{"id":17912,"date":"2014-09-10T12:52:27","date_gmt":"2014-09-10T12:52:27","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=120783"},"modified":"2014-09-10T12:52:27","modified_gmt":"2014-09-10T12:52:27","slug":"criticas-a-apoio-militar-dos-estados-unidos-a-luta-contra-o-ebola-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/criticas-a-apoio-militar-dos-estados-unidos-a-luta-contra-o-ebola-na-africa\/","title":{"rendered":"Cr\u00edticas a apoio militar dos Estados Unidos \u00e0 luta contra o ebola na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_120785\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola.jpg\"><img class=\"wp-image-120785\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola.jpg\" alt=\"ebola Cr\u00edticas a apoio militar dos Estados Unidos \u00e0 luta contra o ebola na \u00c1frica\" width=\"529\" height=\"297\" title=\"Cr\u00edticas a apoio militar dos Estados Unidos \u00e0 luta contra o ebola na \u00c1frica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um dos epicentros do ebola, o distrito de Kailahun, na fronteira oriental de Serra Leoa com a Guin\u00e9, est\u00e1 em quarentena desde o come\u00e7o de agosto. Foto: \u00a9EC\/ECHO\/Cyprien Fabre<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 10\/9\/2014 \u2013 As for\u00e7as armadas dos Estados Unidos se somaram \u00e0 ofensiva internacional contra o foco de ebola na \u00c1frica ocidental, mas no momento sua interven\u00e7\u00e3o se limita a um hospital de campanha com 25 leitos na Lib\u00e9ria, um dos cinco pa\u00edses afetados pela enfermidade. Ontem a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) elevou para 2.296 o n\u00famero de mortos de um total de 4.293 pessoas infectadas pelo v\u00edrus, principalmente em Guin\u00e9, Lib\u00e9ria, Serra Leoa e, em menor grau, Nig\u00e9ria e Senegal.<\/p>\n<p>Os defensores da interven\u00e7\u00e3o militar, entre eles vozes destacadas do setor da sa\u00fade mundial, elogiaram a s\u00f3lida capacidade log\u00edstica do Pent\u00e1gono (Departamento de Defesa) dos Estados Unidos que, segundo quase todos os observadores, \u00e9 absolutamente necess\u00e1ria para combater a epidemia que come\u00e7ou em mar\u00e7o na Guin\u00e9. Mas j\u00e1 existem cr\u00edticas pela magnitude da miss\u00e3o. Alguns questionam se tem a for\u00e7a necess\u00e1ria e outros se pode chegar a ser muito ampla no futuro.<\/p>\n<p>A \u00c1frica ocidental tem capacidade de 570 leitos para os pacientes com ebola, mas a organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF) calcula que a regi\u00e3o precisa de pelo menos mil leitos hospitalares, com isolamento completo.<\/p>\n<p>O presidente Barack Obama fez o primeiro an\u00fancio p\u00fablico sobre o tema no dia 7, quando declarou que o foco de ebola \u00e9 um perigo para a seguran\u00e7a nacional dos Estados Unidos. \u201cTemos de conseguir recursos militares norte-americanos apenas para instalar\u201d na \u00c1frica ocidental \u201cunidades de isolamento e equipamentos que deem seguran\u00e7a aos trabalhadores da sa\u00fade p\u00fablica procedentes de todo o mundo\u201d, declarou Obama em entrevista na televis\u00e3o. \u201cSe n\u00e3o fizermos esse esfor\u00e7o j\u00e1 poder\u00e1 ser um grave perigo para os Estados Unidos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Washington gastou mais de US$ 20 milh\u00f5es na \u00c1frica ocidental este ano para combater a doen\u00e7a, mas nos \u00faltimos meses recebeu cr\u00edticas por n\u00e3o fazer o suficiente. Espera-se que Obama solicite fundos adicionais ao Congresso no final deste m\u00eas. Mas a interven\u00e7\u00e3o militar j\u00e1 come\u00e7ou, embora em uma escala muito pequena e, no momento, s\u00f3 na Lib\u00e9ria.<\/p>\n<p>Um porta-voz do Pent\u00e1gono disse \u00e0 IPS que, ao longo do final de semana passada, o secret\u00e1rio da Defesa, Chuck Hagel, aprovou o envio de \u201cum centro hospitalar com 25 leitos, equipamento e apoio necess\u00e1rio para estabelecer a instala\u00e7\u00e3o\u201d na Lib\u00e9ria. O governo tem planos adicionais, mas o Pent\u00e1gono responde apenas \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es de outros \u00f3rg\u00e3os federais norte-americanos e n\u00e3o tem um papel de lideran\u00e7a no assunto. Al\u00e9m disso, sua presen\u00e7a no hospital da Lib\u00e9ria, o pa\u00eds mais afetado pelo ebola, \u00e9 limitada, acrescentou.<\/p>\n<p>O Pent\u00e1gono \u201cn\u00e3o ter\u00e1 uma presen\u00e7a permanente na instala\u00e7\u00e3o nem dar\u00e1 atendimento direto aos pacientes, mas garantir\u00e1 que o hospital esteja abastecido e dar\u00e1 apoio peri\u00f3dico\u201d para seu funcionamento por at\u00e9 180 dias, explicou o porta-voz. \u201cUma vez o centro hospitalar esteja instalado, ser\u00e1 transferido ao governo da Lib\u00e9ria\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>No dia 8, o ministro da Defesa da Lib\u00e9ria, Brownie Samukai, disse que seu governo est\u00e1 \u201cextremamente agradecido\u201d pelo an\u00fancio. Nesse dia, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) alertou para o \u201caumento exponencial\u201d dos casos de ebola nas pr\u00f3ximas semanas. Mas at\u00e9 agora a resposta internacional diante da epidemia \u00e9 considerada perigosamente insuficiente. Entretanto, a declara\u00e7\u00e3o de Obama criou d\u00favidas, inclusive entre os que apoiaram o an\u00fancio.<\/p>\n<p>A MSF, embora historicamente contr\u00e1ria \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar diante dos focos epid\u00eamicos, rompeu essa tradi\u00e7\u00e3o neste caso. A organiza\u00e7\u00e3o afirmou que a comunidade mundial est\u00e1 \u201cfalhando\u201d em sua resposta \u00e0 epidemia e, em uma confer\u00eancia especial da ONU, exortou os pa\u00edses com \u201ccapacidade m\u00e9dica civil e militar a enviarem recursos e pessoal para a \u00c1frica ocidental imediatamente\u201d.<\/p>\n<p>A MSF recebeu com satisfa\u00e7\u00e3o o an\u00fancio de Obama, mas tamb\u00e9m expressou grande preocupa\u00e7\u00e3o pela refer\u00eancia do presidente a que os militares dos Estados Unidos dariam \u201cseguran\u00e7a aos trabalhadores da sa\u00fade p\u00fablica\u201d. O grupo \u201creitera a necessidade de que este apoio seja de car\u00e1ter m\u00e9dico unicamente\u201d, destacou \u00e0 IPS o encarregado de imprensa da organiza\u00e7\u00e3o, Tim Shenk. \u201cOs trabalhadores humanit\u00e1rios n\u00e3o precisam de apoio adicional de seguran\u00e7a na regi\u00e3o afetada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o ainda exortou que o pessoal militar presente na \u00c1frica ocidental n\u00e3o seja usado para \u201cmedidas de quarentena, de conten\u00e7\u00e3o ou de controle de massas\u201d. O porta-voz do Pent\u00e1gono informou \u00e0 IPS que as for\u00e7as armadas norte-americanas ainda n\u00e3o receberam pedido para fornecer seguran\u00e7a aos trabalhadores de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o o \u00fanico pa\u00eds que recorre \u00e0s suas for\u00e7as militares para refor\u00e7ar a resposta humanit\u00e1ria na \u00c1frica ocidental. O governo brit\u00e2nico anunciou, nos \u00faltimos dias, que o pessoal humanit\u00e1rio e militar instalar\u00e1 e administrar\u00e1 68 leitos para pacientes com ebola em um centro m\u00e9dico em Serra Leoa.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o da MSF pelo envio militar norte-americano destaca o fato de que h\u00e1 pouca orienta\u00e7\u00e3o formal sobre a participa\u00e7\u00e3o de militares estrangeiros na resposta internacional diante de problemas sanit\u00e1rios. A OMS, por exemplo, n\u00e3o tem uma posi\u00e7\u00e3o sobre o tema, afirmou um dos seus porta-vozes, Daniel Epstein, \u00e0 IPS. Como se trata de um \u00f3rg\u00e3o intergovernamental, cabe aos pa\u00edses afetados tomar as decis\u00f5es e realizar solicita\u00e7\u00f5es, explicou.<\/p>\n<p>Epstein pontuou que \u201ccada pa\u00eds cuida de sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Assim, se os governos aceitam a participa\u00e7\u00e3o militar de outros pa\u00edses \u00e9 um assunto seu\u201d. Outra porta-voz, Margaret Harris, disse \u00e0 IPS que a OMS agradece \u201cas habilidades que grupos bem treinados, disciplinados e extremamente organizados como as for\u00e7as armadas dos Estados Unidos podem dar \u00e0 campanha para acabar com o ebola\u201d.<\/p>\n<p>Mas a contribui\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos poderia ser menor do que a necess\u00e1ria. Shenk, da MSF, disse que o seu plano militar deveria incluir tanto a constru\u00e7\u00e3o como a gest\u00e3o de centros contra o ebola. Mas, at\u00e9 agora, o Pent\u00e1gono assegura que n\u00e3o se encarregar\u00e1 dos mesmos.<\/p>\n<p>Laurie Garret, destacada especialista em sa\u00fade mundial e integrante do Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, um centro de pesquisas com sede em Washington, expressou seu alarme pelo fato de a interven\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos contra o ebola parecer ser \u201cdiminuta\u201d diante do que falta para conter a epidemia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 10\/9\/2014 &ndash; As for&ccedil;as armadas dos Estados Unidos se somaram &agrave; ofensiva internacional contra o foco de ebola na &Aacute;frica ocidental, mas no momento sua interven&ccedil;&atilde;o se limita a um hospital de campanha com 25 leitos na Lib&eacute;ria, um dos cinco pa&iacute;ses afetados pela enfermidade. 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