{"id":17904,"date":"2014-09-08T15:33:27","date_gmt":"2014-09-08T15:33:27","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=120622"},"modified":"2014-09-08T15:33:27","modified_gmt":"2014-09-08T15:33:27","slug":"na-siria-ha-pouca-escapatoria-para-as-familias-com-filhos-pequenos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/na-siria-ha-pouca-escapatoria-para-as-familias-com-filhos-pequenos\/","title":{"rendered":"Na S\u00edria h\u00e1 pouca escapat\u00f3ria para as fam\u00edlias com filhos pequenos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_120624\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/callealepo.jpg\"><img class=\"wp-image-120624\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/callealepo.jpg\" alt=\"callealepo Na S\u00edria h\u00e1 pouca escapat\u00f3ria para as fam\u00edlias com filhos pequenos\" width=\"529\" height=\"388\" title=\"Na S\u00edria h\u00e1 pouca escapat\u00f3ria para as fam\u00edlias com filhos pequenos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O que restava de uma rua de Alepo, em agosto. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gaziantep, Turquia, 8\/9\/2014 \u2013 A mulher que entrou no escrit\u00f3rio de imprensa da insurgente Frente Isl\u00e2mica, perto da fronteira com a Turquia, esteve a ponto de desmaiar sob o forte sol da S\u00edria, mas s\u00f3 lhe importava salvar seu beb\u00ea. Mais da metade dos aproximadamente 23 milh\u00f5es de s\u00edrios abandonaram suas casas. A mulher era mais uma entre os tr\u00eas milh\u00f5es de refugiados s\u00edrios registrados pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) que se esfor\u00e7am por manter seus filhos s\u00e3os e salvos diante dos in\u00fameros perigos ligados \u00e0s zonas de guerra, aos campos de refugiados e ao fato de carecer de cidadania.<\/p>\n<p>Quando a IPS conheceu a jovem, no come\u00e7o de agosto, ela vivia no acampamento pr\u00f3ximo de Bab Al Salama, no norte da S\u00edria, depois de ter fugido de uma regi\u00e3o de intensos combates. O beb\u00ea tinha poucas semanas de vida e precisava amament\u00e1-lo, mas n\u00e3o havia lugar para fazer fora das vistas dos homens, e assim, vestida com um niqab sufocante, pediu para usar a sala que a organiza\u00e7\u00e3o insurgente utiliza para \u201cinscrever\u201d os jornalistas estrangeiros que cruzam a fronteira.<\/p>\n<p>A sala lhe proporcionou um pouco de sombra e privacidade e, t\u00e3o logo o ex-combatente de 22 anos encarregado do escrit\u00f3rio deixou o local, a jovem come\u00e7ou a alimentar seu filho. Enquanto soprava delicadamente a fronte suada do beb\u00ea, a mulher contou \u00e0 IPS que tem problemas renais e n\u00e3o pode se sentar, s\u00f3 ficar deitada ou em p\u00e9. Tamb\u00e9m tem dificuldade de acesso \u00e0 aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para ela e o filho com febre. E, apesar da abaya negra (vestimenta que cobre todo o corpo) e do niqab sobre o rosto, que a fazem sentir muito calor, disse que \u201c\u00e9 melhor us\u00e1-los porque estamos em guerra\u201d.<\/p>\n<p>A \u00e1rea ao redor do acampamento de Bab Al Salama, do outro lado da fronteira da cidade turca de Kilis, sofreu v\u00e1rios bombardeios, incluindo um carro-bomba em maio, que matou dezenas de pessoas. Na Turquia, os acampamentos instalados pelo governo nacional para os mais de 800 mil refugiados s\u00edrios registrados pela ONU teriam capacidade m\u00e1xima para 300 mil.<\/p>\n<p>As mulheres correm um risco not\u00f3rio de sofrer crimes sexuais nos acampamentos formais e informais que existem para os refugiados em todo o mundo. Junto \u00e0s dificuldades econ\u00f4micas, muitos pais dos dois lados da fronteira citam este motivo para casar suas filhas o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, como tentativa de \u201cproteger sua honra\u2019 e encontrar algu\u00e9m que as mantenha. As crian\u00e7as que nascem destas uni\u00f5es quase sempre ficam sem reconhecimento legal e, portanto, s\u00e3o ap\u00e1tridas que passam a integrar a quantidade de curdos s\u00edrios e outros habitantes aos quais o governo de Bashar Al Assad nega a cidadania.<\/p>\n<div id=\"attachment_120625\" style=\"width: 530px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/alepo2.jpg\"><img class=\"wp-image-120625\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/alepo2.jpg\" alt=\"alepo2 Na S\u00edria h\u00e1 pouca escapat\u00f3ria para as fam\u00edlias com filhos pequenos\" width=\"520\" height=\"315\" title=\"Na S\u00edria h\u00e1 pouca escapat\u00f3ria para as fam\u00edlias com filhos pequenos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Rua de Alepo, em poder da insurg\u00eancia em agosto. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mohamed era oficial do ex\u00e9rcito s\u00edrio. Natural de uma grande tribo em Idlib, a 60 quil\u00f4metros de Alepo, cidade que foi a capital industrial s\u00edria no noroeste do pa\u00eds, o regime atacou sua fam\u00edlia quando come\u00e7ou a guerra civil em 2011 e ele lutou com diferentes brigadas do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria nos \u00faltimos anos. Pouco depois da suposta viola\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias mulheres em sua regi\u00e3o pelas m\u00e3os de shabiha, for\u00e7as paramilitares leais a Assad, levou sua jovem esposa, a m\u00e3e e as irm\u00e3s para a Turquia. Agora cruza ilegalmente a fronteira para v\u00ea-las quando n\u00e3o est\u00e1 em combate.<\/p>\n<p>Mohamed quer ir para a Europa. Quando a IPS o viu pela primeira vez, no outono de 2013, ele n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de abandonar a S\u00edria. Mas agora tem um filho, que \u00e9 considerado ap\u00e1trida. O governo s\u00edrio n\u00e3o emitiu passaportes aos oficiais para impedir que desertassem, mesmo antes do levante de 2011, e ningu\u00e9m em sua fam\u00edlia possui um.<\/p>\n<p>Mohamed \u00e9 um soldado profissional sem sal\u00e1rio e os grupos insurgentes moderados n\u00e3o podem lhe oferecer uma remunera\u00e7\u00e3o suficiente para manter sua fam\u00edlia. Como n\u00e3o tem interesse em aderir aos grupos extremistas, muitos dos quais lhe pagariam melhor, n\u00e3o sabe mais o que fazer para cuidar de seus entes queridos. \u201cAqui n\u00e3o h\u00e1 futuro\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Do lado turco da fronteira, Ahmad, origin\u00e1rio de Alepo, disse que n\u00e3o quer abandonar a regi\u00e3o. \u201cUma vez perguntei \u00e0 minha mulher para qual pa\u00eds do mundo iria se pudesse escolher, e ela respondeu \u2018S\u00edria\u2019\u201d, contou, com orgulho, \u00e0 IPS. Entretanto, na medida em que se aproximava o nascimento de seu filho e a situa\u00e7\u00e3o em Alepo se agravava, abandonou paulatinamente suas atividades como ativista nos meios sociais e como <em>fixer<\/em>, ou jornalista que correspondentes estrangeiros contratam como guia para conseguir contatos locais.<\/p>\n<p>V\u00e1rias crian\u00e7as se aproximaram, para pedir dinheiro, da mesa em que Ahmad tomava ch\u00e1 com a IPS em uma cidade na fronteira com a Turquia. \u201cDeveria trabalhar mesmo se isso significar vender len\u00e7os de papel pelas ruas\u201d, disse para uma menina, acrescentando que \u201ctem de aprender a trabalhar e n\u00e3o s\u00f3 a pedir. Os turcos come\u00e7am a se irritar com nossa presen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Mais de 200 mil s\u00edrios vivem fora dos acampamentos em Gaziantep e os pre\u00e7os dos alugu\u00e9is triplicaram desde que os refugiados come\u00e7aram a chegar. Em meados de agosto, ocorreram protestos contra os estrangeiros, que sofrem cada vez mais atos de viol\u00eancia. Enquanto isso, s\u00e3o feitas gest\u00f5es para arrecadar fundos para a constru\u00e7\u00e3o de escolas na S\u00edria que seriam verdadeiras fortalezas, j\u00e1 que o regime de Assad continua atacando escolas e instala\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas.<\/p>\n<p>Na rebelde Alepo, a IPS ficou com uma fam\u00edlia s\u00edria durante v\u00e1rios dias em agosto, enquanto continuava a ofensiva a\u00e9rea do governo com bombas de barril e aumentava o perigo de um iminente cerco das for\u00e7as de Assad ou da conquista da cidade pelo extremista Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Um franco-atirador feriu recentemente, no bra\u00e7o, a mais velha das quatro filhas dessa fam\u00edlia, de apenas oito anos, enquanto atravessava a rua para ir \u00e0 escola, uma das poucas que ainda funcionam. Embora o ferimento esteja sarando, a menina ficar\u00e1 com uma feia cicatriz.<\/p>\n<p>Quando as bombas ca\u00edam \u00e0 noite, os ocupantes da moradia se moviam inquietos, enquanto a menina de oito anos jazia acordada, olhando a escurid\u00e3o, completamente im\u00f3vel. Entretanto, o pai assegurava que a fam\u00edlia n\u00e3o partiria. Acontecesse o que fosse. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Gaziantep, Turquia, 8\/9\/2014 &ndash; A mulher que entrou no escrit&oacute;rio de imprensa da insurgente Frente Isl&acirc;mica, perto da fronteira com a Turquia, esteve a ponto de desmaiar sob o forte sol da S&iacute;ria, mas s&oacute; lhe importava salvar seu beb&ecirc;. Mais da metade dos aproximadamente 23 milh&otilde;es de s&iacute;rios abandonaram suas casas. 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