{"id":17801,"date":"2014-08-13T12:59:00","date_gmt":"2014-08-13T12:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118762"},"modified":"2014-08-13T12:59:00","modified_gmt":"2014-08-13T12:59:00","slug":"viver-a-sombra-de-desastres-naturais-no-nepal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/viver-a-sombra-de-desastres-naturais-no-nepal\/","title":{"rendered":"Viver \u00e0 sombra de desastres naturais no Nepal"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118764\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/nepal11.jpg\"><img class=\"wp-image-118764\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/nepal11.jpg\" alt=\"nepal11 Viver \u00e0 sombra de desastres naturais no Nepal\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Viver \u00e0 sombra de desastres naturais no Nepal\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma fam\u00edlia mu\u00e7ulmana na aldeia de Habrawa, no distrito de Banke, oeste do Nepal, cuja situa\u00e7\u00e3o de pobreza impede que contem com os recursos para se recuperar ap\u00f3s um desastre natural. Foto: Naresh Newar\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nepalgunj, Nepal, 13\/8\/2014 \u2013 A pequena localidade de Jure, a 60 quil\u00f4metros de Katmandu, se converteu em um tr\u00e1gico exemplo de como as comunidades rurais mais pobres do Nepal s\u00e3o as primeiras vitimas e as que mais sofrem os desastres naturais. No dia 2 deste m\u00eas, uma ladeira de quase dois quil\u00f4metros de comprimento, que se eleva a 1.350 metros sobre o rio Sunkoshi, desmoronou arrasando cerca de cem casas e deixando 155 pessoas mortas nessa pequena localidade de dois mil habitantes, no distrito ocidental de Sindhupalchowk.<\/p>\n<p>A Sociedade da Cruz Vermelha do Nepal, a maior ag\u00eancia humanit\u00e1ria do pa\u00eds, informou que o n\u00famero de mortes deixado por esse epis\u00f3dio o coloca entre os piores da hist\u00f3ria deste pa\u00eds, com especial propens\u00e3o \u00e0s cat\u00e1strofes naturais. Diante do temor de que um lago artificial, criado para bloquear o rio, transborde e inunde os povoados vizinhos, especialistas pedem urg\u00eancia ao governo no sentido de considerar seriamente identificar as zonas de perigo em todo o pa\u00eds e integrar a gest\u00e3o de desastres naturais no plano nacional de desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Uma iniciativa desse tipo marcaria a diferen\u00e7a entre a vida e a morte para as comunidades mais pobres do Nepal, frequentemente obrigadas a se assentarem nas zonas mais vulner\u00e1veis. Os mais pobres sofrem as piores consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>As empinadas ladeiras, as ativas zonas s\u00edsmicas, as chuvas de mon\u00e7\u00f5es entre julho e setembro e a topografia montanhosa convertem o Nepal em um dos lugares mais propensos para ocorr\u00eancia de desastres, segundo o Banco Mundial. Mais de 80% dos 27,8 milh\u00f5es dos habitantes do pa\u00eds vivem em zonas rurais, e um quarto deles subsiste com menos de US$ 1,25 por dia.<\/p>\n<p>Os mais pobres, que dependem em grande parte da agricultura, costumam viver em \u00e1reas escarpadas sob o constante medo de deslizamentos de terra, ou em zonas alag\u00e1veis, e virtualmente n\u00e3o t\u00eam recursos para se recuperar ap\u00f3s uma calamidade derivada de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, segundo um informe do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).<\/p>\n<div id=\"attachment_118765\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/nepal2.jpg\"><img class=\"wp-image-118765\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/nepal2.jpg\" alt=\"nepal2 Viver \u00e0 sombra de desastres naturais no Nepal\" width=\"540\" height=\"360\" title=\"Viver \u00e0 sombra de desastres naturais no Nepal\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A maioria das moradias na aldeia nepalesa de Holiya, propensa a inunda\u00e7\u00f5es, fica vazia quando chegam as mon\u00e7\u00f5es, mas as fam\u00edlias s\u00e3o obrigadas a retornar uma vez passado do desastre. Foto: Naresh Newar\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Cons\u00f3rcio para a Redu\u00e7\u00e3o do Risco de Desastres do Nepal, que re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es locais e internacionais que trabalham com o governo, promove h\u00e1 tempos a incorpora\u00e7\u00e3o de medidas paliativas nos planos de redu\u00e7\u00e3o da pobreza para melhorar a vida dos setores mais vulner\u00e1veis e \u201cminimizar o impacto dos desastres\u201d, explicou Moira Reddick, coordenadora do grupo.<\/p>\n<p>\u201cA maioria das v\u00edtimas de desastres naturais quase sempre \u00e9 das comunidades mais pobres e o tr\u00e1gico acidente em Jure nada mais \u00e9 do que uma recorda\u00e7\u00e3o disso\u201d, afirmou \u00e0 IPS Pitamber Aryal, diretor nacional do Programa Integral de Gest\u00e3o do Risco de Desastres das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Nepal.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, os deslizamentos de terra deixaram 4.511 v\u00edtimas e arrasaram 18.414 moradias, deixando 555 mil atingidos, segundo dados oficiais. Com pouca ajuda do governo, a sociedade civil tem dificuldades para oferecer a ajuda necess\u00e1ria \u00e0s popula\u00e7\u00f5es afetadas.<\/p>\n<p>Dinanath Sharma, coordenador de redu\u00e7\u00e3o do risco de desastres da n\u00e3o governamental Practical Action, explicou \u00e0 IPS que sua organiza\u00e7\u00e3o fez v\u00e1rias tentativas de reassentar comunidades, mas seus esfor\u00e7os foram em v\u00e3o pela falta de um plano global que garanta uma moradia segura e um sustento decente. \u201cN\u00e3o iremos a lugar nenhum se o governo n\u00e3o encontrar um lugar com terra f\u00e9rtil e bom para viver\u201d, disse \u00e0 IPS um agricultor mu\u00e7ulmano do afastado povoado de Habrawa, no distrito de Banke, 600 quil\u00f4metros a sudoeste de Katmandu e cuja capital \u00e9 Nepalgunj.<\/p>\n<p>A mesma reclama\u00e7\u00e3o se repete em v\u00e1rias \u00e1reas do Nepal, especialmente entre os que vivem nas margens do rio Rapti, um dos maiores do pa\u00eds e respons\u00e1vel por muitas inunda\u00e7\u00f5es na \u00faltima d\u00e9cada. Os transbordamentos fluviais afetaram mais de 3,6 milh\u00f5es de pessoas nos \u00faltimos dez anos, segundo o Informe Nacional de Desastre de 2013, mas os moradores locais regressam por causa de suas terras f\u00e9rteis e da \u00e1gua, com os quais mal conseguem ganhar a vida.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio de Assuntos Internos indica que as inunda\u00e7\u00f5es e os deslizamentos de terra causam cerca de 300 mortes por ano e os preju\u00edzos econ\u00f4micos chegam a US$ 3 milh\u00f5es, o que agrava a j\u00e1 prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o em que se encontra o Nepal, onde cerca de 3,5 milh\u00f5es de pessoas carecem de seguran\u00e7a alimentar, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO).<\/p>\n<p>Para as pessoas familiarizadas com as vulnerabilidades do Nepal, a falta de disposi\u00e7\u00e3o do governo para criar um programa de gest\u00e3o do risco de desastres \u00e9 incompreens\u00edvel. Por exemplo, o Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas estudou e analisou o fr\u00e1gil ecossistema de uma vasta zona do Himalaia h\u00e1 30 anos.<\/p>\n<p>Uma de suas observa\u00e7\u00f5es incluiu a vulnerabilidade do vale do Sunkoshi a problemas causados pela \u00e1gua devido \u00e0 fr\u00e1gil forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica e \u00e0 abrupta topografia, que piora com as frequentes e copiosas chuvas. A falta de um monitoramento adequado e de um sistema de alerta derivou em uma trag\u00e9dia no dia 2 deste m\u00eas, o que poderia ter sido evitado facilmente, segundo especialistas.<\/p>\n<p>Como resposta, o governo criou uma comiss\u00e3o de alto n\u00edvel para buscar solu\u00e7\u00f5es \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de desastres no longo prazo, informaram funcion\u00e1rios. \u201cAtualmente h\u00e1 uma forte discuss\u00e3o sobre como reduzir a vulnerabilidade das comunidades pobres e a \u00fanica forma de fazer isto \u00e9 reassentando-as com um programa econ\u00f4mico integral\u201d, declarou \u00e0 IPS o diretor-geral do Departamento de Hidrologia e Meteorologia, Rishi Ram Sharma.<\/p>\n<p>Para garantir a seguran\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es rurais, o governo deve realizar estudos geol\u00f3gicos intensos para fazer um mapa com as zonas mais perigosas, o que tamb\u00e9m poderia ajudar a identificar os lugares seguros para reassentar aldeias inteiras, explicou Sharma, que dirige a Comiss\u00e3o para a Prepara\u00e7\u00e3o de Desastres.<\/p>\n<p>Trabalhadores humanit\u00e1rios disseram \u00e0 IPS que a resposta de emerg\u00eancia do governo, com participa\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e do ex\u00e9rcito sob supervis\u00e3o do Minist\u00e9rio do Interior, foi eficiente, mas os funcion\u00e1rios t\u00eam problemas para chegar a povoados de dif\u00edcil acesso devido ao terreno escarpado e \u00e0s fortes chuvas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nepalgunj, Nepal, 13\/8\/2014 &ndash; A pequena localidade de Jure, a 60 quil&ocirc;metros de Katmandu, se converteu em um tr&aacute;gico exemplo de como as comunidades rurais mais pobres do Nepal s&atilde;o as primeiras vitimas e as que mais sofrem os desastres naturais. 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