{"id":17894,"date":"2014-09-03T13:20:13","date_gmt":"2014-09-03T13:20:13","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=120293"},"modified":"2014-09-03T13:20:13","modified_gmt":"2014-09-03T13:20:13","slug":"deportacoes-em-massa-nao-destroem-sonhos-migratorios-de-hondurenhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/deportacoes-em-massa-nao-destroem-sonhos-migratorios-de-hondurenhos\/","title":{"rendered":"Deporta\u00e7\u00f5es em massa n\u00e3o destroem sonhos migrat\u00f3rios de hondurenhos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_120295\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/corintohondurasmigraciones.jpg\"><img class=\"wp-image-120295\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/corintohondurasmigraciones.jpg\" alt=\"corintohondurasmigraciones Deporta\u00e7\u00f5es em massa n\u00e3o destroem sonhos migrat\u00f3rios de hondurenhos\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Deporta\u00e7\u00f5es em massa n\u00e3o destroem sonhos migrat\u00f3rios de hondurenhos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Volunt\u00e1rios da Cruz Vermelha abordam um \u00f4nibus no qual chegam meninos e meninas migrantes no posto fronteiri\u00e7o hondurenho de Corinto, para supervisionar seu Estado e entregar-lhes uma bolsa de ajuda solid\u00e1ria. Foto: Thelma Mej\u00eda\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Corinto, Honduras, 3\/9\/2014 \u2013 O rel\u00f3gio marca 9 da manh\u00e3, quando um \u00f4nibus procedente da cidade mexicana de Tapachula chega a Corinto, na fronteira entre Honduras e Guatemala. \u00c9 o primeiro dia que vem com menores de idade e suas fam\u00edlias, retornando ap\u00f3s fracassarem em sua tentativa de coroar a rota migrat\u00f3ria e chegar aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>No \u00f4nibus h\u00e1 19 meninos e meninas entre cinco e 12 anos, seis mulheres e sete homens, todos familiares. A viagem durou dez dias. Uma equipe de volunt\u00e1rios da Cruz Vermelha de Honduras, apoiada pelo Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICR), os recebe e sobe no ve\u00edculo com bolsas de ajuda b\u00e1sica.<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira parada que fazem em solo hondurenho, no departamento de Cort\u00e9s. Seu destino \u00e9 a cidade de San Pedro Sula, onde em um abrigo governamental instalado em julho s\u00e3o recenseados e recebem uma bolsa de alimentos e pequena quantidade de dinheiro para que voltem aos seus lugares de origem.<\/p>\n<p>As autoridades pro\u00edbem que os jornalistas entrevistem, fotografem ou filmem os menores. Mas podem entrar no \u00f4nibus, percorrer seu interior e observar rostos infantis esgotados e tristes, ou, em alguns casos, alheios ao que acontece. Seus pais ou parentes baixam o olhar para esconder sua dor, sua derrota e sua impot\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi o que a IPS constatou. Nesse dia, pela aduana de Corinto entram quatro \u00f4nibus com emigrantes deportados, dois com menores e outros dois apenas com adultos. Somam 152 pessoas. O fluxo \u00e9 di\u00e1rio, salvo no caso dos menores, que sozinhos ou acompanhados chegam \u00e0s segundas, quartas e sextas-feiras.<\/p>\n<p>\u201cOs \u00f4nibus trazem de 30 a 38 pessoas\u201d, explicou \u00e0 IPS a volunt\u00e1ria Yahely Milla, da equipe da Cruz Vermelha. Ela conta que \u201cesta deporta\u00e7\u00e3o em massa de menores come\u00e7ou em abril\u201d e que, em maio e junho, quando estourou nos Estados Unidos a crise humanit\u00e1ria das crian\u00e7as centro-americanas, chegavam at\u00e9 15 \u00f4nibus por dia. \u201cCerta vez vieram menores entre tr\u00eas meses e dez anos, alguns sozinhos e outros com os pais, e isso nos afetou porque n\u00e3o hav\u00edamos visto tantas deporta\u00e7\u00f5es desde que estamos na fronteira\u201d, contou Milla.<\/p>\n<p>A fronteira de Corinto fica a 362 quil\u00f4metros de Tegucigalpa. \u00c9 um dos postos mais usados pelos hondurenhos para iniciar a rota migrat\u00f3ria. Antes de chegar \u00e0 aduana, existem pelo menos 80 pontos cegos que os migrantes usam para passar para a Guatemala, seguir at\u00e9 o M\u00e9xico e, com sorte, chegar nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>As autoridades estabeleceram opera\u00e7\u00f5es de controle que reduziram o \u00eaxodo em alguma medida. Aqui a presen\u00e7a institucional \u00e9 quase nula e a \u00fanica m\u00e3o que d\u00e1 apoio ao migrante que retorna \u00e9 o centro da Cruz Vermelha e o CICR, instalado h\u00e1 quase dois anos.<\/p>\n<p>A \u00fanica a\u00e7\u00e3o do governo, afirmam no lugar, aconteceu em julho, quando aumentaram as deporta\u00e7\u00f5es e Ana Hern\u00e1ndez, mulher do presidente Juan Orlando Hern\u00e1ndez, chegou a receber um grupo de crian\u00e7as. Mais de um m\u00eas depois, os acampamentos prometidos n\u00e3o existem e n\u00e3o h\u00e1 nem mesmo um banheiro na parada que preste servi\u00e7o aos que retornam.<\/p>\n<p>Entre um e outro \u00f4nibus, Mauricio Paredes, respons\u00e1vel da Cruz Vermelha no posto de Corinto, contou \u00e0 IPS como funciona o centro de aten\u00e7\u00e3o. A dimens\u00e3o da crise humanit\u00e1ria obriga a medir as palavras. Os menores recebem fraldas descart\u00e1veis, \u00e1gua, mamadeiras e soro, e aos adultos s\u00e3o entregues \u00e1gua, papel higi\u00eanico, pasta e escova para dentes, absorventes para as mulheres e l\u00e2minas de barbear aos homens. Tamb\u00e9m permitem um telefonema de tr\u00eas minutos para falar com familiares.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Hondurasa-chica-2.jpg\"><img class=\"aligncenter wp-image-120296\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Hondurasa-chica-2.jpg\" alt=\"Hondurasa chica 2 Deporta\u00e7\u00f5es em massa n\u00e3o destroem sonhos migrat\u00f3rios de hondurenhos\" width=\"540\" height=\"360\" title=\"Deporta\u00e7\u00f5es em massa n\u00e3o destroem sonhos migrat\u00f3rios de hondurenhos\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sol est\u00e1 mais forte quando cinco horas depois chega o segundo \u00f4nibus, procedente da localidade mexicana de Acayuca, trazendo 38 migrantes entre adolescentes e adultos. Daniela D\u00edaz, de 19 anos, \u00e9 uma delas, e telefonou para sua m\u00e3e para dizer que est\u00e1 de volta de sua segunda tentativa de chegar aos Estados Unidos, e depois contou sua odisseia \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 nove meses iniciei esta viagem e apesar de ser minha segunda tentativa volto impactada pelo que vi\u201d, afirmou D\u00edaz. \u201cDesta vez consegui chegar e subir na La Bestia (o trem mexicano de carga usado pelos migrantes), mas ali ocorrem coisas horr\u00edveis. Vi como violavam as mulheres, como os coiotes (traficantes de migrantes) te vendem para grupos criminosos\u201d, relembrou entre momentos de sil\u00eancio.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 horr\u00edvel ver como no caminho pessoas s\u00e3o mortas, ou deixadas para tr\u00e1s, gente de seu pa\u00eds. A coisa est\u00e1 muito feia l\u00e1, estou aliviada por voltar porque estou viva, outros n\u00e3o, foram mortos por delinquentes ou jogados do trem. Vi tudo isso e me senti muito mal\u201d, contou D\u00edaz.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 t\u00e3o duro o que se vive que j\u00e1 quase n\u00e3o tenho l\u00e1grimas. Fui por necessidade, porque aqui n\u00e3o tenho trabalho, minha fam\u00edlia \u00e9 muito pobre, \u00e0s vezes comemos, \u00e0s vezes n\u00e3o, somos cinco irm\u00e3os, sou a mais nova e a mais rebelde, diz minha m\u00e3e\u201d, acrescentou a jovem oriunda de Miramesi, um bairro pobre da capital.<\/p>\n<p>Mas, apesar do que viveu, D\u00edaz assegura que voltar\u00e1 a tentar a viagem. \u201cIr para os Estados Unidos \u00e9 meu sonho, que vou concretizar, ainda que morra tentando\u201d, afirmou, enquanto se preparava para empreender o caminho para casa pela estrada, caminhando ou de carona, pois n\u00e3o tem nada. \u00c9 assim, sem dinheiro, sem nada, que os deportados retornam.<\/p>\n<p>A pobreza e a viol\u00eancia criminosa s\u00e3o os principais fatores que obrigam os habitantes deste pa\u00eds a emigrarem para os Estados Unidos, afirmam os especialistas. Entre outubro de 2013 e maio de 2014, calcula-se que chegaram sozinhos ao territ\u00f3rio norte-americano 13 mil hondurenhos menores de idade. No \u00faltimo semestre, cerca de 30 mil hondurenhos foram deportados pelos Estados Unidos e pelo M\u00e9xico, segundo o governamental Centro de Aten\u00e7\u00e3o ao Migrante que Retorna.<\/p>\n<p>David L\u00f3pez, de 18 anos, \u00e9 natural de Cop\u00e1n Ruinas, no departamento de Cop\u00e1n, uma das regi\u00f5es mais quentes do pa\u00eds, onde grassa o crime organizado. O jovem quis fugir disso. Mas retorna assustado, frustrado e derrotado. Foi assaltado duas vezes por gangues que operam na rota migrat\u00f3ria. \u201cParti porque aqui j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 seguro viver, se v\u00ea coisas que \u00e9 melhor nem falar. Falei para mim mesmo, \u00e9 hora de deixar o campo e volto derrotado. Vivo, mas derrotado\u201d, afirmou com dor \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Seu rosto fino se transforma ao recordar os assaltos, os maus tratos, a seca e a fome que suportou. \u201cEu pensava que os caminhos da vida fossem diferentes, mas s\u00e3o dif\u00edceis, me envergonha chegar em casa porque fracassei desta vez, mas tentarei novamente, quando as \u00e1guas estiverem mais calmas na fronteira\u201d, afirmou L\u00f3pez.<\/p>\n<p>Somente em agosto, entraram por Corinto cerca de 19 mil deportados, o equivalente ao total de deportados em todo ano de 2013, segundo Paredes. Com 8,4 milh\u00f5es de habitantes e 65,5% das fam\u00edlias na pobreza, Honduras tamb\u00e9m \u00e9 um dos pa\u00edses mais violentos do mundo, com uma taxa de homic\u00eddio de 79,7 para cada cem mil habitantes, segundo o Observat\u00f3rio da Viol\u00eancia de Honduras. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Corinto, Honduras, 3\/9\/2014 &ndash; O rel&oacute;gio marca 9 da manh&atilde;, quando um &ocirc;nibus procedente da cidade mexicana de Tapachula chega a Corinto, na fronteira entre Honduras e Guatemala. &Eacute; o primeiro dia que vem com menores de idade e suas fam&iacute;lias, retornando ap&oacute;s fracassarem em sua tentativa de coroar a rota migrat&oacute;ria e chegar [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/deportacoes-em-massa-nao-destroem-sonhos-migratorios-de-hondurenhos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":203,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1861,989,3178,1168],"class_list":["post-17894","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-honduras","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-migracao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/203"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17894\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}