e9 preciso um \u201cesfor\u00e7o maci\u00e7o\u201d para combat\u00ea-la.<\/p>\n<p>Na Nig\u00e9ria vivem 13% das pessoas com HIV da \u00c1frica subsaariana, que registra 19% das mortes por causas derivadas da aids, segundo a ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Somente o Chade est\u00e1 melhor do que a Nig\u00e9ria na cobertura de tratamento de mulheres gr\u00e1vidas portadoras do HIV. Nessa conjuntura, o governo tomou medidas para reduzir a transmiss\u00e3o de m\u00e3e para filho nos 12 Estados mais afetados pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A preven\u00e7\u00e3o do cont\u00e1gio de m\u00e3e para filho aumentou 27% em 2013, alta significativa em rela\u00e7\u00e3o aos 19% registrados em 2012, segundo o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef). Alguns Estados duplicaram ou triplicaram a quantidade de centros de sa\u00fade que oferecem tratamento contra a transmiss\u00e3o de m\u00e3e para filho e, gra\u00e7as a isso, h\u00e1 2.216 cl\u00ednicas, embora ainda se esteja longe das 16.400 necess\u00e1rias para a cobertura adequada.<\/p>\n<p>A quantidade de novas infec\u00e7\u00f5es entre meninos e meninas caiu de 60 mil em 2012 para 51 mil em 2013. Mas, como entre 2% e 3% das mulheres gr\u00e1vidas n\u00e3o recebem aten\u00e7\u00e3o pr\u00e9-natal, o grande desafio \u00e9 chegar a elas melhorando os servi\u00e7os. \u201cTemos que ir at\u00e9 elas em lugar de esperar que venham aos centros de sa\u00fade\u201d, ressaltou \u00e0 IPS Arjan de Wagt, do departamento de inf\u00e2ncia e HIV do escrit\u00f3rio do Unicef na Nig\u00e9ria. \u201cDo contr\u00e1rio, as crian\u00e7as continuar\u00e3o morrendo de aids sem raz\u00e3o\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Lagos, Nig&eacute;ria, 11\/8\/2014 &ndash; O casamento de Tope Tayo acabou h&aacute; 11 anos, quando deu positivo seu exame de HIV\/aids. Seu marido, descontente e envergonhado, a deixou e levou o &uacute;nico filho do casal. 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