{"id":17900,"date":"2014-09-05T13:03:45","date_gmt":"2014-09-05T13:03:45","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=120490"},"modified":"2014-09-05T13:03:45","modified_gmt":"2014-09-05T13:03:45","slug":"iraque-a-beira-do-abismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/iraque-a-beira-do-abismo\/","title":{"rendered":"Iraque \u00e0 beira do abismo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_120492\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/refugiadosiraq.jpg\"><img class=\"wp-image-120492\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/refugiadosiraq.jpg\" alt=\"refugiadosiraq Iraque \u00e0 beira do abismo\" width=\"529\" height=\"352\" title=\"Iraque \u00e0 beira do abismo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mais de 200 mil iraquianos fugiram de suas casas desde 3 de agosto, na medida em que a viol\u00eancia dos grupos armados se intensificava, o que elevou o total de refugiados no Iraque para 1,2 milh\u00e3o de pessoas. Foto: Mustafa Khayat\/CC-BY-ND-2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nova York, Estados Unidos, 5\/9\/2014 \u2013 Os eventos catastr\u00f3ficos que acontecem diariamente no Iraque s\u00e3o mais significativos do que em qualquer momento da hist\u00f3ria recente. O Estado Isl\u00e2mico, antes conhecido como Estado Isl\u00e2mico do Iraque e o Levante (Isis), se expandiu de forma avassaladora da S\u00edria para o Iraque e parecia imposs\u00edvel de ser contido em sua marcha rumo a Bagd\u00e1.<\/p>\n<p>As for\u00e7as armadas iraquianas, que eram muito superiores em quantidade de homens e em armas, n\u00e3o puderam ou n\u00e3o quiseram enfrentar esta decidida for\u00e7a de aproximadamente mil combatentes. Ao mesmo tempo, o mundo fixou sua aten\u00e7\u00e3o na minoria yazidi que teve que fugir do monte Sinjar, no noroeste do Iraque, para evitar sua aniquila\u00e7\u00e3o segura.<\/p>\n<p>O que aumentou o perigo da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que Sinjar \u00e9 uma montanha est\u00e9ril e rochosa com cerca de 108 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e dez quil\u00f4metros de largura, que sobressai como a corcova de um camelo e que suporta temperaturas de at\u00e9 43 graus durante o dia, como informou Kieran Dwyer, diretor de comunica\u00e7\u00f5es do Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios, de Erbil, capital do Curdist\u00e3o iraquiano.<\/p>\n<p>Dwyer tamb\u00e9m compartilhou outras estat\u00edsticas assombrosas. Mais de 200 mil iraquianos fugiram de suas casas desde 3 de agosto, na medida em que a viol\u00eancia dos grupos armados se intensificava, o que elevou o total de refugiados para 1,2 milh\u00e3o de pessoas. O Alto Comissariado para os Refugiados das Na\u00e7\u00f5es Unidas d\u00e1 prote\u00e7\u00e3o e ajuda as autoridades locais com abrigo para os refugiados, incluindo colch\u00f5es e cobertas. O Programa Mundial de Alimentos da ONU montou quatro cozinhas comunit\u00e1rias nessa \u00e1rea e forneceu dois milh\u00f5es de refei\u00e7\u00f5es nas duas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>O Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) forneceu \u00e1gua pot\u00e1vel e sais reidratantes para ajudar a prevenir ou tratar a diarreia, bem como bolachas energ\u00e9ticas para 34 mil menores de cinco anos na \u00faltima semana. O Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas ajuda mais de 1.300 gr\u00e1vidas com produtos de higiene e assessora as autoridades locais fornecendo m\u00e9dicos para 150 mil pessoas.<\/p>\n<p>No avi\u00e3o de volta de sua viagem \u00e0 Coreia do Sul, em 18 de agosto, o papa Francisco aprovou uma interven\u00e7\u00e3o no Iraque para deter a persegui\u00e7\u00e3o dos combatentes isl\u00e2micos contra os crist\u00e3os e demais grupos religiosos minorit\u00e1rios. \u00c9 uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica, j\u00e1 que o Vaticano normalmente evita o uso da for\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas o papa fez uma ressalva: que a comunidade internacional discuta uma estrat\u00e9gia, possivelmente na ONU, para que a interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja vista como \u201cuma verdadeira guerra de conquista\u201d. Pouco depois, o presidente da Fran\u00e7a, Fran\u00e7ois Hollande pediu uma confer\u00eancia internacional para discutir como enfrentar os insurgentes do Estado Isl\u00e2mico que tomaram o controle de partes dos territ\u00f3rios da S\u00edria e do Iraque.<\/p>\n<p>As duas sugest\u00f5es est\u00e3o diretamente ligadas \u00e0 inten\u00e7\u00e3o do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de presidir uma reuni\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU durante sua participa\u00e7\u00e3o na sess\u00e3o anual da Assembleia Geral da ONU este m\u00eas. De concreto, Obama se centrar\u00e1 na luta antiterrorista e na amea\u00e7a de que combatentes estrangeiros viagem para zonas em conflito e se juntem \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es terroristas. Al\u00e9m disso, todos os principais atores da regi\u00e3o, inclusive aqueles com uma inimizade tradicional, como Ir\u00e3 diante de Ar\u00e1bia Saudita e Estados Unidos, devem participar.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental recordar que uma das principais raz\u00f5es das cat\u00e1strofes que ocorrem em muitas \u00e1reas do Oriente M\u00e9dio remonta diretamente \u00e0 invas\u00e3o ilegal e desacertada do Iraque pelo ex-presidente norte-americano George W. Bush (2001-2009) decidida em mar\u00e7o de 2003. Supostamente Washington foi ao Iraque para eliminar as armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa em poder do regime de Saddam Hussein (1979-2003), que n\u00e3o existiam.<\/p>\n<p>Quando veio abaixo o fict\u00edcio argumento das armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, a fundamenta\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o no Iraque passou rapidamente a ser a mudan\u00e7a de regime e depois o estabelecimento da democracia no mundo \u00e1rabe. Mas os motivos verdadeiros est\u00e3o no controle das jazidas de petr\u00f3leo e na reconfigura\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o para que os interesses ocidentais possam manipul\u00e1-la.<\/p>\n<p>Na realidade, o legado do maior rev\u00e9s na hist\u00f3ria da pol\u00edtica externa dos Estados Unidos foi que o Ir\u00e3 se transformou na pot\u00eancia da regi\u00e3o, o Iraque se converteu em um barril de p\u00f3lvora para o conflito entre sunitas e xiitas, morreram mais de 200 mil iraquianos e quatro mil militares norte-americanos, e sobrou uma conta de US$ 2 bilh\u00f5es para os contribuintes norte-americanos. Esse n\u00famero continuar\u00e1 crescendo devido aos milhares de soldados que necessitar\u00e3o de assist\u00eancia m\u00e9dica e psicol\u00f3gica, e pela ajuda financeira, militar e t\u00e9cnica que o Iraque solicitar\u00e1 no futuro.<\/p>\n<p>Tragicamente, alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o, como a Fox News e muitas emissoras de r\u00e1dio de direita, voltam a colocar no ar as mesmas fontes de desinforma\u00e7\u00e3o, como o ex-vice-presidente Dick Cheney, o ex-subsecret\u00e1rio de Defesa, Paul Wolfowitz, o administrador dos Estados Unidos no Iraque, Paul Bremer, o senador John McCain e o comentarista Bill Kristol, para reescrever a hist\u00f3ria e dizer que a guerra no Iraque foi um sucesso.<\/p>\n<p>Em uma democracia \u00e9 fundamental ter uma mostra representativa de ideias em um debate estimulante sobre o Iraque e outros temas, mas \u00e9 question\u00e1vel e um disparate crer nos conselhos de um grupo t\u00e3o contraproducente que apoia a insensatez de que o resultado seria positivo para os Estados Unidos se tivessem ficado mais tempo, deixado mais soldados ou investido mais sangue e dinheiro nessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Negam-se a reconhecer que nem iraquianos nem iranianos queriam que os Estados Unidos ficassem, e que a popula\u00e7\u00e3o norte-americana se voltou contra a guerra falida. A isto acrescentamos o fato de o ex-primeiro-ministro iraquiano Nouri al Maliki ter tentado excluir os sunitas da divis\u00e3o do poder e da participa\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito pol\u00edtico, financeiro e cultural do Iraque.<\/p>\n<p>Desde as decapita\u00e7\u00f5es do fot\u00f3grafo James Foley e do jornalista Steven Sotloff, impostas pela draconiana lei isl\u00e2mica que viola os direitos humanos e civis, os desafios no Iraque se multiplicam dia a dia. \u00c9 prov\u00e1vel que ningu\u00e9m no mundo saiba melhor disso do que o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, que disse recentemente: \u201cPosso trazer os l\u00edderes do mundo ao rio, mas n\u00e3o posso obrig\u00e1-los a beber\u201d. Quando os l\u00edderes mundiais se reunirem no final deste m\u00eas na ONU, ser\u00e1 hora para \u201cbeberem \u00e1gua\u201d em beneficio de todos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Bill Miller <\/strong>\u00e9 correspondente do <\/em>Washington International <em>junto \u00e0 ONU e produtor e moderador da Global Connections Television.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nova York, Estados Unidos, 5\/9\/2014 &ndash; Os eventos catastr&oacute;ficos que acontecem diariamente no Iraque s&atilde;o mais significativos do que em qualquer momento da hist&oacute;ria recente. 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