{"id":17800,"date":"2014-08-13T12:30:51","date_gmt":"2014-08-13T12:30:51","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118767"},"modified":"2014-08-13T12:30:51","modified_gmt":"2014-08-13T12:30:51","slug":"israel-viola-normas-de-guerra-em-gaza-e-estados-unidos-olham-para-o-outro-lado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/israel-viola-normas-de-guerra-em-gaza-e-estados-unidos-olham-para-o-outro-lado\/","title":{"rendered":"Israel viola normas de guerra em Gaza e Estados Unidos olham para o outro lado"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118769\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Israel.jpg\"><img class=\"wp-image-118769\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Israel.jpg\" alt=\"Israel Israel viola normas de guerra em Gaza e Estados Unidos olham para o outro lado\" width=\"529\" height=\"384\" title=\"Israel viola normas de guerra em Gaza e Estados Unidos olham para o outro lado\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um palestino recupera pertences de sua casa destru\u00edda em um pr\u00e9dio no norte da Faixa de Gaza, dia 7 deste m\u00eas. Foto: ONU\/Shareef Sarnhan<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 13\/8\/2014 \u2013 A ONU e as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos caracterizaram os ataques israelenses contra objetivos civis durante os enfrentamentos na Faixa de Gaza como viola\u00e7\u00f5es das leis de guerra. Desde que come\u00e7aram as hostilidades, em 8 de julho, os bombardeios de Israel mataram 1.300 civis, destru\u00edram mais de dez mil moradias e danificaram outras 30 mil no assediado terreno palestino, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>As For\u00e7as de Defesa de Israel (FDI) tamb\u00e9m mataram 47 refugiados e feriram outros 340 em ataques contra seis escolas que funcionavam como abrigos sob prote\u00e7\u00e3o da ONU. Por\u00e9m, a postura p\u00fablica do governo norte-americano indicou a Israel que n\u00e3o consideraria esse pa\u00eds respons\u00e1vel por tais viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A transcri\u00e7\u00e3o das entrevistas coletivas feitas pelo Departamento de Estado diariamente desde o come\u00e7o da guerra em Gaza demonstra que a administra\u00e7\u00e3o de Barack Obama se negou a condenar os ataques israelenses contra objetivos civis nas tr\u00eas primeiras semanas do conflito. Washington sabia muito bem que Israel recha\u00e7ou nas guerras anteriores, no L\u00edbano e em Gaza, toda distin\u00e7\u00e3o entre objetivos militares e civis.<\/p>\n<p>Durante a guerra de 2006 no L\u00edbano, o porta-voz das FDI, Jacob Dalal, disse \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias Associated Press que a elimina\u00e7\u00e3o do Hezbol\u00e1 como uma institui\u00e7\u00e3o terrorista exigia atacar todas suas institui\u00e7\u00f5es, inclu\u00eddas aquelas \u201cde base que reproduzem mais seguidores\u201d.<\/p>\n<p>Na opera\u00e7\u00e3o Chumbo Derretido, em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, Israel matou 42 civis no bombardeio de uma escola no acampamento de refugiados de Jabaliya. As FDI asseguraram que respondiam a morteiros disparados a partir desse pr\u00e9dio, mas a Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Socorro de Refugiados Palestinos (UNRWA), que dirigia a escola, negou essa vers\u00e3o.<\/p>\n<p>Com esses antecedentes, Washington sabia que Israel voltaria a atacar alvos civis em Gaza, a menos que acreditasse que sofreria consequ\u00eancias graves. Mas a postura p\u00fablica do governo de Obama sugere escassa ou nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o diante da viola\u00e7\u00e3o israelense das leis da guerra.<\/p>\n<p>Na entrevista coletiva do dia 10 de julho, foi perguntado ao porta-voz do Departamento de Estado, Jan Psaki, se os Estados Unidos buscavam deter o bombardeio israelense em Gaza, bem como o lan\u00e7amento de foguetes por parte do movimento isl\u00e2mico palestino Hamas. \u201cH\u00e1 uma diferen\u00e7a entre Hamas, uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista que ataca sem discriminar civis inocentes em Israel, e o direito de Israel responder e proteger seus pr\u00f3prios civis\u201d, respondeu.<\/p>\n<p>Quando proj\u00e9teis israelenses mataram quatro crian\u00e7as que brincavam em uma praia na presen\u00e7a de jornalistas, no dia 16 de julho, foi perguntado a Psaki se Washington acreditava que Israel violava as leis internacionais da guerra. Sua resposta foi que n\u00e3o estava a par de uma discuss\u00e3o sobre o tema. \u201cIsrael deve tomar todas as medidas poss\u00edveis para cumprir as normas de prote\u00e7\u00e3o dos civis\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em 17 de julho, Israel bombardeou o Hospital Geri\u00e1trico e de Reabilita\u00e7\u00e3o Al Wafa, em resposta ao lan\u00e7amento de foguetes a cem metros desse pr\u00e9dio, afirmou Psaki. \u201cExortamos todas as partes a respeitarem o car\u00e1ter civil das escolas e instala\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas\u201d, declarou na oportunidade. Em 16 de julho, as FDI lan\u00e7aram panfletos pedindo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Gaza que evacuasse os bairros de Zeitoun e Shujaiyyeh, advertindo sobre os bombardeios posteriores de 20 e 21 de julho, como rea\u00e7\u00e3o a foguetes supostamente disparados de Shujaiyyeh.<\/p>\n<p>No dia 20 de julho, um microfone aberto captou quando o secret\u00e1rio de Estado, John Kerry, comentou com um assistente que a ofensiva israelense era \u201cum pequeno inferno de opera\u00e7\u00e3o milim\u00e9trica\u201d, revelando o ponto de vista particular da administra\u00e7\u00e3o. Mas depois Kerry disse em entrevista \u00e0 rede norte-americana CNN que Israel estava \u201csob ass\u00e9dio de uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista\u201d, o que implica o direito de fazer o que julgar necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em 21 de julho, a porta-voz-adjunta do Departamento de Estado, Marie Harf, afirmou que Kerry \u201canimou\u201d os israelenses a \u201cadotarem medidas para evitar v\u00edtimas civis\u201d, mas sem especific\u00e1-las. Em 23 de julho, Israel bombardeou o hospital Al Wafa porque, segundo as FDI, foi usado como um \u201ccentro de comando e local de lan\u00e7amento de foguetes\u201d. Mas Joe Catron, um norte-americano que estava no hospital como parte de um \u201cescudo humano\u201d internacional para evitar os ataques, negou essa vers\u00e3o e garantiu que ouviu o lan\u00e7amento de um foguete pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Nesse mesmo dia, tr\u00eas m\u00edsseis que ca\u00edram em um parque junto ao hospital Al Shifa mataram dez pessoas e feriram 46. Israel atribuiu as explos\u00f5es a foguetes do Hamas que ca\u00edram fora do alvo, mas a explica\u00e7\u00e3o tem pouca credibilidade. Nos dias 23 e 24, tanques de Israel dispararam contra refugiados palestinos em duas escolas designadas como abrigo da UNRWA, apesar de funcion\u00e1rios da ONU terem se comunicado v\u00e1rias vezes com as FDI para impedir o ataque.<\/p>\n<p>No dia 24, morreram 15 civis e 200 ficaram feridos ap\u00f3s o ataque a um abrigo da ONU na escola prim\u00e1ria Beit Hanoun. Novamente, Israel atribuiu a responsabilidade a um foguete do Hamas que errou o alvo. Nesse dia, Harf lamentou o ataque e o \u201ccrescente n\u00famero de mortos em Gaza\u201d, acrescentando que uma instala\u00e7\u00e3o da UNRWA \u201cn\u00e3o \u00e9 um alvo leg\u00edtimo. Israel poderia fazer um pouco mais para mostrar sua modera\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mas, quando um jornalista lhe perguntou se o governo de Obama estava \u201cdisposto a tomar algum tipo de a\u00e7\u00e3o\u201d caso Tel Aviv n\u00e3o acatasse seus conselhos, Harf disse que a meta de Washington era \u201co cessar-fogo\u201d, ou seja, que os Estados Unidos n\u00e3o estavam preparados para impor consequ\u00eancias a Israel por suas t\u00e1ticas militares em Gaza.<\/p>\n<p>No dia 25 de julho, um jornalista observou que os taques contra o hospital e as escolas foram feitos apesar de informes confirmando que n\u00e3o havia combatentes nem foguetes neles. Entretanto, Harf reiterou a postura israelense de que o Hamas utilizara instala\u00e7\u00f5es da ONU para \u201cesconder foguetes\u201d.<\/p>\n<p>Em 30 de julho, as for\u00e7as israelenses mataram dez refugiados e feriram mais de cem em um ataque contra uma escola da UNRWA no acampamento de Jabaliyia. As FDI reconheceram o fato e alegaram ter recebido disparos de morteiro a partir dali. Isso foi muito para o governo de Obama. O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, qualificou o ataque de \u201ctotalmente inaceit\u00e1vel e totalmente indefens\u00e1vel\u201d, e disse que o respons\u00e1vel era Israel.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, mesmo nessa ocasi\u00e3o Washington se limitou a reiterar o pedido para que Israel \u201cfizesse mais para cumprir os altos padr\u00f5es que fixara a si mesmo\u201d, segundo Earnest.\u00a0 No dia 3 deste m\u00eas, Israel atacou a Escola P\u00fablica para Homens de Rafah, matando 12 refugiados e ferindo 27. As FDI informaram que buscavam tr\u00eas \u201cterroristas\u201d em uma motocicleta que passou junto \u00e0 escola.<\/p>\n<p>\u201cA suspeita de que homens armados operavam nas proximidades n\u00e3o justifica os ataques que colocam em risco a vida de tantos civis inocentes\u201d, disse Psaki na ocasi\u00e3o. Mas essa cr\u00edtica limitada chegou muito tarde. Israel j\u00e1 havia cometido o que parecem ser viola\u00e7\u00f5es em massa das leis da guerra. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 13\/8\/2014 &ndash; A ONU e as organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos caracterizaram os ataques israelenses contra objetivos civis durante os enfrentamentos na Faixa de Gaza como viola&ccedil;&otilde;es das leis de guerra. 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