{"id":17804,"date":"2014-08-14T13:36:30","date_gmt":"2014-08-14T13:36:30","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=118867"},"modified":"2014-08-14T13:36:30","modified_gmt":"2014-08-14T13:36:30","slug":"o-que-importa-mais-a-guerra-contra-a-aids-ou-somente-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/o-que-importa-mais-a-guerra-contra-a-aids-ou-somente-a-guerra\/","title":{"rendered":"O que importa mais, a guerra contra a aids ou somente a guerra?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_118869\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/defensa.jpg\"><img class=\"wp-image-118869\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/defensa.jpg\" alt=\"defensa O que importa mais, a guerra contra a aids ou somente a guerra?\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"O que importa mais, a guerra contra a aids ou somente a guerra?\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O or\u00e7amento de muitos pa\u00edses africanos reflete um interesse maior pelas armas do que pelo combate \u00e0 mort\u00edfera pandemia do v\u00edrus HIV. Foto: Thomas Mart\u00ednez\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Johannesburgo, \u00c1frica do Sul e Nova York, Estados Unidos, 14\/8\/2014 \u2013 Dizem que h\u00e1 uma guerra em curso e que se luta contra o mortal v\u00edrus da defici\u00eancia imunol\u00f3gica humana (HIV). Esta guerra \u00e9 travada em todo o mundo, mas seu principal campo de batalha \u00e9 a \u00c1frica subsaariana, onde vivem sete de cada dez pessoas com HIV no planeta, cerca de 24,7 milh\u00f5es no ano passado. A regi\u00e3o sofreu at\u00e9 1,3 milh\u00e3o de mortes relacionadas com a aids, causada pelo v\u00edrus, no mesmo ano, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>Um ex\u00e9rcito improvisado trava a guerra contra a aids. \u00c0s vezes \u00e9 composto por funcion\u00e1rios bem vestidos, sentados em salas de confer\u00eancias enquanto distribuem fundos de assist\u00eancia. Outras vezes se trata de soldados rasos, como o pessoal de sa\u00fade e os ativistas antiaids em cada comunidade, espalhados em desoladas zonas rurais, sem \u00e1gua corrente, e muito menos terapia antirretroviral.<\/p>\n<p>Os fundos para a aids s\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente, j\u00e1 que competem com muitos problemas de sa\u00fade. Mas uma olhada no or\u00e7amento da defesa de v\u00e1rios pa\u00edses assolados pelo HIV mostra um cen\u00e1rio alarmante das prioridades p\u00fablicas, j\u00e1 que os enormes gastos militares desmentem o argumento de que o principal obst\u00e1culo para ganhar a guerra contra a aids \u00e9 o dinheiro.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o Qu\u00eania sofre atentados do grupo isl\u00e2mico Al Shabaab. Ainda assim, cinco em cada dez quenianas gr\u00e1vidas que vivem com HIV n\u00e3o recebem a terapia antirretroviral que protegeria seus beb\u00eas.<\/p>\n<p>A escassez de fundos em Mo\u00e7ambique deixa em relevo os \u00faltimos gastos militares do pa\u00eds. Daniel Kertesz, representante da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) nesse pa\u00eds do sudeste africano, disse \u00e0 IPS que o programa de sa\u00fade iniciado em 2008 tem d\u00e9ficit de US$ 200 milh\u00f5es por ano. Mo\u00e7ambique \u00e9 muito pobre e ocupa o oitavo lugar mundial de pessoas infectadas com HIV, com 1,6 milh\u00e3o em uma popula\u00e7\u00e3o de 24 milh\u00f5es de pessoas. \u201cHoje em dia, Mo\u00e7ambique gasta por ano em sa\u00fade entre US$ 30 e US$ 35 por pessoa. A OMS recomenda um m\u00ednimo de US$ 55 a US$ 60 por pessoa ao ano\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O governo anunciou que acordou com a Rom\u00eania oito avi\u00f5es de ca\u00e7a, que havia descartado h\u00e1 15 anos, e que receber\u00e1 gratuitamente tr\u00eas avi\u00f5es militares Tucano da brasileira Embraer, em troca da compra de outras tr\u00eas aeronaves.<\/p>\n<p>Um informe de 2014 da Unidade de Intelig\u00eancia Econ\u00f4mica, uma divis\u00e3o independente dentro do grupo <em>The Economist<\/em>, prev\u00ea um dr\u00e1stico aumento no gasto com seguran\u00e7a p\u00fablica em Mo\u00e7ambique, devido em parte \u00e0 compra pelo Minist\u00e9rio da Defesa de 24 barcos pesqueiros e seis navios-patrulha e interceptadores por US$ 300 milh\u00f5es, equivalente \u00e0 metade do or\u00e7amento nacional de sa\u00fade em 2014, de US$ 635,8 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Na mesma semana em que oito ca\u00e7as renovados pousaram no aeroporto de Maputo, a imprensa informou que o principal hospital da prov\u00edncia de Tete, rica em carv\u00e3o, ficou sem \u00e1gua durante cinco dias. De fato, o sistema de sa\u00fade p\u00fablica est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o desesperadora que o Plano de Emerg\u00eancia da Presid\u00eancia dos Estados Unidos para o Al\u00edvio da Aids (PEPFAR) equivale a 90% do or\u00e7amento anual que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade destina \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>\u201cO or\u00e7amento que o Estado destina aos programas sociais n\u00e3o cresce tanto como o gasto com ex\u00e9rcito, defesa e seguran\u00e7a\u201d, apoontou Jorge Matine, pesquisador do Centro de Integridade P\u00fablica. \u201cEstamos pressionando para que exista transpar\u00eancia em torno da compra, por milh\u00f5es de d\u00f3lares, de embarca\u00e7\u00f5es comerciais e militares\u201d, disse \u00e0 IPS. Uma rede de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais pediu ao governo que explique \u201csua decis\u00e3o de gastar esse dinheiro sem a autoriza\u00e7\u00e3o do Parlamento, quando o pa\u00eds sofre grave escassez de pessoal e de suprimentos no setor da sa\u00fade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A rede argumenta que, se os gastos de defesa se mantivessem no n\u00edvel de 2011, o pa\u00eds economizaria US$ 70 milh\u00f5es. Com isso poderia comprar 1.400 ambul\u00e2ncias, ou 11 por distrito, quando muitos distritos t\u00eam apenas uma ou duas, ou, ainda, importar 21% a mais de medicamentos.<\/p>\n<p>Um padr\u00e3o semelhante ocorre em todo o continente onde, segundo o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (Sipri), o gasto militar atingiu US$ 44,4 bilh\u00f5es em 2013, aumento de 8,3% em rela\u00e7\u00e3o a 2012. A alta renda obtida com o petr\u00f3leo alimenta as compras de Angola e Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>A Campanha do Cessar-Fogo, com sede na \u00c1frica do Sul, informou que os acordos de armas com empresas privadas tamb\u00e9m prosperam na \u00c1frica, j\u00e1 que se prev\u00ea que os governos assinar\u00e3o neg\u00f3cios com empresas internacionais de defesa por aproximadamente US$ 20 bilh\u00f5es na pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a Declara\u00e7\u00e3o de Abuja de 2001, na qual os mandat\u00e1rios da Uni\u00e3o Africana se comprometeram a destinar pelo menos 15% do produto interno bruto \u00e0 sa\u00fade, \u201cnem mesmo se concretizou\u201d, pontuou Vuyiseka Dubula, secret\u00e1ria-geral da sul-africana Campanha de A\u00e7\u00e3o pelo Tratamento. \u201cPouqu\u00edssimos pa\u00edses se aproximaram dos 12%, incluindo alguns dos pa\u00edses africanos mais ricos, como \u00c1frica do Sul e Nig\u00e9ria\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Entre 2000 e 2005, \u201cquase 400 mil pessoas morreram de aids na \u00c1frica do Sul. Nesse mesmo per\u00edodo, gastamos tanto dinheiro em armas desnecess\u00e1rias que se pode perguntar se isso foi um uso respons\u00e1vel dos recursos p\u00fablicos\u201d, acrescentou Dubula.<\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique \u00e9 um triste exemplo do fracasso de Abuja. J\u00e1 em 2001 seu or\u00e7amento de sa\u00fade era 14% do total do pa\u00eds, quase cumprindo a meta acordada na capital nigeriana. Em 2011 caiu para o m\u00ednimo de 7% e desde ent\u00e3o arranha os 8%.<\/p>\n<p>\u201cOs fundos refletem as prioridades do governo\u201d, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, atual chanceler e ex-ministro da Sa\u00fade da Eti\u00f3pia. \u201cVimos que os pa\u00edses com vontade pol\u00edtica de reformular seus setores de sa\u00fade refor\u00e7am os fundos e investem seriamente\u201d, enfatizou \u00e0 IPS. Se isso \u00e9 certo, o or\u00e7amento de muitos pa\u00edses africanos reflete um maior interesse pelas armas do que pelo combate \u00e0 mort\u00edfera pandemia do HIV.<\/p>\n<p><strong>O gasto militar na \u00c1frica<\/strong><\/p>\n<p>Angola gastou 8,4% de seu or\u00e7amento de US$ 69 bilh\u00f5es na defesa e somente 5,3% na sa\u00fade, em 2013.<\/p>\n<p>Em 2013, os gastos militares de US$ 3,4 bilh\u00f5es do Marrocos superaram com juros o or\u00e7amento da sa\u00fade, de pouco mais de US$ 1,4 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Sud\u00e3o do Sul gastou 1% de seu PIB em sa\u00fade e 9,1% nas \u00e1reas militar e de defesa em 2012. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul e Nova York, Estados Unidos, 14\/8\/2014 &ndash; Dizem que h&aacute; uma guerra em curso e que se luta contra o mortal v&iacute;rus da defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica humana (HIV). 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