{"id":17789,"date":"2014-08-11T13:18:51","date_gmt":"2014-08-11T13:18:51","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118625"},"modified":"2014-08-11T13:18:51","modified_gmt":"2014-08-11T13:18:51","slug":"terramerica-um-tango-a-ser-dancado-por-mais-de-duas-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/terramerica-um-tango-a-ser-dancado-por-mais-de-duas-pessoas\/","title":{"rendered":"Terram\u00e9rica \u2013 Um tango a ser dan\u00e7ado por mais de duas pessoas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118627\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/TA701Argentina1.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-118627\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/TA701Argentina1.jpg\" alt=\"TA701Argentina1 Terram\u00e9rica   Um tango a ser dan\u00e7ado por mais de duas pessoas\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"Terram\u00e9rica   Um tango a ser dan\u00e7ado por mais de duas pessoas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Parte da \u00e1rea industrial do Riachuelo e ao fundo o porto, em Buenos Aires. Em 1801, foram instalados os saladeros (lugar para salgar carnes) em sua margem e se come\u00e7ou a jogar lixo no rio, como fizeram depois curtumes, matadouros e muitas outras f\u00e1bricas. Agora h\u00e1 15 mil ind\u00fastrias, das quais 459 se reconverteram para n\u00e3o contaminar e outras 1.300 est\u00e3o nesse processo. Foto: Fabiana Fayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 11 de agosto de 2014 (Terram\u00e9rica).- Imortalizada por um famoso tango, a Niebla del Riachuelo (N\u00e9voa do Riachuelo) come\u00e7a a se dissipar na bacia hidrogr\u00e1fica argentina mais industrial e contaminada. Por\u00e9m, s\u00e9culos de abandono e a complexa articula\u00e7\u00e3o de interesses p\u00fablicos e privados dificultam um saneamento que exige mais do que um casal para dan\u00e7ar no ritmo.<\/p>\n<p>O rio, que percorre 64 quil\u00f4metros, desde o distrito de La Matanza, na oriental prov\u00edncia de Buenos Aires, at\u00e9 o tur\u00edstico bairro La Boca, na capital, foi ilustrado em 1937 pelo tango de Enrique Cad\u00edcamo e Juan Carlos Cobi\u00e1n, como \u201cturvo ancoradouro onde v\u00e3o aportar embarca\u00e7\u00f5es que no cais para sempre haver\u00e3o de ficar\u201d. Mas, longe das licen\u00e7as po\u00e9ticas de um tango com inumer\u00e1veis vers\u00f5es, foi na realidade durante dois s\u00e9culos um receptor de esgoto dom\u00e9stico e industrial, com um mau cheiro terr\u00edvel.<\/p>\n<p>Agora, gra\u00e7as ao Plano Integral de Saneamento Ambiental aprovado em 2011, a situa\u00e7\u00e3o mudou na bacia chamada Matanza em suas origens e Riachuelo na desembocadura no rio da Prata. \u201cA n\u00e9voa n\u00e3o existe mais, porque era um fator que tinha a ver com a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, por isso o pobre Cad\u00edcamo n\u00e3o poderia voltar a compor Niebla del Riachuelo\u201d, observou ao Terram\u00e9rica o vice-presidente-executivo da Autoridade da Bacia Matanza Riachuelo (Acumar), Antol\u00edn Magallanes.<\/p>\n<p>Em 2008, o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a determinou o saneamento do Riachuelo \u00e0 Acumar, integrada pelos governos nacional, provincial e da capital, e que envolve os 14 munic\u00edpios da bacia. \u201cEm 30 anos de democracia, a cria\u00e7\u00e3o da Acumar (em 2006) \u00e9 um tremendo avan\u00e7o hist\u00f3rico, porque pela primeira vez permitiu que tr\u00eas jurisdi\u00e7\u00f5es possam articular uma gest\u00e3o, que a sociedade civil controla, inclusive gest\u00f5es nem todas da mesma cor pol\u00edtica\u201d, destacou Magallanes.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 parte do saneamento. N\u00e3o \u00e9 apenas o lixo que est\u00e1 no rio, porque o lixo que est\u00e1 no rio expressa a n\u00e3o uni\u00e3o anterior de todas essas partes\u201d, acrescentou Magallanes. Na bacia vivem mais de cinco milh\u00f5es de pessoas, 10% em bairros pobres. Desse total, 35% carecem de \u00e1gua pot\u00e1vel e 55% de esgoto.<\/p>\n<p>Entre outros resultados, o plano removeu cerca de 60 navios abandonados no rio, que a met\u00e1fora do tango descreveu como um \u201cturvo cemit\u00e9rio de embarca\u00e7\u00f5es que, no entanto, ao morrerem sonham que para o mar partir\u00e3o\u201d. Tamb\u00e9m retirou cerca de 1.500 toneladas de res\u00edduos s\u00f3lidos do espelho de \u00e1gua e das margens, e abriu uma trilha de 35 metros para limpar a margem e assim poder ter acesso, controle e saneamento do corpo de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram incorporados 1,5 milh\u00e3o de habitantes \u00e0 rede de \u00e1gua pot\u00e1vel e agora s\u00e3o feitas avalia\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias em \u00e1reas de risco e est\u00e3o sendo constru\u00eddos 14 centros de sa\u00fade. \u201cEstamos cobrindo algo que n\u00e3o existia: um perfil em sa\u00fade ambiental espec\u00edfico da bacia Matanza Riachuelo, que dar\u00e1 novos resultados\u201d, destacou Magallanes.<\/p>\n<p>A n\u00e3o governamental Funda\u00e7\u00e3o Ambiente e Recursos Naturais (Farn) diz que, embora \u201co que foi feito seja necess\u00e1rio, \u00e9 muito pouco em rela\u00e7\u00e3o a tudo o que resta fazer\u201d. \u201cEstruturalmente se fez muito pouco. Com atraso, est\u00e3o sendo realizadas obras de saneamento para que o Riachuelo n\u00e3o continue sendo uma latrina a c\u00e9u aberto\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o presidente da independente Funda\u00e7\u00e3o Metropolitana, Pedro Del Piero.<\/p>\n<p>Isso come\u00e7ar\u00e1 a sair do papel por meio de um financiamento de US$ 840 milh\u00f5es do Banco Mundial. Para isso ser\u00e1 constru\u00eddo um grande tubo coletor na margem esquerda do Riachuelo, que conduzir\u00e1 os res\u00edduos de esgoto para diferentes esta\u00e7\u00f5es de tratamento, para evitar sua descarga direta no rio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ser\u00e3o criadas esta\u00e7\u00f5es de aera\u00e7\u00e3o e um emiss\u00e1rio subfluvial, uma grande tubula\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea de 11,5 quil\u00f4metros que transportar\u00e1 e descarregar\u00e1 esgoto j\u00e1 tratado at\u00e9 as \u00e1guas do rio da Prata. Isso permitir\u00e1 \u201cque usos at\u00e9 o momento inimagin\u00e1veis, como passear pelo rio e outras atividades recreativas, sejam poss\u00edveis\u201d, resumiu Daniel Mira-Salama, do Banco Mundial.<\/p>\n<p>Andr\u00e9s N\u00e1poli, diretor da Farn, tamb\u00e9m pede um controle mais rigoroso da polui\u00e7\u00e3o industrial, junto com leis que mudem as atuais, \u201cque s\u00e3o extremamente permissivas\u201d. A organiza\u00e7\u00e3o ambientalista Greenpeace denunciou em junho que n\u00e3o havia melhoria na qualidade da \u00e1gua, devido \u00e0 presen\u00e7a de 0,5 miligrama de oxig\u00eanio por litro, quando seriam necess\u00e1rios cinco miligramas para a vida aqu\u00e1tica.<\/p>\n<p>Outro informe, este da Cruz Verde Internacional, destaca que o solo ribeirinho tem n\u00edveis muito altos de zinco, cobre, n\u00edquel e merc\u00fario, entre outros elementos. Magallanes desqualificou o documento dizendo ser \u201cvelho\u201d, por se basear em dados do tri\u00eanio 2008-2010. De um total de 15 mil f\u00e1bricas registradas na bacia, 459 j\u00e1 fizeram a reconvers\u00e3o e outras 1.300 est\u00e3o em processo de faz\u00ea-lo, entre elas as mais contaminantes.<\/p>\n<p>Ali existe uma \u201ctens\u00e3o muito grande\u201d, admitiu Magallanes, para quem a bacia \u00e9 \u201cuma esp\u00e9cie de met\u00e1fora da Argentina\u201d. \u00c9 \u201co lugar por onde passaram a conquista, o desenvolvimento e a revolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d, e que a crise nacional de 2001 castigou com o fechamento de ind\u00fastrias e desemprego, pontuou. \u201cIsso implica muitas condutas bastante arraigadas que precisam mudar, e que as empresas aos poucos v\u00e3o tomando consci\u00eancia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<div id=\"attachment_118628\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/TA701Argentina2.jpg\"><img class=\"wp-image-118628 size-full\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/TA701Argentina2.jpg\" alt=\"TA701Argentina2 Terram\u00e9rica   Um tango a ser dan\u00e7ado por mais de duas pessoas\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"Terram\u00e9rica   Um tango a ser dan\u00e7ado por mais de duas pessoas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um jovem observa a ponte transportadora de La Boca, constru\u00edda em 1914 e que deixou de funcionar em 1960. Este emblema do Riachuelo e de Buenos Aires est\u00e1 sendo recuperado, como parte do saneamento da bacia, e tem reinaugura\u00e7\u00e3o prevista para 2015. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>N\u00e1poli atribui a lentid\u00e3o \u00e0 \u201cgrande malha de interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos da cornuba\u00e7\u00e3o de Buenos Aires\u201d, agravada pelas \u201cdisputas pol\u00edticas\u201d de diferentes \u201ccores pol\u00edticas\u201d, entre o governo da presidente Cristina Fern\u00e1ndez e a oposi\u00e7\u00e3o que governa a capital. A Acumar \u201cest\u00e1 o tempo todo \u00e0 merc\u00ea dos avatares pol\u00edticos dos funcion\u00e1rios federais de plant\u00e3o\u201d, concordou Del Piero. Para Magallanes, s\u00e3o dificuldades normais dentro a democracia. \u201cAntes, cada jurisdi\u00e7\u00e3o fazia sua limpeza, tinha seu manual de instru\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o faziam nada\u201d, apontou.<\/p>\n<p>A Acumar reassentou 122 fam\u00edlias de \u00e1reas de risco, est\u00e1 construindo mais de 1.900 casas e avan\u00e7a com outros 1.600 projetos. Mas N\u00e1poli considera insuficiente. \u201cH\u00e1 pessoas vulner\u00e1veis na beira de riachos, ou convivendo com ind\u00fastrias que contaminam. Seis anos depois da decis\u00e3o do Supremo Tribunal n\u00e3o sabemos quem est\u00e1 em risco\u201d, ressaltou. Tamb\u00e9m considera urgente a remo\u00e7\u00e3o de lix\u00f5es de diferentes dimens\u00f5es. Dos 186 retirados da bacia, 70% ressurgiram, acrescentou N\u00e1poli, para quem a origem do problema \u00e9 uma gest\u00e3o que \u201centregou\u201d o lixo \u201cao controle\u201d dos munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Para solucion\u00e1-lo, a Acumar est\u00e1 estabelecendo esta\u00e7\u00f5es de tratamento de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos municipais. \u201cNa dissipa\u00e7\u00e3o definitiva da n\u00e9voa do Riachuelo, vamos por um caminho muito positivo. Da tens\u00e3o \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o\u201d, disse Magallanes. \u201cNaturalmente, falta um monte de coisas para fazer. Mas todos j\u00e1 estamos discutindo o rio. Isso \u00e9 bom. \u00c9 parte dessa recupera\u00e7\u00e3o\u201d, enfatizou. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Artigos relacionados da IPS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2013\/02\/el-arduo-trabajo-de-limpiar-el-rio-argentino-mas-contaminado\/\" >O \u00e1rduo trabalho de limpar o rio argentino mais polu\u00eddo, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/terramerica\/terramerica-neve-do-riachuelo-argentino-comeca-a-se-desfazer-2\/\" >N\u00e9voa do Riachuelo argentino come\u00e7a a se desfazer<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2006\/07\/ambiente-argentina-la-hora-del-riachuelo\/\" >A hora do Riachuelo na Argentina, em espanhol<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 11 de agosto de 2014 (Terram&eacute;rica).- Imortalizada por um famoso tango, a Niebla del Riachuelo (N&eacute;voa do Riachuelo) come&ccedil;a a se dissipar na bacia hidrogr&aacute;fica argentina mais industrial e contaminada. 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