{"id":17907,"date":"2014-09-09T13:26:15","date_gmt":"2014-09-09T13:26:15","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=120687"},"modified":"2014-09-09T13:26:15","modified_gmt":"2014-09-09T13:26:15","slug":"paises-do-sul-perdem-us-1-trilhao-com-evasao-e-corrupcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/paises-do-sul-perdem-us-1-trilhao-com-evasao-e-corrupcao\/","title":{"rendered":"Pa\u00edses do Sul perdem US$ 1 trilh\u00e3o com evas\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_120689\" style=\"width: 530px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/plata.jpg\"><img class=\"wp-image-120689\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/plata.jpg\" alt=\"plata Pa\u00edses do Sul perdem US$ 1 trilh\u00e3o com evas\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o\" width=\"520\" height=\"336\" title=\"Pa\u00edses do Sul perdem US$ 1 trilh\u00e3o com evas\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Custos com evas\u00e3o fiscal e corrup\u00e7\u00e3o chegam a pelo menos US$ 1 trilh\u00e3o por ano nos pa\u00edses do Sul em desenvolvimento. Foto: Kristin Palitza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 9\/9\/2014 \u2013 Facilitadas pelas leis permissivas do Norte industrial, a evas\u00e3o fiscal e a corrup\u00e7\u00e3o custam no m\u00ednimo US$ 1 trilh\u00e3o por ano em pa\u00edses do Sul em desenvolvimento, segundo estudo que aumenta a press\u00e3o para que os governantes adotem reformas substanciais em uma c\u00fapula internacional a ser realizada em novembro.<\/p>\n<p>Essas perdas provocariam at\u00e9 3,6 milh\u00f5es de mortes ao ano, segundo a Campanha ONE, uma organiza\u00e7\u00e3o que luta para mitigar a pobreza na \u00c1frica. A recupera\u00e7\u00e3o de s\u00f3 uma parte deste dinheiro na \u00c1frica subsaariana permitiria educar mais de dez milh\u00f5es de crian\u00e7as ou adquirir 165 milh\u00f5es de vacinas adicionais a cada ano, segundo a ONE.<\/p>\n<p>\u201cQuando a corrup\u00e7\u00e3o prospera, ocorre retra\u00e7\u00e3o do investimento privado, diminui\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico, aumento do custo dos neg\u00f3cios, podendo provocar instabilidade pol\u00edtica. Mas nos pa\u00edses em desenvolvimento a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 assassina\u201d, afirma um documento divulgado na semana passada pela organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o informe, \u201cquando os governos s\u00e3o privados dos recursos pr\u00f3prios que teriam para investir no cuidado da sa\u00fade, da seguran\u00e7a alimentar ou da infraestrutura b\u00e1sica, isso custa vidas, e o maior pre\u00e7o s\u00e3o as crian\u00e7as que pagam.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise se centra na lavagem de dinheiro, suborno e evas\u00e3o fiscal por parte de atores privados que atuam ilegitimamente e funcion\u00e1rios p\u00fablicos. O dinheiro perdido n\u00e3o corresponde \u00e0 ajuda destinada ao desenvolvimento, mas aos ganhos empresariais n\u00e3o declarados, uma evas\u00e3o fiscal que gera menos fundos para financiar os servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio internacional oferece um ponto fundamental para a manipula\u00e7\u00e3o, e as ind\u00fastrias extratoras s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis, segundo a Campanha ONE. S\u00f3 na \u00c1frica, as exporta\u00e7\u00f5es dos recursos naturais aumentaram cinco vezes entre 2002 e 2011, o que proporcionou grandes oportunidades de lucro para a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo \u201cfomos testemunhas de um aumento exponencial das correntes financeiras il\u00edcitas em todo o mundo\u201d, detalhou \u00e0 IPS Joseph Kraus, especialista em transpar\u00eancia da ONE. \u201cMas, enquanto todos estamos familiarizados com a corrup\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses em desenvolvimento, o tango \u00e9 dan\u00e7ado a dois. Esse dinheiro frequentemente acaba nos centros financeiros dos pa\u00edses do Norte. Esses bancos, advogados e contadores s\u00e3o, em ess\u00eancia, facilitadores da corrup\u00e7\u00e3o. Para chegar \u00e0 raiz do problema temos de ir atr\u00e1s dos problemas ali\u201d, recomendou.<\/p>\n<p>A sociedade civil, inclu\u00edda a Campanha ONE, aumenta a press\u00e3o sobre os pa\u00edses industrializados para que adotem medidas de transpar\u00eancia. Algumas dessas medidas apontam contra a corrup\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses em desenvolvimento, como o fortalecimento de leis que obrigam as ind\u00fastrias extratoras a declarar seus ganhos e as normas de liberdade de informa\u00e7\u00e3o que permitem aos cidad\u00e3os maior controle das atividades de seus governos.<\/p>\n<p>Outras medidas teriam de ser adotadas pelos pa\u00edses industrializados, em particular os principais centros financeiros, como Estados Unidos e Gr\u00e3-Bretanha. Entre elas se incluem normas exigindo o interc\u00e2mbio autom\u00e1tico de informa\u00e7\u00e3o fiscal entre os Estados, publica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o sobre a propriedade das empresas e a obriga\u00e7\u00e3o das transnacionais de informar sobre sua renda em cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 18 meses ningu\u00e9m falava das empresas fantasmas nem das companhias fict\u00edcias an\u00f4nimas. Mas estas quest\u00f5es ganharam muito impulso em um curto per\u00edodo\u201d, disse Kraus. Isto se deve \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o das economias avan\u00e7adas com a redu\u00e7\u00e3o dos or\u00e7amentos p\u00fablicos como consequ\u00eancia da crise econ\u00f4mica mundial, embora sejam os pa\u00edses em desenvolvimento os que mais se beneficiar\u00e3o com estas reformas.<\/p>\n<p>Os defensores dessas mudan\u00e7as esperam progressos na c\u00fapula do Grupo dos 20 (G20) pa\u00edses mais avan\u00e7ados e dos maiores emergentes do mundo, que acontecer\u00e1 nos dias 15 e 16 de novembro na Austr\u00e1lia, e tamb\u00e9m em duas reuni\u00f5es pr\u00e9vias de ministros das Finan\u00e7as. O G20 representa cerca de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o, 85% do produto interno bruto e mais de 75% do com\u00e9rcio do planeta.<\/p>\n<p>Os membros do G20 s\u00e3o \u00c1frica do Sul, Alemanha, Ar\u00e1bia Saudita, Argentina, Austr\u00e1lia, Brasil, Canad\u00e1, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, M\u00e9xico, R\u00fassia, Turquia e Uni\u00e3o Europeia. O Grupo assumiu um papel destacado em quest\u00f5es de estabilidade financeira mundial e, mais recentemente, ao defender o interc\u00e2mbio autom\u00e1tico de informa\u00e7\u00e3o fiscal entre os governos. Em novembro seus ministros poderiam aprovar uma norma internacional nesse sentido.<\/p>\n<p>\u201cDurante muito tempo os pa\u00edses do G20 fizeram vista grossa \u00e0 forte sa\u00edda de fundos dos pa\u00edses em desenvolvimento que eram canalizados por interm\u00e9dio de contas banc\u00e1rias extraterritoriais e empresas secretas\u201d, pontuou John Githongo, ativista contra a corrup\u00e7\u00e3o no Qu\u00eania. \u201cA introdu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas inteligentes poderia ajudar a acabar com este esc\u00e2ndalo de bilh\u00f5es de d\u00f3lares e colher grandes benef\u00edcios para nossa gente, praticamente sem custo. O G20 deve adotar j\u00e1 essas mudan\u00e7as\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Na verdade, muitos pa\u00edses do G20 institu\u00edram algumas dessas reformas por conta pr\u00f3pria. O governo brit\u00e2nico, por exemplo, decidiu de maneira unilateral publicar a informa\u00e7\u00e3o sobre a propriedade das empresas, enquanto os Estados Unidos foram os primeiros a aprovar rigorosos requisitos de transpar\u00eancia para as companhias transnacionais extratoras.<\/p>\n<p>Essas leis nacionais podem levar outros pa\u00edses \u00e0 a\u00e7\u00e3o, mas muitos sentem que apenas um enfoque integral vai gerar um impacto substancial. Al\u00e9m disso, v\u00e1rios governos se comprometeram a atuar, mas ainda n\u00e3o cumpriram.<\/p>\n<p>\u201cAs correntes financeiras il\u00edcitas s\u00e3o um exemplo perfeito de um problema transnacional, j\u00e1 que se tem dois regimes jur\u00eddicos nos quais s\u00e3o exploradas as lacunas jur\u00eddicas\u201d, pontuou Josh Simmons, assessor de Integridade Financeira Mundial da organiza\u00e7\u00e3o norte-americana que forneceu dados para o informe da Campanha ONE.<\/p>\n<p>\u201cQuando um \u00f3rg\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o internacional consegue identificar essas lacunas, pode fazer com que os pa\u00edses membros reajam em sincronia para abordar a situa\u00e7\u00e3o. Mas, se apenas um pa\u00eds tenta faz\u00ea-lo, provavelmente as empresas se mudar\u00e3o para outro lugar\u201d, destacou Simmons. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 9\/9\/2014 &ndash; Facilitadas pelas leis permissivas do Norte industrial, a evas&atilde;o fiscal e a corrup&ccedil;&atilde;o custam no m&iacute;nimo US$ 1 trilh&atilde;o por ano em pa&iacute;ses do Sul em desenvolvimento, segundo estudo que aumenta a press&atilde;o para que os governantes adotem reformas substanciais em uma c&uacute;pula internacional a ser realizada em novembro. 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