{"id":17790,"date":"2014-08-12T14:07:43","date_gmt":"2014-08-12T14:07:43","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118655"},"modified":"2014-08-12T14:07:43","modified_gmt":"2014-08-12T14:07:43","slug":"mulheres-na-linha-de-frente-em-defesa-do-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/mulheres-na-linha-de-frente-em-defesa-do-ambiente\/","title":{"rendered":"Mulheres na linha de frente em defesa do ambiente"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118657\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/indonesia1.jpg\"><img class=\"wp-image-118657\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/indonesia1.jpg\" alt=\"indonesia1 Mulheres na linha de frente em defesa do ambiente\" width=\"529\" height=\"351\" title=\"Mulheres na linha de frente em defesa do ambiente\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ativista indiana Suryamani Bhagat luta contra as autoridades do Estado de Jharkhand para proteger os direitos de seu povo da selva. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bali, Indon\u00e9sia, 12\/8\/2014 \u2013 Aleta Baun \u00e9 uma ambientalista da Indon\u00e9sia que gosta de usar um len\u00e7o colorido sobre a cabe\u00e7a porque representa a selva, que \u00e9 a alma do povo mollo, que ocupa Timor Ocidental, parte da prov\u00edncia de Nusatengara Oriental. Mas Mama Aleta, como \u00e9 conhecida em sua comunidade, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. \u201cA selva \u00e9 a vida de meu povo, as \u00e1rvores s\u00e3o como os poros de nossa pele, a \u00e1gua \u00e9 como o sangue que corre dentro de n\u00f3s e a selva \u00e9 a m\u00e3e dessa tribo\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Esta ganhadora do Pr\u00eamio Ambiental Goldman 2013 faz parte de um movimento internacional crescente que se op\u00f5e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do ambiente e que \u00e9 liderado por mulheres ind\u00edgenas pobres do meio rural. Durante anos, Aleta liderou a luta de seu povo para evitar que as companhias de minera\u00e7\u00e3o destru\u00edssem a selva em volta do Monte Mutis, em Timor Ocidental.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos o povo mollo vive em harmonia com a selva, depende de seu solo f\u00e9rtil e usa corantes naturais de plantas que colhem especialmente para tecer, uma arte que as mulheres desse grupo \u00e9tnico cultivam h\u00e1 s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, as corpora\u00e7\u00f5es que buscavam m\u00e1rmore conseguiram autoriza\u00e7\u00e3o de autoridades locais e come\u00e7aram a extrair e desmatar vastas extens\u00f5es de terra, o que gerou deslizamentos e uma enorme contamina\u00e7\u00e3o dos rios de Timor Ocidental, que nascem no Monte Mutis. A popula\u00e7\u00e3o que vivia rio abaixo sofreu as consequ\u00eancias dessas opera\u00e7\u00f5es e as consideraram um atentado contra seu modo de vida.<\/p>\n<p>Mama Aleta e outras tr\u00eas ind\u00edgenas mollo come\u00e7aram a ir a p\u00e9 de aldeia em aldeia conscientizando sobre as consequ\u00eancias ambientais da minera\u00e7\u00e3o. Em uma dessas viagens, em 2006, foi esfaqueada por alguns homens que a esperavam. Mas isso n\u00e3o a desanimou. A iniciativa terminou com uma mobiliza\u00e7\u00e3o pac\u00edfica na montanha, quando Aleta encabe\u00e7ou um grupo de 150 mulheres que se sentaram em sil\u00eancio na mina e em seus arredores agitando sua vestimenta tradicional em protesto contra a destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuer\u00edamos dizer que o que faziam era como nos desnudar; deixavam a selva nua ao cortarem as \u00e1rvores\u201d, contou Aleta. Um ano depois, as mineradoras tiveram que cancelar as opera\u00e7\u00f5es em quatro locais dentro do territ\u00f3rio mollo, e depois abandonar definitivamente o projeto.<\/p>\n<p>A Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC) estima que as mulheres representem um dos grupos mais vulner\u00e1veis \u00e0s consequ\u00eancias de eventos clim\u00e1ticos extremos. Al\u00e9m disso, as agricultoras de pequena escala (cerca de 560 milh\u00f5es de pessoas no mundo) produzem entre 45% e 80% do alimento consumido em n\u00edvel mundial, enquanto as camponesas pobres, especialmente da \u00c1sia e \u00c1frica subsaariana, destinam aproximadamente 200 milh\u00f5es de horas por dia em busca de \u00e1gua, segundo a ONU Mulheres.<\/p>\n<p>Qualquer mudan\u00e7a em seu ambiente \u00e9 muito sentida, destacaram especialistas. No Estado indiano de Jharkhand, Suryamani Bhagat, fundadora do centro de cultura e direitos ind\u00edgenas Torang, trabalha com outras mulheres em Kotari, sua aldeia, para proteger a selva.<\/p>\n<p>No contexto do Movimento Jharkhand para Salvar a Selva, Suryamani reuniu 15 mulheres adivasis para protestar contra um funcion\u00e1rio estatal que queria plantar \u00e1rvores com fins comerciais e que n\u00e3o conservavam a biodiversidade nem serviam para consumo da popula\u00e7\u00e3o local. As mulheres foram \u00e0 delegacia, junto com filhos, maridos e idosos, e come\u00e7aram a comer goiaba, e por fim anunciaram aos policiais de plant\u00e3o que s\u00f3 queriam \u00e1rvores que beneficiassem a comunidade.<\/p>\n<p>Em outro incidente, quando a pol\u00edcia quis deter v\u00e1rias l\u00edderes, entre elas Suryamani, as mulheres disseram que iriam voluntariamente, mas s\u00f3 se tamb\u00e9m levassem presos seus filhos e animais, que precisavam delas para serem cuidados, o que fez os agentes desistirem da ideia.<\/p>\n<div id=\"attachment_118658\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Indonesia2.jpg\"><img class=\"wp-image-118658\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Indonesia2.jpg\" alt=\"Indonesia2 Mulheres na linha de frente em defesa do ambiente\" width=\"540\" height=\"359\" title=\"Mulheres na linha de frente em defesa do ambiente\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ind\u00edgenas da ilha de Lombok, na Indon\u00e9sia, produzem artesanato com materiais que encontram na selva. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora as mulheres patrulham a selva e garantem que ningu\u00e9m corte madeira al\u00e9m da necess\u00e1ria. Suryamani acredita que ser mulher a beneficiou na situa\u00e7\u00e3o que viveu no distrito de Ranchi, em Jharkhand. \u201cSe fosse um homem, j\u00e1 teriam me prendido. Mas, como n\u00f3s mulheres nos mantemos juntas, os policiais n\u00e3o querem agir dessa forma\u201d, opinou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A cerca de sete mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, em Papua Nova Guin\u00e9, Ursula Rakova encabe\u00e7a um movimento que luta para proteger o atol de Carteret dos efeitos devastadores da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Nessa diminuta ilha de 0,6 quil\u00f4metro quadrado e altitude m\u00e1xima de 1,5 metro, h\u00e1 quase 20 anos a popula\u00e7\u00e3o local sofre o aumento do n\u00edvel do mar, que penetrou no solo, arrastou suas casas e impossibilitou a agricultura.<\/p>\n<p>Com previs\u00f5es de que o atol poderia ficar totalmente submerso at\u00e9 2015, Ursula deixou um emprego remunerado na vizinha ilha de Bougainville e voltou a Carteret, onde ajudou a fundar a Tulele Peisa, uma organiza\u00e7\u00e3o dedicada a planejar e executar reassentamento volunt\u00e1rio de seus moradores diante da falta de a\u00e7\u00e3o das autoridades. \u201c\u00c9 minha ilha, meu povo, n\u00e3o vou abandon\u00e1-los. \u00c9 nosso estilo de vida que afunda no mar\u201d, destacou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Michael Mazgaonkar, coordenador e assessor do Global Greengrants Fund (GGF), recordou \u00e0 IPS que isso n\u00e3o \u00e9 novo, as mulheres sempre desempenharam um papel integral na prote\u00e7\u00e3o do ambiente. A novidade \u00e9 sua crescente e forte presen\u00e7a no \u00e2mbito global como intr\u00e9pidas defensoras e protetoras do ambiente.<\/p>\n<p>\u201cA expans\u00e3o do papel das mulheres como l\u00edderes clim\u00e1ticas foi gradual\u201d, explicou Michael. \u201cEm alguns casos s\u00e3o impulsionadoras porque n\u00e3o lhes restou alternativa a n\u00e3o ser agir, e em outros s\u00e3o volunt\u00e1rias para desempenhar um papel de lideran\u00e7a\u201d, acrescentou. O resultado concreto de cada iniciativa \u00e9 incerto, mas o seguro \u00e9 que o mundo \u201ccontinuar\u00e1 vendo como assumem um papel de maior destaque\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A diretora-executiva do GGF, Terry Odendahl, enfatizou que os \u201chomens fazem um trabalho igualmente importante, mas historicamente as mulheres foram subestimadas, da mesma forma que o papel que desempenhavam. Devemos criar um espa\u00e7o para ouvir suas vozes. Se ampliarmos as op\u00e7\u00f5es para elas, poderemos melhorar o nefasto problema ambiental que enfrentamos\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Bali, Indon&eacute;sia, 12\/8\/2014 &ndash; Aleta Baun &eacute; uma ambientalista da Indon&eacute;sia que gosta de usar um len&ccedil;o colorido sobre a cabe&ccedil;a porque representa a selva, que &eacute; a alma do povo mollo, que ocupa Timor Ocidental, parte da prov&iacute;ncia de Nusatengara Oriental. 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