{"id":17868,"date":"2014-08-27T13:22:23","date_gmt":"2014-08-27T13:22:23","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=119806"},"modified":"2014-08-27T13:22:23","modified_gmt":"2014-08-27T13:22:23","slug":"confianca-a-chave-na-luta-contra-o-ebola-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/confianca-a-chave-na-luta-contra-o-ebola-na-africa\/","title":{"rendered":"Confian\u00e7a: a chave na luta contra o ebola na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_119808\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/saludebola.jpg\"><img class=\"wp-image-119808\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/saludebola.jpg\" alt=\"saludebola Confian\u00e7a: a chave na luta contra o ebola na \u00c1frica\" width=\"529\" height=\"347\" title=\"Confian\u00e7a: a chave na luta contra o ebola na \u00c1frica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um trabalhador da sa\u00fade coloca os p\u00e9s em um recipiente com \u00e1gua e hipoclorito de s\u00f3dio, ao sair de uma barraca de campanha de isolamento durante uma simula\u00e7\u00e3o de ebola no hospital de Biankouman, na Costa do Marfim. Foto: Marc-Andre Boisvert\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Abdij\u00e3, Costa do Marfim, 27\/8\/2010 \u2013 O enfermeiro coloca o cad\u00e1ver com cuidado em um saco pl\u00e1stico, deixa a barraca de campanha de isolamento e coloca os p\u00e9s em um recipiente com \u00e1gua e hipoclorito de s\u00f3dio. Tira os \u00f3culos de seguran\u00e7a, as luvas e a m\u00e1scara e os queima em um tambor. \u00c9 observado por centenas de pessoas atr\u00e1s de um cord\u00e3o de isolamento, incluindo a ministra da Sa\u00fade da Costa do Marfim, Raymonde Goudou Coffie, e representantes dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, entre eles a IPS.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 risco para essas pessoas, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 casos de ebola na Costa do Marfim, apesar de o v\u00edrus j\u00e1 ter matado 60% dos infectados no atual foco na \u00c1frica Ocidental. E o cad\u00e1ver \u00e9 um manequim. Trata-se de uma simula\u00e7\u00e3o realizada no hospital distrital de Biankouma, no oeste do pa\u00eds. \u201cQueremos testar os equipamentos m\u00e9dicos. E ver o que podemos fazer para melhorar nossa rea\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou a ministra, farmac\u00eautica de profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A professora Edinie Veh Gale \u00e9 uma das observadoras. A explica\u00e7\u00e3o para a simula\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o est\u00e1 traduzida para o yacuba, o idioma local, por isso muita gente n\u00e3o entende. Mas pelo menos despertou a curiosidade das pessoas que foram atr\u00e1s da informa\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS em franc\u00eas.<\/p>\n<p>A epidemia atual, que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) declarou \u201cfora de controle\u201d, se concentra em Guin\u00e9, Lib\u00e9ria, Nig\u00e9ria e Serra Leoa, mas outros pa\u00edses da regi\u00e3o, como a Costa do Marfim, lutam para permanecer s\u00e3os. A Costa do Marfim aplicou r\u00edgidas medidas de controle epidemiol\u00f3gico, como o fechamento de fronteiras e a proibi\u00e7\u00e3o da entrada de pessoas vindas dos pa\u00edses com casos de ebola. Mas alguns neste pa\u00eds de 22 milh\u00f5es de habitantes, se negam a se submeter \u00e0s medidas restritivas.<\/p>\n<p>O ebola foi detectado pela primeira vez em 1976 e os focos posteriores ocorreram em povoados da \u00c1frica central, onde a dist\u00e2ncia e o isolamento ajudaram a conter a enfermidade. Por\u00e9m, o foco atual, o pior de todos, com mais de 1.135 mortos, se estendeu para v\u00e1rias cidades, onde as medidas sanit\u00e1rias t\u00eam um \u00eaxito reduzido.<\/p>\n<p>Susan Shepler, professora da Universidade Americana, com sede em Washington, passou seis semanas em Serra Leoa e na Lib\u00e9ria. A especialista em educa\u00e7\u00e3o e conflitos armados notou que, embora existam alguns avan\u00e7os na sensibiliza\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a, a maioria da popula\u00e7\u00e3o desses pa\u00edses tem uma profunda desconfian\u00e7a da ajuda estatal.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 simplesmente desconfian\u00e7a do Estado, \u00e9 desconfian\u00e7a do sistema\u201d, afirmou Shepler \u00e0 IPS. Os habitantes acreditam que os pol\u00edticos entram no governo para enriquecer e, portanto, n\u00e3o consideram que o Estado possa ajud\u00e1-los, acrescentou. Muitos, especialmente os que vivem em redutos da oposi\u00e7\u00e3o, consideram que o ebola \u00e9 um compl\u00f4 do governo ou uma maldi\u00e7\u00e3o religiosa, explicou.<\/p>\n<p>Nas \u00e1reas infectadas na Guin\u00e9, Lib\u00e9ria e Serra Leoa quase n\u00e3o h\u00e1 servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade nem trabalhadores da sa\u00fade capacitados, destacou a professora. Por isso, \u00e9 dif\u00edcil as popula\u00e7\u00f5es locais confiarem instantaneamente quando nas \u00e1reas afetadas aparecem equipes m\u00e9dicas com muitos recursos e frequentemente com apoio de especialistas estrangeiros<\/p>\n<p>A Costa do Marfim n\u00e3o tem casos de ebola, mas ignora-se se isso se deve ao fato de o pa\u00eds adotar uma estrat\u00e9gia adequada ou se \u00e9 simplesmente uma quest\u00e3o de sorte. O governo refor\u00e7ou a preven\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds. Em mar\u00e7o proibiu a carne de animais silvestres e desde ent\u00e3o adotou v\u00e1rias medidas para conter a epidemia, como controles para detectar a doen\u00e7a nas fronteiras e a proibi\u00e7\u00e3o de voos diretos para as \u00e1reas afetadas.<\/p>\n<p>Agora o governo recomendou que as pessoas n\u00e3o se abracem nem se deem as m\u00e3os e que cumpram rigorosamente as normas de higiene. Tamb\u00e9m pretende gerar a confian\u00e7a das pessoas com a incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0s campanhas de educa\u00e7\u00e3o de autoridades locais e pessoal m\u00e9dico conhecido pelas comunidades locais.<\/p>\n<p>Em um banco no distrito comercial de Abdij\u00e3, um guarda de seguran\u00e7a oferece desinfetante de m\u00e3os aos clientes que utilizam o caixa autom\u00e1tico. \u201c\u00c9 para sua sa\u00fade\u201d, explica. Em frente a esse banco, os vendedores ambulantes que ajudam os motoristas a estacionarem seus carros se negam a dar a m\u00e3os.<\/p>\n<p>No povoado de Pekanhouebli, oeste do pa\u00eds e perto da fronteira com a Lib\u00e9ria, n\u00e3o h\u00e1 eletricidade nem acesso \u00e0 internet. Mas esta localidade, com forte apoio popular para a oposi\u00e7\u00e3o, criou um comit\u00ea civil para mobilizar as comunidade contra o ebola.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o acredit\u00e1vamos que o ebola fosse verdadeiro. Pens\u00e1vamos que fosse uma doen\u00e7a do homem branco nas cidades, quando as autoridades vieram falar com a gente\u201d, contou \u00e0 IPS Serge Tian. \u201cMas, quando ouvimos no r\u00e1dio, nos demos conta de que era verdade. E come\u00e7amos a ouvir a enfermeira que visitava o povoado\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Tian n\u00e3o d\u00e1 a m\u00e3o ao rep\u00f3rter da IPS quando deixa o povoado. Agora entende um pouco mais sobre como a doen\u00e7a se espalha e sabe o motivo de precisar cumprir as medidas restritivas.<\/p>\n<p><strong>Preven\u00e7\u00e3o do ebola<\/strong><\/p>\n<p>As mensagens de sa\u00fade p\u00fablica que educam a popula\u00e7\u00e3o africana sobre a redu\u00e7\u00e3o do risco de contrair a doen\u00e7a devem estar centrados em:<\/p>\n<p>- redu\u00e7\u00e3o de risco de transmiss\u00e3o por animais silvestres a humanos pelo contato com morcegos ou macacos infectados e pelo consumo de sua carne crua,<\/p>\n<p>- lidar com os animais com luvas e roupa protetora adequada, e os produtos de origem animal, como sangue e carne, devem estar bem cozidos para serem consumidos,<\/p>\n<p>- redu\u00e7\u00e3o do risco de transmiss\u00e3o entre humanos que surge do contato direto ou pr\u00f3ximo com os pacientes infectados, sobretudo com seus fluidos corporais,<\/p>\n<p>- evitar o contato f\u00edsico pr\u00f3ximo com os pacientes de ebola,<\/p>\n<p>- usar luvas e equipamento de prote\u00e7\u00e3o pessoal adequado para cuidar dos doentes em casa.<\/p>\n<p>As comunidades afetadas devem informar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sobre a natureza da enfermidade e as medidas de conten\u00e7\u00e3o, incluindo o sepultamento dos mortos. As pessoas que morrem de ebola devem ser enterradas rapidamente e com medidas de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Fonte: Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.<\/em> Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Abdij&atilde;, Costa do Marfim, 27\/8\/2010 &ndash; O enfermeiro coloca o cad&aacute;ver com cuidado em um saco pl&aacute;stico, deixa a barraca de campanha de isolamento e coloca os p&eacute;s em um recipiente com &aacute;gua e hipoclorito de s&oacute;dio. 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