{"id":17909,"date":"2014-09-09T13:33:28","date_gmt":"2014-09-09T13:33:28","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=120691"},"modified":"2014-09-09T13:33:28","modified_gmt":"2014-09-09T13:33:28","slug":"brasil-ante-o-sonho-ou-a-miragem-de-uma-presidente-negra-e-amazonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/brasil-ante-o-sonho-ou-a-miragem-de-uma-presidente-negra-e-amazonica\/","title":{"rendered":"Brasil ante o sonho ou a miragem de uma presidente negra e amaz\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_120693\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Dilma-Marina.jpg\"><img class=\"wp-image-120693\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Dilma-Marina.jpg\" alt=\"Dilma Marina Brasil ante o sonho ou a miragem de uma presidente negra e amaz\u00f4nica\" width=\"529\" height=\"327\" title=\"Brasil ante o sonho ou a miragem de uma presidente negra e amaz\u00f4nica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A presidente Dilma Rousseff cumprimenta sua principal advers\u00e1ria, Marina Silva, durante o segundo debate entre os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia, no dia 1\u00ba de setembro. Foto: Cortesia do UOL<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 9\/9\/2014 \u2013 Muitos fatores e analistas apontam para um poss\u00edvel triunfo de Marina Silva como a primeira mulher negra e amaz\u00f4nica a chegar \u00e0 Presid\u00eancia do Brasil, mas as campanhas eleitorais no pa\u00eds costumam sofrer mudan\u00e7as inesperadas, como a que a tornou favorita nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>Como candidata da oposi\u00e7\u00e3o, Marina Silva se beneficia da conjuntura econ\u00f4mica. Recess\u00e3o no \u00faltimo semestre, infla\u00e7\u00e3o elevada, deteriora\u00e7\u00e3o fiscal e contas externas amea\u00e7adoras minam a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, primeira mulher a presidir o pa\u00eds, desde 2011. Os economistas mais midi\u00e1ticos atribuem a culpa \u00e0 sua pr\u00f3pria m\u00e1 gest\u00e3o.<\/p>\n<p>As pesquisas mostram um sustentado avan\u00e7o da Marina Silva desde que substituiu o candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos, morto em acidente a\u00e9reo no dia 13 de agosto. Ela empataria com Dilma na vota\u00e7\u00e3o de 5 de outubro, segundo duas pesquisas divulgadas no dia 3, e a superaria no segundo turno, marcado para 26 de outubro, com vantagem de sete pontos percentuais, 46% a 39% em uma pesquisa e 48% a 41% em outra. Seu impulso, por\u00e9m, desacelerou no final de agosto.<\/p>\n<p>\u201cO desejo de mudan\u00e7a\u201d na sociedade \u00e9 um dos fatores cuja soma torna \u201cirrevers\u00edvel\u201d a tend\u00eancia favor\u00e1vel a Marina Silva, disse Dem\u00e9trio Valentini, influente bispo cat\u00f3lico, em entrevista ao jornal econ\u00f4mico <em>Valor<\/em>. De todo modo, duas mulheres como as principais candidatas \u00e9 uma grande novidade na pol\u00edtica brasileira, cujo dom\u00ednio masculino se reflete no parlamento, onde a representa\u00e7\u00e3o feminina n\u00e3o chega a 10% das cadeiras.<\/p>\n<p>A reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff parecia quase segura at\u00e9 a segunda semana de agosto, quando caiu o avi\u00e3o em que Campos, pouco conhecido nacionalmente apesar da grande popularidade em Pernambuco, que governava desde 2007. A irrup\u00e7\u00e3o da vice na chapa de Campos transtornou o processo.<\/p>\n<p>Sua for\u00e7a eleitoral \u00e9 conhecida desde as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2010, quando obteve 19,6 milh\u00f5es de votos, ou 19,3% do total como representante do pequeno Partido Verde (PV). A surpresa a lan\u00e7ou como l\u00edder opositora, deslocando A\u00e9cio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que durante 20 anos foi a alternativa de poder ao Partido dos Trabalhadores (PT) de Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2011).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a ajudou o fato de Marina Silva saber captar, melhor do que ningu\u00e9m, o descontentamento popular manifestado nas maci\u00e7as mobiliza\u00e7\u00f5es de rua em junho de 2013, uma esp\u00e9cie de rebeli\u00e3o de \u201cindignados\u201d brasileiros contra os pol\u00edticos em geral. Um dos efeitos desses protestos foi derrubar os altos \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o que o governo desfrutava.<\/p>\n<p>Dilma recuperou parte de sua popularidade, mas sem superar uma forte rejei\u00e7\u00e3o por parte do eleitorado, que \u00e9 seu calcanhar de Aquiles em um segundo turno.<\/p>\n<p>Segundo pesquisa divulgada no dia 3 pelo Instituto Brasileiro de Opini\u00e3o P\u00fablica, 31% dos entrevistados disseram que n\u00e3o votar\u00e3o na presidenta em hip\u00f3tese alguma, um \u00edndice que cai para 12% com rela\u00e7\u00e3o a Marina Silva, prov\u00e1vel herdeira da grande maioria dos votos de candidatos exclu\u00eddos para o segundo turno.<\/p>\n<p>O baixo crescimento econ\u00f4mico durante seu governo conspira contra Dilma Rousseff, especialmente porque a situa\u00e7\u00e3o se agravou este ano. O produto interno bruto caiu 0,2% no primeiro trimestre e 0,6% no segundo, sempre em compara\u00e7\u00e3o com o trimestre anterior. Dois trimestres seguidos de queda significam recess\u00e3o, termo eleitoralmente negativo que o governo busca driblar. O desemprego segue nos n\u00edveis hist\u00f3ricos mais baixos e os investimentos estrangeiros continuam altos, este \u00e9 o argumento.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, alguns fatos s\u00e3o corrosivos. O \u00edndice de investimento caiu para 16,5%, n\u00edvel que condena o pa\u00eds a uma paralisa\u00e7\u00e3o em 2015. A ind\u00fastria vive uma decad\u00eancia crescente e desde o ano passado tamb\u00e9m caem os pre\u00e7os mundiais de produtos agr\u00edcolas e de minera\u00e7\u00e3o, que sustentavam o super\u00e1vit comercial brasileiro.<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o persiste em cerca de 6,5% ao ano, no limite de toler\u00e2ncia de dois pontos percentuais sobre a meta fixada de 4,5%, apesar das altas taxas de juros, dos subs\u00eddios aos combust\u00edveis e da supervaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria para conter os pre\u00e7os.<\/p>\n<p>A energia el\u00e9trica, o setor sobre cuja gest\u00e3o Dilma Rousseff impulsionou sua carreira pol\u00edtica, ficou mais cara dois anos depois que a presidente adotou medidas com a promessa de barate\u00e1-la. Uma prolongada seca na maior parte do pa\u00eds aumentou o risco de apag\u00f5es, colocando em xeque sua pol\u00edtica energ\u00e9tica. Grande parte do empresariado passou para a oposi\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos. Isso se reflete nos \u00edndices da bolsa, que sobem quando as pesquisas registram queda da presidente.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, militantes do PT confiam em uma vit\u00f3ria no segundo turno, avaliando como passageira a \u201conda marinista\u201d. \u201cO tsunami vem e vai\u201d, disse Jorge Nahas, ex-coordenador de pol\u00edticas sociais na prefeitura de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, quando estava sob governo do partido governante. A confian\u00e7a se baseia na for\u00e7a eleitoral dos programas sociais executados pelos governos de Lula e Dilma Rousseff e que tiraram dezenas de milh\u00f5es de brasileiros da pobreza. S\u00f3 o programa Bolsa Fam\u00edlia beneficiou mais de 14 milh\u00f5es de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Por via das d\u00favidas, a campanha da reelei\u00e7\u00e3o ataca as debilidades de Marina Silva, especialmente seu limitado quadro partid\u00e1rio, que poderia repetir os casos de ingovernabilidade dos ex-presidentes J\u00e2nio Quadros (1961) e Fernando Collor (1990-1992). Sem apoio legislativo, o primeiro renunciou antes de completar sete meses de governo e o segundo foi inabilitado por corrup\u00e7\u00e3o no segundo ano de mandato. Ironicamente, Collor hoje \u00e9 um senador aliado do PT.<\/p>\n<p>Mas a ingovernabilidade tamb\u00e9m foi argumento usado contra Lula, sem \u00eaxito, nas elei\u00e7\u00f5es de 2002. \u201cA esperan\u00e7a vencer\u00e1 o medo\u201d foi a resposta do PT na \u00e9poca, um lema que agora serve para Marina Silva.<\/p>\n<p>Ex-ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008 e ex-senadora no per\u00edodo 1995-2011, Marina \u00e9 criticada tamb\u00e9m por passar de um partido a outro e pela sua religiosidade evang\u00e9lica. Sua carreira foi feita no PT, mas passou para o Partido Verde (PV) a fim de disputar as elei\u00e7\u00f5es de 2010. Depois aderiu ao PSB, no ano passado, quando n\u00e3o conseguiu o registro legal da Rede Sustentabilidade, um partido de formato novo, temporariamente \u201ch\u00f3spede\u201d dos socialistas. Nascida no Estado do Acre, na Amaz\u00f4nia, em uma fam\u00edlia de seringueiros, se destacou na luta ambiental.<\/p>\n<p>Mas o programa de Marina Silva, em grande parte herdado do compromisso com o PSB, tem como prioridade \u201cuma nova pol\u00edtica\u201d, uma difusa proposta de reforma para uma \u201cdemocracia de alta intensidade\u201d, mais participativa. Em economia, adotaria orienta\u00e7\u00f5es ortodoxas, com autonomia do Banco Central e ado\u00e7\u00e3o mais rigorosa do trip\u00e9 macroecon\u00f4mico: metas antiinflacion\u00e1rias, austeridade fiscal e c\u00e2mbio flutuante. \u00c9 a \u201cvolta ao neoliberalismo\u201d, segundo cr\u00edtica do PT. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 9\/9\/2014 &ndash; Muitos fatores e analistas apontam para um poss&iacute;vel triunfo de Marina Silva como a primeira mulher negra e amaz&ocirc;nica a chegar &agrave; Presid&ecirc;ncia do Brasil, mas as campanhas eleitorais no pa&iacute;s costumam sofrer mudan&ccedil;as inesperadas, como a que a tornou favorita nas &uacute;ltimas semanas. 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