{"id":17811,"date":"2014-08-18T12:57:40","date_gmt":"2014-08-18T12:57:40","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=119062"},"modified":"2014-08-18T12:57:40","modified_gmt":"2014-08-18T12:57:40","slug":"morte-de-lider-socialista-devolve-aos-verdes-a-terceira-via-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/morte-de-lider-socialista-devolve-aos-verdes-a-terceira-via-brasileira\/","title":{"rendered":"Morte de l\u00edder socialista devolve aos verdes a terceira via brasileira"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_119066\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/marina_e_campos-540x472.jpg\"><img class=\"wp-image-119066 size-full\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/marina_e_campos-540x472.jpg\" alt=\"marina e campos 540x472 Morte de l\u00edder socialista devolve aos verdes a terceira via brasileira\" width=\"540\" height=\"472\" title=\"Morte de l\u00edder socialista devolve aos verdes a terceira via brasileira\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Eduardo Campos e Marina Silva, uma chapa para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de outubro que deve recompor o Partido Socialista Brasileiro ap\u00f3s a morte do candidato em um acidente a\u00e9reo. Foto: Ag\u00eancia Brasil\/EBC<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 18\/8\/2014 \u2013 A morte de Eduardo Campos, candidato socialista \u00e0 Presid\u00eancia do Brasil, abre uma oportunidade inesperada para que a l\u00edder ambientalista Marina Silva volte com renovada for\u00e7a a lutar para governar o pa\u00eds, como uma terceira via em uma campanha muito polarizada. Marina, ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, conta com o capital eleitoral de ter conseguido 19,6 milh\u00f5es de votos nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2010, 19,3% do total e de ter uma imagem vinculada \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Os sinuosos caminhos, povoados por trag\u00e9dias, que a levaram \u00e0 posi\u00e7\u00e3o formalmente subalterna de candidata a vice-presidente na chapa de Campos, podem agora devolv\u00ea-la ao primeiro plano em condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis. Al\u00e9m de conservar grande parte do apoio popular conquistado em 2010, as pesquisas apontam que \u00e9 a mais favorecida entre os l\u00edderes pol\u00edticos pelos protestos registrados nas grandes cidades do pa\u00eds em junho e julho de 2013, contra a pol\u00edtica tradicional.<\/p>\n<p>A como\u00e7\u00e3o nacional provocada pela morte de Eduardo Campos, em um acidente a\u00e9reo no dia 13, tamb\u00e9m ajudaria a dar novo empurr\u00e3o a uma candidatura que busca romper o bipartidarismo brasileiro. A disputa pela Presid\u00eancia, com elei\u00e7\u00e3o no dia 5 de outubro, se d\u00e1, segundo todas as pesquisas, entre os candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT), que governa o pa\u00eds desde 2003, e do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que esteve no poder entre 1995 e 2002.<\/p>\n<p>Marina Silva come\u00e7ou sua carreira pol\u00edtica no pequeno Estado do Acre, na Amaz\u00f4nia, onde nasceu em 1958. S\u00f3 se alfabetizou aos 16 anos, depois que deixou a floresta para cuidar de sua sa\u00fade, afetada por hepatite, mal\u00e1ria e leishmaniose. A estreita colabora\u00e7\u00e3o com Chico Mendes, l\u00edder sindical dos seringueiros no Acre convertido em m\u00e1rtir do ambiente amaz\u00f4nico ao ser assassinado em 1988, impulsionou seus primeiros triunfos eleitorais.<\/p>\n<p>Senadora desde 1994, estava entre os principais dirigentes do PT, que conquistou o poder com o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2010). Foi ministra do Meio Ambiente e renunciou em 2008, ao discordar da pol\u00edtica de Lula no que qualificou como \u201ccrescimento material a qualquer custo\u201d, em detrimento dos pobres e do ambiente.<\/p>\n<p>Um ano depois deixou o PT e se filiou ao pequeno Partido Verde (PV) para disputar as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2010, vencidas por Dilma Rousseff, do PT. Ficou em terceiro lugar, com um n\u00famero surpreendente de votos. Depois tamb\u00e9m deixou o PV, refrat\u00e1rio \u00e0s suas propostas de mudan\u00e7as, e tentou junto com colaboradores criar uma agrupa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de novo tipo, a Rede Sustentabilidade.<\/p>\n<p>No entanto, a Justi\u00e7a Eleitoral a rejeitou por insufici\u00eancia de assinaturas de eleitores no pedido de registro. Para n\u00e3o ser exclu\u00edda da disputa, Marina se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), presidido por Campos, em uma alian\u00e7a conjuntural que se traduziu na chapa com Campos para a presid\u00eancia e ela para vice. Com a morte de Campos, Marina aparece como substituta natural, mas cabe ao PSB nomear seu novo candidato no prazo de dez dias, que termina no dia 23.<\/p>\n<p>Renunciar a essa sa\u00edda apresentaria o PSB como coadjuvante do bipartidarismo que governa o pa\u00eds h\u00e1 20 anos, e o faria perder relev\u00e2ncia em outros n\u00edveis do poder, como parlamentares e executivos estaduais. Nesse objetivo, Campos \u00e9 \u201cinsubstitu\u00edvel\u201d, reconheceu um parlamentar socialista. O dilema para o PSB \u00e9 que aceitar Marina como candidata \u00e9 outra esp\u00e9cie de suic\u00eddio, pela perda de identidade. S\u00e3o numerosas as discrep\u00e2ncias entre a ambientalista e as pol\u00edticas desenvolvidas pelo partido.<\/p>\n<p>O PSB, que nomeou os ministros da Ci\u00eancia e Tecnologia nos dois governos de Lula, favoreceu projetos de energia nuclear e sementes transg\u00eanicas, recha\u00e7ados pelos ambientalistas, incluindo Marina Silva. Campos foi um desses ministros, entre 2004 e 2005, e refor\u00e7ou sua popularidade como governador de Pernambuco entre 2006 e come\u00e7o de 2014, gra\u00e7as ao acelerado crescimento econ\u00f4mico e desenvolvimento industrial que conduziu em seu Estado, no nordeste, a regi\u00e3o mais pobre do Brasil.<\/p>\n<p>Megaprojetos, como o complexo industrial do Porto de Suape, a transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco para levar \u00e1gua ao interior semi\u00e1rido do nordeste e a ferrovia Transnordestina foram decisivos para que Pernambuco tivesse o maior crescimento econ\u00f4mico entre os Estados brasileiros nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>S\u00e3o planos aos quais os ambientalistas contrap\u00f5em numerosas restri\u00e7\u00f5es e que comp\u00f5em uma pol\u00edtica desenvolvimentista que contradiz em muitos aspectos a sustentabilidade apregoada pela Rede, de Marina Silva. S\u00e3o projetos iniciados ou retomados na \u00faltima d\u00e9cada por Lula, de quem Campos foi importante e fiel aliado. \u00a0Seu PSB rompeu com o governo do PT e a presidente Dilma apenas no ano passado.<\/p>\n<p>Campos, com popularidade acima dos 70% em seu Estado, apresentou-se como alternativa ao poder ocupado por trabalhistas e socialdemocratas. Mas preservava a administra\u00e7\u00e3o de Lula e concentrava suas cr\u00edticas na de Dilma Rousseff. Essa distin\u00e7\u00e3o pode obedecer a c\u00e1lculos eleitorais, porque a popularidade de Lula segue alta, mas tamb\u00e9m tem a afinidade.<\/p>\n<p>Campos foi herdeiro pol\u00edtico de Miguel Arraes, seu av\u00f4 e um mito da esquerda brasileira, que governou Pernambuco em tr\u00eas per\u00edodos e tamb\u00e9m foi aliado de Lula. Como o ex-presidente, foi um mestre do di\u00e1logo, da constru\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as, inclusive entre contr\u00e1rios, aproximando-se tanto de empres\u00e1rios como de comunidades pobres, atendendo a for\u00e7as do mercado e promovendo pol\u00edticas sociais. Dilma perdeu apoio no empresariado por sua pol\u00edtica econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Campos teve que redobrar esfor\u00e7os para ganhar o apoio de grandes agricultores e pecuaristas, diante da rejei\u00e7\u00e3o desse setor \u00e0 sua companheira de chapa, cujo ambientalismo \u00e9 visto como um obst\u00e1culo para a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio. Apesar de suas contradi\u00e7\u00f5es, a uni\u00e3o de Campos e Marina fortaleceu a terceira via nas elei\u00e7\u00f5es brasileiras. O desaparecimento do primeiro pode contrariar a aritm\u00e9tica e aumentar os votos dessa alternativa, j\u00e1 que ela come\u00e7a com uma base eleitoral mais ampla e se beneficia do cansa\u00e7o dos brasileiros diante da pol\u00edtica tradicional.<\/p>\n<p>Em julho, segundo a \u00faltima pesquisa do Instituto Data Folha, Dilma tinha 36% das inten\u00e7\u00f5es de voto, A\u00e9cio Neves, do PSDB, 20% e o falecido Campos 8%.<\/p>\n<p>Mas nestes dias se destacaram dois pontos fracos de Marina. Um \u00e9 afastar os setores produtivos com seu discurso ecol\u00f3gico, e por fim, as doa\u00e7\u00f5es para sua campanha. Outro \u00e9 o fato de pertencer \u00e0 Igreja Pentescostal, que lhe d\u00e1 apoio entre os crescentes fi\u00e9is evang\u00e9licos, mas causa rejei\u00e7\u00e3o entre os da majorit\u00e1ria Igreja Cat\u00f3lica. Em todo caso, analistas n\u00e3o descartam a possibilidade de segundo turno entre duas mulheres e ex-ministras de Lula. Por\u00e9m, falta saber at\u00e9 onde chega a capacidade de ren\u00fancia dos dirigentes do PSB em rela\u00e7\u00e3o aos seus ide\u00e1rios. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 18\/8\/2014 &ndash; A morte de Eduardo Campos, candidato socialista &agrave; Presid&ecirc;ncia do Brasil, abre uma oportunidade inesperada para que a l&iacute;der ambientalista Marina Silva volte com renovada for&ccedil;a a lutar para governar o pa&iacute;s, como uma terceira via em uma campanha muito polarizada. 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