{"id":17851,"date":"2014-08-25T12:58:53","date_gmt":"2014-08-25T12:58:53","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=119639"},"modified":"2014-08-25T12:58:53","modified_gmt":"2014-08-25T12:58:53","slug":"migrantes-deportados-dos-estados-unidos-sem-protecao-na-fronteira-mexicana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/migrantes-deportados-dos-estados-unidos-sem-protecao-na-fronteira-mexicana\/","title":{"rendered":"Migrantes deportados dos Estados Unidos sem prote\u00e7\u00e3o na fronteira mexicana"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_119641\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Chica-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-119641\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Chica-629x472.jpg\" alt=\"Chica 629x472 Migrantes deportados dos Estados Unidos sem prote\u00e7\u00e3o na fronteira mexicana\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Migrantes deportados dos Estados Unidos sem prote\u00e7\u00e3o na fronteira mexicana\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Deportado pelos Estados Unidos dorme debaixo da ponte fronteiri\u00e7a sobre o rio Tijuana, em El Bordo, o ponto mais ao norte do M\u00e9xico, ao lado da fronteira. Foto: Daniela Pastrana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tijuana, M\u00e9xico, 25\/8\/2014 \u2013 As partes debaixo das pontes do canal do rio Tijuana, na parte mais ao norte do M\u00e9xico, est\u00e3o transformadas em enormes banheiros. Muitas pessoas dormem em habit\u00e1culos de papel\u00e3o e telas, em buracos feitos na terra, esgoto, pontes e ladeiras do canal, ao longo dos dois quil\u00f4metros entre o leste da cidade e a barreira fronteiri\u00e7a com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>O mau cheiro \u00e9 terr\u00edvel. \u00c0s 7 horas da manh\u00e3 os consumidores de hero\u00edna, que aqui \u00e9 comprada por US$ 2, agradecem o a\u00e7\u00facar de alguns chocolates. \u201cEsta \u00e9 a cidade de El Bordo\u201d, diz um deles \u00e0 IPS, com as m\u00e3os estendidas e um sorriso torto. \u00c9 a cidade dos sem nada. O lar debaixo da ponte fronteiri\u00e7a de dezenas de indigentes e migrantes deportados que decidiram esperar melhores tempos para cruzar a fronteira selada, e que sobrevivem limpando autom\u00f3veis, carregando pacotes no mercado, trabalhando como pedreiros, reciclando lixo ou pedindo dinheiro nas ruas da cidade fronteiri\u00e7a de Tijuana.<\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o que mora em El Bordo \u00e9 uma mostra das condi\u00e7\u00f5es extremas que podem enfrentar os deportados mais vulner\u00e1veis no M\u00e9xico\u201d, diz o estudo <em>Estimativa e Caracteriza\u00e7\u00e3o da Popula\u00e7\u00e3o Residente em El Bordo do Canal do Rio Tijuana<\/em>. Elaborado pelo Col\u00e9gio da Fronteira Norte (Colef), o documento contabilizou entre 700 e mil pessoas vivendo neste lugar durante agosto e setembro de 2013.<\/p>\n<p>O informe acrescenta que os moradores de El Bordo s\u00e3o majoritariamente homens, de aproximadamente 40 anos, deportados nos \u00faltimos quatro anos, viciados (alguns come\u00e7aram a consumir drogas neste lugar) e sem nenhum documento de identidade. O estudo afirma, ainda, que mais da metade fala ingl\u00eas, e inclusive t\u00eam n\u00edveis de escolaridade semelhantes aos dos residentes de Tijuana, e apenas 6% pensa em voltar para seu lugar de origem, apesar de a maioria ter filhos.<\/p>\n<p>\u201cEsses resultados mostram que as deporta\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos para o M\u00e9xico est\u00e3o causando separa\u00e7\u00f5es familiares e, especificamente, a separa\u00e7\u00e3o dos pais do ambiente dom\u00e9stico, o que provoca a ruptura de projetos individuais e familiares, acabando com a possibilidade de integra\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds de resid\u00eancia dos demais membros da fam\u00edlia\u201d, afirma o estudo, coordenado por Laura Velasco, pesquisadora do Departamento de Estudos Culturais do Colef.<\/p>\n<p>A 2.780 quil\u00f4metros da cidade do M\u00e9xico, Tijuana \u00e9 a \u00faltima ponta ao norte do pa\u00eds. Pertence \u00e0 pen\u00ednsula do Estado da Baixa Calif\u00f3rnia e faz fronteira com San Diego, nos Estados Unidos. Em 2012, esta cidade recebeu 59.845 das 409.849 pessoas deportadas pelo governo norte-americano. Isto \u00e9, cerca de sete deportados por hora. Desde seu in\u00edcio em 2009, o governo do presidente Barack Obama j\u00e1 superou os dois milh\u00f5es de deporta\u00e7\u00f5es e se converteu na administra\u00e7\u00e3o que mais expulsou pessoas em situa\u00e7\u00e3o ilegal.<\/p>\n<p>Com 1,7 milh\u00e3o de habitantes, Tijuana ocupa o primeiro lugar em porcentagem de narcodependentes de todo o pa\u00eds. \u00c9 base de cart\u00e9is do tr\u00e1fico de drogas, agora enfraquecidos, e considerada uma das cidades mais violentas do M\u00e9xico. Durante d\u00e9cadas foi a principal porta de entrada de migrantes para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Mas os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York provocaram uma mudan\u00e7a na pol\u00edtica migrat\u00f3ria e a fronteira mexicana foi selada, for\u00e7ando os imigrantes ilegais a buscarem rotas cada vez mais perigosas, enquanto a seguran\u00e7a passou de 3.500 agentes da Patrulha Fronteiri\u00e7a dos Estados Unidos, em 2005, para 21 mil no ano passado. O M\u00e9xico tem 3.500 quil\u00f4metros de fronteira com os Estados Unidos. A Baixa Calif\u00f3rnia, vizinha a San Diego e Arizona, recebe um ter\u00e7o dos deportados e \u00e9 o Estado com maior n\u00famero de residentes estrangeiros.<\/p>\n<p>A 177 quil\u00f4metros de Tijuana fica a capital do Estado, Mexicali, onde o calor de agosto pode matar qualquer um \u2013 chega a 50 graus cent\u00edgrados \u2013 e as pessoas que n\u00e3o t\u00eam ar-condicionado dormem nas varandas. Mexicali tem seu \u201cmini Bordo\u201d: os pr\u00e9dios Montealb\u00e1n, destru\u00eddos por um terremoto em 2010, na margem oriental do agora inexistente rio Nuevo, a alguns metros do centro hist\u00f3rico de Mexicali.<\/p>\n<p>Ali vivem cerca de 80 pessoas, entre indigentes locais e migrantes deportados que t\u00eam algum v\u00edcio. Entre as ru\u00ednas dos pr\u00e9dios s\u00e3o encontrados cad\u00e1veres, o \u00faltimo no dia 15 de abril, e continuamente h\u00e1 inc\u00eandios e opera\u00e7\u00f5es policiais.<\/p>\n<p>\u201cVivo aqui porque n\u00e3o h\u00e1 outro lugar. No albergue fico agoniado, h\u00e1 muita gente\u201d, contou \u00e0 IPS um guatemalteco de 33 anos chamado Josu\u00e9, que foi deportado no dia 1\u00ba de agosto de 2013 e s\u00f3 tem uma coisa em mente: regressar aos Estados Unidos. J\u00e1 tentou por Nogales, no Estado de Sonora, mas n\u00e3o p\u00f4de passar. Disseram a ele que por aqui \u00e9 mais f\u00e1cil e s\u00f3 espera que \u201cpasse o calor\u201d para tentar novamente. \u201cCheguei \u00e0 Calif\u00f3rnia aos dez anos, na Guatemala j\u00e1 n\u00e3o tenho mais nada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Outro estudo do Colef sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o das pessoas deportadas, que s\u00f3 faz refer\u00eancia \u00e0s mexicanas, alerta sobre seu estado de sa\u00fade. \u201cExiste uma alarmante diferen\u00e7a de sintomas emocionais entre os deportados, quase 20 vezes mais do que os apresentados pelos que regressam voluntariamente\u201d, diz o estudo, baseado em pesquisas sobre a sa\u00fade dos deportados feitas por Letza Boj\u00f3rquez, pesquisadora do Departamento de Estudos sobre Popula\u00e7\u00e3o, do Colef.<\/p>\n<p>Com dados da Pesquisa sobre Migra\u00e7\u00e3o da Fronteira Norte, o estudo detectou que 40% da popula\u00e7\u00e3o migrante que sobrevive na rua apresenta problemas emocionais e 12% responde afirmativamente ao serem perguntados se alguma vez pensaram em se suicidar. Al\u00e9m disso, nos \u00faltimos cinco anos aumentou a separa\u00e7\u00e3o familiar em consequ\u00eancia das deporta\u00e7\u00f5es. Um dado dimensiona o fen\u00f4meno: enquanto em 2007 apenas 20% dos repatriados foram deportados sem seus familiares, em 2012 esta porcentagem subiu para 77%.<\/p>\n<p>\u201cO problema aqui \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma pol\u00edtica de aten\u00e7\u00e3o aos deportados. Come\u00e7aram a chegar centenas de deportados e n\u00e3o havia nenhuma institui\u00e7\u00e3o preparada para receb\u00ea-los\u201d, explicou \u00e0 IPS o ativista Sergio Tamai, diretor do Albergue Hotel Migrante, em Mexicali, e l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o Anjos Sem Fronteiras.<\/p>\n<p>Entre agosto e novembro de 2013, Tamai encabe\u00e7ou uma campanha de 800 pessoas na Pra\u00e7a Constitui\u00e7\u00e3o, em Tijuana, para exigir programas de aten\u00e7\u00e3o aos migrantes, deportados e em situa\u00e7\u00e3o de rua. O trabalho das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e de grupos religiosos para pressionar as autoridades deu alguns frutos.<\/p>\n<p>No dia 7 de agosto, o Congresso da Baixa Calif\u00f3rnia aprovou a Lei para a Prote\u00e7\u00e3o dos Direitos e Apoio aos Migrantes do Estado, que estabelece a obriga\u00e7\u00e3o do Sistema Estatal para o Desenvolvimento Integral da Fam\u00edlia de proporcionar assist\u00eancia social a menores e adolescentes migrantes n\u00e3o acompanhados, bem como a cria\u00e7\u00e3o do Registro Estatal de Migrantes.<\/p>\n<p>\u00c9 o primeiro Estado a fazer isso, depois que em 2011 o Congresso mexicano aprovou a cria\u00e7\u00e3o de uma nova Lei de Migra\u00e7\u00e3o, que substituiu a de 1947 e que ampara juridicamente as pessoas em tr\u00e2nsito pelo M\u00e9xico. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Tijuana, M&eacute;xico, 25\/8\/2014 &ndash; As partes debaixo das pontes do canal do rio Tijuana, na parte mais ao norte do M&eacute;xico, est&atilde;o transformadas em enormes banheiros. 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