{"id":17813,"date":"2014-08-18T12:40:46","date_gmt":"2014-08-18T12:40:46","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=119068"},"modified":"2014-08-18T12:40:46","modified_gmt":"2014-08-18T12:40:46","slug":"uma-atividade-de-alto-risco-atrai-jovens-quenianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/uma-atividade-de-alto-risco-atrai-jovens-quenianos\/","title":{"rendered":"Uma atividade de alto risco atrai jovens quenianos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_119069\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/kenia.jpg\"><img class=\"wp-image-119069\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/kenia.jpg\" alt=\"kenia Uma atividade de alto risco atrai jovens quenianos\" width=\"529\" height=\"353\" title=\"Uma atividade de alto risco atrai jovens quenianos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Pedreira de Rhonda, no condado de Nakuru, no Qu\u00eania. Muitos jovens quenianos se dedicam \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de areia, apesar de correrem o risco de perder a vida se um dos muros cair, o que n\u00e3o \u00e9 raro devido aos prec\u00e1rios m\u00e9todos de trabalho. Foto: Robert Kibet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nakuru, Qu\u00eania, 18\/8\/2014 \u2013 Allan Karanja se dedica a extrair areia na prov\u00edncia do vale do Rift, no Qu\u00eania. Este jovem de 22 anos realiza um \u00e1rduo trabalho de cavar profundos buracos usando apenas uma p\u00e1 e uma alavanca e sem equipamento de seguran\u00e7a. O trabalho, al\u00e9m disso, pode ser mortal. Tanto ele como muitos outros jovens trabalham em pedreiras de areia na regi\u00e3o de Rhonda, ao sul da cidade de Nakuru e perto do Parque Nacional Lago Nakuru, no vale do Rift, uma \u00e1rea caracterizada pela prolifera\u00e7\u00e3o de assentamentos irregulares.<\/p>\n<p>O rio Ndarugu, que desemboca no Parque Nacional Lago Nakuru, \u00e9 o principal local de extra\u00e7\u00e3o. Karanja contou \u00e0 IPS que viu muitos trabalhadores morrerem quando as fr\u00e1geis e altas paredes desmoronaram enquanto escavavam. \u201cA fome nos empurra para as minas de areia. Ganhamos muito pouco, apesar dos riscos que corremos. Escavamos areia sem capacetes de seguran\u00e7a\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Nakuru, 160 quil\u00f4metros a nordeste de Nair\u00f3bi, foi considerada pela ONU Habitat a cidade de maior crescimento na \u00c1frica central e oriental em 2010. Isso gerou um fluxo de investimentos na \u00e1rea e o consequente auge da constru\u00e7\u00e3o, principal consumidora de areia. Jackson Kemboi \u00e9 propriet\u00e1rio de um pedreira de dois hectares, que teve de fechar temporariamente no m\u00eas passado quando um trabalhador e seu filho morreram soterrados pela parede que desabou enquanto escavavam.<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o de areia em Rhonda emprega cerca de tr\u00eas mil pessoas, disse Kemboi \u00e0 IPS. \u201cA pedreira existe desde come\u00e7o dos anos 1980. Como propriet\u00e1rio, tenho que distribuir o que ganho por um caminh\u00e3o de sete toneladas com todos os envolvidos\u201d, explicou. \u201cOs jovens v\u00eam todos os dias, recolhem e carregam a areia e recebem no final da jornada\u201d, acrescentou. Kemboi cobra o equivalente a US$ 58 por sete toneladas de areia, 20% dos quais divide entre mineradores, carregadores e motoristas dos caminh\u00f5es.<\/p>\n<p>Jack Omare, pai de dois filhos, contou \u00e0 IPS que trabalha na pedreira de Kemboi desde 1992 e que escapou da morte em tr\u00eas oportunidades. O pior acidente foi quando as paredes de areia desabaram, empurrando ele e o motorista do caminh\u00e3o para o rio Ndarugu, mas, felizmente, sobreviveu. Omare disse que, em um dia normal, ganha no m\u00ednimo 300 chelines quenianos (cerca de US$ 3), o que d\u00e1 para pagar apenas uma refei\u00e7\u00e3o para ele, a mulher e os filhos.<\/p>\n<p>A areia se torna um elemento necess\u00e1rio no auge da constru\u00e7\u00e3o que move a crescente urbaniza\u00e7\u00e3o e o r\u00e1pido crescimento econ\u00f4mico no Qu\u00eania. O Informe Econ\u00f4mico 2013, do Instituto de An\u00e1lises e Pesquisas de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Qu\u00eania, previa que a economia cresceria cerca de 5,5% em 2013 e 6,3% este ano, acima dos 4,6% de 2012.<\/p>\n<p>Anne Waiguru, secret\u00e1ria do Minist\u00e9rio de Planejamento e Descentraliza\u00e7\u00e3o, afirmou \u00e0 IPS que a popula\u00e7\u00e3o urbana aumenta ao ritmo de 4% ao ano. A situa\u00e7\u00e3o, segundo ela, pode ser atribu\u00edda \u00e0 viol\u00eancia p\u00f3s-eleitoral de 2008, bem como \u00e0 migra\u00e7\u00e3o de jovens do campo em busca de trabalho. Muitos destes t\u00eam poucos recursos e se dedicam \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de areia como forma r\u00e1pida de fazer dinheiro, apesar dos riscos devido \u00e0s m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Karanja disse \u00e0 IPS que decidiu, \u201caos 14 anos, suspender os estudos na escola de Kaptembwa para carregar areia em caminh\u00f5es e assim poder comprar material escolar\u201d, mas logo abandonou a escola e nunca fez o curso secund\u00e1rio. Para Mary Muthoni, do departamento de bem-estar infantil do governo local, cerca de tr\u00eas mil jovens, na maioria menores de idade, trabalham em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es, entre os quais est\u00e3o os que extraem areia.<\/p>\n<p>Um funcion\u00e1rio da estatal Sociedade de Bem-Estar Infantil, que pediu para n\u00e3o ser identificado, apontou \u00e0 IPS que os jovens que trabalham na pedreira est\u00e3o expostos a materiais t\u00f3xicos, o que aumenta a probabilidade de desenvolverem enfermidades respirat\u00f3rias. Em 2013, a Autoridade Nacional de Gest\u00e3o Ambiental (Nema) ordenou o fechamento das pedreiras de Nakuru, ap\u00f3s den\u00fancias de que a extra\u00e7\u00e3o de areia contribu\u00eda para a degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>A atividade contribu\u00eda com a sedimenta\u00e7\u00e3o do rio Ndarugu e colocava em risco os servi\u00e7os p\u00fablicos da regi\u00e3o e a infraestrutura, como estradas e escolas. \u201cA proibi\u00e7\u00e3o continua em vigor. Como autoridade, n\u00e3o temos problema em fazer cumprir a lei, mas consideramos a vida de milhares de jovens que ficariam sem trabalho\u201d, explicou \u00e0 IPS o diretor da Nema, Wilfred Osumo.<\/p>\n<p>As pessoas que querem continuar com o neg\u00f3cio, especialmente os propriet\u00e1rios de pedreiras, devem solicitar uma avalia\u00e7\u00e3o de impacto ambiental \u00e0 Nema, que custa 0,1% do projeto total. O Guia Nacional para Coletar Areia, divulgado pela Nema em 2007, estipula que a atividade est\u00e1 restrita ao leito do rio e que n\u00e3o \u00e9 permitida em suas margens, para evitar a amplia\u00e7\u00e3o do curso fluvial.<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o de areia no vale do Rift acontece ao longo do rio, mas o material \u00e9 de m\u00e1 qualidade em compara\u00e7\u00e3o a outras partes da prov\u00edncia Oriental, em Machakos, Kitui e Makueni\u201d, pontuou \u00e0 IPS o professor Jackson Kitetu, que pesquisa esse assunto na Universidade de Kabarak. Um estudo realizado entre 1993 e 1997 revela que na prov\u00edncia Oriental a atividade gerou 30 mil postos e trabalho.<\/p>\n<p>Apesar dos riscos que apresenta, as pessoas continuar\u00e3o extraindo areia. Mike Mwangi, motorista com autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar nas pedreiras, disse \u00e0 IPS que prefere essa fonte de renda, apesar dos riscos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nakuru, Qu&ecirc;nia, 18\/8\/2014 &ndash; Allan Karanja se dedica a extrair areia na prov&iacute;ncia do vale do Rift, no Qu&ecirc;nia. Este jovem de 22 anos realiza um &aacute;rduo trabalho de cavar profundos buracos usando apenas uma p&aacute; e uma alavanca e sem equipamento de seguran&ccedil;a. O trabalho, al&eacute;m disso, pode ser mortal. 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