{"id":17843,"date":"2014-08-21T13:34:06","date_gmt":"2014-08-21T13:34:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=119412"},"modified":"2014-08-21T13:34:06","modified_gmt":"2014-08-21T13:34:06","slug":"bombas-barril-ilegais-arrasam-o-que-resta-de-alepo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/bombas-barril-ilegais-arrasam-o-que-resta-de-alepo\/","title":{"rendered":"Bombas-barril ilegais arrasam o que resta de Alepo"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_119413\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alepo20082014.jpg\"><img class=\"wp-image-119413\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alepo20082014.jpg\" alt=\"alepo20082014 Bombas barril ilegais arrasam o que resta de Alepo\" width=\"529\" height=\"387\" title=\"Bombas barril ilegais arrasam o que resta de Alepo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">[\/media-credit] Membro da defesa civil de Alepo busca sobreviventes ap\u00f3s o ataque a\u00e9reo com uma bomba-barril nesta cidade s\u00edria este m\u00eas. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>&nbsp;<\/p>\n<p>Alepo, S\u00edria, 21\/8\/2014 \u2013 As congestionadas ruas pr\u00f3ximas \u00e0 Cidade Velha de Alepo, a segunda maior cidade da S\u00edria e outrora um centro industrial e comercial, costumavam estar repletas de oficinas mec\u00e2nicas. Agora, pe\u00e7as de ve\u00edculos, ferro-velho, trinitrotolueno (TNT) e outros materiais explosivos s\u00e3o colocados em barris de petr\u00f3leo, tanques de \u00e1gua ou outros recipientes cil\u00edndricos de grande tamanho que as for\u00e7as do governo de Bashar al Assad transformam em bombas-barril ao jog\u00e1-las de helic\u00f3pteros sobre \u00e1reas povoadas da cidade em poder da insurg\u00eancia.<\/p>\n<p>O uso de bombas-barril viola a Resolu\u00e7\u00e3o 2139 do Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que em 22 de fevereiro ordenou ao governo e aos numerosos grupos insurgentes, em guerra desde mar\u00e7o de 2011, que deixassem de usar indiscriminadamente as bombas-barril em \u00e1reas povoadas. No entanto, as for\u00e7as governamentais intensificaram esse tipo de bombardeio.<\/p>\n<p>Nos dias que passou na cidade este m\u00eas, a IPS ouviu com frequ\u00eancia o estrondo das bombas, tanto durante o dia quanto \u00e0 noite, e visitou v\u00e1rios lugares povoados que sofreram bombardeios recentes. Era comum ver as unidades de defesa civil organizadas pela comunidade tentando retirar sobreviventes dos escombros, embora muitas vezes sem \u00eaxito.<\/p>\n<p>No final de julho, um informe da Human Rights Watch disse que esta organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos identificou, mediante imagens obtidas por sat\u00e9lite, \u201cpelo menos 380 locais danificados\u201d pelas bombas \u201cnas \u00e1reas de Alepo sob controle de grupos armados n\u00e3o estatais\u201d, entre 31 de outubro de 2013 e 22 de fevereiro deste ano. Desde ent\u00e3o a HRW identificou mais de 650 marcas de impacto provocadas pelas bombas nessas \u00e1reas, o que implica um aumento consider\u00e1vel.<\/p>\n<p>Dezesseis de julho foi um dos dias mais mort\u00edferos dos \u00faltimos meses na cidade, quando os bombardeios mataram 68 civis, segundo o Centro de Documenta\u00e7\u00e3o de Viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos na S\u00edria. A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apontou que, entre 22 de fevereiro e 22 de julho, os ataques a\u00e9reos provocaram a morte de 1.655 civis na prov\u00edncia de Alepo.<\/p>\n<p>Um funcion\u00e1rio da cidade de Alepo disse \u00e0 IPS que restam menos de 400 mil habitantes dos aproximadamente 1,5 milh\u00e3o que havia antes na zona metropolitana da cidade, e acrescentou que a maioria dos que fugiram nos \u00faltimos meses se refugiou em outras partes do pa\u00eds. Todos os meses \u00e9 feita a contagem do n\u00famero de habitantes para calcular a quantidade de alimentos e outros suprimentos solicitados \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es doadoras, devido ao enorme deslocamento de popula\u00e7\u00e3o atualmente, acrescentou.<\/p>\n<p>A \u00fanica estrada que leva \u00e0 fronteira com a Turquia est\u00e1 em poder da insurg\u00eancia e corre o risco de cair sob controle do extremista Estado Isl\u00e2mico do Iraque e o Levante (Isis), ainda que os grupos armados da oposi\u00e7\u00e3o consigam conter o avan\u00e7o das for\u00e7as do governo. As for\u00e7as de Assad procuram impor o estado de s\u00edtio nas zonas de Alepo sob controle rebelde para for\u00e7ar sua rendi\u00e7\u00e3o, como fizeram com outras cidades no resto da S\u00edria.<\/p>\n<p>A expuls\u00e3o do jihadista Isis de extensas \u00e1reas que n\u00e3o est\u00e3o sob controle do governo foi poss\u00edvel exclusivamente gra\u00e7as \u00e0 luta da insurg\u00eancia e \u00e9 prov\u00e1vel que muitos dos insurgentes sejam executados se o grupo fundamentalista ingressar novamente na cidade, uma possibilidade que contaria com o consentimento oficial. O governo n\u00e3o jogou bomba-barril contra o Isis, nem sobre o territ\u00f3rio em seu poder. De fato, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, as for\u00e7as armadas s\u00edrias s\u00f3 atacavam em escassas ocasi\u00f5es as \u00e1reas controladas por esse grupo.<\/p>\n<p>Desde que o Isis tomou o poder na cidade de Yarabulus, pertencente \u00e0 prov\u00edncia de Alepo, \u201cn\u00e3o houve um s\u00f3 ataque\u201d do governo a essa \u00e1rea, assegurou um ativista local que agora vive na vizinha Turquia, depois de terem suspeitado que ele \u201cfalou negativamente\u201d do grupo extremista. Por outro lado, os cilindros cheios de TNT lan\u00e7ados pelas for\u00e7as governamentais s\u00edrias nos \u00faltimos meses destru\u00edram a escassa capacidade produtiva que restava \u00e0 cidade, conhecida mundialmente por seu sabonete de \u00f3leo de oliva e seus t\u00eaxteis, entre outros produtos locais.<\/p>\n<p>Aya Jamili, outro ativista que se refugiou na Turquia, contou \u00e0 IPS que as poucas empresas que se mantiveram em funcionamento em Alepo durante os sucessivos anos do conflito se mudaram para o vizinho pa\u00eds nos \u00faltimos meses com seus equipamentos, seu investimento ou as duas coisas, para come\u00e7ar de novo.<\/p>\n<p>Muitas das atividades necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia cotidiana de Alepo agora s\u00e3o realizadas debaixo da terra. As unidades de defesa civil transformaram estruturas subterr\u00e2neas em abrigos, onde tamb\u00e9m foi celebrado o final do m\u00eas sagrado do Ramad\u00e3, no final de julho. Qualquer reuni\u00e3o na rua teria chamado a aten\u00e7\u00e3o do governo. Muitas pessoas se mudaram para os por\u00f5es, como fizeram alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o e padarias, que trabalham \u00e0 noite para n\u00e3o serem alvo dos ataques.<\/p>\n<p>Frutas e verduras s\u00e3o vendidas em pontos nas ruas mais pr\u00f3ximas das \u00e1reas do governo, que s\u00e3o mais seguras porque as for\u00e7as oficiais n\u00e3o jogam bombas-barril perto do territ\u00f3rio sob seu controle, j\u00e1 que n\u00e3o se pode determinar com precis\u00e3o onde cair\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda existe o constante perigo dos franco-atiradores e, para reduzir ao m\u00ednimo sua visibilidade, em algumas ruas foram pendurados grandes peda\u00e7os de pano, que agora est\u00e3o crivados de balas. As ruas mais afastadas, antes movimentadas e at\u00e9 congestionadas pelo tr\u00e2nsito e pelas pessoas, parecem desolados terrenos baldios.<\/p>\n<p>No caminho que leva para fora da cidade ca\u00edram duas bombas-barril em r\u00e1pida sucess\u00e3o enquanto a IPS percorria a \u00e1rea. \u201cOs helic\u00f3pteros s\u00f3 levam dois desses barris cada um, assim isso ser\u00e1 tudo no momento\u201d, assegurou o motorista. Mas, em seguida, um terceiro e ensurdecedor impacto sacudiu os arredores. Mais adiante na estrada, as placas indicando o caminho para \u201cSheikh Najjar, cidade industrial\u201d est\u00e3o cheias de buracos de bala, e \u00e0 dist\u00e2ncia se observa um cen\u00e1rio apocal\u00edptico de pr\u00e9dios em ru\u00ednas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Alepo, S&iacute;ria, 21\/8\/2014 &ndash; As congestionadas ruas pr&oacute;ximas &agrave; Cidade Velha de Alepo, a segunda maior cidade da S&iacute;ria e outrora um centro industrial e comercial, costumavam estar repletas de oficinas mec&acirc;nicas. 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