{"id":17919,"date":"2014-09-15T13:54:21","date_gmt":"2014-09-15T13:54:21","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=121035"},"modified":"2014-09-15T13:54:21","modified_gmt":"2014-09-15T13:54:21","slug":"maioria-dos-artigos-de-consumo-vem-do-desmatamento-ilegal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/09\/ultimas-noticias\/maioria-dos-artigos-de-consumo-vem-do-desmatamento-ilegal\/","title":{"rendered":"Maioria dos artigos de consumo vem do desmatamento ilegal"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_121037\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/nicachica.jpg\"><img class=\"wp-image-121037\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/nicachica.jpg\" alt=\"nicachica Maioria dos artigos de consumo vem do desmatamento ilegal\" width=\"529\" height=\"397\" title=\"Maioria dos artigos de consumo vem do desmatamento ilegal\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Madeira confiscada na Reserva de Biosfera de Bosawas, na Nicar\u00e1gua. Foto: Jos\u00e9 Garth Medina\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 15\/9\/2014 \u2013 Pelo menos metade do desmatamento mundial \u00e9 ilegal e est\u00e1 vinculado \u00e0 agricultura comercial, sobretudo para abastecer os mercados estrangeiros, afirma um novo estudo. Na \u00faltima d\u00e9cada, a maior parte do desmatamento ilegal de florestas do mundo se deveu pela demanda estrangeira por artigos b\u00e1sicos como papel, carne bovina, soja e \u00f3leo de palma.<\/p>\n<p>Entretanto, os governos dos principais mercados, como Estados Unidos, e Uni\u00e3o Europeia (UE), n\u00e3o tomaram quase nenhuma medida para desestimular o consumo desses produtos. De fato, seria muito dif\u00edcil adotar medidas, j\u00e1 que o uso desses produtos potencialmente \u201csujos\u201d \u00e9 generalizado e cotidiano em muitos pa\u00edses, segundo a an\u00e1lise, divulgada no dia 11 pela Forest Trends, uma organiza\u00e7\u00e3o independente dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cNos supermercados m\u00e9dios da atualidade, existe o risco de a maioria dos produtos conter mat\u00e9rias-primas procedentes de terras desmatadas ilegalmente\u201d, opinou Sam Lawson, autor do informe e diretor da Earthsighty, uma organiza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica que investiga crimes ambientais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 assim para qualquer produto envolto em papel ou papel\u00e3o, toda carne bovina, de frango e su\u00edna, j\u00e1 que esses animais s\u00e3o criados \u00e0 base de soja. E, naturalmente, o \u00f3leo de palma est\u00e1 agora em quase tudo, do batom aos sorvetes\u201d, detalhou Lawson. \u201cSempre existe esse risco\u201d porque n\u00e3o h\u00e1 leis que evitem a importa\u00e7\u00e3o e a venda desses produtos, acrescentou.<\/p>\n<p>Em geral, 40% do \u00f3leo de palma e 14% da carne bovina comercializados no mundo procedem de terras desmatadas ilegalmente, afirma o estudo. O mesmo ocorre com 20% da soja e um ter\u00e7o da madeira tropical utilizada para fabricar produtos de papel. Enquanto isso, exporta-se cerca de 75% da soja brasileira e do \u00f3leo de palma indon\u00e9sio. Essa tend\u00eancia est\u00e1 aumentando em Papua Nova Guin\u00e9 e na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p>Estudos anteriores sobre este problema se limitavam a pa\u00edses, setores ou empresas espec\u00edficas, mas o novo informe \u00e9 o primeiro que extrapola os dados em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>\u201cA demanda dos consumidores dos mercados estrangeiros se traduziu na elimina\u00e7\u00e3o ilegal de mais de 200 mil quil\u00f4metros quadrados de florestas tropicais nos primeiros 12 anos do novo mil\u00eanio\u201d, diz o informe, segundo o qual isso equivale a, \u201cem m\u00e9dia, cinco campos de futebol por minuto\u201d. Embora grande parte desse desmonte ilegal seja facilitada pela corrup\u00e7\u00e3o e por falta de capacidade do Sul em desenvolvimento, para Lawson a culpa \u00e9 dos outros.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o as empresas que realizam esses atos e as que t\u00eam a responsabilidade, em \u00faltima inst\u00e2ncia. Os grandes pa\u00edses consumidores tamb\u00e9m devem deixar de permitir o livre acesso aos seus mercados desses produtos que prejudicam os esfor\u00e7os dos pa\u00edses em desenvolvimento\u201d, apontou Lawson.<\/p>\n<p>As repercuss\u00f5es da degrada\u00e7\u00e3o das terras florestais s\u00e3o locais e mundiais para os meios de vida, os ecossistemas e a sa\u00fade humana. As florestas maduras n\u00e3o cont\u00eam apenas grandes quantidades de carbono, mas tamb\u00e9m absorvem continuamente di\u00f3xido de carbono da atmosfera. Entre 2000 e 2012, as emiss\u00f5es associadas ao desmatamento ilegal com fins agr\u00edcolas comerciais equivaliam, em cada ano, a um quarto das emiss\u00f5es anuais de combust\u00edveis f\u00f3sseis da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>O informe foi divulgado enquanto s\u00e3o preparadas duas grandes c\u00fapulas mundiais sobre o clima. No final deste m\u00eas, o secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ban Ki-moon, receber\u00e1 governantes de todo o mundo em Nova York para discutir o tema, e em dezembro acontecer\u00e1 a pr\u00f3xima rodada de negocia\u00e7\u00f5es sobre o clima mundial no Peru. Este \u00faltimo encontro \u00e9 conhecido como a rodada da \u201cfloresta\u201d.<\/p>\n<p>Alguns observadores sugerem que a silvicultura oferece o maior potencial para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es mundiais. O crescente consenso mundial em torno da import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o da cobertura florestal diante da mudan\u00e7a clim\u00e1tica criou importantes gest\u00f5es internacionais para deter o corte ilegal.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Lawson assegura que algumas das empresas que antes se dedicavam ao corte ilegal de madeiras duras tropicais agora desmontam as florestas ilegalmente para dar lugar \u00e0 agricultura de grande escala. \u201cA maior amea\u00e7a para as florestas est\u00e1 mudando gradualmente, e essa amea\u00e7a hoje \u00e9 a agricultura comercial. O que precisamos agora \u00e9 repetir alguns dos esfor\u00e7os realizados em rela\u00e7\u00e3o ao corte ilegal e aplic\u00e1-los aos produtos b\u00e1sicos agr\u00edcolas\u201d, recomendou.<\/p>\n<p>A UE, por exemplo, est\u00e1 para implantar um sistema bilateral de concess\u00e3o de licen\u00e7as que permitiria rastrear a origem da madeira cortada ilegalmente. Lawson prop\u00f5e que sejam adotados acordos bilaterais semelhantes para as principais mat\u00e9rias-primas. Desta maneira, governos e companhias transnacionais deveriam garantir que os produtos comercializados n\u00e3o procedem de terras florestais desmatadas ilegalmente. Em ess\u00eancia, o requisito b\u00e1sico para a entrada nos principais mercados seria a legalidade comprovada das mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n<p>Atualmente, a compra ou n\u00e3o de um produto elaborado com elementos que possivelmente procedam de terras desmatadas ilegalmente depende da decis\u00e3o dos consumidores. Mas esse tipo de acordo modificaria por completo essa situa\u00e7\u00e3o. \u201cToda responsabilidade que recai no consumidor me desagrada. N\u00e3o deveria ser t\u00e3o dif\u00edcil tomar essas decis\u00f5es\u201d, pontuou Danielle Nierenberg, presidente da Food Tank, uma organiza\u00e7\u00e3o com sede em Washington que trabalha em torno da sustentabilidade e da seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>\u201cO fato \u00e9 que os consumidores continuam imunes a essas quest\u00f5es. Apesar do crescimento do movimento por alimentos locais nos pa\u00edses ocidentais, continua existindo importante demanda por uma diversidade de produtos de baixo custo. \u00c9 por isso que a verdadeira a\u00e7\u00e3o tem de partir da parte empresarial e os governos devem adotar um compromisso maior\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos pro\u00edbem o uso de produtos de madeira de origem ilegal. Seu regime jur\u00eddico teve grande efici\u00eancia ao excluir o enorme mercado desse pa\u00eds para a entrada desses produtos. Por\u00e9m, Washington n\u00e3o tem interesse pol\u00edtico em fazer algo semelhante com rela\u00e7\u00e3o aos produtos agr\u00edcolas, ressaltou Nierenberg.<\/p>\n<p>\u201cA verdadeira oportunidade para a iniciativa estatal procede dos pa\u00edses em desenvolvimento\u201d, afirmou Nierenberg. \u201c\u00c9 preciso investir mais nos pequenos e m\u00e9dios produtores agr\u00edcolas, proteger suas \u00e1reas da apropria\u00e7\u00e3o de terras e investir em tecnologias agr\u00edcolas simples que realmente funcionem. \u00c9 a\u00ed onde pode ocorrer a verdadeira mudan\u00e7a\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 15\/9\/2014 &ndash; Pelo menos metade do desmatamento mundial &eacute; ilegal e est&aacute; vinculado &agrave; agricultura comercial, sobretudo para abastecer os mercados estrangeiros, afirma um novo estudo. 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