{"id":17792,"date":"2014-08-12T13:08:34","date_gmt":"2014-08-12T13:08:34","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118616"},"modified":"2014-08-12T13:08:34","modified_gmt":"2014-08-12T13:08:34","slug":"alepo-luta-para-sobreviver-ao-assedio-do-governo-sirio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/alepo-luta-para-sobreviver-ao-assedio-do-governo-sirio\/","title":{"rendered":"Alepo luta para sobreviver ao ass\u00e9dio do governo s\u00edrio"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118618\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aleposiria.jpg\"><img class=\"wp-image-118618\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aleposiria.jpg\" alt=\"aleposiria Alepo luta para sobreviver ao ass\u00e9dio do governo s\u00edrio\" width=\"529\" height=\"373\" title=\"Alepo luta para sobreviver ao ass\u00e9dio do governo s\u00edrio\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um adolescente s\u00edrio com p\u00e3o de uma padaria subterr\u00e2nea na zona severamente danificada de Alepo em poder da oposi\u00e7\u00e3o. Agosto de 2014. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alepo, S\u00edria, 12\/8\/2014 \u2013 A \u00fanica estrada pela qual ainda pode entrar suprimentos na zona oriental de Alepo, a maior cidade da S\u00edria, em poder das for\u00e7as insurgentes, est\u00e1 extremamente danificada e exposta ao fogo inimigo. Todos os caminh\u00f5es que levam trigo \u00e0s padarias subterr\u00e2neas, sab\u00e3o, combust\u00edvel para ve\u00edculos e geradores viajam por essa rota. Os franco-atiradores concentram a aten\u00e7\u00e3o nessa via e em outras frentes nesta cidade de 2,1 milh\u00f5es de habitantes, enquanto o governo do presidente Bashar al Assad reduz o resto da cidade a escombros com suas constantes bombas-barril.<\/p>\n<p>Embora muitas \u00e1reas da cidade estejam sob controle da moderada Frente Isl\u00e2mica, a El Jabhat al Nusra (Frente de Apoio), relacionada com a rede isl\u00e2mica Al Qaeda, ajuda a atender as necessidades b\u00e1sicas da regi\u00e3o onde n\u00e3o consegue faz\u00ea-lo a desfinanciada administra\u00e7\u00e3o do opositor Conselho Nacional S\u00edrio. A IPS observou como membros do grupo armado dividiram, entre os habitantes que est\u00e3o sem eletricidade nem \u00e1gua h\u00e1 meses, blocos retangulares de gelo de um metro de comprimento, deslizando-os previamente por tubos de metal.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o boa gente\u201d, disse um morador, que, no entanto, fora detido por esses mesmos homens h\u00e1 alguns meses por motivos n\u00e3o divulgados. \u201cS\u00e3o amigos\u201d, acrescentou. Mas, em particular, muitos s\u00edrios dizem que n\u00e3o est\u00e3o contentes com o grupo, embora n\u00e3o seja \u201cnem de longe t\u00e3o ruim como Daeesh\u201d, uma refer\u00eancia ao Estado Isl\u00e2mico, antes conhecido como Isis.<\/p>\n<p>O interior dos escrit\u00f3rios municipais de Alepo, rec\u00e9m-pintado de branco e com arquivos vermelhos, marca um forte contraste com os pr\u00e9dios derrubados e os blocos de cimento precariamente suspensos sobre as ruas onde os moradores que restam prosseguem com suas tarefas di\u00e1rias como podem. \u201cNos atacaram muitas vezes, mas temos que demonstrar que vamos continuar reconstruindo\u201d, disse um funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O chefe municipal Abdelaziz al Maghrebi, ex-professor e gerente de uma f\u00e1brica t\u00eaxtil, caminha com dificuldade por causa da les\u00e3o causada por um proj\u00e9til disparado por um tanque e que n\u00e3o recebeu tratamento adequado. O munic\u00edpio tem a seu cargo o registro civil, a educa\u00e7\u00e3o, os assuntos legais e a defesa civil de Alepo, e conta com um escrit\u00f3rio encarregado da eletricidade, da \u00e1gua, do esgoto e do lixo, mas raramente recebe dinheiro do \u201cgoverno no ex\u00edlio\u201d, explicou Mohammed Saidi, gerente financeiro do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>\u201cA quantidade de dinheiro recebida depende do m\u00eas, e em julho n\u00e3o recebemos nada do Conselho Nacional S\u00edrio\u201d, contou Saidi. As den\u00fancias sobre desvio de dinheiro p\u00fablico por funcion\u00e1rios \u201cs\u00e3o falsas\u201d, afirmou. Os doadores e as funda\u00e7\u00f5es privadas t\u00eam um papel importante no or\u00e7amento do Conselho, e \u201co financiamento depende das propostas de projetos que s\u00e3o aceitos\u201d, acrescentou. H\u00e1 quatro meses foi autorizada a constru\u00e7\u00e3o de abrigos subterr\u00e2neos e at\u00e9 agora foram constru\u00eddos 16, disse \u00e0 IPS o diretor da Defesa Civil da cidade.<\/p>\n<p>Ibrahim Aljalil, diretor de sa\u00fade das zonas de Alepo em poder dos insurgentes, explicou que, devido aos ataques cont\u00ednuos contra o pessoal m\u00e9dico e os hospitais, foi preciso \u201cmanter em segredo e mudar com frequ\u00eancia\u201d a localiza\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Este m\u00e9dico s\u00edrio, que quase sempre exerceu sua profiss\u00e3o na Ar\u00e1bia Saudita e s\u00f3 regressou ap\u00f3s o come\u00e7o da subleva\u00e7\u00e3o, disse que os antibi\u00f3ticos, a \u00e1gua, eletricidade e pessoal capacitado s\u00e3o escassos ou inexistentes. E acrescentou que a falta de manuten\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos e o terr\u00edvel estado das ruas implicam que muita gente morra simplesmente por n\u00e3o poder chegar aos poucos centros m\u00e9dicos existentes.<\/p>\n<p>Por outro lado, o munic\u00edpio s\u00f3 pode fornecer fundos para alguns servi\u00e7os m\u00e9dicos que n\u00e3o recebem ajuda de outros doadores, disse \u00e0 IPS o chefe comunit\u00e1rio Al Maghrebi. Mas n\u00e3o haver\u00e1 suprimentos que bastem para resolver o problema principal se \u201cantes n\u00e3o se impedir que o regime continue matando e ferindo\u201d, disse Aljalil se referindo ao governo de Assad.<\/p>\n<p>Durante a noit,e o motorista de um caminh\u00e3o, com luzes apagadas para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o dos avi\u00f5es das for\u00e7as armadas s\u00edrias, abre caminho pelas ruas de um bairro central com o grito de \u201cHaleeb\u201d (leite). Os franco-atiradores dispararam contra v\u00e1rias crian\u00e7as da \u00e1rea enquanto atravessavam uma rua, que agora est\u00e1 \u201cprotegida\u201d por uma tela crivada de balas para reduzir a visibilidade.<\/p>\n<p>No distrito de Salahheddin, a \u201cprimeira zona liberada de Alepo\u201d e cujo nome adquiriu um ar de <em>status<\/em> m\u00edtico para alguns, as crian\u00e7as riem e jogam futebol na rua vazia perto da frente de combate, depois do anoitecer. A poucos passos, o sangue de um menino baleado recentemente por um franco-atirador ainda mancha o ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar do risco constante dos franco-atiradores do governo, frequentemente as zonas pr\u00f3ximas da primeira linha de combate s\u00e3o os \u201clugares mais seguros, j\u00e1 que est\u00e3o muito perto das \u00e1reas do regime para que possam lan\u00e7ar bombas-barril\u201d, disseram \u00e0 IPS. \u201cPor que veio aqui? O que mais h\u00e1 para contar?\u201d, perguntou \u00e0 IPS um rapaz sardento e ruivo, de aproximadamente 20 anos.<\/p>\n<p>O jovem trabalha para que organiza\u00e7\u00f5es beneficentes estrangeiras ajudem sua organiza\u00e7\u00e3o a fornecer US$ 50 por m\u00eas e pacotes de alimentos para as vi\u00favas e os \u00f3rf\u00e3os mais necessitados dos homens que ca\u00edram em combate. No final de julho, uma bomba-barril que caiu diante do escrit\u00f3rio da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria matou um de seus amigos e companheiro de trabalho.<\/p>\n<p>Agora h\u00e1 sacos de areia empilhados diante das janelas e, segundo outro volunt\u00e1rio, mais da metade do pessoal fugiu imediatamente ap\u00f3s o incidente para outras partes do pa\u00eds ou para a Turquia. Ou simplesmente deixaram de ir ao escrit\u00f3rio por medo, ponderou uma mulher vestida com um \u201cnicab\u201d\u2019 (v\u00e9u que cobre o rosto s\u00f3 mostrando os olhos), que tamb\u00e9m trabalha na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o tem uma padaria subterr\u00e2nea que fornece p\u00e3o aos necessitados, mas alguns dias antes da visita da IPS o equipamento de trabalho havia quebrado. N\u00e3o se sabia quando seria consertado, se poderiam trazer para Alepo as pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o, nem se as for\u00e7as do governo se apoderariam da \u00fanica rota de abastecimento que resta \u00e0 cidade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Alepo, S&iacute;ria, 12\/8\/2014 &ndash; A &uacute;nica estrada pela qual ainda pode entrar suprimentos na zona oriental de Alepo, a maior cidade da S&iacute;ria, em poder das for&ccedil;as insurgentes, est&aacute; extremamente danificada e exposta ao fogo inimigo. 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