{"id":17884,"date":"2014-08-29T14:56:15","date_gmt":"2014-08-29T14:56:15","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=119986"},"modified":"2014-08-29T14:56:15","modified_gmt":"2014-08-29T14:56:15","slug":"veteranos-de-guerra-plantam-pela-paz-no-sudao-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/08\/ultimas-noticias\/veteranos-de-guerra-plantam-pela-paz-no-sudao-do-sul\/","title":{"rendered":"Veteranos de guerra plantam pela paz no Sud\u00e3o do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_119988\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sudansur.jpg\"><img class=\"wp-image-119988\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sudansur.jpg\" alt=\"sudansur Veteranos de guerra plantam pela paz no Sud\u00e3o do Sul\" width=\"529\" height=\"297\" title=\"Veteranos de guerra plantam pela paz no Sud\u00e3o do Sul\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Wilson Abisai Lodingareng, de 65 anos, \u00e9 um agricultor periurbano, ex-soldado do Ex\u00e9rcito para a Liberta\u00e7\u00e3o do Povo do Sud\u00e3o, que criou uma cooperativa de veteranos em Juba, no Sud\u00e3o do Sul. Foto: Adam Bemma\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Juba, Sud\u00e3o do Sul, 29\/8\/2014 \u2013 Nas f\u00e9rteis margens do rio Nilo Branco, um dos principais afluentes do rio Nilo na \u00c1frica subsaariana, uma cooperativa agr\u00edcola de veteranos de guerra tenta garantir seu futuro alimentar quando o perigo de fome paira sobre o atribulado Sud\u00e3o do Sul. Wilson Abisai Lodingareng, de 65 anos, \u00e9 um agricultor periurbano e fundador da Associa\u00e7\u00e3o de Veteranos Werithior (WVA), com sede nesta cidade, capital do Sud\u00e3o do Sul.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 integrada por 15 agricultores de diferentes idades. O mais jovem, de apenas 25 anos, \u00e9 filho de um deles. A cooperativa tem uma horta de 1,5 hectare na periferia de Juba, onde cultiva verduras. \u201cVi membros ativos no grupo, todos ex-soldados do ELPS (Ex\u00e9rcito para a Liberta\u00e7\u00e3o do Povo do Sud\u00e3o). Os chamo quando \u00e9 preciso tirar o mato da horta. Tamb\u00e9m vou uma vez por dia, todas as manh\u00e3s, examinar os cultivos e ver o que est\u00e1 pronto para venda\u201d, contou Lodingareng \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Alguns dos membros da WVA tiveram de abandonar suas casas e vivem nesta cidade em um acampamento pertencente \u00e0 Miss\u00e3o de Assist\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas na Rep\u00fablica do Sud\u00e3o do Sul (Unmiss). Desde o come\u00e7o do enfrentamento, em 15 de dezembro de 2013, entre as for\u00e7as do presidente Salva Kiir e as rebeldes do vice-presidente, Riek Machar, 1,5 milh\u00e3o de pessoas abandonaram suas casas.<\/p>\n<p>Atualmente, 3,5 milh\u00f5es de sul-sudaneses sofrem inseguran\u00e7a alimentar, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). Lodingareng contou como foi dif\u00edcil conseguir um terreno perto do rio Nilo, pois muitos investidores internacionais competem pelas boas terras agr\u00edcolas. Demorou quase tr\u00eas anos para conseguir um arrendamento com a comunidade dona do terreno.<\/p>\n<p>Em seguida, transformou a pastagem cheia de mato em uma horta com verduras e ervas. A WVA cultiva quiabo, couve, folhas de juta e coentro. \u201cS\u00e3o cultivos de curto impacto que crescem r\u00e1pido, em um ou dois meses. O quiabo se colhe a cada tr\u00eas ou quatro dias\u201d, disse Lodingareng.<\/p>\n<p>A ideia da horta da WVA \u00e9 que a terra seja um recurso que n\u00e3o se desperdice. Lodingareng observa sua horta e pensa na possibilidade de expandi-la para o terreno vizinho, que est\u00e1 desocupado. \u201cPenso em ampliar os cultivos de milho, batata, cenoura e berinjela\u201d, afirmou. \u201cO primeiro ano foi muito dif\u00edcil, mas o pr\u00f3ximo deve ser muito melhor\u201d acrescentou.<\/p>\n<p>Simon Agustino, oficial de programa do Comit\u00ea Central Menonita (MCC) no Sud\u00e3o do Sul, contou que Lodingareng \u201cveio ao nosso escrit\u00f3rio com uma proposta e pedindo ajuda. Os veteranos n\u00e3o tinham esperan\u00e7as nem forma de manterem suas fam\u00edlias. As pessoas acreditavam que ele perdia o tempo cavando. Mas n\u00e3o se entregou\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A MCC lhe forneceu capital para arrendar o terreno, capacitar os benefici\u00e1rios e para a produ\u00e7\u00e3o de frutas e verduras, bem como para compra de implementos para a horta e ferramentas. Tamb\u00e9m monitorou o progresso da WVA. \u201cPor fim, conseguiu o terreno e agora produz e seus cultivos s\u00e3o vendidos no mercado. Um sinal de seu sucesso \u00e9 que mais veteranos pensam em se unir ao grupo\u201d, detalhou Agustino.<\/p>\n<p>Segundo Agustino, a maioria dos veteranos do ELPS se volta \u00e0 criminalidade ap\u00f3s darem baixa. Mas Lodingareng n\u00e3o se voltaria ao furto de gado nem a usar armas para roubar. Ele tem uma vis\u00e3o de futuro para o Sud\u00e3o do Sul. \u201cFiz minha parte para p\u00f4r meu pa\u00eds no caminho da autodetermina\u00e7\u00e3o. Agora me proponho a trabalhar duro. Farei tudo o que puder para sair da pobreza e melhorar minha situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Lodingareng lutou com o ELPS entre 1985 e 2008. Quando, h\u00e1 seis anos, deixou o ex\u00e9rcito, come\u00e7ou a pensar na \u00e9poca em que era estudante de economia na Universidade de Makerere, em Kampala, Uganda. \u201cFiz um curso e escrevi um informe sobre economia agr\u00edcola. Aprendi que a terra \u00e9 alimento e que os cultivos compartilham sinais de comportamento com os humanos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Lodingareng pertence ao povo de pastores toposa, do sudeste do pa\u00eds, mas sua esposa \u00e9 nuer, um dos principais grupos \u00e9tnicos do Sud\u00e3o do Sul, junto com os dinkas. \u201cNos perseguiam. Escondi minha mulher no povoado e, com ajuda do MCC, a levei para Uganda. Voltei e descobri que haviam entrado em minha casa e levaram tudo\u201d, contou.<\/p>\n<p>Os veteranos da WVA s\u00e3o de diferentes grupos \u00e9tnicos do Sud\u00e3o do Sul. Seu trabalho demonstra que a agricultura \u00e9 uma forma de reunir os sul-sudaneses, deixar de lado o pertencer tribal e plantar juntos na esta\u00e7\u00e3o chuvosa. Lodingareng acredita que nunca \u00e9 tarde para abra\u00e7ar a causa da agricultura, ainda que haja milh\u00f5es de refugiados e o pa\u00eds esteja \u00e0 beira da fome.<\/p>\n<p>\u201cO ambiente pol\u00edtico desanimou muitos a cultivarem nesta temporada. Mas, se todos trabalharem em sua horta, as coisas melhorar\u00e3o\u201d, afirmou Lodingareng. O MCC planeja come\u00e7ar um programa de reconcilia\u00e7\u00e3o e paz com a ajuda da WVA. \u201cH\u00e1 tantas ideias sobre como acabar com o conflito\u201d, destacou, maravilhado, Agustino. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Juba, Sud&atilde;o do Sul, 29\/8\/2014 &ndash; Nas f&eacute;rteis margens do rio Nilo Branco, um dos principais afluentes do rio Nilo na &Aacute;frica subsaariana, uma cooperativa agr&iacute;cola de veteranos de guerra tenta garantir seu futuro alimentar quando o perigo de fome paira sobre o atribulado Sud&atilde;o do Sul. 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