{"id":17838,"date":"2014-08-20T14:05:20","date_gmt":"2014-08-20T14:05:20","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=119311"},"modified":"2014-08-20T14:05:20","modified_gmt":"2014-08-20T14:05:20","slug":"costa-do-marfim-uma-ilha-em-um-mar-de-ebola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/costa-do-marfim-uma-ilha-em-um-mar-de-ebola\/","title":{"rendered":"Costa do Marfim, uma ilha em um mar de ebola"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_119313\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ebola1.jpg\"><img class=\"wp-image-119313\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ebola1.jpg\" alt=\"ebola1 Costa do Marfim, uma ilha em um mar de ebola\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Costa do Marfim, uma ilha em um mar de ebola\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Em Gueyede, uma aldeia da Costa do Marfim, Serge Tian traduz a mensagem do subprefeito, Kouassi Koffi, para que as pessoas possam reconhecer o v\u00edrus ebola e evitar sua infec\u00e7\u00e3o. Foto: Marc-Andre Boisvert\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gueyede, Costa do Marfim, 20\/8\/2014 \u2013 Todos os habitantes de Gueyede, um aldeia da Costa do Marfim, se reuniram para ouvir atentamente o subprefeito, Kouassi Koffi. \u201cN\u00e3o podemos permitir a autocomplac\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel que n\u00e3o saibam sobre o ebola. E \u00e9 melhor que seja assim\u201d, disse o subprefeito e m\u00e1xima autoridade da regi\u00e3o. Koffi explicou aos moradores como se contrai o v\u00edrus e como reconhecer os sintomas b\u00e1sicos da febre hemorr\u00e1gica do ebola, com apoio de Serge Tian como tradutor.<\/p>\n<p>O subprefeito manteve centenas de reuni\u00f5es deste tipo desde que em mar\u00e7o surgiram os primeiros casos de ebola na Guin\u00e9. Viaja de povoado em povoado na regi\u00e3o de Tiobli a seu cargo, e frequentemente visita a mesma localidade tr\u00eas ou quatro vezes, para dar a mesma mensagem. \u201c\u00c9 muito trabalho. Mas creio que a popula\u00e7\u00e3o entende\u201d, afirmou Koffi \u00e0 IPS, enquanto dirigia sua caminhonete.<\/p>\n<p>Outros funcion\u00e1rios t\u00eam as mesmas reuni\u00f5es em outras \u00e1reas da Costa do Marfim. Este pa\u00eds da \u00c1frica Ocidental de 22 milh\u00f5es de habitantes ainda n\u00e3o teve casos de ebola, mas a fronteira com a Lib\u00e9ria est\u00e1 a poucos quil\u00f4metros e o epicentro do foco atual fica a cerca de cem quil\u00f4metros de Serra Leoa, Lib\u00e9ria e Guin\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o devemos esperar pelo primeiro caso da doen\u00e7a para tomar medidas. A mobiliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 importante porque o Estado n\u00e3o pode estar em todas as partes\u201d, disse a ministra da Sa\u00fade, Raymonde Goudou Coffie, em entrevista coletiva no dia 14. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) declarou fora de controle a epidemia nos quatro pa\u00edses da \u00c1frica Ocidental onde se propaga: Guin\u00e9, Lib\u00e9ria, Nig\u00e9ria e Serra Leoa. A Costa do Marfim tem fronteiras com os dois primeiros.<\/p>\n<p>Muitos temem que a Costa do Marfim seja o pr\u00f3ximo pa\u00eds a ser atingido pelo foco mais grave da doen\u00e7a desde sua descoberta, em 1976. Nos \u00faltimos cinco meses foram registradas mais de mil mortes, com um total de infectados bem pr\u00f3ximo de duas mil pessoas. Mas a OMS alertou, no dia 15 deste m\u00eas, que esses n\u00fameros est\u00e3o bem abaixo do real.<\/p>\n<p>Quando surgiram os primeiros casos na Guin\u00e9, o governo da Costa do Marfim tomou v\u00e1rias medidas preventivas, como cria\u00e7\u00e3o de centros avan\u00e7ados de detec\u00e7\u00e3o e proibi\u00e7\u00e3o do consumo de carne de animais silvestres, que se acredita seja um vetor de contamina\u00e7\u00e3o do ebola. Grande parte da prote\u00edna consumida em Gueyede procede dessa carne. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil mudar um h\u00e1bito alimentar, mas o governo fechou todos os mercados da regi\u00e3o que vendiam carne silvestre.<\/p>\n<p>\u201cPodemos comer pescado, mas n\u00e3o carne de animal silvestre. Podemos comer crocodilo?\u201d, perguntou o chefe de Gueyede, Bernard Gole Koehiwon. Desconcertado, o subprefeito passou a pergunta ao enfermeiro da \u00e1rea, Drissa Soro. \u201cN\u00e3o tenho certeza, mas creio que seja seguro. Vou verificar\u201d, respondeu Soro. A dieta n\u00e3o basta para deter a propaga\u00e7\u00e3o de uma doen\u00e7a que j\u00e1 matou quase 60% das pessoas infectadas e que \u00e9 transmitida principalmente pelos fluidos corporais.<\/p>\n<p>Nas reuni\u00f5es p\u00fablicas as pessoas aprendem o que podem fazer se algu\u00e9m aparece infectado com o ebola, e tamb\u00e9m trocam opini\u00f5es, averiguam como se propaga e aprendem a discernir sobre fatos e boatos. Koffi tem uma \u00e1rdua tarefa para explicar o perigo que implica receber um familiar que vem da Lib\u00e9ria. Os grupos \u00e9tnicos da Costa do Marfim est\u00e3o separados pela fronteira liberiana e as fam\u00edlias est\u00e3o divididas entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 50 mil marfinenses continuam refugiados em acampamentos da Lib\u00e9ria, para onde fugiram devido \u00e0 viol\u00eancia desencadeada ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 2010-2011 entre for\u00e7as do mandat\u00e1rio em exerc\u00edcio e do presidente eleito. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil mudar os h\u00e1bitos aliment\u00edcios nem se distanciar dos familiares. Mas as autoridades da Costa do Marfim apostam que a mudan\u00e7a ser\u00e1 poss\u00edvel mediante a educa\u00e7\u00e3o entre iguais.<\/p>\n<p>Quando o subprefeito parte, os dirigentes da comunidade continuam com a difus\u00e3o de sua mensagem. Cada povoado cria um comit\u00ea de coordena\u00e7\u00e3o que incorpora v\u00e1rios membros de todas as idades e g\u00eaneros para seguir a discuss\u00e3o. \u201cEssas aldeias est\u00e3o muito isoladas, e a algumas n\u00e3o se pode chegar de carro\u201d, explicou Koffi. N\u00e3o seria poss\u00edvel conter uma pandemia sem o apoio da comunidade, ressaltou.<\/p>\n<p>Soro concorda com essa opini\u00e3o. \u201cEstou em estado de alerta desde mar\u00e7o. Cada vez que vejo algu\u00e9m, falo sobre o ebola. Tento confirmar se h\u00e1 poss\u00edveis casos\u201d, contou \u00e0 IPS. Como n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dicos na regi\u00e3o, Soro \u00e9 a fonte mais qualificada de aproximadamente seis mil habitantes. Embora viaje entre os povoados com sua pequena motocicleta, n\u00e3o tem tempo de visitar todos. \u201cOs auxiliares comunit\u00e1rios de sa\u00fade s\u00e3o necess\u00e1rios. Sabem como falar \u00e0 sua comunidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Albertina Beh Kbenon faz parte do comit\u00ea de coordena\u00e7\u00e3o em Gueyede. \u201cNo come\u00e7o pensamos que o ebola fosse uma brincadeira, um boato inventado\u201d, disse \u00e0 IPS. Mas agora leva a amea\u00e7a t\u00e3o a s\u00e9rio que vai de porta em porta para falar sobre a amea\u00e7a da doen\u00e7a com seus vizinhos. Ela mesma desconfiava do que diziam as autoridades.<\/p>\n<p>Mas se deu conta da gravidade do problema quando os meios de comunica\u00e7\u00e3o locais e internacionais, especialmente o r\u00e1dio, transmitiram a informa\u00e7\u00e3o. \u201cNa Lib\u00e9ria consideraram uma brincadeira. Acreditavam que o governo mentia. Isso os matou. N\u00e3o queremos o mesmo aqui\u201d, afirmou Kbenon.<\/p>\n<p><strong>Fatos, n\u00e3o boatos<\/strong><\/p>\n<p>O ebola s\u00f3 contagia quando os sintomas se manifestam. Estes aparecem entre dois e 21 dias ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o: febre, dor de cabe\u00e7a, diarreia, v\u00f4mitos, debilidade, dor estomacal, falta de apetite, hemorragias sem motivos, dores musculares e nas articula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O primeiro foco surgiu em mar\u00e7o em quatro pa\u00edses da \u00c1frica Ocidental: Guin\u00e9, Lib\u00e9ria, Nig\u00e9ria e Serra Leoa. O \u00edndice de mortalidade da doen\u00e7a \u00e9 de cerca de 60% dos infectados, e \u00e9 transmitida principalmente por morcegos, e deles para os macacos e outros animais silvestres. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Gueyede, Costa do Marfim, 20\/8\/2014 &ndash; Todos os habitantes de Gueyede, um aldeia da Costa do Marfim, se reuniram para ouvir atentamente o subprefeito, Kouassi Koffi. &ldquo;N&atilde;o podemos permitir a autocomplac&ecirc;ncia. &Eacute; poss&iacute;vel que n&atilde;o saibam sobre o ebola. 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