{"id":17883,"date":"2014-08-29T15:03:29","date_gmt":"2014-08-29T15:03:29","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=119990"},"modified":"2014-08-29T15:03:29","modified_gmt":"2014-08-29T15:03:29","slug":"ongs-pedem-ao-banco-mundial-mais-mudancas-em-informes-sobre-negocios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/ongs-pedem-ao-banco-mundial-mais-mudancas-em-informes-sobre-negocios\/","title":{"rendered":"ONGs pedem ao Banco Mundial mais mudan\u00e7as em informes sobre neg\u00f3cios"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_119992\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/haitisweatshop.jpg\"><img class=\"wp-image-119992\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/haitisweatshop.jpg\" alt=\"haitisweatshop ONGs pedem ao Banco Mundial mais mudan\u00e7as em informes sobre neg\u00f3cios\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"ONGs pedem ao Banco Mundial mais mudan\u00e7as em informes sobre neg\u00f3cios\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Oper\u00e1rios na f\u00e1brica da One World Apparel, em Porto Pr\u00edncipe, confeccionam roupas para exporta\u00e7\u00e3o. Foto: Ansel Herz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 29\/8\/2014 \u2013 Dezoito organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e sindicatos de todo o mundo pediram ao Banco Mundial que reforce uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as que a institui\u00e7\u00e3o aplicar\u00e1 em seu informe anual sobre as facilidades que o setor privado tem para fazer neg\u00f3cios em cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Banco Mundial est\u00e1 nas fases finais da atualiza\u00e7\u00e3o de seu informe <em>Doing Business <\/em>(Fazendo Neg\u00f3cios), uma das an\u00e1lises mais influentes dessa institui\u00e7\u00e3o com sede em Washington e que tamb\u00e9m \u00e9 uma das mais pol\u00eamicas. A primeira rodada de altera\u00e7\u00f5es, programada para entrar em vigor em outubro, \u00e9 insuficiente, segundo seus cr\u00edticos.<\/p>\n<p>No dia 25, as 18 ONGs solicitaram ao Banco Mundial que tome \u201cmedidas urgentes\u201d para implantar \u201cmudan\u00e7as significativas\u201d \u00e0 reforma do <em>Doing Business<\/em>. Em particular, pediram ao Banco Mundial que leve mais em conta as minuciosas recomenda\u00e7\u00f5es feitas em 2013 por uma comiss\u00e3o de revis\u00e3o externa, encomendada pelo pr\u00f3prio banco e presidida por Trevor Manuel, ex-ministro de Planejamento e Finan\u00e7as da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>\u201cParece que ser\u00e3o ignorados os defeitos que a comiss\u00e3o independente encontrou e suas recomenda\u00e7\u00f5es est\u00e3o longe de serem implantadas, embora tenham apoio de um amplo coro de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e de acionistas\u201d, destacou Aldo Caliari, diretor do Projeto Repensar Bretton Woods no Center of Concern, uma organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica dedicada \u00e0 pesquisa e com sede em Washington.<\/p>\n<p>Embora a miss\u00e3o do Banco Mundial seja a luta contra a pobreza no planeta, Caliari e outros discutem se os indicadores do informe <em>Doing Business <\/em>s\u00e3o adequados para os pa\u00edses pobres, enquanto outras vozes garantem que s\u00e3o francamente prejudiciais. Estudos da sociedade civil e da comiss\u00e3o comandada por Manuel assinalaram \u201ca escassa relev\u00e2ncia que t\u00eam os indicadores para as reformas que importam \u00e0s pequenas e m\u00e9dias empresas nos pa\u00edses em desenvolvimento\u201d, segundo Caliari. \u201cParecem mais voltados a apoiar as opera\u00e7\u00f5es das grandes empresas transnacionais nesses pa\u00edses\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O informe <em>Doing Business <\/em>ganhou um peso enorme no Sul em desenvolvimento desde que come\u00e7ou a ser editado, em 2003, e acredita-se que seja utilizado como texto de refer\u00eancia por 85% dos respons\u00e1veis pol\u00edticos do mundo. O n\u00facleo do informe continua sendo um <em>ranking<\/em> de pa\u00edses, conhecido como o \u00edndice de Facilidade para Fazer Neg\u00f3cios, que se baseia em uma complexa s\u00e9rie de indicadores relativos \u00e0s facilidades para as empresas.<\/p>\n<p>O alto perfil do \u00edndice leva inevitavelmente \u00e0 competi\u00e7\u00e3o dos governos para subirem na classifica\u00e7\u00e3o e, assim, atrair o investimento estrangeiro. Mas uma consequ\u00eancia direta desta competi\u00e7\u00e3o \u00e9 que os governos devem cumprir um conjunto uniforme de recomenda\u00e7\u00f5es, como a redu\u00e7\u00e3o de impostos e sal\u00e1rios e o debilitamento geral das normas que regulam o setor privado, o que coloca em risco os pobres, afirmam seus cr\u00edticos.<\/p>\n<p>\u201cA fun\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio \u00e9 informar \u00e0 pol\u00edtica, n\u00e3o expor uma posi\u00e7\u00e3o normativa, como fazem os rankings\u201d, escreveram as 18 ONGs ao presidente do Banco Mundial, Jim Kim, no dia 29 de julho. O <em>Doing Business <\/em>deve apontar para um desenvolvimento dirigido e decidido pelos pr\u00f3prios Estados e apreciar \u201ca import\u00e2ncia das circunst\u00e2ncias, a etapa de desenvolvimento e as op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d de cada pa\u00eds, acrescentaram as entidades.<\/p>\n<p>Em suas recomenda\u00e7\u00f5es de junho, a comiss\u00e3o Manuel exortou o Banco Mundial a abandonar o sistema de <em>ranking<\/em>. \u201c\u00c9 a decis\u00e3o mais importante que o banco enfrenta com rela\u00e7\u00e3o ao informe <em>Doing Business<\/em>\u201d, afirmou. Em resposta, o Banco Mundial est\u00e1 reformando a metodologia de sua classifica\u00e7\u00e3o, o que inclui a amplia\u00e7\u00e3o de sua an\u00e1lise para utilizar os dados de duas cidades na maioria dos pa\u00edses, e n\u00e3o apenas uma como fazia antes. Em termos gerais, o banco continuar\u00e1 oferecendo uma pontua\u00e7\u00e3o relativa para cada pa\u00eds, mas reduzir\u00e1 a import\u00e2ncia da classifica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n<p>\u201cEste enfoque proporcionar\u00e1 aos usu\u00e1rios informa\u00e7\u00e3o adicional, ao mostrar as dist\u00e2ncias relativas entre as economias nas tabelas de classifica\u00e7\u00e3o\u201d, diz um an\u00fancio de abril sobre as mudan\u00e7as. \u201cAo destacar onde se aproximam as pontua\u00e7\u00f5es das economias, o novo enfoque reduzir\u00e1 a import\u00e2ncia da diferen\u00e7a no <em>ranking<\/em>. Ao revelar onde as dist\u00e2ncias s\u00e3o relativamente maiores, ser\u00e3o reconhecidos os governos que aplicam reformas que ainda n\u00e3o s\u00e3o vistas nas mudan\u00e7as no <em>ranking<\/em>\u201d, acrescenta o an\u00fancio.<\/p>\n<p>Alguns acad\u00eamicos criticaram as recomenda\u00e7\u00f5es da comiss\u00e3o Manuel. \u201cO informe <em>Doing Business<\/em> n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio de investiga\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma ferramenta de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, porque a classifica\u00e7\u00e3o tem um valor singular, em particular para os pa\u00edses que t\u00eam um longo caminho a percorrer na reforma econ\u00f4mica\u201d, pontuou \u00e0 IPS o pesquisador Scott Morris, do Centro para o Desenvolvimento Global, uma organiza\u00e7\u00e3o com sede em Washington. \u201c\u00c9 um exerc\u00edcio de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, mas com indicadores razoavelmente s\u00f3lidos que o fundamentam, e \u00e9 a fus\u00e3o destas duas coisas que faz o <em>Doing Business <\/em>ter valor no mundo da pol\u00edtica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Entretanto, outros alertam que os <em>rankings<\/em> s\u00e3o problem\u00e1ticos em si mesmos, ainda que com mudan\u00e7as. As reformas \u201cn\u00e3o s\u00e3o satisfat\u00f3rias, j\u00e1 que os <em>rankings<\/em> seguir\u00e3o influenciando a agenda pol\u00edtica de muitos pa\u00edses em desenvolvimento, apesar de suas falhas metodol\u00f3gicas\u201d, apontou, por e-mail, Tiago Stichelmans, analista da Rede Europa sobre D\u00edvida e Desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cO problema dos <em>rankings<\/em> \u00e9 o fato de se basearem em medidas de regulamenta\u00e7\u00e3o em uma s\u00f3 cidade para todos os pa\u00edses e, portanto, s\u00e3o irrelevantes para muitas comunidades. Tamb\u00e9m t\u00eam um vi\u00e9s a favor da desregulamenta\u00e7\u00e3o, que tem um impacto limitado no desenvolvimento\u201d, acrescentou Stichelmans.<\/p>\n<p>\u201cPassar da promo\u00e7\u00e3o das taxas tribut\u00e1rias baixas e da desregulamenta\u00e7\u00e3o trabalhista para a cria\u00e7\u00e3o de empregos dignos seria um passo na dire\u00e7\u00e3o correta\u201d, ressaltou Stichelmans. Algumas ONGs prop\u00f5em a inclus\u00e3o de indicadores de corrup\u00e7\u00e3o e direitos humanos, \u201cmas isto deve estar acompanhado de uma modifica\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do informe\u201d, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 29\/8\/2014 &ndash; Dezoito organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais e sindicatos de todo o mundo pediram ao Banco Mundial que reforce uma s&eacute;rie de mudan&ccedil;as que a institui&ccedil;&atilde;o aplicar&aacute; em seu informe anual sobre as facilidades que o setor privado tem para fazer neg&oacute;cios em cada pa&iacute;s. 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